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O desenvolvimento do míssil de base móvel rápida da Coreia do Norte: qual o seu alcance e por que inquieta os EUA

Gregory Elich* :: 11.07.17

A Coreia do Norte afirma que o seu programa nuclear “é uma medida legítima e justa de autodefesa, para proteger a soberania e o direito à existência” da nação. Medida ainda mais legítima quanto a ameaça principal vem dos EUA, cuja política externa tem como princípio fundamental a possibilidade de atacar qualquer nação à sua escolha e que nenhum país possa ter meios de se defender. Se a Coreia do Norte conseguir estabelecer um dissuasor nuclear efectivo, isso poderia ter sérias implicações geopolíticas para a política dos EUA, já que outras nações-alvo podem seguir o exemplo da Coreia do Norte para garantir a sua sobrevivência.

Os norte-coreanos registaram a experiência da Jugoslávia, do Iraque e da Líbia e chegaram à conclusão de que uma pequena nação que confia apenas em armas convencionais não tem hipótese de impedir o ataque dos Estados Unidos. A Coreia do Norte diz que o seu programa nuclear “é uma medida legítima e justa de autodefesa, para proteger a soberania e o direito à existência” da nação. […] Para os Estados Unidos, é um princípio fundamental da sua política externa ter a possibilidade de atacar qualquer nação à sua escolha e que nenhum país possa ter meios de se defender. […] …se a Coreia do Norte conseguir estabelecer um dissuasor nuclear efectivo, então isso poderia ter sérias implicações geopolíticas para a política dos EUA, já que outras nações-alvo podem seguir o exemplo da Coreia do Norte para garantir a sua sobrevivência.

Desde que o Presidente Trump tomou posse, a Coreia do Norte realizou um grande número de testes de mísseis, e desencadeou uma onda de condenação pelos media e por figuras políticas dos EUA. A reacção contém mais do que um elemento de propagação de medo e, algumas vezes, sugere que, logo que a Coreia do Norte possua um míssil balístico intercontinental (ICBM [acrónimo em inglês]), será bem capaz de desencadear um ataque não provocado contra o território dos EUA.

O que tende a faltar em tais notícias é qualquer sentido de reflexão sóbria e espalha-se muita confusão a respeito do actual estado do programa norte-coreano. Este artigo deita um olhar mais próximo aos lançamentos mais recentes de mísseis da Coreia do Norte e defende que não constituem uma ameaça à segurança da população dos EUA, como propalam os media monopolizados, mas sim para os cálculos estratégicos dos EUA na região.

Pukguksong-2

O primeiro a ser testado, em 11 de Fevereiro, o Pukguksong-2 é um míssil balístico de médio alcance, baseado no modelo do Pukguksong-1, lançado a partir de um submarino. A principal vantagem do Pukguksong-2 sobre os outros mísseis balísticos terrestres norte-coreanos é ser alimentado por combustível sólido. Por essa razão, o Pukguksong-2 tem de longe maior mobilidade e mais longa duração do que outros mísseis de médio alcance norte-coreanos que têm melhor desempenho do que ele. Os outros mísseis são abastecidos por combustível líquido sendo, por isso, necessário fazer-se acompanhá-los de camiões-tanque enquanto se desloca. A necessidade de um longo período de abastecimento antes do seu lançamento torna-o vulnerável a ataques.

Voando numa trajectória quase vertical, o Pukguksong-2 avança 500 quilómetros e atinge uma altura máxima de 550 quilómetros. Isto traduz um alcance de 1.200 quilómetros, se o míssil for disparado numa trajectória regular, usando a mesma carga útil.

Uma das razões para a trajectória ascendente inabitual do teste foi a necessidade de os técnicos estarem em condições técnicas de monitorizar a recolha de dados com o míssil em funcionamento. A trajectória tão pouco comum também pode ter sido tomada, como afirma a Coreia do Norte, para evitar os constrangimentos políticos de sobrevoar o Japão.

O míssil foi de novo testado em 21 de Maio e seguiu uma trajectória idêntica à do primeiro. Apesar de a Coreia do Norte afirmar que o míssil entraria em fase de produção em massa, são necessários mais testes para consolidar a fiabilidade e a precisão. Não parece que o veículo de reentrada tenha sido testado neste momento, uma vez que não existiam os estabilizadores e os propulsores necessários à capacidade de controlo da parte final do voo. Segundo o perito em mísseis John Schilling, “vão ser provavelmente necessários quatro ou cinco anos” para que o Pukguksong-2 se torne “o principal elemento da força estratégica de mísseis da Coreia do Norte e, mesmo assim, numa versão de primeira geração com ogiva não manobrável”.

As diferentes performances dos dois testes indicam que há passos que ainda não foram dados no processo de fabrico do engenho para que possa produzir resultados consistentes.

Hwasong-12

Depois de três lançamentos falhados, em Abril deste ano, o míssil de médio alcance Hwasong-12 foi finalmente bem-sucedido, em 14 de Maio. Ao contrário do Pukguksong-2, este míssil é alimentado a combustível líquido. Segundo todas as avaliações, o desempenho do Hwasong-12 demonstrou um avanço tecnológico significativo sobre todos os outros mísseis norte-coreanos. No último teste, o míssil voou até uma inclinação de 85 graus e atingiu uma altura de 2.111 quilómetros. Calcula-se que uma trajectória normal dará ao míssil um alcance de 4.500 quilómetros, tornando-o capaz de atingir a força estratégica de bombardeiros dos EUA em Guam.

Mais importante ainda é este êxito notável do teste da Coreia do Norte de um vaivém espacial. Uma ogiva nuclear deve ser capaz de resistir ao calor enorme gerado pela entrada na atmosfera terrestre para atingir o seu alvo. Sem essa capacidade, a Coreia do Norte não terá efectivos meios de dissuasão nuclear. O equipamento de vigilância da Coreia do Sul conseguiu recolher dados de comunicações entre a ogiva descendente e o controlo norte-coreano no solo, confirmando o sucesso do teste.

Mísseis antinavio

Em 29 de Maio, a Coreia do Norte testou uma versão melhorada do Hwasong-7. Entre esses melhoramentos estão estabilizadores verticais para melhorar a estabilidade durante a fase de lançamento, um aparelho na secção média para controlo de velocidade e tecnologia de controlo da fase final do voo para obter maior precisão. Diz-se que o míssil tem um alcance de 1.000 quilómetros e destina-se a alvos no mar.

Um pouco mais do que uma semana depois, a Coreia do Norte lançou vários mísseis de cruzeiro antinavio, o que demonstra excelente capacidade de manobra e precisão. Segundo os media da Coreia do Norte, os mísseis “detectaram com precisão e alcançaram os alvos no mar no leste do Mar da Coreia e depois de fazerem voos circulares”. Estima-se que a distância de voo foi de 200 quilómetros, e tal como outros mísseis norte-coreanos testados este ano, os mísseis de cruzeiro foram renovados.

Os mísseis de cruzeiro foram detonados a partir de veículos de transporte acompanhados à distância, capazes de atravessar terreno muito acidentado, permitindo, pois, irem para locais onde será mais difícil localizá-los e destruí-los.

Os mísseis balísticos intercontinentais no futuro da Coreia do Norte

Os media ocidentais, abundantes em especulação e parcos na informação, querem fazer-nos acreditar que a Coreia do Norte está em vias de testar um ICBM um dia destes. Existem problemas técnicos implicados no desenvolvimento de um ICBM muito mais difíceis para resolver pela Coreia do Norte do que no caso do Hwasong-12.

Quanto maior é o alcance de um míssil balístico, maior é a quantidade total do calor que o veículo de reentrada tem de suportar. A relação entre o calor associado ao alcance – e, consequentemente à velocidade – aumenta tão rapidamente, que um teste bem-sucedido de reentrada de um míssil balístico de médio alcance nada diz sobre o que pode acontecer com um intercontinental. Um veículo de reentrada lançado por um ICBM tem de absorver, de longe, mais danos que no caso dos mísseis de curto alcance. Os EUA levaram vários anos a resolver o problema de conceber um veículo sobrevivente de reentrada de um ICBM.

Uma ogiva nuclear tem de ser miniaturizada para reduzir o peso, de modo a poder ser transportável num míssil. Como afirmam os especialistas de tecnologia militar Markus Schiller e Theodore Postol, “é improvável que a Coreia do Norte tenha hoje uma arma nuclear que pese menos de 1.000 Kg. Também é improvável que esta primeira geração de armas nucleares seja capaz de sobreviver aos inevitáveis 50 G de desaceleração da entrada da ogiva de uma altitude de cerca de 10.000 Km”.

Pensou-se que o Hwasong-12 poderia constituir a base para desenvolver um ICBM. Porém, o míssil teria de ser modificado para juntar mais um módulo que seria necessário para isso. Recentemente, a Coreia do Norte testou no solo um foguetão sobre o qual os funcionários americanos especularam como sendo a colocação do último módulo do ICBM. Baseada apenas em imagens de satélite, essa conclusão nada mais é do que uma suposição. Independentemente da natureza do teste do engenho, está por fazer uma enorme quantidade de trabalho para transformar um míssil existente num ICBM e para aperfeiçoar a tecnologia associada, tal como o sistema de comando e de reentrada do veículo.

Além disso, antes de um míssil ser considerado operacionalmente pronto, é necessário passar pela realização de múltiplos testes, para assegurar que este cumpre padrões de fiabilidade e desempenho. O Hwasong-12 foi bem-sucedido em apenas um dos seus quatro testes.

Ameaças e provocações

No ocidente existe um dogma segundo o qual cada teste de míssil balístico da Coreia do Norte é uma “ameaça” ou uma “provocação”. Mas será verdade? Nos últimos meses, a Índia testou os seus mísseis balísticos Agni-2 de médio alcance e Agni-3 de alcance intermédio, assim como um Agni-5 ICBM de que resultaram bocejos de indiferença. O Paquistão disparou o míssil balístico Ababeel de médio alcance, capaz de transportar múltiplas ogivas, enquanto a China e a Rússia testaram ICBM. Os Estados Unidos, enquanto condenavam drasticamente a Coreia do Norte pelos seus testes, lançaram o Minuteman 3 [1] e mísseis Trident. Nenhum destes testes de forças nucleares foi considerado provocatório. Nem há conhecimento de reacções à hipocrisia da administração Trump quando dizia sentir-se afrontada pelo que a Coreia do Norte estava a fazer.

Falando objectivamente, não há diferença entre os testes de mísseis da Coreia do Norte e os outros, embora se deva sublinhar que o arsenal da Coreia do Norte é insignificante perante o dos EUA, composto por cerca de 7.000 ogivas nucleares.

Como observou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, “Não há um único artigo ou determinação na Carta das Nações Unidas ou qualquer outra lei internacional que estipule que os testes nucleares ou lançamento de foguetões balísticos constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais”. O poder político e económico dos Estados Unidos deu-lhe os meios de incitar outros membros do Conselho de Segurança da ONU a concordar com a sua exigência de imposição de sanções à Coreia do Norte. Por isso, a Coreia do Norte é a única nação discriminada pelas sanções da ONU que a impedem de testar o mesmo tipo de mísseis que outros países são livres de fazer. Não existe base legal para este duplo critério, que é fundamentalmente um produto da influência dos EUA.

Na perspectiva norte-coreana, os exercícios militares em grande escala que os Estados Unidos conduzem regularmente, em conjunto com a Coreia do Sul, são uma ameaça. Estas simulações ensaiam a invasão da Coreia do Norte, incluindo operações de decapitação para matar os líderes norte-coreanos. Recentemente, os aviões bombardeiros americanos B-1B executaram uma série de voos sobre a Coreia do Sul, praticando o bombardeio de saturação da Coreia do Norte. Originalmente projectado para transportar armas nucleares, o B-1B passou por uma transformação, há dez anos, para só ser utilizado com armas convencionais. No entanto, o avião ainda é uma arma formidável e possui uma capacidade de carga útil três vezes superior à de um B-52.

Na mentalidade ocidental, nenhuma destas acções pode ser interpretada como “provocatória”, ou uma “ameaça” à Coreia do Norte. Mas é fácil imaginar a reacção histérica se a Rússia conduzisse exercícios militares conjuntos em Cuba, ensaiando o bombardeamento e a invasão dos Estados Unidos, juntamente com o assassinato de líderes políticos dos EUA.

A recusa de reconhecer a Coreia do Norte como um Estado nuclear

A política de Trump de “máxima pressão e envolvimento” baseia-se no princípio de que os Estados Unidos não reconhecerão a Coreia do Norte como um Estado nuclear. Mas, o que significa isto? A Coreia do Norte, como todos sabem, é um Estado nuclear.

O que os EUA querem dizer é que não reconhecerão o direito de a Coreia do Norte ser um Estado nuclear. Por que é isto importante?
De acordo com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), apenas os cinco países que já possuíam armas nucleares quando o tratado entrou em vigor, em 1970 – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China – são internacionalmente reconhecidos como Estados de armas nucleares. O tratado exige-lhes que reduzam o seu arsenal nuclear para eventual eliminação e proíbe todos os outros signatários de possuírem armas nucleares.

Não interessa que os cinco Estados de armas nucleares estejam longe de alcançar o seu compromisso de desarmamento e que os Estados Unidos gastem 1 trilião de dólares para modernizar o seu arsenal nuclear. A principal preocupação dos Estados Unidos é a segunda parte do objectivo declarado do TNP – que ninguém mais, além dos cinco Estados de armas nucleares oficialmente reconhecidos, deverá ter armas nucleares. Como tal, o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, na visão dos EUA, é uma afronta a esta doutrina e o país deve ser punido em conformidade.
Mas quanto à Índia, ao Paquistão e a Israel – também países com armas nucleares, que não são partes do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), pode perguntar-se: recusam-se os Estados Unidos a reconhecê-los como Estados nucleares?
Nisso reside a maior hipocrisia da condenação dos EUA dos testes nucleares e de mísseis da Coreia do Norte. Por que os EUA não têm nenhum problema com o facto da Índia, Paquistão e Israel possuírem armas nucleares, não têm sentido necessidade de fazer uma tal proclamação.

O desenvolvimento de mísseis de aceleração da Coreia do Norte: ameaça à hegemonia dos EUA
Não passou despercebido que o ritmo dos testes de mísseis da Coreia do Norte acelerou nos últimos meses. Quando o ano começou, a Coreia do Norte encontrou-se numa posição algo vulnerável, dada a retórica agressiva da administração Trump. A Coreia do Norte tinha um programa de armas nucleares, mas nenhum veículo de reentrada testado – o que significava que não tinha meios de concretização. As armas convencionais do norte são suficientes para infligir pesados danos à Coreia do Sul. Mas, num conflito, os danos às forças dos EUA seriam relativamente leves, especialmente se os EUA lançassem um primeiro ataque para eliminar grande parte da capacidade militar da Coreia do Norte. A janela de oportunidade para atacar a Coreia do Norte fechar-se-ia permanentemente desde que ela pudesse apresentar meios efectivos para utilizar uma arma nuclear e a capacidade de atacar aviões militares norte-americanos estacionados em Guam e porta-aviões longe da costa da península coreana. Assim, para a Coreia do Norte, a corrida estava lançada.

Os norte-coreanos registaram a experiência da Jugoslávia, do Iraque e da Líbia e chegaram à conclusão de que uma pequena nação que confia apenas em armas convencionais não tem chance de impedir o ataque dos Estados Unidos. A Coreia do Norte diz que o seu programa nuclear “é uma medida legítima e justa de autodefesa, para proteger a soberania e o direito à existência” da nação.

Essa é uma conclusão que os EUA desejam desencorajar. Para os Estados Unidos, é um princípio fundamental da sua política externa ter a possibilidade de atacar qualquer nação à sua escolha e que nenhum país possa ter meios de se defender. E esta é a preocupação dos EUA. A razão por que é uma prioridade para a administração Trump parar o programa de mísseis nucleares e de longo alcance da Coreia do Norte não é porque realmente acredite que a Coreia do Norte vai lançar um ICBM sobre os Estados Unidos. A verdadeira razão é a de que, se a Coreia do Norte conseguir estabelecer um dissuasor nuclear efectivo, então isso poderia ter sérias implicações geopolíticas para a política dos EUA, já que outras nações-alvo podem seguir o exemplo da Coreia do Norte para garantir a sua sobrevivência.

Por esta razão, os Estados Unidos consideraram a Coreia do Norte como um Estado pária e patrocinaram severas sanções da ONU. A Coreia do Norte enfrenta uma dicotomia entre os objectivos políticos. Se não desnuclearizar, corre o risco de sucumbir ao estrangulamento económico imposto pelos Estados Unidos. Mas se abandona o seu programa nuclear, torna-se muito mais vulnerável a ataques militares do país hostil, os EUA. A lição do destino da Líbia depois de abandonar o seu programa de armas nucleares não está esquecida.

Os Estados Unidos declaram que não se envolverão em conversações com a Coreia do Norte, a não ser que, como condição prévia, esta desnuclearize, enquanto não recebe nada em troca. Essa posição impede qualquer possibilidade da diplomacia, e é difícil visualizar qualquer forma de sair do impasse actual enquanto Washington se agarrar a essa atitude. Espera-se que o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, possa persuadir a administração Trump a adoptar uma abordagem mais flexível. Chegou a hora de a Coreia do Sul assumir a liderança para encontrar uma resolução pacífica da disputa nuclear.

NOTAS
[1] Míssil balístico intercontinental americano capaz de alcançar uma altitude de 10 000 km e uma velocidade terminal de 7 Km/s. – NT
* Gregory Elich pertence ao Conselho de Directores do Instituto de Investigação Jasenovac e ao Conselho Consultivo do Instituto de Política da Coreia. É membro do Comité de Solidariedade para a Democracia e a Paz na Coreia, colunista da Voz do Povo e um dos co-autores de “Killing Democracy: CIA and Pentagon Operations in the Post-Soviet Period” [Matando a Democracia: as Operações da CIA e do Pentágono no período pós-soviético], publicado em língua russa . É também membro da Task Force para por fim á THAAD [Terminal High Altitude Area Defense – Área de Defesa Terminal a Alta Altitude] na Coreia e o Militarismo na Ásia e no Pacífico.
O seu sítio é: https://gregoryelich.org
Fonte: publicado em 2017/06/29, em: http://www.zoominkorea.org/north-koreas-fast-track-missile-development-how-far-its-come-and-why-it-has-the-u-s-on-edge/
Tradução do inglês de TAM e PAT
Este artigo encontra-se em: http://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/o-desenvolvimento-do-missil-de-base-15801


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