Militarizando o Atlântico Sul a partir da base em Malvinas
A Colômbia alinha-se como aliado da OTAN na sua ameaça nuclear contra a América do Sul

Cronicon.net    21.Abr.13    Outros autores

Enquanto Cavaco Silva escolhe visitar dois dos países da América Latina – Colômbia e Peru – onde o poder mais investe na aliança com o imperialismo, a Colômbia avança na integração militar na estratégia da OTAN. A determinação imperialista de manter na América Latina uma situação de dominação colonial ou neocolonial inclui a crescente presença e ameaça militar, incluindo a instalação de armamento nuclear.

Enquanto o governo da presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner vem denunciando perante a comunidade internacional que a Grã-Bretanha - com o decidido apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) - estabeleceu uma importante base militar nas Ilhas Malvinas (Mount Pleasent) com o propósito de amedrontar o sul do continente, base a partir da qual operam aviões de caça supersónicos, submarinos atómicos, e onde foi instalado um arsenal de armas atómicas, a Colômbia une-se a esta associação militar europeia, que está sob a autoridade e o controlo dos Estados Unidos, como único país latino-americano seu aliado.

Com efeito, o governo colombiano enviou a sua vice-ministra da Defesa, Diana Quintero, à reunião da OTAN realizada na cidade de Monterrey no Estado da Califórnia entre 28 de Fevereiro e 1 de Março.

Segundo as informações à imprensa, a Colômbia é a única nação latino-americana que marcou presença nesta reunião da OTAN. Ao fim e ao cabo este país andino cumpre fielmente as orientações de Washington e segue sem falhas o guião dos estrategas do Pentágono e do Departamento de Estado, que lhe atribuíram a função de se consolidar como o Israel da América do Sul, como bem assinalou o politólogo argentino Atilio Boron.

Merece a pena referir que os relatos oficiais colocam a ênfase na “honra” que constitui para a Colômbia ter sido o único país da América Latina convidado a participar neste encontro, denominado “Construindo Integridade”, que reuniu representantes militares de 138 países.

O convite a Colômbia, segundo o governo de Juan Manuel Santos, surgiu “graças ao reconhecimento dos seus progressos na boa utilização dos recursos do sector Defesa”.

ENCLAVE MILITAR COLONIALISTA

O objectivo da OTAN, com a acumulação de armamentos e tropas na América do Sul, é converter os mares del sul num enclave militar colonialista sob o absurdo pretexto de se tratar de um “santuário ecológico”. Trata-se, sem dúvida, de uma escalada da política imperialista e colonialista da Grã-Bretanha e dos seus aliados da OTAN que, como se sabe, estabeleceram uma importante base militar nas Ilhas Malvinas (Mount Pleasent), a partir da qual operam aviões de caça supersónicos e submarinos atómicos.

O Ministério de Relações Exteriores da Argentina acusou o Reino Unido de, em cumplicidade com a OTAN, instalar armas nucleares próximo das disputadas Ilhas Malvinas e de militarizar o Atlântico Sul.

Adicionalmente, o governo argentino denunciou a precária implementação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares na América Latina face à desproporcionada e injustificada presença militar do Reino Unido no Atlântico Sul, presença que inclui a deslocação de submarinos nucleares com capacidade de transportar armamento desse tipo. Tudo isso com o apoio da OTAN e dos Estados Unidos.

Para alguns organismos de direitos humanos é evidente que a inexistência de um poder militar antagónico equivalente no Atlântico Sul faz com que a presença armada de um país membro da OTAN nessa zona apenas possa ter um carácter agressivo. É uma clara ameaça do uso da força para preservar o estatuto colonial dos arquipélagos do Sul, por parte de um país que, é necessário não o esquecer, é uma potência nuclear e conta com o aval e a cumplicidade dos Estados Unidos.

A esta agressão une-se de forma cúmplice o governo colombiano de Juan Manuel Santos.

NOTAS DE REBELIÓN:

- Contabilizam-se até este momento meia centena (47) de bases militares estrangeiras na América Latina. Dado o seu interesse, recomendamos a leitura do inventário realizado pelo Movimento pela Paz, a Soberania e a Solidariedade entre os Povos e publicado por Rebelion.org em 18 de Maio passado: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=149829
do qual extraímos a seguinte informação e anexamos os mapas publicados por http://www.dossiergeopolitico.com/2012/05/47-bases-extranjeras-en-latinoamerica.html
- No arquipélago das Malvinas, ocupado colonialmente pela Grã-Bretanha, destaca-se a fortaleza da OTAN em Mount Pleasent, Isla Soledad, cuja pista maior tem um comprimento de 2.600 metros. A actual dinamização da militarização do Atlântico Sul posiciona a Fortaleza Malvinas como a força mais importante da OTAN nessa região.

Fonte: http://cronicon.net/paginas/edicanter/Ediciones82/NOTA001.htm

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