A Revolução de Outubro, nosso caminho

Pável Blanco Cabrera*    22.Dic.15    Destaques

A riqueza da Revolução de Outubro reside no seu carácter geral e universal, que os oportunistas procuram ocultar e diminuir ao apresentá-la como um processo peculiar, particular, nacional, excepcional.

Com o triunfo da Revolução Proletária de 7 de Novembro de 1917 produz-se uma viragem na Historia da humanidade que confirma o que fora já esboçado na Comuna de Paris de 1871 e na teoria e na prática elaboradas por Marx, Engels e Lénine.

O Partido Bolchevique, o partido comunista, organizou com precisão a insurreição de operários, camponeses pobres, soldados revolucionários, povos oprimidos, resultado de uma sólida aliança forjada pelos comunistas. A Revolução teve como premissa a organização do proletariado em classe, assumindo a sua ideologia e levantando as suas bandeiras programáticas, as suas bandeiras e não as alheias por mais que estas parecessem um mal menor, por mais que as dos mencheviques e democratas-burgueses parecessem progressistas.

Na origem da Revolução proletária está a própria formação do Partido Comunista, como POSDR, o seu II Congresso, e a existência do bolchevismo como corrente política, como partido político da classe dos proletários, como partido comunista, como partido revolucionário. É o Partido o agente que conscientemente organiza o processo revolucionário e que combate o culto do espontaneismo, as ilusões, os falsos caminhos. É o organizador da classe operária, o seu Estado-maior, que nas bruscas viragens do conflito socioclasista pode orientar com uma táctica flexível, firmemente ancorado na estratégia, para levar ao poder a classe operária, o poder dos sovietes.

Não se pode falar da Revolução socialista sem o partido da classe operária, que surge e se desenvolve em aguda luta com correntes ideológicas que impedem, travam, postergam, a constituição do proletariado em classe, por mais aparências de revolucionarismo que tenham. É por isso que os bolcheviques desenvolvem uma confrontação sem concessões com o populismo, o anarquismo, o oportunismo, o dogmatismo. Lénine mostra-nos que a opção classista não concede, no plano ideológico, o mínimo espaço ao ecumenismo, e é sem dúvida por isso que o “pensamento crítico” e demais teorias nutridas pelo pós-modernismo, a “alteridade”, e em geral os marxólogos da academia, continuam condenando o marxismo-leninismo e o contributo de Lénine para o enriquecimento da teoria revolucionaria. O debate do bolchevismo versus todas essas correntes foi férreo, e a frente ideológica uma tarefa de primeira ordem para que os trabalhadores adquirissem consciência de classe, se organizassem politicamente e actuassem como o destacamento dirigente da Revolução. É uma lição para a acção contemporânea dos comunistas não desvalorizar as posições classistas, não diluir as características de identidade, nem rebaixar os objectivos programáticos. Que lamentável papel o daqueles que hoje, pensando-se comunistas, são dirigidos por neo-anarquistas; que pela sua incapacidade organizativa entre a classe operária baixam as bandeiras ante os “sujeitos emergentes”; que lamentável papel o daqueles que dando-se o nome de comunistas prestam fiel culto ao espontaneismo, que se deixam surpreender pelos acontecimentos e se associam às correntes na moda ainda que elas atrasem a luta da classe operária; que cedem sem rubor aos movimentos pequeno-burgueses como o das praças, os occupys, que acabam em relançamentos políticos de iniciativas social-democratas para reforçar o capitalismo.

Se o partido bolchevique não tivesse empreendido essa confrontação ideológica e enriquecido o marxismo, dificilmente teria conquistado a vanguarda.
A riqueza da Revolução de Outubro está no seu carácter geral e universal, que procura ser ocultado, tergiversado, diminuído pelos oportunistas, ao apresenta-la como um processo peculiar, particular, nacional, excepcional. Lénine e os comunistas, aprendendo com Marx e Engels, estudam o capital com a dialéctica materialista, compreendendo o desenvolvimento que o leva da livre concorrência ao monopólio e posteriormente à sua fase imperialista, e compreendendo como romper essa cadeia no seu elo mais fraco. No capitalismo na sua fase final as contradições entre o capital e o trabalho e inter-imperialistas acentuam-se, e o Partido deve estudá-las permanentemente, atento às viragens bruscas e a intervir com as palavras de ordem adequadas, concentrando forças, avançando, recuando ordenadamente se for necessário.

Todos os ensinamentos da história da Revolução de Outubro são válidos, e para o PCM trata-se de um processo vivo que guia o nosso agir, não como referência passada mas como a fonte que orienta as tarefas contemporâneas do proletariado, precisamente pelo seu carácter histórico-universal.
¿Haverá outra saída face ao capitalismo, em crise profunda de sobre-acumulação e sobreprodução? Com toda a certeza, dizemos: o nosso caminho é o caminho aberto pela Grande Revolução Socialista de Outubro.

El Comunista, órgão do Comité Central do Partido Comunista de México

*Primeiro Secretario do CC do PCM

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