No centenário do nascimento de Álvaro Cunhal

Georges Gastaud*    22.Nov.13    Destaques

A obra de Álvaro Cunhal não pertence apenas ao povo português. Precisamente em virtude da sua dupla ancoragem nacional e internacional, ela pertence doravante ao património mundial dos comunistas, dos trabalhadores, e do movimento universal pela emancipação dos povos.


« A nossa alegria de viver e de lutar nasce da convicção profunda de que a causa pela qual lutamos é justa, entusiasmante e invencível »
Álvaro Cunhal

O PRCF presta solenemente homenagem a Álvaro Cunhal por ocasião do 100º aniversário do seu nascimento. Os militantes convictamente comunistas de França saúdam igualmente a criação do círculo Álvaro Cunhal em Paris.

Álvaro Cunhal foi, desde a sua juventude, um militante heróico e um dirigente inflexível da luta antifascista à frente do seu partido, o PCP, única força organizada a resistir durante décadas de ditadura salazarista, com o apoio indefectível dos elementos avançados do proletariado, do campesinato e da intelectualidade portuguesa.

Cunhal e os comunistas portuguese souberam persistentemente aliar o patriotismo democrático e o internacionalismo proletário para, em simultâneo, libertar a sua pátria do fascismo e ajudar de forma concreta os movimentos de libertação em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau : nunca se verificara anteriormente na história uma tal fusão entre a libertação da «metrópole» imperialista e a das colónias oprimidas, comprovando, na linhagem de Engels, que um povo que recusa oprimir outros povos cria as condições da sua própria libertação.

Em 1974-75, enquanto os mais altos dirigentes «eurocomunistas» do PC de Espanha e do PC italiano abandonavam de forma vergonhosa o PC português para apresentar garantias de «moderação» às burguesias europeias, Cunhal - apoiado então pelo PCF e por Georges Marchais – impulsionou vigorosamente a intervenção revolucionária dos operários lisboetas e do proletariado rural do Alentejo apontando claramente o rumo: o de uma democracia combativa em marcha para a revolução socialista. Cunhal pôde contar durante algum tempo com uma solida aliança do PCP com as forças mais avançadas do Movimento das Forças Armadas (MFA), nomeadamente com o Primeiro-ministro da transição, o eminente oficial progressista Vasco Gonçalves.

Ainda que a luta pelo socialismo não tenha podido ser levada até ao fim, em consequência da contra-ofensiva reaccionária interna e da ajuda maciça do SPD alemão ao contra-revolucionário «socialista» Soares, a Constituição democrática de Portugal, a descolonização da África lusófona constituem aquisições tangíveis sobre as quais ainda hoje o povo português se apoia para resistir ao processo de destruição da nação pela Europa supranacional e pelos seus colaboracionistas «portugueses» do grande capital e da social-democracia.
Enquanto tantos dirigentes « comunistas » ocidentais cediam às sereias do «eurocomunismo» (comunismo em palavras, capitulação de facto perante a Europa supranacional capitalista!), enquanto tantos partidos comunistas se dissolviam, « mutavam » ou renegavam o leninismo sob o impacto da contra-revolução na URSS, o PCP educado par Cunhal resistiu, associando o marxismo-leninismo à busca de uma política original adaptada à situação e às tradições politicas portuguesas. Nos dias de hoje, o PCP luta por uma « política patriótica e de esquerda » que associa a bandeira vermelha com a foice e o martelo à bandeira da nação portuguesa.

Cunhal foi também um grande intelectual, um refinado teórico marxista e um verdadeiro poeta honrando a sua língua… e falando perfeitamente a nossa.

Em consequência, a sua obra não pertence apenas ao povo português. Em virtude precisamente da sua dupla ancoragem nacional e internacional, ela pertence doravante ao património mundial dos comunistas, dos trabalhadores, e do movimento universal pela emancipação dos povos.

Secretário nacional do PRCF, filósofo.

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