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	<title>Timor-Leste: Conspira&#231;&#227;o acentua-se quando ocorre a rendi&#231;&#227;o do l&#237;der duma alegada tentativa de &#8220;golpe&#8221;</title>
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	<dc:date>2008-05-15T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;iari&#111;&#64;&#111;&#100;ia&#114;i&#111;.i&#110;&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Gast&#227;o Salsinha, o alegado co-l&#237;der do que foi rotulado &#171;tentativa de assass&#237;nio contra o Presidente Jos&#233; Ramos Horta e o Primeiro-Ministro Xanana Gusm&#227;o&#187; em 11 de Fevereiro, rendeu-se &#224;s autoridades em Dili na Ter&#231;a-feira. Salsinha &#233; especificamente acusado de atacar o ve&#237;culo de Gusm&#227;o depois do antigo major Alfredo Reinado ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Gast&#227;o Salsinha, o alegado co-l&#237;der do que foi rotulado &#171;tentativa de assass&#237;nio contra o Presidente Jos&#233; Ramos Horta e o Primeiro-Ministro Xanana Gusm&#227;o&#187; em 11 de Fevereiro, rendeu-se &#224;s autoridades em Dili na Ter&#231;a-feira. Salsinha &#233; especificamente acusado de atacar o ve&#237;culo de Gusm&#227;o depois do antigo major Alfredo Reinado ter sido morto a tiro por soldados, na resid&#234;ncia de Ramos-Horta. O antigo tenente das for&#231;as armadas nega essas acusa&#231;&#245;es e insiste que nem ele, nem Reinado, tentaram orquestrar um golpe ou um assass&#237;nio.<br />
<br />
A rendi&#231;&#227;o de Salsinha veio, conjuntamente, com o temor de mais revela&#231;&#245;es que colocam mais d&#250;vidas sobre a explica&#231;&#227;o oficial para os acontecimentos lamacentos de 11 de Fevereiro, e apontam mais uma vez para a possibilidade de o pr&#243;prio Reinado ter ca&#237;do numa cilada de assass&#237;nio.<br />
<br />
Salsinha tinha andado em fuga, com cerca de doze dos seus homens, nos distritos do oeste de Timor desde os alegados ataques contra Gusm&#227;o. Anteriormente, liderou os 600 soldados conhecidos como &#8220;peticion&#225;rios&#8221;. O seu motim em 2006 precipitou uma ampla viol&#234;ncia do que resultou a fuga de 150.000 timorenses das suas casas. O conflito foi seguido de uma interven&#231;&#227;o militar Australiana e do derrube do governo da Fretilin, liderado por Mari Alkatiri.<br />
<br />
Salsinha concordou formalmente em render-se na passada sexta-feira, e passou os dias seguintes em negocia&#231;&#245;es na cidade do oeste de Gleno. Mas, ele rendeu-se, oficialmente, em Dili, na ter&#231;a-feira juntamente com 12 camaradas, ex-soldados, incluindo Marcelo Caetano, que alegadamente ter&#225; baleado Ramos-Horta.<br />
<br />
Ramos-Horta encontrou-se publicamente com os soldados amotinados em Dili quando entregaram formalmente as armas e se submeteram &#224; pol&#237;cia timorense numa cerim&#243;nia realizada no Pal&#225;cio do Governo. Com o Primeiro-Ministro Gusm&#227;o, em Jacarta, para conversa&#231;&#245;es com o governo Indon&#233;sio, o Vice-Primeiro-Ministro Jos&#233; Luis Guterres presidiu &#224; rendi&#231;&#227;o e declarou ela constitu&#237;a &#8220;momento hist&#243;rico&#8221; para Timor-Leste.<br />
<br />
No m&#234;s passado, Salsinha deu uma entrevista telef&#243;nica ao programa &#8220;Dateline&#8221; da televis&#227;o da Austr&#225;lia, SBS. Nessa entrevista, Salsinha afirmou: &#8220;H&#225; muitas acusa&#231;&#245;es contra n&#243;s, sobre da morte do Major Alfredo e do presidente ter sido ferido e tamb&#233;m sobre o ataque ao primeiro-ministro.&#8221; &#8220;Dizem todos que est&#225;vamos a planear um golpe, mas est&#227;o a mentir. Seja o que for que digam est&#227;o a tentar manchar a nossa reputa&#231;&#227;o.... Estive l&#225; mas n&#227;o tinha qualquer inten&#231;&#227;o de fazer um golpe ou prejudicar o primeiro-ministro. Se tiv&#233;ssemos planeado atacar o primeiro-ministro, ele n&#227;o teria chegado a Dili.&#8221;<br />
<br />
Salsinha disse ao &#8220;Dateline&#8221; que, manh&#227; cedo, a 11 de Fevereiro, Reinado, &#8220;estava b&#234;bado&#8221;, e ordenou aos seus homens para o acompanharem a Dili onde se ia encontrar com Ramos-Horta e Gusm&#227;o. Salsinha disse que esperou numa estrada que vai para a casa de Gusm&#227;o e que aguardava mais instru&#231;&#245;es enquanto Reinado foi &#224; casa de Ramos-Horta.<br />
<br />
Isso mant&#233;m obscuro o que aconteceu a seguir. Alguns relatos dizem que Salsinha recebeu uma mensagem de texto a inform&#225;-lo que Reinado tinha sido morto a tiro e que ent&#227;o o l&#237;der dos peticion&#225;rios tentou sem sucesso emboscar a caravana de Gusm&#227;o. Mas, o deputado do governo, M&#225;rio Carrascal&#227;o, questionou porque n&#227;o foi ningu&#233;m ferido na alegada emboscada, enquanto Mari Alkatiri insiste que a Fretilin tem provas fotogr&#225;ficas que indicam que todo o incidente foi falsificado.<br />
<br />
O programa &#8220;Dateline&#8221;, emitido em 16 de Abril, inclu&#237;a uma entrevista com um dos homens de Reinado, cujo &#8220;nome de guerra&#8221; &#233; Teboko, que esteve envolvido no confronto em casa de Ramos-Horta. Teboko insiste que Reinado tinha uma entrevista marcada com o presidente.<br />
<br />
&#8220;T&#237;nhamos uma ordem de Alfredo para n&#227;o atacar a resid&#234;ncia do presidente,&#8221; disse ele ao programa do SBS. &#8220;&#201; claro. Compreende-se bem, se fossemos para o atacar, pod&#237;amos t&#234;-lo baleado em Maubisse ou Suai quando o encontramos [previamente]. N&#227;o project&#225;vamos isso. Isso n&#227;o estava nas nossas mentes. T&#237;nhamos um encontro marcado do presidente com o Major Alfredo e &#237;amos com dois ve&#237;culos. Chegamos sem nenhuma prepara&#231;&#227;o armada ou militar. Como sabemos, as F-DTL [militares Timorenses], dispararam primeiro contra n&#243;s. Eles mataram o Major Alfredo e o membro Leopoldino. O jornalista do &#8220;Dateline&#8221;, Mark Davis, explicou: &#8220;de acordo com Teboko, cerca de 10 minutos depois de entrarem no complexo, sem nenhum fogo de armas e nenhuma amea&#231;a, Alfredo Reinado foi de repente morto a tiro. Encontro encerrado.&#8221;<br />
<br />
Um relato id&#234;ntico foi feito por Nat&#225;lia Lidia Guterres, a vi&#250;va de Leopoldino, o homem de Reinado que tamb&#233;m foi morto na resid&#234;ncia de Ramos-Horta. Ela disse ao <i>The Australian</i> que o marido entrou em casa &#224;s 3 da manh&#227;, em 11 de Fevereiro, para mudar o uniforme. Contou ao jornal que Leopoldino tinha dito &#8220;vamos ter um encontro com o Senhor Presidente&#8221;. O artigo, publicado em 19 de Abril, continuava: &#8220;Nat&#225;lia disse que Leopoldino parecia &#8216;muito feliz&#8217; porque iam resolver coisas num encontro que a [Angelita] Pires tinha arranjado.&#8221;<br />
<br />
<i>The Australian</i> sublinhou tamb&#233;m que um mapa da resid&#234;ncia de Ramos-Horta, feito &#224; m&#227;o, foi encontrado no corpo de Reinado. Os detalhes foram alegadamente dados por Albino Assis, um dos guardas militares de Ramos-Horta, que tinha tamb&#233;m trabalhado ao lado de Reinado na pol&#237;cia militar antes da crise de 2006. Os registos telef&#243;nicos demostram que Reinado teria , supostamente, falado com Assis, imediatamente antes do alegado ataque na resid&#234;ncia de Ramos-Horta.<br />
<br />
<i>The Australian</i> sugeriu que Assis tinha tra&#237;do Ramos-Horta e que estava colaborando com Reinado. Mas se fosse esse o caso, porque &#233; que Reinado entrou na casa do presidente &#224; procura dele quando ele estava fora, no seu habitual passeio matinal? Assis devia estar familiarizado com a agenda de Ramos-Horta.<br />
<br />
Tamb&#233;m n&#227;o foi explicado o papel dum outro homem que trabalhou no gabinete de Ramos-Horta e que foi visto no acampamento de Reinado na noite anterior &#224; viol&#234;ncia de 11 de Fevereiro. De acordo com o &#8220;Dateline&#8221;, o indiv&#237;duo n&#227;o identificado era membro dum grupo chamado MUNJ (Movimento para a Unidade e Justi&#231;a) que actuou como intermedi&#225;rio entre Ramos-Horta e Reinado. O programa SBS sublinhou: &#8220;Desde os tiros contra Horta, o MUNJ tem estado particularmente calado sobre a sua presen&#231;a no acampamento de Reinado na noite anterior ao ataque. Est&#225; claro que eles estavam a transmitir uma mensagem de Horta, mas n&#227;o se sabe nada sobre as horas a que partiram.&#8221;<br />
<br />
<b>O Relato oficial est&#225; desmentido pelos novos factos</b><br />
<br />
O relato oficial do que ocorreu em 11 de Fevereiro &#8212; que Reinado liderou um golpe ou uma tentativa de assass&#237;nio &#8212; caiu aos peda&#231;os. &#201; agora virtualmente certo que o antigo major Reinado foi &#224; resid&#234;ncia do presidente para falar com Ramos-Horta, e parece certo que tinha um encontro agendado. Aquilo que aconteceu, e como exactamente foi morto &#8212; cerca de uma hora antes do pr&#243;prio Ramos-Horta ter sido ferido &#8212; mant&#233;m-se obscuro.<br />
<br />
A emiss&#227;o de 16 de Abril da &#8220;Dateline&#8221; sugeriu que Reinado receava que o acordo de amnistia, que tinha acordado com Ramos-Horta em meados de Janeiro, estava em risco. Sobre os termos deste acordo secreto, Reinado e os seus homens deviam submeter-se &#224; pol&#237;cia, depois do que Ramos-Horta lhes daria um perd&#227;o total. Mas em 7 de Fevereiro, Ramos-Horta convocou um encontro em sua casa envolvendo Gusm&#227;o, deputados do governo e uma grande delega&#231;&#227;o da Fretilin. De acordo com v&#225;rios relatos, os deputados disseram a Ramos-Horta que ele n&#227;o tinha poder para amnistiar Reinado, e que isso teria que ser discutido em mais encontros agendados para 12 e 14 de Fevereiro.<br />
<br />
O &#8220;Dateline&#8221; sugeriu que Reinado, tendo sabido do que se tinha discutido, e tinha ido a Dili para confrontar Ramos-Horta que, pensava ele, se estava a preparar para renegar o acordo. Isto &#233;, seguramente, uma possibilidade. Extraordinariamente, contudo, o programa da SBS falhou, ao n&#227;o saber que o item principal da agenda do encontro de 7 de Fevereiro de Ramos-Horta n&#227;o era a amnistia de Reinado mas sim a forma&#231;&#227;o de um novo governo. O presidente tinha conclu&#237;do que o governo de Gusm&#227;o, que &#233; cada vez mais impopular e dividido por lutas internas, deixara de ser vi&#225;vel. Ele disse aos deputados reunidos que concordava com o pedido da Fretilin da realiza&#231;&#227;o de elei&#231;&#245;es antecipadas para resolver a crise pol&#237;tica. Gusm&#227;o discordava duramente, contudo, insistia que a coliga&#231;&#227;o continuaria a governar sozinha.<br />
<br />
O World Socialist Web Site sublinhou previamente que o Primeiro-Ministro Gusm&#227;o tinha muito a ganhar com a morte de Reinado. De acordo com a velha f&#243;rmula da investiga&#231;&#227;o <i>cui bono</i> (quem ganha?), a possibilidade de Gusm&#227;o, ou as for&#231;as alinhadas com Gusm&#227;o, poderem ter algo a ver com a elimina&#231;&#227;o do antigo major n&#227;o pode ser exclu&#237;da. Os acontecimentos de 11 de Fevereiro resultaram naturalmente no cancelamento imediato dos encontros de Ramos-Horta planeados para 12 e 14 de Fevereiro. Aqueles acontecimentos impediram mais movimentos para dissolver o governo de Gusm&#227;o.<br />
<br />
O primeiro-ministro cavalgou imediatamente a viol&#234;ncia para reclamar poderes autorit&#225;rios sob a declara&#231;&#227;o dum &#8220;Estado de s&#237;tio&#8221; (que se manter&#225; em for&#231;a nos distritos do oeste de Timor at&#233; o fim de Maio).<br />
<br />
Mais ainda, a morte de Reinado ocorreu depois do antigo major ter emitido um DVD, que foi amplamente divulgado, onde acusou Gusm&#227;o de instigar directamente os protestos dos peticion&#225;rios em 2006 que desencadearam os acontecimentos, culminando no derrube da administra&#231;&#227;o de Alkatiri. Reinado tinha amea&#231;ado dar mais detalhes do alegado papel de Gusm&#227;o na opera&#231;&#227;o de &#8220;mudan&#231;a de regime&#8221;.<br />
<br />
<b>Quest&#245;es importantes acerca do papel de Camberra</b><br />
<br />
Reinado tinha, h&#225; muito tempo, rela&#231;&#245;es com a Austr&#225;lia. Residiu naquele pa&#237;s como refugiado nos anos 90 (a mulher e filhos continuam a viver em Perth), e recebeu forma&#231;&#227;o militar em Camberra depois de ter regressado a Timor e se ter junto &#224;s for&#231;as armadas do pa&#237;s. Em 2006, Reinado foi elogiado nos <i>media</i> da Austr&#225;lia pelo seu papel na desestabiliza&#231;&#227;o do governo de Alkatiri, que Camberra considerava demasiado com a China e Portugal. Depois da pol&#237;cia da ONU ter prendido Reinado sob a acusa&#231;&#227;o de porte armas, ele e os seus homens foram libertados duma pris&#227;o de Dili que estava a ser guardada por tropas Australianas e da Nova Zel&#226;ndia.<br />
<br />
Soldados Australianos, incluindo for&#231;as de elite SAS, ent&#227;o, clamaram serem incapazes de localizar e deter o antigo major enquanto ele emitia declara&#231;&#245;es p&#250;blicas regulares e dava entrevistas para os <i>media</i> mundiais, a partir da sua base no oeste de Timor. Isto era completamente implaus&#237;vel &#8212; o governo de Camberra, Austr&#225;lia, tem uma extensa rede de agentes dos servi&#231;os de informa&#231;&#245;es a operarem no Timor-Leste, bem como uma inteira divis&#227;o dos servi&#231;os de informa&#231;&#245;es. Por exemplo, a Direc&#231;&#227;o de Sinais de Defesa dedica-se a monitorar comunica&#231;&#245;es electr&#243;nicas.<br />
<br />
Nos dias anteriores &#224; morte de Reinado, o antigo major fez e recebeu 47 chamadas telef&#243;nicas para a Austr&#225;lia. Continua-se a n&#227;o se saber com quem ele falava. Autoridades Timorenses expressaram frustra&#231;&#227;o sobre a dificuldade que t&#234;m sentido em obter informa&#231;&#245;es das autoridades dos servi&#231;os de informa&#231;&#227;o da Austr&#225;lia sobre as grava&#231;&#245;es de voz e texto das mensagens que interceptaram. Autoridades da Indon&#233;sia, por outro lado, forneceram imediatamente as suas informa&#231;&#245;es em rela&#231;&#227;o a v&#225;rias chamadas que Reinado fez para o pa&#237;s.<br />
<br />
Investigadores timorenses est&#227;o tamb&#233;m &#224; espera por informa&#231;&#245;es relativas a uma conta dum banco de Darwin, no montante de um 1 milh&#227;o d&#243;lares norte-americanos, a que Reinado tinha acesso. De acordo com o procurador-geral de Timor-Leste, Longinhos Monteiro, Reinado foi informado que o dinheiro tinha sido depositado na conta atrav&#233;s de uma mensagem de texto, enviada por Angelita Pires, a sua amante e antiga intermedi&#225;ria com os militares australianos. O Presidente Ramos-Horta, Salsinha e muitos dos homens de Reinado, todos, t&#234;m acusado Angelita Pires de manipular Reinado e de provocar a viol&#234;ncia ocorrida em 11 de Fevereiro. N&#227;o foram ainda deduzidas acusa&#231;&#245;es criminais contra Angelita Pires.<br />
<br />
Ramos-Horta tem pedido publicamente que Camberra explique como pode uma soma de um milh&#227;o de d&#243;lares ter passado sem detec&#231;&#227;o, particularmente &#224; luz dos alertas autom&#225;ticos que se aplicam, por rotina, a grandes dep&#243;sitos, de acordo com as rigorosas leis banc&#225;rias da Austr&#225;lia. Ele tamb&#233;m condenou a inac&#231;&#227;o do governo australiano: &#8220;Dois meses [depois] e n&#227;o vi nenhuma ac&#231;&#227;o para for&#231;ar o banco na Austr&#225;lia para fornecer a informa&#231;&#227;o,&#8221; disse ele na r&#225;dio ABC. &#8220;Quero isto resolvido muito, muito rapidamente, de outro modo levarei a quest&#227;o ao conselho de seguran&#231;a da ONU.&#8221;<br />
<br />
Este ultimato extraordin&#225;rio teve resposta do ministro dos estrangeiros, Stephen Smith, que garantiu que informa&#231;&#227;o relevante ser&#225; partilhada logo, que os &#8220;procedimentos apropriados&#8221; sejam seguidos pelas autoridades Timorenses.<br />
<br />
O jogo aparentemente defensivo do governo de Rudd, primeiro-ministro da Austr&#225;lia, alimentou os rumores em Dili que pessoal australiano deu uma m&#227;o aos acontecimentos de 11 de Fevereiro. Um texto de 22 de Abril publicado no <i>The Australian</i> sublinhava: &#8220;Isso deve perturbar a Austr&#225;lia &#8212; que lidera a n&#227;o amada For&#231;a Internacional de Estabiliza&#231;&#227;o, que foi levada a melhorar a sua imagem fazendo an&#250;ncios nos jornais que mostram um soldado australiano a apertar a m&#227;o a um garoto timorense &#8212; que os timorenses interpretar&#227;o afirma&#231;&#245;es do dinheiro [depositado em Darwin] como uma forte prova de que australianos n&#227;o-timorenses estiveram a suportar Reinado e a Sr&#170; Pires.&#8221; A pe&#231;a continuava: &#8220;As coisas est&#227;o agora a descarrilar, com muitos timorenses convencidos que os ataques de 11 de Fevereiro tiveram tudo a ver com o petr&#243;leo e g&#225;s do Timor Gap, com a Austr&#225;lia ainda n&#227;o contente em ficar com a parte de le&#227;o que j&#225; tem e, por isso, de certo modo, a tentar executar a lideran&#231;a de Timor, de modo a deitar a m&#227;o a mais dinheiro. Alguns analistas j&#225; percebem que isto &#233; realmente uma batalha entre a Austr&#225;lia e a Indon&#233;sia contra a China.&#8221;<br />
<br />
Estes rumores apontam para a escalada de hostilidade contra a ocupa&#231;&#227;o australiana em curso de Timor-Leste. Se esses rumores s&#227;o veros&#237;meis, isso &#233; outra quest&#227;o. Uma explica&#231;&#227;o mais veros&#237;mil seria que o governo de Camberra (Austr&#225;lia) est&#225; envolvido em &#8220;tentar executar a lideran&#231;a de Timor&#8221;. Nesse sentido, as autoridades Australianas sabiam e talvez tenham participado num plano para eliminar Reinado. O antigo major teria servido aos seus prop&#243;sitos em rela&#231;&#227;o ao que interessava ao governo australiano, e agora estava amea&#231;ando derrubar o governo de Gusm&#227;o, totalmente alinhado com Camberra, e isso estaria a abrir a porta para a Fretilin regressar ao poder. Tendo gasto recursos significativos para derrubar Alkatiri em 2006, isto seria, no entanto, a &#250;ltima coisa que os estrategistas Australianos desejariam.<br />
<br />
A rendi&#231;&#227;o de Salsinha tem sido elogiada nos <i>media</i> internacionais, como um passo grande para a paz e estabilidade em Timor-Leste, mas a potencialmente explosiva crise pol&#237;tica mant&#233;m-se por resolver. Enquanto estava em recupera&#231;&#227;o na Austr&#225;lia, o Presidente Ramos-Horta disse que ainda receava pela sua vida e que estava a considerar at&#233; uma hip&#243;tese de ren&#250;ncia, e ir para Paris escrever as suas mem&#243;rias.<br />
<br />
Agora em Dili, contudo, insiste que n&#227;o tem nenhuma inten&#231;&#227;o de renunciar. Tem repetido o seu apoio a elei&#231;&#245;es antecipadas a serem realizadas no in&#237;cio do pr&#243;ximo ano, e pediu tamb&#233;m &#224; Fretilin para formar um gabinete &#8220;sombra&#8221;[1], &#8220;para contribuir para o desenvolvimento do pa&#237;s&#8221;. O gesto tem sido interpretado em Dili como uma express&#227;o de apoio para uma potencial administra&#231;&#227;o liderada pela Fretilin. Num discurso ao parlamento timorense em 23 de Abril, Ramos-Horta disse que vai perdoar a Rog&#233;rio Lobato, um deputado de topo da Fretilin que foi condenado por armar civis durante a crise de 2006. O caso Lobato foi parte importante das falsidades emitidas pelo programa &#8220;Four Corners&#8221; da ABC, segundo as quais Alkatiri tinha armado um &#8220;esquadr&#227;o de ataque&#8221; para assassinar opositores da Fretilin. O trabalho de difama&#231;&#227;o da ABC foi usado por Gusm&#227;o e pelo governo australiano para pressionar Alkatiri a resignar.<br />
<br />
A promessa de Ramos-Horta de amnistiar Lobato tem sido denunciada pelos media da Austr&#225;lia. O seu aparente afastamento de Gusm&#227;o e aproxima&#231;&#227;o &#224; Fretilin ser&#225; igualmente mal recebido. Com toda a probabilidade, a resposta de Camberra ser&#225; aumentar as suas manobras por baixo da mesa e as suas jogadas sujas que visam encobrir os seus significativos interesses econ&#243;micos e estrat&#233;gicos em Timor-Leste, pa&#237;s pequeno e empobrecido da &#193;sia.<br />
<br />
<br />
<b>Nota do Revisor:</b><br />
[1] Na sequ&#234;ncia destes acontecimentos, a ASDT e a FRETILIN assinaram no passado dia 1 de Maio de 2008 um acordo de incid&#234;ncia parlamentar, onde se diz: &#171;Assim, os Partidos ASDT e FRETILIN, conscientes da sua responsabilidade pol&#237;tica na defesa deste Povo. Assinaram o <b>Termo do Acordo de 1 de Maio</b> para a forma&#231;&#227;o do novo governo Constitucional da RDTL.<br />
Para a implementa&#231;&#227;o deste acordo os partidos ASDT e FRETILIN brevemente elaborar&#227;o uma plataforma pol&#237;tica que contemplar&#225; os programas de governa&#231;&#227;o e garantir&#225; &#224; ASDT uma participa&#231;&#227;o proporcional e justa na composi&#231;&#227;o da mesa do Parlamento Nacional e do Governo, nomeadamente: <br />
1.	Vice-Presidente do parlamento Nacional;<br />
2.	Vice-Primeiro Ministro;<br />
3.	Ministro das Telecomunica&#231;&#245;es;<br />
4.	Ministro do Turismo;<br />
5.	Ministro dos Transportes e Com&#233;rcio;<br />
6.	Secret&#225;rio de Estado do Meio Ambiente;<br />
7.	Secret&#225;rio de Estado da Solidariedade, e<br />
8.	Secret&#225;rio de Estado da Administra&#231;&#227;o Estatal&#187;<br />
<br />
Assinam este acordo pela ASDT Francisco Xavier do Amaral e Francisco Gomes e Francisco Guterres (Lu Olo) e Mari Alkatiri, respectivamente Presidente e Secret&#225;rio-Geral dos dois partidos.<br />
<br />
<br />
<i>Este artigo foi publicado no World Socialist Web Site em 2 de Maio de 2008.<br />
<br />
Revis&#227;o da tradu&#231;&#227;o de Jos&#233; Paulo Gasc&#227;o<br />
</i>]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=732&amp;c=1">
	<title>Saber aonde vamos...</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=732&amp;c=1</link>
	<dc:date>2008-05-14T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;i&#97;&#114;i&#111;&#64;&#111;d&#105;&#97;&#114;i&#111;.&#105;nfo)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Procurando recuperar da derrota parcial sofrida na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em 2006, eis que as for&#231;as mais retr&#243;gradas e obscurantistas na Uni&#227;o Europeia se movimentam de novo tendo como intento criminalizar os comunistas, a sua ac&#231;&#227;o, o seu programa e os seus ideais.

Assim deve ser entendido o ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Procurando recuperar da derrota parcial sofrida na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em 2006, eis que as for&#231;as mais retr&#243;gradas e obscurantistas na Uni&#227;o Europeia se movimentam de novo tendo como intento criminalizar os comunistas, a sua ac&#231;&#227;o, o seu programa e os seus ideais.<br />
<br />
Assim deve ser entendido o objectivo de fundo que se dissimula na audi&#231;&#227;o sobre &#171;os crimes cometidos por regimes totalit&#225;rios&#187;, recentemente realizada pela Comiss&#227;o Europeia e pela presid&#234;ncia eslovena, e no debate que se lhe seguiu no Parlamento Europeu.<br />
<br />
Tais iniciativas inserem-se na discuss&#227;o, prevista para 2009, sobre a &#171;necessidade ou n&#227;o da cria&#231;&#227;o de um instrumento jur&#237;dico adicional&#187; &#224; &#171;Decis&#227;o-quadro relativa &#224; luta contra o racismo e a xenofobia&#187;, visando, desta feita, a ign&#243;bil equipara&#231;&#227;o entre o fascismo e o comunismo.<br />
<br />
Se d&#250;vidas houvesse quanto a tais inaceit&#225;veis inten&#231;&#245;es, bastaria a leitura das interven&#231;&#245;es proferidas nestas iniciativas para clarificar os reais objectivos desta nova opera&#231;&#227;o anticomunista em prepara&#231;&#227;o ao n&#237;vel da UE.<br />
<br />
<b>O que est&#225; em causa?</b><br />
<br />
A partir da falsifica&#231;&#227;o e da revis&#227;o da hist&#243;ria europeia e mundial do s&#233;culo XX, pretende-se, a par do branqueamento e da reabilita&#231;&#227;o do fascismo - como forma ditatorial capitalista de organiza&#231;&#227;o do Estado -, condenar as experi&#234;ncias de constru&#231;&#227;o do socialismo no Leste da Europa, apagando o seu conte&#250;do progressista e contribui&#231;&#227;o &#237;mpar para a liberta&#231;&#227;o dos povos barb&#225;rie nazi-fascista e para o progresso da sociedade humana.<br />
<br />
No fundo, pretende-se escamotear o papel central e decisivo dos comunistas na conquista dos enormes avan&#231;os civilizacionais da humanidade que marcaram as d&#233;cadas de constru&#231;&#227;o da sociedade socialista, particularmente na Uni&#227;o Sovi&#233;tica, libertando a sociedade da explora&#231;&#227;o do homem pelo homem, emancipando os povos, promovendo o progresso pol&#237;tico, econ&#243;mico, social e cultural. A recente evolu&#231;&#227;o na situa&#231;&#227;o internacional a&#237; est&#225; a comprov&#225;-lo...<br />
<br />
Efectivamente, o que est&#225; em causa &#233; a tentativa de perpetua&#231;&#227;o do capitalismo, nomeadamente dando combate ao &#250;nico e real projecto de sociedade e programa alternativo que se lhe op&#245;e, o socialismo e o comunismo.<br />
<br />
<b>Construtores da esperan&#231;a...</b><br />
<br />
No momento em que se agudizam as contradi&#231;&#245;es e a crise do capitalismo ao n&#237;vel mundial, o que pretendem as for&#231;as retr&#243;gradas e obscurantistas na UE &#233;, tamb&#233;m no campo da luta das ideias, promover a descren&#231;a na possibilidade da conquista e constru&#231;&#227;o de uma sociedade justa, sem exploradores nem explorados.<br />
O seu objectivo &#233; tentar apagar da mem&#243;ria e da consci&#234;ncia dos povos os caminhos que puseram, p&#245;em e por&#227;o em causa o brutal, violento, opressor, alienante e desumano sistema de rela&#231;&#245;es sociais que &#233; o capitalismo.<br />
<br />
Por isso, tudo fazem - explorando, reprimindo, silenciando, manipulando, deturpando, dividindo, mentindo, desorientando, traindo... - para que os mais consequentes vacilem e para que um cada vez maior n&#250;mero de trabalhadores n&#227;o passe de t&#225;cticas individuais de sobreviv&#234;ncia de curto prazo para estrat&#233;gias de luta colectivas e organizadas, ou seja, de classe.<br />
<br />
Apesar dos seus esfor&#231;os, hoje, tal como no passado, os comunistas em Portugal n&#227;o deixar&#227;o de confiar no melhor que h&#225; nos Homens, na coragem, generosidade, entrega, na sua vontade de compreender e transformar o mundo. E, sabendo porque e aonde v&#227;o, continuar&#227;o a ser portadores e protagonistas, a par de outros democratas e progressistas, de um projecto de desenvolvimento e de justi&#231;a para Portugal, de paz e amizade para com todos os povos do mundo - o projecto soberano de democracia pol&#237;tica, econ&#243;mica, social e cultural que irrompeu com a revolu&#231;&#227;o de Abril, abrindo caminho para uma sociedade socialista e a constru&#231;&#227;o de um mundo mais livre, mais justo e mais fraterno.<br />
<br />
<i>*Deputado no Parlamento Europeu<br />
<br />
Este artigo foi publicado no Avante n&#250;mero 1.797 de 8 de Maio de 2008</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=731&amp;c=1">
	<title>Precisa de um F&#237;gado? Mate um S&#233;rvio*</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=731&amp;c=1</link>
	<dc:date>2008-05-13T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;&#100;&#105;ar&#105;o&#64;&#111;d&#105;a&#114;i&#111;.&#105;n&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Investiga&#231;&#227;o do tr&#225;fego para a Alb&#226;nia de &#243;rg&#227;os de S&#233;rvios do Kosovo assassinados

O procurador para os crimes de guerra na S&#233;rvia est&#225; a investigar not&#237;cias segundo as quais d&#250;zias de S&#233;rvios capturados pelos rebeldes durante a guerra no Kosovo foram mortos e os seus &#243;rg&#227;os traficados, noticiou o gabinete do ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[<b>Investiga&#231;&#227;o do tr&#225;fego para a Alb&#226;nia de &#243;rg&#227;os de S&#233;rvios do Kosovo assassinados</b><br />
<br />
O procurador para os crimes de guerra na S&#233;rvia est&#225; a investigar not&#237;cias segundo as quais d&#250;zias de S&#233;rvios capturados pelos rebeldes durante a guerra no Kosovo foram mortos e os seus &#243;rg&#227;os traficados, noticiou o gabinete do Procurador.<br />
<br />
O gabinete do Procurador S&#233;rvio disse que recebeu &#8220;relat&#243;rios informais&#8221; de investigadores do tribunal das Na&#231;&#245;es Unidas de Haia na Holanda, segundo os quais d&#250;zias de S&#233;rvios feitos prisioneiros pelos rebeldes Albaneses no Kosovo foram levados para a vizinha Alb&#226;nia em 1999 e mortos, para que os seus &#243;rg&#227;os pudessem ser recolhidos e vendidos a traficantes internacionais.<br />
<br />
Bruno Vekaric, porta-voz do Procurador S&#233;rvio, afirmou mais tarde &#224; Radio B92 que investigadores para os crimes de guerra na S&#233;rvia haviam tamb&#233;m recebido as suas pr&#243;prias informa&#231;&#245;es acerca de um alegado tr&#225;fego de &#243;rg&#227;os, mas n&#227;o suficientes para levar o caso a tribunal. Vekaric disse que os investigadores s&#233;rvios receberam tamb&#233;m informa&#231;&#245;es indicando que poderia haver valas comuns na Alb&#226;nia contendo os corpos das v&#237;timas s&#233;rvias. &#211;rg&#227;os de informa&#231;&#227;o s&#233;rvios noticiaram que o problema foi trazido &#224; luz do dia num livro da antiga Procuradora das Na&#231;&#245;es Unidas para os crimes de guerra, Carla Del Ponte, a publicar em It&#225;lia a 3 de Abril.<br />
<br />
De acordo com a ag&#234;ncia noticiosa S&#233;rvia Beta, que deu a conhecer partes do livro na S&#233;rvia, Del Ponte afirmou que os seus investigadores foram informados de que cerca de 300 S&#233;rvios foram mortos para tr&#225;fego de &#243;rg&#227;os.<br />
<br />
A not&#237;cia da Beta cita Del Ponte como tendo dito no livro que os seus investigadores foram informados que os prisioneiros S&#233;rvios foram primeiramente levados para pris&#245;es no norte da Alb&#226;nia onde os mais jovens foram mortos e os seus &#243;rg&#227;os posteriormente vendidos no estrangeiro.<br />
<br />
A Beta noticiou que Del Ponte afirma no seu livro que os investigadores do Tribunal que est&#227;o a investigar alegados crimes perpetrados pela rebelde Kosovo Liberation Army (KLA) n&#227;o foram capazes de formular uma acusa&#231;&#227;o sobre o alegado tr&#225;fego de &#243;rg&#227;os e lev&#225;-la a tribunal. . .<br />
<br />
<b>O relat&#243;rio da ag&#234;ncia Beta</b><br />
<br />
Carla Del Ponte, anterior Procuradora Chefe do Tribunal de Haia, escreveu no seu livro &#8220;Hunt&#8221; que durante a investiga&#231;&#227;o dos crimes cometidos pela Kosovo Liberation Army contra s&#233;rvios e outras comunidades &#233;tnicas, a Procuradoria de Haia tomou conhecimento de que pessoas que em 1999 desapareceram no Kosovo foram sujeitos a opera&#231;&#245;es cir&#250;rgicas para retirada de rins e outros &#243;rg&#227;os, os quais foram vendidos por contrabandistas em cl&#237;nicas estrangeiras.<br />
<br />
&#8220;As v&#237;timas foram muito provavelmente raptadas ap&#243;s o bombardeamento da NATO, quando a for&#231;a internacional de manuten&#231;&#227;o de paz j&#225; estava no Kosovo&#8221;. Membros de topo da KLA estiveram envolvidos na opera&#231;&#227;o de contrabando de &#243;rg&#227;os, escreve Del Ponte, sem no entanto especificar os seus nomes.<br />
<br />
Ela acrescenta que um grupo de jornalistas &#8220;cred&#237;veis&#8221; disse aos investigadores e a funcion&#225;rios do UNMIK que, no Ver&#227;o de 1999, Albaneses do Kosovo raptaram e transportaram em cami&#245;es cerca de 300 n&#227;o-Albaneses para campos em Kukes e Tiopoja, no norte da Alb&#226;nia. Os prisioneiros mais jovens e saud&#225;veis foram examinados por m&#233;dicos e detidos em Burel e nas proximidades.<br />
<br />
Num quarto usado como sala de opera&#231;&#245;es, os cirurgi&#245;es extra&#237;am os &#243;rg&#227;os das v&#237;timas. Os &#243;rg&#227;os eram transportados via aeroporto de Rinas para cl&#237;nicas no exterior, para clientes que os compravam. Uma das fontes afirmou ter participado pessoalmente numa destas opera&#231;&#245;es no aeroporto.<br />
<br />
As v&#237;timas que eram deixadas com um s&#243; rim eram deixadas enclausuradas e posteriormente eram mortas para extrac&#231;&#227;o de outros &#243;rg&#227;os.<br />
<br />
&#8220;Os outros prisioneiros sabiam o que lhes estava destinado&#8221;, escreveu Del Ponte. Entre as prisioneiras havia mulheres do Kosovo, Alb&#226;nia, R&#250;ssia e das rep&#250;blicas da antiga Jugosl&#225;via. Duas fontes afirmaram ter estado a ajudar no enterro de v&#237;timas num cemit&#233;rio pr&#243;ximo...<br />
<br />
As &#8220;Real Women in Black&#8221;: mulheres S&#233;rvias buscam a verdade a respeito dos seus filhos, irm&#227;os, irm&#227;s e maridos desaparecidos na prov&#237;ncia do Kosovo.<br />
<br />
Mais de 1.300 S&#233;rvios do Kosovo, para al&#233;m daqueles que sabemos que foram mortos e cujos corpos foram entregues &#224;s suas fam&#237;lias pela UNMIK durante os &#250;ltimos 8 anos, s&#227;o ainda dados como desaparecidos. Em alguns casos, fam&#237;lias inteiras foram raptadas pelo KLA/UCK em algum momento durante a guerra de 1998-1999 e depois da UN/NATO ter assumido a administra&#231;&#227;o e seguran&#231;a da prov&#237;ncia S&#233;rvia...<br />
<br />
Ao longo dos anos, ouvimos que um certo n&#250;mero de mulheres e raparigas s&#233;rvias foram usadas como escravas sexuais, deixadas enclausuradas em celas escuras de bares e bordeis, subalimentadas, repetidamente violadas e espancadas, at&#233; serem consideradas in&#250;teis e abatidas como c&#227;es.<br />
<br />
Houve tamb&#233;m not&#237;cias nos <i>media</i> s&#233;rvios acerca de rapazes e homens s&#233;rvios for&#231;ados a trabalhar em minas privadas, ilegais e inseguras, mas a falta de colabora&#231;&#227;o da UNMIK e a indiferen&#231;a da KFOR (NATO) fizeram com que nunca fosse iniciada qualquer investiga&#231;&#227;o e as fam&#237;lias s&#233;rvias dos desaparecidos do Kosovo-Methodia permanecem ainda sem respostas.<br />
<br />
Agora, por&#233;m, o muito discutido livro de Carla Del Ponte, &#8220;The Hunt&#8221;, faz a inquietante revela&#231;&#227;o do motivo por que homens s&#233;rvios foram raptados na prov&#237;ncia do Kosovo durante anos, em vez de serem mortos &#224; queima roupa, como era tratamento usual do KLA para todos os n&#227;o-Albaneses, especialmente os de etnia S&#233;rvia: porque eles eram usados como reserva para colheita de &#243;rg&#227;os para o tr&#225;fego ilegal de &#243;rg&#227;os para transplante.<br />
<br />
De acordo com Glas Javnosti, que escreveu sobre uma das investiga&#231;&#245;es falhadas acerca do destino de cerca de 300 S&#233;rvios do Kosovo que foram raptados e levados para o norte da Alb&#226;nia, Del Ponte afirma que os rapazes raptados n&#227;o eram agredidos e eram bem alimentados. Numa das casas havia uma sala de opera&#231;&#245;es improvisada onde lhes eram removidos os seus &#243;rg&#227;os internos, que eram posteriormente enviados pelo aeroporto &#8220;Madre Teresa&#8221; de Tirana para o estrangeiro, onde eram vendidos.<br />
<br />
Aqueles de quem era extra&#237;do apenas um rim durante a primeira interven&#231;&#227;o, eram suturados e re-enviados para a pris&#227;o, at&#233; o momento em que eram mortos para extrac&#231;&#227;o de outros &#243;rg&#227;os, quando aparecesse o comprador certo. Carla Del Ponte conta que neste monstruoso est&#225;bulo humano, de fazer inveja a Josef Mengele, os s&#233;rvios mantidos prisioneiros suplicavam que fossem mortos.<br />
<br />
Inimiga jurada dos s&#233;rvios, Del Ponte descreve a prov&#237;ncia do Kosovo-Metohia sob administra&#231;&#227;o do KLA/NATO como uma terra sem lei nem institui&#231;&#245;es, terra de feudos de sangue, governada por gangsters que se apresentam a eles pr&#243;prios como her&#243;is do &#8220;povo Alban&#234;s sofredor&#8221;. Ela afirma que os oficiais do UNMIK e da KFOR, e mesmo alguns ju&#237;zes do ICTY em Haia, temiam pelas suas vidas se fossem associados &#224; investiga&#231;&#227;o dos crimes da KLA/UCK.<br />
<br />
No seu livro, Del Ponte diz que as poucas e espa&#231;adas investiga&#231;&#245;es relativas &#224;s actividades terroristas da KLA foram as mais dif&#237;ceis durante todo o per&#237;odo em que foi procuradora-chefe do ICTY e que as investiga&#231;&#245;es confrontaram-se com cl&#227;s, vendetas e press&#245;es pol&#237;ticas, e que &#8220;desde Berna e Bruxelas at&#233; ao Bronx&#8221;, os pol&#237;cias conhecem bem as dificuldades insuper&#225;veis de quando se trata de investigar o crime organizado Alban&#234;s.<br />
<br />
</i><img src="http://www.odiario.info/b2-img/CARLA DEL PONTE-CAOA DE LIVRO.jpg" alt="" align="right" border="1" /><br />
<br />
Em 2003, Del Ponte visitou os alegados locais do crime:<br />
&#8220;... Estamos a investigar algumas declara&#231;&#245;es informais que regist&#225;mos no decurso do nosso trabalho, de que em 1999 dois cami&#245;es transportando prisioneiros s&#233;rvios do Kosovo foram enviados para a Alb&#226;nia&#8221; afirmou o Procurador para Crimes de Guerra Vladimir Vukcevic.<br />
<br />
Ele disse que a informa&#231;&#227;o informal havia sido obtida dos investigadores do Tribunal de Haia. De acordo com algumas fontes, existem na Alb&#226;nia valas comuns n&#227;o registadas com corpos de S&#233;rvios assassinados.<br />
<br />
---///---<br />
<br />
Um grupo foi mantido na pris&#227;o em instala&#231;&#245;es atr&#225;s de uma casa amarela, cerca de vinte quil&#243;metros a sul de Burel &#8211; Alb&#226;nia, afirma a antiga procuradora.<br />
<br />
Uma sala daquela casa amarela, de acordo com jornalistas, serviu de sala de opera&#231;&#245;es onde m&#233;dicos extra&#237;am os &#243;rg&#227;os dos prisioneiros.<br />
<br />
---///---<br />
<br />
O jornal Vecerenie Novosti revela mais pormenores do livro, o qual afirma que os investigadores de Haia e do UNMIK e v&#225;rios jornalistas, juntamente com um dos procurados alban&#234;s, fizeram uma visita &#224; casa em 2003.<br />
<br />
&#8220;Estava agora pintada de branco&#8221;, escreve Del Ponte. &#8220;Apesar de os investigadores terem descoberto vest&#237;gios de tinta amarela, o propriet&#225;rio negou que a casa tivesse alguma vez sido re-pintada.&#8221;<br />
<br />
Nas imedia&#231;&#245;es da casa, os investigadores encontraram tamb&#233;m peda&#231;os de gaze, seringas usadas, frascos de medicamentos vazios, incluindo relaxantes musculares usados nas opera&#231;&#245;es. [..... Gra&#231;as aos problemas da recolha de lixos da Grande Alb&#226;nia!]<br />
<br />
Dentro da casa, especialistas forenses descobriram vest&#237;gios de sangue nas paredes e no ch&#227;o em um dos quartos. Uma &#225;rea do ch&#227;o com 180 por 60 cent&#237;metros, foi limpa.<br />
<br />
&#8220;O propriet&#225;rio da casa deu aos investigadores uma s&#233;rie de explica&#231;&#245;es sobre a origem dos vest&#237;gios de sangue. Primeiro, afirmou que a mulher dera &#224; luz naquele compartimento, muitos anos antes. Mas quando a mulher prestou declara&#231;&#245;es dizendo que todos os filhos haviam nascido noutro local, ele disse que a fam&#237;lia usava aquele quarto para matar animais em celebra&#231;&#227;o de uma festa mu&#231;ulmana&#8221;, escreve Del Ponte.<br />
<br />
Em rela&#231;&#227;o ao procurador alban&#234;s que os acompanhava, a antiga procuradora-chefe de Haia diz que, a certa altura, ele se vangloriou de ter primos que eram membros do KLA.<br />
<br />
&#8220;Aqui n&#227;o h&#225; valas comuns de S&#233;rvios&#8221;, disse o oficial alban&#234;s. &#8220;Mas se eles levaram os s&#233;rvios para fora do Kosovo e os mataram, fizeram bem&#8221;.<br />
<br />
... Del Ponte escreve que os detectives tiveram de desistir deste caso porque foi &#8220;imposs&#237;vel&#8221; prosseguir com a investiga&#231;&#227;o.<br />
<br />
<b>Primeiro Ministro do Kosovo admite atrocidades</b><br />
<br />
O pessoal da ONU temia pelas suas vidas no Kosovo e alguns dos juizes que presidiam o Tribunal de Haia para a antiga Jugosl&#225;via temiam os albaneses do Kosovo que tinham cometido atrocidades contra s&#233;rvios e &#233; por esse motivo que muito poucos criminosos de guerra Albaneses do Kosovo foram incriminados e julgados, escreve Carla Del Ponte, antiga Procuradora Chefe do Tribunal das Na&#231;&#245;es Unidas, no seu novo livro.<br />
<br />
Tenho a certeza de que alguns dos oficiais de topo da UNMIK e mesmo da KFOR temeram pelas suas vidas e pelas vidas dos membros das suas miss&#245;es&#8221;, disse Del Ponte... &#8221;Penso que alguns dos juizes do Tribunal para a Jugosl&#225;via tiveram medo de que os Albaneses poderiam vir e lev&#225;-los&#8221;, escreve Del Ponte.<br />
<br />
No seu livro, Del Ponte fornece pormenores do seu encontro com o actual (assim chamado) Primeiro Ministro do Kosovo, Hashim Thaci, por ocasi&#227;o do 5&#186; anivers&#225;rio do Tratado de Paz de Dayton, que p&#244;s fim ao conflito na B&#243;snia e diz que, sentados &#224; volta de uma mesa, Thaci admitiu que os albaneses do Kosovo cometeram atrocidades.<br />
<br />
---///---<br />
<br />
&#8220;Olhei para ele nos olhos e disse-lhe que havia aberto a investiga&#231;&#227;o dos crimes cometidos pelos albaneses no Kosovo. N&#227;o disse uma palavra que o pudesse implicar numa acusa&#231;&#227;o contra ele, mas Thaci certamente concluiu que eu o estava a acusar, pois o seu rosto endureceu&#8221; escreve Del Ponte.<br />
<br />
No seu livro, Del Ponte nota tamb&#233;m que Hashim Thaci e Agim Ceku s&#227;o considerados pela UNMIK e pelo KFOR como &#8220;mais do que perigosos, no que toca aos esfor&#231;os de paz nos Balkans&#8221;.<br />
<br />
&#8220;Em teoria, Thaci a Ceku podem agitar os rebeldes da minoria albanesa para iniciar a viol&#234;ncia na Maced&#243;nia, S&#233;rvia do Sul e outras regi&#245;es&#8221;, escreve Del Ponte no seu livro, relata a ag&#234;ncia de not&#237;cias BETA . . .<br />
<br />
<br />
<i>Publicado em Republican Riot, <a href="http://www.juliagorin.com/wordpress/?p=1524"></a><br />
<br />
* Jornalista<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Francisco Lopes Pereira<br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=730&amp;c=1">
	<title>Agress&#227;o contra a Venezuela</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=730&amp;c=1</link>
	<dc:date>2008-05-12T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:od&#105;a&#114;&#105;&#111;&#64;&#111;&#100;ia&#114;&#105;&#111;&#46;info)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>&#8226;	N&#227;o h&#225; Revolu&#231;&#227;o que n&#227;o tenha sido agredida. A Inglesa, a Francesa, a Mexicana, a Rep&#250;blica Espanhola foram assaltadas por conjuras internas e externas.
&#8226;	N&#227;o agress&#227;o que n&#227;o intensifique o &#237;mpeto revolucion&#225;rio. Sovi&#233;ticos, chineses e cubanos na forja da agress&#227;o nacional e internacional.
&#8226;	N&#227;o h&#225; produtor de hidrocarbonetos que n&#227;o esteja amea&#231;ado. ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[&#8226;	<b>N&#227;o h&#225; Revolu&#231;&#227;o que n&#227;o tenha sido agredida. A Inglesa, a Francesa, a Mexicana, a Rep&#250;blica Espanhola foram assaltadas por conjuras internas e externas.</b><br />
&#8226;	N&#227;o agress&#227;o que n&#227;o intensifique o &#237;mpeto revolucion&#225;rio. Sovi&#233;ticos, chineses e cubanos na forja da agress&#227;o nacional e internacional.<br />
&#8226;	<b>N&#227;o h&#225; produtor de hidrocarbonetos que n&#227;o esteja amea&#231;ado. Por sermos produtores de petr&#243;leo e revolucion&#225;rios temos todos os bilhetes da rifa da agress&#227;o</b><br />
&#8226;	A XX Cimeira do Rio culmina com uma distens&#227;o e uma omiss&#227;o: depois de invadir um pa&#237;s irm&#227;o e assassinar dezenas de latino-americanos, o governo da Col&#244;mbia n&#227;o sofre quaisquer consequ&#234;ncias para al&#233;m de rejei&#231;&#245;es verbais.<br />
&#8226;	<b>A conduta que &#233; recompensada tende a repetir-se: o homic&#237;dio selectivo e a invas&#227;o armada ser&#227;o reiteradas como t&#225;cticas que s&#243; podem trazer vantagens ao agressor.</b><br />
&#8226;	A Venezuela &#233; alvo de um coordenado plano de agress&#227;o externa e interna, directa e indirecta, armada e diplom&#225;tica, econ&#243;mica e social para saquear a sua energia f&#243;ssil e desmantelar a integra&#231;&#227;o regional.<br />
&#8226;	<b>A antec&#226;mara do assalto imperial &#233; a agress&#227;o medi&#225;tica. O roubo de metade do territ&#243;rio mexicano, o bloqueio contra a Venezuela em 1902, a patada contra a Guatemala e Panam&#225; foram promovidos por ataques comunicacionais.</b><br />
&#8226;	As cinco transnacionais que dominam a comunica&#231;&#227;o mundial apresentam obsessivamente o governo venezuelano como ileg&#237;timo, totalit&#225;rio, agressor, violador dos Direitos Humanos, e vetam toda a informa&#231;&#227;o ou coment&#225;rio que as desminta.<br />
&#8226;	<b>A centena de di&#225;rios, as sessenta televis&#245;es, o meio milhar de r&#225;dios do sector privado do pa&#237;s, na sua quase totalidade, reciclam estas falsidades contra o governo eleito.</b><br />
&#8226;	As cinquenta televis&#245;es por assinatura que cobrem 21,34% do territ&#243;rio do pa&#237;s s&#227;o de poderosas transnacionais e a CONATEL permite-lhes, ilegalmente, emitir sem cumprimento da lei.<br />
&#8226;	<b>As nossas plataformas inform&#225;ticas dependem, em grande parte, de um monop&#243;lio de software que pode ser pirateado, interferido, espiado ou paralisado pelos Estados Unidos, como o foi a PDVSA [1] atrav&#233;s da firma Intesa.</b><br />
&#8226;	Face &#224; recusa de Ch&#225;vez de permitir voos de avi&#245;es militares e a instala&#231;&#227;o de radares pelos Estados Unidos, este pa&#237;s cria bases militares em Cura&#231;au e Bonaire e desembarca armas e efectivos na vizinha Col&#244;mbia.<br />
&#8226;	<b>Antes de atacar h&#225; que impedir que a v&#237;tima tenha com que defender-se. Os Estados Unidos proibiram todos os pa&#237;ses, inclusive Espanha, a venderem-nos pe&#231;as sobresselentes militares com componentes de tecnologia norte-americana.</b><br />
&#8226;	O objectivo do armamentismo &#233; for&#231;ar o advers&#225;rio a exaurir a sua economia uma corrida armamentista. A profus&#227;o de assessores, mercen&#225;rios e apetrechos que os Estados Unidos despejam na Col&#244;mbia [2] for&#231;a os vizinhos a gastos defensivos equipar&#225;veis.<br />
&#8226;	<b>Complementar ao bloqueio sobre a aquisi&#231;&#227;o de armas &#233; a confisca&#231;&#227;o de bens. A transnacional Exxon embargou activos da PDVSA no estrangeiro, e a demora em chegar a nossa absolvi&#231;&#227;o, incentiva uma chuva de temer&#225;rios pedidos para se apoderarem das nossas exporta&#231;&#245;es.</b><br />
&#8226;	Disse-me Ali Rodriguez [3] que em 2002 a seguradoras do Grupo Lloyd bloquearam os nossos molhes, declarando-os inseguros e anulou as ap&#243;lices aos navios que ali atracassem. Uma conjura semelhante poderia tornar inacess&#237;veis os nossos portos e aeroportos ou proibir-los a estrangeiros.<br />
&#8226;	<b>O objectivo de todo e qualquer bloqueio &#233; desarticular a resist&#234;ncia social atrav&#233;s da escassez. Os boicotes patronais de 2002 e 2003, antes do referendo de 2007 e tamb&#233;m hoje funcionam como opera&#231;&#245;es de a&#231;ambarcamento, contrabando de extrac&#231;&#227;o e desvio de alimentos subsidiados para o mercado negro.</b><br />
&#8226;	O ataque do criminoso come&#231;a pela criminaliza&#231;&#227;o da v&#237;tima. O vice-presidente da Col&#244;mbia amea&#231;a sequestrar o alcaide de Maracaibo atribuindo-lhe, sem provas, colabora&#231;&#227;o com as FARC. Sem provas, o presidente da Col&#244;mbia paramilitar amea&#231;a o presidente da Venezuela de o acusar perante o Tribunal Penal Internacional por colabora&#231;&#227;o com o terrorismo. Sem ponta de vergonha o pa&#237;s que &#233; o principal consumidor de drogas do mundo acusa a Venezuela de traficante.<br />
&#8226;	<b>Os direitos Humanos s&#227;o a arma jur&#237;dica predilecta da pot&#234;ncia que mais os viola. Como o artigo 26 da Constitui&#231;&#227;o atribui aos tratados internacionais uma hierarquia constitucional sobre os direitos humanos e prioridade sobre a ordem interna, um juiz estrangeiro ou nacional podia tentar depor o Presidente da Venezuela pela sua infrac&#231;&#227;o.</b><br />
&#8226;	Por isso a oposi&#231;&#227;o despeja na Comiss&#227;o dos Direitos Humanos da OEA e outras inst&#226;ncias internacionais um dil&#250;vio de den&#250;ncias baseadas em supostas viola&#231;&#245;es daqueles.<br />
&#8226;	<b>O objectivo estrat&#233;gico primeiro &#233; o desmembramento territorial da v&#237;tima: o governador de Z&#250;lia avan&#231;a com um plano &#171;autonomista&#187; com um &#171;rumo pr&#243;prio&#187;, paralelo ao de Santa Cruz na Bol&#237;via e ao de Guayaquil no Equador.</b><br />
&#8226;	Segundo James Petras, o ex&#233;rcito colombiano teria aumentado em 200.000 os efectivos, mais 30.000 pol&#237;cias, sem contar com as dezenas de milhar de paramilitares que actuam de forma encoberta. De acordo com o artigo de Miguel Su&#225;rez na Argenpress, para 2004, o ex&#233;rcito da oligarquia colombianacontava com 450.000 homens; para 2008 excederia o meio milh&#227;o, e os custoscom a seguran&#231;a ascenderiam a 22.200 milh&#245;es de doares.<br />
&#8226;	<b>Tais n&#250;meros, n&#227;o s&#243; implicam uma extrema desestabiliza&#231;&#227;o social, financeira e pol&#237;tica da Col&#244;mbia, mas a dedica&#231;&#227;o preponderante de todo o pa&#237;s a actividades b&#233;licas, o que carreia um abrupto desequil&#237;brio estrat&#233;gico na regi&#227;o.</b><br />
&#8226;	Os paramilitares e o ex&#233;rcito colombiano desalojam centenas de milhar de camponeses das suas terras para as transferirem para a oligarquia e atiram para a Venezuela com uma vaga de deslocados que se somam aos milhares de exilados por raz&#245;es econ&#243;micas.<br />
&#8226;	<b>Atr&#225;s dos deslocados v&#234;m os paramilitares que cobram impostos, vendem vacinas, suplantam a ladroagem crioula, tecem uma rede de corrup&#231;&#227;o social e lavagem de dinheiro com os casinos, assassinam na capital e constituem a perfeita Quinta Coluna de apoio a uma invas&#227;o.</b><br />
&#8226;	Gra&#231;as ao regime de dupla nacionalidade permitido pelo artigo 34 da Constitui&#231;&#227;o, pessoas com a nacionalidade de pa&#237;ses agressores ocupam postos chave para a soberania da Venezuela e continuam ligadas por indissol&#250;veis deveres de fidelidade, obedi&#234;ncia, lealdade e servi&#231;o militar.<br />
&#8226;	<b>A cada agress&#227;o a Venezuela deve responder administrativa, judicial, diplom&#225;tica e estrategicamente com medidas eficazes, contundentes, urgentes.</b><br />
<br />
<i>Notas do tradutor:<br />
[1] Petr&#243;leos da Venezuela SA<br />
[2] O ex&#233;rcito da Colombiano  &#233; o mais numeroso e bem equipado de toda a Am&#233;rica Latina, com sofisticadas armas que os EUA apenas fornecem &#224; Col&#244;mbia e a Israel&#8230;  <br />
[3] Ex presidente da PDVSA e actual embaixador da Venezuela em Cuba<br />
<br />
<br />
* Membro da Associa&#231;&#227;o Latino-Americana de Economistas Marxistas (ALEM)<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Jos&#233; Paulo Gasc&#227;o</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=729&amp;c=1">
	<title>A experi&#234;ncia pol&#237;tica do FMLN e a Esperan&#231;a de Mudan&#231;a para El Salvador 2009</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=729&amp;c=1</link>
	<dc:date>2008-05-11T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;&#105;a&#114;&#105;&#111;&#64;o&#100;&#105;ario&#46;in&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Dezasseis anos depois da assinatura dos Acordos de Paz de El Salvador, &#233; pertinente observar o estado em que se encontra a sociedade quanto ao respeito dos direitos humanos e liberdades democr&#225;ticas e por conseguinte a situa&#231;&#227;o econ&#243;mico-social da popula&#231;&#227;o.

Previu a assinatura dos Acordos de Paz, um ponto negociado da ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Dezasseis anos depois da assinatura dos Acordos de Paz de El Salvador, &#233; pertinente observar o estado em que se encontra a sociedade quanto ao respeito dos direitos humanos e liberdades democr&#225;ticas e por conseguinte a situa&#231;&#227;o econ&#243;mico-social da popula&#231;&#227;o.<br />
<br />
Previu a assinatura dos Acordos de Paz, um ponto negociado da reforma da Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica, com que se fez uma reforma ao Estado, fechando institui&#231;&#245;es criadas pela ditadura militar, reformando as existentes e abrindo outras que possibilitam um processo de constru&#231;&#227;o democr&#225;tica.<br />
<br />
Os Acordos de Paz e a Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica, s&#227;o a base do projecto de na&#231;&#227;o, a partir da perspectiva de esquerda que a Frente Farabundo Mart&#237; para a Liberta&#231;&#227;o Nacional tem como ideal a conquistar. O anterior possibilitar&#225;  avaliar &#224; luz dos prop&#243;sitos que permitiram terminar 22 anos de luta de guerrilha, entre os quais doze anos de guerra civil e caminharmos para a democratiza&#231;&#227;o, reconcilia&#231;&#227;o, integra&#231;&#227;o da sociedade de Salvador e respeito irrestrito dos direitos humanos.<br />
<br />
<b>Reconcilia&#231;&#227;o</b><br />
<br />
Para que haja reconcilia&#231;&#227;o, primeiro deve haver reconhecimento da falta, logo perd&#227;o e ressarciamento dos danos. Este processo n&#227;o teve lugar em Salvador por parte da direita, que manteve 60 anos de ditadura militar.<br />
<br />
S&#243; na guerra civil houve mais de oitenta mil mortos civis, mais de sete mil desaparecidos. Mais de mil crian&#231;as, meninos e meninas, desaparecidos, que foram recolhidas pelo ex&#233;rcito, colocadas em orfanatos e dados para adop&#231;&#227;o a fam&#237;lias estrangeiras. Desses foram encontrados mais de quinhentos mas falta a outra metade.<br />
<br />
As Comiss&#245;es de Direitos Humanos contra a tortura e desaparecidos tomaram resolu&#231;&#245;es perante o incumprimento, por parte do Estado, desses compromissos dos Acordos de Paz, que foram boicotados pela &#171;Lei da Amnistia&#187; de que a pr&#243;pria direita se apropriou e porque n&#227;o se conclu&#237;am as reformas ao Sistema de Justi&#231;a. A esse respeito a FMLN, em reiteradas ocasi&#245;es, tomou a iniciativa para que a Lei de Amnistia fosse derroguada, para que se possa iniciar o processo de reconcilia&#231;&#227;o da sociedade.<br />
<br />
A impunidade de todos estes delitos, de que muitos s&#227;o massacres qualificados de lesa humanidade, tem um efeito na aplica&#231;&#227;o de justi&#231;a na actualidade. O PNUD realizou um estudo sobre casos de delitos em 2005, com uma mostra em tr&#234;s cidades importantes: S. Salvador, Santa Ana e S. Miguel. Nesse estudo verificou que em cada cem casos de delitos de crimes, s&#243; 17% chegam a julgamento; Os 83% que n&#227;o chegam encontram-se na Pol&#237;cia Nacional Civil ou na Procuradoria-Geral da Rep&#250;blica. Estes 83% s&#227;o casos de que n&#227;o h&#225; provas, de que se violou os procedimentos devidos.<br />
 <br />
Os assass&#237;nios de mulheres constituem um fen&#243;meno que se desenvolveu nos &#250;ltimos cinco anos, mulheres assassinadas com evid&#234;ncia de torturas at&#233; com desmembramento dos corpos, depois de violadas. Os femeninoc&#237;dios est&#227;o na impunidade. Este g&#233;nero de viol&#234;ncia aumentou, e tamb&#233;m sobre crian&#231;as, meninos, meninas e adolescentes, entregues &#224;s institui&#231;&#245;es repressoras do Estado, que aplicavam m&#233;todos em si violadores dos direitos da inf&#226;ncia, contemplados na Constitui&#231;&#227;o e na Conven&#231;&#227;o de Direitos das Crian&#231;as.<br />
<br />
A impunidade est&#225; a tornar-se numa cultura, express&#227;o cruel da viol&#234;ncia de todo o tipo, mesmo da perda de vidas. As testemunhas t&#234;m medo de falar, porque muitos s&#227;o os que t&#234;m sido assassinados. Existem delitos, que t&#234;m uma combina&#231;&#227;o do crime organizado com motiva&#231;&#245;es pol&#237;ticas, que ficam por esclarecer.<br />
<br />
N&#227;o pode haver reconcilia&#231;&#227;o numa sociedade quando as institui&#231;&#245;es do Estado que devem representar essa sociedade n&#227;o cumprem o seu papel e violam a Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica e os Acordos de Paz. As leis em mat&#233;ria de justi&#231;a por viola&#231;&#245;es &#224; vida e &#224; integridade das pessoas, foram reformadas, o C&#243;digo Penal tem mais de quatrocentas reformas e passou de C&#243;digo garante dos Direitos Humanos a um C&#243;digo repressivo. A direita criou leis que t&#234;m t&#237;tulo de direitos mas o seu conte&#250;do &#233; reprissivo e provoca o medo de que a popula&#231;&#227;o se expresse livremente. Os &#250;ltimos casos s&#227;o dirigentes do movimento social detidos sob acusa&#231;&#227;o de terroristas, por impedirem que o Presidente da Rep&#250;blica aprovasse a lei de privatiza&#231;&#227;o da &#225;gua. Depois de oito meses de luta social, luta pol&#237;tica, luta na Assembleia Legislativa e internacionalmente, derrotou-se a Lei Antiterrorista que lhes foi aplicada e sa&#237;ram em liberdade h&#225; um m&#234;s.<br />
<br />
<b>Integra&#231;&#227;o da sociedade salvadorenha</b><br />
<br />
At&#233; 1992 tinham sa&#237;do de El Salvador para diferentes pa&#237;ses do mundo 10% da popula&#231;&#227;o, devido &#224; guerra civil. No ano de 2007 30% da popula&#231;&#227;o tinha emigrado, agora por falta de oportunidades, pobreza e crime organizado, gerados no marco das pol&#237;ticas neoliberais aplicadas pela direita desde 1992 a 2007.<br />
<br />
As pol&#237;ticas econ&#243;micas assentam no livre com&#233;rcio e nas privatiza&#231;&#245;es dos activos do Estado. Consequ&#234;ncias econ&#243;micas: rede produtiva agropecu&#225;ria e industrial nacional destru&#237;da, encerramento de mais de 45 mil empregos do Estado. Incremento do desemprego e do sector informal.<br />
<br />
Efeitos sociais: desintegra&#231;&#227;o familiar, m&#225;s condi&#231;&#245;es de crescimento para meninos e meninas, adolescentes em risco de serem cooptados pelo crime organizado. Mulheres sobrecarregadas assumem toda a responsabilidade familiar e quando estas tamb&#233;m emigram, o lar fica &#224; deriva.<br />
<br />
Em vez de integrar e consolidar a fam&#237;lia, existem agora muitas fam&#237;lias salvadorenhas desintegradas, quer em El Salvador quer em diversas partes do mundo, principalmente nos Estados Unidos da Am&#233;rica, onde residem mais de dois milh&#245;es e meio de salvadorenhos.<br />
<br />
A juventude n&#227;o tem perspectiva, a maioria dos adolescentes e jovens n&#227;o tem acesso &#224; educa&#231;&#227;o nem ao seu primeiro trabalho. Quando o pai &#233; o primeiro que vai para os Estados Unidos e a&#237; passa um tempo consider&#225;vel, forma outro lar e abandona o que deixou, a m&#227;e v&#234;-se tamb&#233;m obrigada a emigrar e os filhos e filhas ficam sozinhos, ao abandono. Acontece tamb&#233;m que a m&#227;e &#233; a que vai primeiro e passa muito tempo sozinha, uma percentagem forma outro lar e os filhos do primeiro casamento ficam em desvantagem, com menos cuidados, menos protec&#231;&#227;o.<br />
<br />
A direita apostou em tolerar e/ou promover a migra&#231;&#227;o, porque &#233; maneira mais f&#225;cil de recebimento de divisas. No ano de 2007 foram mais de 3.300 milh&#245;es de d&#243;lares que se receberam, constituindo a principal fonte de rendimento que entra no pa&#237;s. Expulsar popula&#231;&#227;o tornou-se numa pol&#237;tica do governo de direita. Os sectores directamente beneficiados s&#227;o os bancos, os centros comerciais e as linhas a&#233;reas. A fam&#237;lia usa o dinheiro que recebe para o consumo em quase 90%, as iniciativas de trabalho acabaram porque t&#234;m a certeza de receber mensalmente mais dinheiro do que o sal&#225;rio m&#237;nimo. O sal&#225;rio m&#237;nimo em El Salvador na &#225;rea rural &#233; de 70 d&#243;lares e na &#225;rea urbana oscila entre 144 e 168 d&#243;lares.<br />
<br />
O fen&#243;meno migrat&#243;rio &#233; cada vez mais complexo, pelo encerramento de espa&#231;os dos pa&#237;ses receptores, principalmente nos estados Unidos. No ano de 2007 repatriaram mais de 20 mil pessoas para El Salvador, superando o n&#250;mero do ano de 2006, 13 mil, e de 2005 com mais de 7 mil repatriados. Em tr&#234;s anos s&#227;o mais de 40 mil os repatriados, dos quais apenas 10% o s&#227;o pela pr&#225;tica de delitos, enquanto 90% s&#227;o repatriados por falta de documentos.<br />
<br />
As vicissitudes por que passam em territ&#243;rio mexicano para chegar aos Estados Unidos s&#227;o cada vez maiores, agora um &#171;coiote&#187; cobra pela passagem entre 7 e 10 mil d&#243;lares. Muitos n&#227;o chegam, s&#227;o apanhados pelo comboio, assassinados e enterrados como desconhecidos ou presos. Quando o pai e a m&#227;e vivem juntos nos Estados Unidos, procuram levar os filhos e as filhas pela via dos &#171;mojados&#187;, com os consequentes riscos de serem violados e vendidos para explora&#231;&#227;o sexual comercial ou para tr&#225;fico de escravos. Poucos conseguem o objectivo de se integrar nesse pa&#237;s. <br />
<br />
O governo de S. Salvador n&#227;o tem qualquer pol&#237;tica para com as fam&#237;lias que se desintegraram pela migra&#231;&#227;o for&#231;ada e que ficam em El Salvador, s&#227;o her&#243;is quando enviam dinheiro e s&#227;o criminosos quando vem de volta &#171;mojados&#187; ou s&#227;o repatriados. Tem uma moral d&#250;plice e neste assunto est&#225; totalmente submisso &#224; pol&#237;tica de Bush,<br />
<br />
<b>Democratiza&#231;&#227;o</b><br />
<br />
Entende-se por democratiza&#231;&#227;o da sociedade o acesso de cada um aos seus direitos econ&#243;micos, sociais, pol&#237;ticos, culturais, ambientais e o direito a conhecer a hist&#243;ria.<br />
<br />
Com a assinatura dos Acordos de Paz, a direita tinha apostado em derrotar eleitoralmente a FMLN. A hist&#243;ria demonstrou o contr&#225;rio. No ano 2000 a FMLN ganhou as elei&#231;&#245;es com mais 48 mil votos que o partido do governo, o ARENA. A partir desse ano come&#231;aram a fazer contra-reformas, em todos os aspectos que no processo democr&#225;tico lhes interessou para manter os espa&#231;os de poder pol&#237;tico.<br />
<br />
Nos &#250;ltimos oito anos a FMLN depois de ser um partido eleitoral de 94 a 99, definiu uma nova estrat&#233;gia que articula a luta social, o fortalecimento org&#226;nico e a luta pol&#237;tica do partido, a mobiliza&#231;&#227;o dos espa&#231;os do Estado onde se encontra o FMLN. Os dirigentes devem articular-se com a popula&#231;&#227;o e dar contas todos os fins de semana. Promovem-se ac&#231;&#245;es porta-a-porta de modo permanente. A iniciativa na resolu&#231;&#227;o dos problemas do pa&#237;s, com propostas que claramente se diferenciam do que faz o governo, gerou crescente confian&#231;a junto da popula&#231;&#227;o. O trabalho internacional como partido nas diversas tipos de rela&#231;&#227;o existentes, assim como o trabalho pol&#237;tico diplom&#225;tico junto dos organismos internacionais e governos, proporcionando informa&#231;&#227;o e dando a conhecer pontos de vista do partido, modificou de alguma maneira a vis&#227;o da realidade de El Salvador nalguns organismos internacionais.<br />
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As &#250;ltimas elei&#231;&#245;es para presidente foram no ano 2004, com a candidatura do hist&#243;rico companheiro Schafik Jorge Handal. Nessa ocasi&#227;o duplicou-se os votos de trezentos e oitenta mil para oitocentos e doze mil. Reafirmou-se a identidade do FMLN fazendo a diferen&#231;a na sua proposta em rela&#231;&#227;o &#224; ARENA. Suspeita-se que nestas elei&#231;&#245;es o Registo Eleitoral foi contaminado com votantes da Guatemala, Honduras e Nicar&#225;gua e muitos votantes tiveram dois cadernos para votar, assim como deram boletim de voto a cidad&#227;os que vivem em El Salvador em substitui&#231;&#227;o de salvadorenhos que h&#225; muitos anos n&#227;o visitam o pa&#237;s.<br />
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Nas elei&#231;&#245;es para deputados e governadores no ano de 2006 o FMLN ganhou por 1.700 votos &#224; ARENA para deputados e a vit&#243;ria na capital, San Salvador, foi por 44 votos. Um claro empate eleitoral.<br />
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Em Janeiro de 2009 haver&#225; elei&#231;&#245;es para deputados e governadores. De 15 em 15 anos realizam-se elei&#231;&#245;es gerais e sempre foram juntas, agora s&#227;o separadas, pelo c&#225;lculo da direita de que pode perder tudo. O empate foi superado a partir da defini&#231;&#227;o da f&#243;rmula presidencial para as elei&#231;&#245;es de Mar&#231;o de 2009. T&#234;m medo de perder as elei&#231;&#245;es presidenciais e perder os privil&#233;gios que mantiveram durante s&#233;culos.<br />
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A reac&#231;&#227;o &#233; o retrocesso dos Acordos de Paz, viola&#231;&#227;o da Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica, cria&#231;&#227;o de leis que super protegem o capital e os seus aliados internacionais, medidas de terror come&#231;ando de novo a assassinar e amea&#231;ar os membros e simpatizantes do FMLN e outros dirigentes. A campanha destemperada contra o presidente Chavez e a Venezuela, com as ofensas e mentiras mais vergonhosas que se podem ouvir, s&#227;o difundidas pelas suas empresas que s&#227;o 90% de meios de comunica&#231;&#227;o. &#201; de levar em conta que a direita controla todas as institui&#231;&#245;es do Estado, t&#234;m o capital e o apoio incondicional dos Estados Unidos da Am&#233;rica do Norte. O controle do Registo Eleitoral est&#225; s&#243; nas m&#227;os da ARENA. <br />
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A partir de Outubro de 2007 o FMLN leva vantagem &#224; ARENA. Na &#250;ltima fase de Fevereiro, o FMLN est&#225; dois pontos acima da ARENA e o candidato do FMLN 40 sobre a soma de pr&#233;-candidatos da ARENA. As candidaturas s&#227;o definidas a 15 de Mar&#231;o.<br />
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A comunidade internacional pode pressionar para que em El Salvador possam realizar-se elei&#231;&#245;es mais ou menos livres. Depois das elei&#231;&#245;es de 2006 pediu-se &#224; OEA uma auditoria ao Sistema e Registo Eleitoral. Esta auditoria deu os seus primeiros frutos. Vai ser feita uma Observa&#231;&#227;o Internacional, que vigiar&#225; o cumprimento das principais observa&#231;&#245;es realizadas. Esta observa&#231;&#227;o ter&#225; mais efectividade se por parte de amigos e amigas visitarem El Salvador antes das elei&#231;&#245;es, como parte da observa&#231;&#227;o do processo. Estas delega&#231;&#245;es podem ter impacto junto da direita, ao dar-se conta que est&#225; sendo observada, e junto do povo, que tamb&#233;m se apercebe que n&#227;o est&#225; s&#243; nesta sua luta pela democracia.<br />
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Na campanha presidencial, Maur&#237;cio Funes, um comunicador social independente, respeitado e querido pelo povo e Salvador S&#225;nchez Cer&#233;n (Leonel Gonz&#225;lez) desde Outubro, todas as sextas, s&#225;bados e domingos visitam o pa&#237;s, em reuni&#245;es e interc&#226;mbios com sectores diversos. Estas visitas s&#227;o acompanhadas pela direc&#231;&#227;o do partido.<br />
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O &#171;Di&#225;logo Social Aberto&#187; &#233; o m&#233;todo para construir o Programa do Governo, que tem como ponto de partida o elaborado com Schafik. Um fen&#243;meno que se nota &#233; que o dirigente do partido PCN (Partido de Concilia&#231;&#227;o Nacional) dos militares na guerra, aceitam agora a f&#243;rmula presidencial do FMLN e querem votar no FMLN. Tudo isto assusta cada vez mais a direita, embora n&#227;o devamos confiar e descansar. Se se realizarem elei&#231;&#245;es livres o FMLN tem a perspectiva de ser governo. O povo recuperou a esperan&#231;a e espera uma mudan&#231;a. 85% da popula&#231;&#227;o quer uma mudan&#231;a. 70% afirma que n&#227;o tem medo que o FMLN ganhe as elei&#231;&#245;es.<br />
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<b>Respeito irrestrito dos direitos humanos em El Salvador</b><br />
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Violam-se de novo os direitos humanos em El Salvador. Nesse sentido &#233; de destacar como parte da situa&#231;&#227;o dos Direitos Civicos e Pol&#237;ticos, as constantes den&#250;ncias sobre pr&#225;ticas de tortura, os tratatamentos cru&#233;is, desumanos e degradantes, assim como o caso de sicariato detectada na Divis&#227;o de Investiga&#231;&#245;es da Pol&#237;cia Nacional Civil de San Miguel. Estas s&#227;o das mais graves viola&#231;&#245;es dos direitos humanos cuja responsabilidade recai em algumas estruturas da dita institui&#231;&#227;o. Mesmo assim, a situa&#231;&#227;o das pessoas privadas de liberdade, o isolamento prolongado, os maus-tratos, as condi&#231;&#245;es prec&#225;rias de sa&#250;de, trabalho e educa&#231;&#227;o, as condi&#231;&#245;es indignas que os familiares sofrem ao realizar a visita, entre outras, n&#227;o foram corrigidas.<br />
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Quanto &#224; administra&#231;&#227;o da justi&#231;a, persistem obst&#225;culos importantes que impedem o seu cumprimento, tais como a investiga&#231;&#227;o deficiente dos delitos, a inger&#234;ncia de outros poderes p&#250;blicos nas decis&#245;es judiciais, a corrup&#231;&#227;o, burocracia, a falta de prepara&#231;&#227;o dos ju&#237;zes, entre outros.<br />
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Tamb&#233;m as viola&#231;&#245;es dos direitos dos povos ind&#237;genas e das pessoas incapacitadas durante o conflito armado continuaram a agudizar-se no &#250;ltimo ano, enquanto na Assembleia Legislativa se manteve  paralisado o estudo e discuss&#227;o de propostas de reformas constitucionais e legais para o reconhecimento dos seus direitos.<br />
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Em mat&#233;ria de Direitos Econ&#243;micos, Sociais e Culturais, a situa&#231;&#227;o n&#227;o foi muito animadora. Para a FMLN &#233; preocupante a manuten&#231;&#227;o das desigualdades econ&#243;micas e sociais, aumentadas nos sectores vulner&#225;veis, tais como as crian&#231;as, as mulheres, os idosos, os deficientes e os ind&#237;genas.<br />
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O Estado apresenta melhorias relativas em programas destinados a reduzir a pobreza extrema; organismos internacionais mencionaram que os lucros alcan&#231;ados em indicadores de desenvolvimento social, unificado com o crescimento econ&#243;mico apresentado nos &#250;ltimos dois anos, s&#227;o insuficientes para beneficiar os lares mais pobres. Tudo isto demonstra que se necessita uma pol&#237;tica social que efectivamente redistribua a riqueza de maneira equitativa, atrav&#233;s de um incremento da despesa familiar.<br />
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Nesse sentido, o desafio para o Estado est&#225; em oferecer maiores e melhores empregos, com maior &#234;nfase na &#225;rea rural, assegurando condi&#231;&#245;es dignas. Esta realidade contrasta com a tend&#234;ncia &#224; informalidade do mercado laboral, caracterizada pela desprotec&#231;&#227;o social, os baixos sal&#225;rios e o perigo de desalojamentos, entre outros.<br />
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&#201; tamb&#233;m de destacar as dificuldades para o acesso oportuno e permanente aos estabelecimentos de sa&#250;de, a despesa familiar excessiva na conserva&#231;&#227;o e reabilita&#231;&#227;o da sua sa&#250;de, a insufici&#234;ncia de medicamentos b&#225;sicos e pessoal competente e carinhoso. Por outro lado, tamb&#233;m &#233; preocupante a aplica&#231;&#227;o de leis que aprofundam a fragmenta&#231;&#227;o do sector e incentivam a privatiza&#231;&#227;o, e que p&#245;em em d&#250;vida a capacidade do Estado para assumir o compromisso de prestar este servi&#231;o p&#250;blico.<br />
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Em claro contraste com a doutrina dos direitos humanos, o Estado negou o reconhecimento constitucional do direito &#224; sindicaliza&#231;&#227;o dos trabalhadores p&#250;blicos, atrav&#233;s de uma declara&#231;&#227;o de insconstitucionalidade decretada pela Sala do Constitucional do Supremo Tribunal de Justi&#231;a, sobre uma frase do Conv&#233;nio n&#250;mero 87 da Organiza&#231;&#227;o Internacional do Trabalho relativo &#224;s liberdades sindicais, vigente dentro do ordenamento jur&#237;dico salvadorenho.<br />
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Por outro lado, abordando o tema dos Direitos Humanos da Popula&#231;&#227;o Adulta e Pessoas com Incapacidade, verificamos que as problem&#225;ticas s&#227;o as seguintes: afecta&#231;&#227;o do direito a uma seguran&#231;a social, por n&#227;o tornar efectivo e imediato a revaloriza&#231;&#227;o das pens&#245;es e o estabelecimento de uma pens&#227;o digna. A este sector somam-se as pessoas com incapacidade, que n&#227;o contam com um registo confi&#225;vel, que permita, a partir dos conceitos trazidos pela doutrina e instrumentos internacionais de direitos humanos, uma caracteriza&#231;&#227;o completa da sua integra&#231;&#227;o &#224; sociedade econ&#243;mica e social.<br />
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Quanto &#224; defesa dos Direitos da Inf&#226;ncia e Juventude, os progressos proclamados pelo Estado, s&#227;o muito limitados e de curta dura&#231;&#227;o. Custa a ver no horizonte um futuro de esperan&#231;a para a inf&#226;ncia e para a na&#231;&#227;o. O Estado continua a tolerar, em detrimento deste sector, a viol&#234;ncia permanente, a sa&#250;de insatisfeita, a falta de acesso &#224; educa&#231;&#227;o, a migra&#231;&#227;o for&#231;ada, os problemas na justi&#231;a juvenil e a falta de um aut&#234;ntico sistema nacional de aten&#231;&#227;o integral.<br />
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Tamb&#233;m &#233; importante mencionar a situa&#231;&#227;o dos Direitos Humanos das Mulheres, onde persiste uma situa&#231;&#227;o de desigualdade, marginaliza&#231;&#227;o e discrimina&#231;&#227;o contra as mulheres que impede e restringe o desenvolvimento pleno dos seus direitos e o desfrute das suas liberdades. Desvantagens no &#226;mbito pol&#237;tico, social, laboral e empresarial n&#227;o permitem que as mulheres tenham igualdade de oportunidades em rela&#231;&#227;o aos homens. Tamb&#233;m a cultura patriarcal e androc&#234;ntrica arreigada nas estruturas de poder e em todos os n&#237;veis de tomada de decis&#245;es impede a participa&#231;&#227;o plena das mulheres.<br />
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No contexto de desigualdade, a discrimina&#231;&#227;o e impunidade, a viol&#234;ncia de g&#233;nero &#233; uma viola&#231;&#227;o sistem&#225;tica dos direitos humanos e um obst&#225;culo para o desenvolvimento econ&#243;mico, social e democr&#225;tico do pa&#237;s. Preocupante &#233; a taxa de mortalidade das mulheres por ac&#231;&#245;es graves, assass&#237;nios, cujos factos n&#227;o foram devidamente esclarecidos.<br />
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Finalmente, no que respeita aos direitos do meio ambiente, o esfor&#231;o governamental esteve orientado para a protec&#231;&#227;o dos recursos naturais, atrav&#233;s de uma declara&#231;&#227;o legal de &#225;rea natural protegida e &#224; oficializa&#231;&#227;o de zonas de reserva, tanto na bioesfera como na serra, al&#233;m de uma abertura das institui&#231;&#245;es ambientais p&#250;blicas na solu&#231;&#227;o de problemas. Al&#233;m disso, detectaram-se problemas pela falta de acesso &#224; informa&#231;&#227;o e &#224; participa&#231;&#227;o dos cidad&#227;os em decis&#245;es que afectam o meio ambiente; tudo isso corresponde &#224; falta de uma verdadeira pol&#237;tica ambiental, que gerou o aumento dos casos de viola&#231;&#227;o ao direito a um meio ambiente s&#227;o.<br />
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O Projecto de Na&#231;&#227;o na perspectiva do FMLN: fundamentado nos Acordos de Paz e a Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica, reformada em 1991</b><br />
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Com base na anterior aproxima&#231;&#227;o da realidade salvadorenha, os grandes problemas humanos s&#227;o os da reeduca&#231;&#227;o e erradica&#231;&#227;o da pobreza, a desigualdade e a exclus&#227;o social, cultural e econ&#243;mica, que t&#234;m ra&#237;zes profundas explicativas na distribui&#231;&#227;o injusta do rendimento, na m&#225; distribui&#231;&#227;o do conhecimento, da educa&#231;&#227;o, do saber cient&#237;fico e t&#233;cnico e na p&#233;ssima distribui&#231;&#227;o de poder e da pol&#237;tica, em detrimento dos leg&#237;timos interesses da popula&#231;&#227;o, das liberdades e direitos da cidadania.<br />
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O FMLN mant&#233;m a opini&#227;o de que a desigualdade de rendimentos, de acesso aos servi&#231;os b&#225;sicos, &#224; educa&#231;&#227;o, e &#224; estrutura de oportunidades, &#233; um fen&#243;meno invasor e epid&#233;mico, porque embora os seus impactos se achem principalmente concentrados sobre os mais pobres, n&#227;o se localizam ali. Tendem &#224; exclus&#227;o e precariza&#231;&#227;o dos sectores m&#233;dios e do empresariado que n&#227;o faz parte do grupo enquistado no governo e que usufrui os seus benef&#237;cios.<br />
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Nesse sentido os imensos desafios econ&#243;micos do pa&#237;s, que devemos superar s&#227;o:<br />
1.	O lento crescimento da riqueza nacional.<br />
2.	A baixa produtividade do pa&#237;s, das empresas nacionais e da administra&#231;&#227;o p&#250;blica.<br />
3.	A redu&#231;&#227;o da competitividade do pa&#237;s, das empresas nacionais e da administra&#231;&#227;o p&#250;blica.<br />
4.	O crescente abismo cient&#237;fico-tecnol&#243;gico, entre a explos&#227;o de conhecimentos e avan&#231;os tecnol&#243;gicos que propulsionam outras na&#231;&#245;es para o futuro, no s&#233;culo XXI, e os atrasados n&#237;veis do nosso pa&#237;s.<br />
5.	A iniquidade econ&#243;mica nos n&#237;veis sociais, territoriais e do g&#233;nero.<br />
6.	O atraso da integra&#231;&#227;o regional e o afastamento do ide&#225;rio da Uni&#227;o Centro-americana herdado da nossa regi&#227;o-na&#231;&#227;o pelos pr&#243;ceres da independ&#234;ncia de Espanha.<br />
<br />
&#201; por isso que a FMLN est&#225; a desenvolver uma actividade denominada &#171;o di&#225;logo social aberto&#187; que foi lan&#231;ado publicamente em Setembro passado, com o objectivo de cumprir a miss&#227;o patri&#243;tica de dar resposta a outros grandes emprazamentos hist&#243;ricos emanados da situa&#231;&#227;o econ&#243;mica e social que El Salvador sofre como:<br />
1.	O fen&#243;meno da emigra&#231;&#227;o <br />
2.	O estravazamento da inseguran&#231;a e os seus irrepar&#225;veis custos humanos e econ&#243;micos, pagos pelo pa&#237;s, perante a incompet&#234;ncia dos &#250;ltimos governos at&#233; aos nossos dias.<br />
3.	A fractura doi pa&#237;s e a confronta&#231;&#227;o estagnada pelo governo de turno??, os seus aparelhos conspirativos e a sua maquin&#225;ria negra de propaganda.<br />
4.	A deteriora&#231;&#227;o e o risco ambiental para a fam&#237;lia e a sociedade.<br />
Vis&#227;o de um futuro melhor para El Salvador<br />
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No FMLN, estamos certos de que o Governo deve orientar-se por uma vis&#227;o de futuro para o nosso povo: a de um pa&#237;s rico, uma sociedade productiva e pr&#243;spera, devidamente informada, culturalmente avan&#231;ada, socialmente justa e solid&#225;ria, livre das desigualdades desumanizantes, dos desiquilibrios territoriais e urbano-rurais que o afecram hoje; uma sociedade democr&#225;tica, com liberdade de religi&#227;o, liberta da delinqu&#234;ncia e segura, altamente organizada, integracionsita, aberta e ambioentalmente sustent&#225;vel, encaminhada para o bem-estar das pessoas e a realiza&#231;&#227;o do ser humano. Uma sociedade fundada na livre detrmina&#231;&#227;o do povo.<br />
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&#201; por isso que o FMLN, desde as nossas estruturas municipais de governo, a representa&#231;&#227;o parlamentar e desde 2009, a presid&#234;ncia da Rep&#250;blica, estamos convencidos de que o projecto de na&#231;&#227;o desde a esquerda deve iniciar os seus passos para o desenvolvimento, promovendo oi crescimento econ&#243;mico, a gera&#231;&#227;o de riqueza da fam&#237;lia salvadorenha e do pa&#237;s, a educa&#231;&#227;o, o conhecimento, a investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica, o emprego, a distribui&#231;&#227;o equitativa do rendimento para o melhoramnento progressivo da qualidade aliment&#237;cia e da vida de cada fam&#237;lia na cidade e no campo.<br />
<br />
Isto para conseguir o desfrute pleno dos direitos humanos e a igualdade de g&#233;nero, a seguran&#231;a social, a sa&#250;de, casa digna, um ambiente prop&#237;cio &#224; vida e com acesso aos bens e servi&#231;os essenciais do ser humano.<br />
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A viabilidade do desenvolvimento requer um Estado social e democr&#225;tico de direito, funcional e forte, garantia de vida, da seguran&#231;a jur&#237;dfica e c&#237;vica, do acesso aos bens e servi&#231;os vitais para a popula&#231;&#227;o.<br />
<br />
Exige uma democratiza&#231;&#227;o profunda das rela&#231;&#245;es de poder e do Estado, regula&#231;&#245;es de mercado e a n&#227;o privatiza&#231;&#227;o dos servi&#231;os p&#250;blicos. Que se expresse atrav&#233;s de um governo realmente democr&#225;tico e de concerta&#231;&#227;o, capaz de promover a constru&#231;&#227;o de uma vis&#227;o de futuro amplamente repartida.<br />
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<b>Bases do modelo social e democr&#225;tico do desenvolvimento</b><br />
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Este modelo de desenvolvimento est&#225; baseado na moderniza&#231;&#227;o da ind&#250;stria e na incorpora&#231;&#227;o da micro, pequena e m&#233;dia empresa da cidade e do campo, como eixos mais din&#226;micos e como tecido social gerador de riqueza nacional, de empregos e rendimentos para os salvadorenhos.<br />
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Tem como condi&#231;&#227;o b&#225;sica o desenvolvimento do conhecimento e de novas capacidades, de um sistema agroa-limentar e de sector de servi&#231;os eficientes e que exige, mesmo assim, servi&#231;os financeiros, s&#243;lidos e confi&#225;veis em fun&#231;&#227;o do desenvolvimento das for&#231;as productivas do pa&#237;s e do com&#233;rcio nacional e internacional.<br />
<br />
Nesse sentido, torna-se indispens&#225;vel esclarecer de antem&#227;o e o car&#225;cetr do Programa de Governo; o qual, se apresenta nos seus objectivos, princ&#237;pios e linhas mestras do mesmo.<br />
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Condensando os princ&#237;ios e linhas da vis&#227;o de El Salvador que queremos, no FMLN, propomos nove vias amplas de furuto sobre as quais podemos trabalhar os elementos constituintes do programa:<br />
1.	A seguran&#231;a humana e a promo&#231;&#227;o dos direitos humanos; <br />
2.	 A constru&#231;&#227;o e consolida&#231;&#227;o do Estado Social. Constitucional e Democr&#225;tico de Direito<br />
a) do papel do estado, do regimwe pol&#237;tico e forma de governo<br />
b) Da altern&#226;ncia de poder e do exerc&#237;cio dpo poder<br />
c) da ordem econ&#243;mica e das voltas do mercado<br />
d) do desenvolvimento social<br />
e) da democracia como vis&#227;o, princ&#237;pio e sistema de vida<br />
3. o desenvolvimento integral da vida democr&#225;tica do pa&#237;s<br />
4. a igualdade de g&#233;neros<br />
5. o reencontro com a natureza e a recupera&#231;&#227;o ambiental<br />
6. a unidade nacional, a reunifica&#231;&#227;o da fam&#237;lia salvadorenha dentro e fora do pa&#237;s e a reconcilia&#231;&#227;o.<br />
7. a honradez e a transpar&#234;ncia no governo<br />
8. o desenvolvimento local<br />
9. a iniciativa salvadorenha para uma integra&#231;&#227;o na Am&#233;rica Central independente e o regionalismo aberto para seu pr&#243;prio desenvolvimento.<br />
<br />
Defintivamente, a vis&#227;o do governo do FMLN procura desenvolver uma correla&#231;&#227;o positiva entre os direitos humanos integralmente garantidos, as liberdades democr&#225;ticas e o crescimento econ&#243;mico, com oportunidades para todos.<br />
<br />
Perante o esquema econ&#243;mico imperante, oferecemos para come&#231;o dos entendimentos democr&#225;ticos, a tra&#231;os largos, o que poderia ser o modelo para um novo impulso da economia de Salvador e a inclus&#227;o de:<br />
1.	Um modelo que assuma o desafio da erradica&#231;&#227;o da pobreza como o interesse nacional mais vital, reivindicando a pessoa humana como centro da actividade econ&#243;mica da sociedade e do estado, num processo de revaloriza&#231;&#227;o da mulher e do homem, da juventude, da inf&#226;ncia e da terceira idade, sob uma promo&#231;&#227;o, vig&#234;ncia plena e respeito pelos direitos humanos, econ&#243;micos, pol&#237;ticos, s&#243;cias e ambientais.<br />
2.	Um modelo que assuma a nossa popula&#231;&#227;o como a for&#231;a produtiva e a riqueza maior e que se eleve na sua capacidade e na sua qualidade.<br />
3.	Um modelo sustent&#225;vel no meio ambiente, social, pol&#237;tico, econ&#243;mico e cient&#237;fico-tecnol&#243;gico.<br />
4.	Um modelo de desenvolvimento de dentro para fora. Centrado no factor humano, na eleva&#231;&#227;o dos n&#237;veis de vida da popula&#231;&#227;o, as suas voca&#231;&#245;es e capacidades, estimulando o aproveitamento mais h&#225;bil e mais din&#226;mico dos aspectos positivos da globaliza&#231;&#227;o.<br />
5.	Um modelo baseado no Estado de Direito, a constitucionalidade plena e o respeito ao princ&#237;pio da legalidade.<br />
6.	Um modelo sustentado na Participa&#231;&#227;o econ&#243;mica.<br />
7.	Um modelo comprometido com a descentraliza&#231;&#227;o para o desenvolvimento econ&#243;mico territorialmente equilibrado.<br />
8.	Uma aposta no conhecimento, na ci&#234;ncia e na tecnologia.<br />
<br />
&#201; este o caminho que a FMLN definiu, porque El Salvador requer uma estrat&#233;gia de transi&#231;&#227;o e de mudan&#231;a para tomar a rota do desenvolvimento econ&#243;mico, social, cultural e ambiental, inclu&#237;dor, participativo e equitativo do nosso pa&#237;s, tal como seguem os povos amigos de Cuba, Venezuela, Brasil, Guatemala, Nicar&#225;gua, entre outros. E dentro de todos estes, a estrat&#233;gia de na&#231;&#227;o que concebe a pessoa, com todo o seu potencial humano, como o recurso mais valioso, decisivo e inesgot&#225;vel e como autora e benefici&#225;ria do progresso, sendo este o caminho a seguir, sendo esta a esperan&#231;a dos povos para uma mudan&#231;a a seu favor.<br />
<br />
<i>Comunica&#231;&#227;o apresentada no Semin&#225;rio Internacional &#8220;Os Partidos e uma Nova Sociedade&#8221; realizado em Mar&#231;o de 2008</i> <br />
<i><br />
* Deputada da Assembleia Legislativa de El Salvador, Coordenadora da Secretaria de Rela&#231;&#245;es Internacionais, Membro da Comiss&#227;o Pol&#237;tica da FMLN<br />
<br />
Tradu&#231;&#227;o de Manuela Gouveia</i><br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=728&amp;c=1">
	<title>A base de Manta: Posi&#231;&#227;o nevr&#225;lgica dos E.U.A. na regi&#227;o andino-amaz&#243;nica.</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=728&amp;c=1</link>
	<dc:date>2008-05-10T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:&#111;&#100;&#105;&#97;ri&#111;&#64;&#111;d&#105;ar&#105;&#111;.inf&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>A base militar norte-americana em Manta, Equador, volta a ser um tema actual. A Assembleia Constituinte aprovou, no passado dia 1 de Abril de 2008, um artigo, a ser inclu&#237;do na nova Constitui&#231;&#227;o, que declara: &#171;O Equador &#233; um territ&#243;rio de Paz no qual n&#227;o &#233; permitido estabelecer bases militares ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[A base militar norte-americana em Manta, Equador, volta a ser um tema actual. A Assembleia Constituinte aprovou, no passado dia 1 de Abril de 2008, um artigo, a ser inclu&#237;do na nova Constitui&#231;&#227;o, que declara: <i>&#171;O Equador &#233; um territ&#243;rio de Paz no qual n&#227;o &#233; permitido estabelecer bases militares estrangeiras nem instala&#231;&#245;es estrangeiras com prop&#243;sitos militares&#187;</i>. Ao mesmo tempo, v&#225;rios membros do movimento Acuerdo Pa&#237;s consideram realizar uma auditoria imediata a este Posto de Opera&#231;&#245;es Avan&#231;adas (FOL, na sigla em ingl&#234;s), considerando os insistentes rumores sobre a sua participa&#231;&#227;o nos acontecimentos do 1&#186; de Mar&#231;o, no qual militares colombianos invadiram territ&#243;rio equatoriano para bombardear um acampamento das FARC. A direita, por seu lado, atrav&#233;s do Alcaide de Manta, o democrata-crist&#227;o Jorge Zambrano, promove um referendo sobre a perman&#234;ncia da base em Manta, embora, segundo inqu&#233;ritos da Funda&#231;&#227;o Regional de Direitos Humanos INREDH, mais de 55% da popula&#231;&#227;o da cidade se tenha pronunciado contra. Alberto Acosta, presidente da Assembleia Constituinte, declarou que este &#233; um tema de soberania nacional que envolve, n&#227;o uma cidade ou um cant&#227;o, mas todo o pa&#237;s.<br />
<br />
                          ---///---<br />
<br />
Em 1999, quando os Estados Unidos tiveram que abandonar o Panam&#225; e as suas posi&#231;&#245;es no canal, um dos pontos estrat&#233;gicos mais importantes do mundo, procuraram forma de compensar a retirada com uma incurs&#227;o. Em vez de perder a posi&#231;&#227;o do canal, mantiveram-na, ampliando o alcance e o raio de ac&#231;&#227;o a partir de tr&#234;s novas posi&#231;&#245;es, que formaram um tri&#226;ngulo &#224; volta do Panam&#225;, com um v&#233;rtice em cada uma das regi&#245;es circundantes: Am&#233;rica Central, Am&#233;rica do Sul e Caribe. Mediante uma negocia&#231;&#227;o simult&#226;nea, conseguiu-se localizar as novas instala&#231;&#245;es, com conv&#233;nios de dez anos, em El Salvador, no aeroporto internacional de Comalapa; em Aruba e Cura&#231;ao, nos aeroportos Reina Beatriz e Hato Rey, respectivamente; e no Equador, no aeroporto Eloy Alfaro, na cidade costeira de Manta.<br />
<br />
As bases instaladas nestes tr&#234;s pontos correspondem a uma concep&#231;&#227;o relativamente nova, emanada da profunda revis&#227;o interna do comando conjunto dos Estados Unidos, que teve lugar a partir da "revolu&#231;&#227;o nos assuntos militares" do final dos anos noventa. A ideia de grandes posi&#231;&#245;es militares nos lugares de conflito foi sendo substitu&#237;da pela de instala&#231;&#245;es mais pequenas, menos caras e mais simples de gerir, com um raio de alcance suficiente para n&#227;o terem de se localizar no ponto de mira, mas a uma dist&#226;ncia que evita os riscos, mas permite actuar com agilidade. D&#225;-se-lhes o nome de <i>Foreign Operating Locations</i> (FOL) embora, para amenizar um pouco, lhes tenham mudado o nome para <i>Cooperative Security Locations</i> (CSLs).<br />
<br />
Este tipo de bases &#233; relativamente enganoso, porque normalmente t&#234;m muito pouco pessoal (em Manta, por exemplo, reportam-se 13 pessoas), pois o seu funcionamento est&#225; centrado na monitoriza&#231;&#227;o e detec&#231;&#227;o. No entanto, bases como a de Manta t&#234;m capacidade para albergar 485 pessoas, entre efectivos militares, pessoal da intelig&#234;ncia e empregados civis, e podem receber avi&#245;es pequenos como o F16, grandes como os AWACs e inclusive, se necess&#225;rio, avi&#245;es de grande envergadura como o C5, que serve para transportar equipamento e tropas em grande escala (<a href="www.af.mil/factsheets"></a>).<br />
<br />
A monitoriza&#231;&#227;o que se faz na base &#233; ininterrupta e comunica em tempo real com o <i>Space Warfare Center</i>, localizado em Colorado Springs, nos Estados Unidos, que recebe comunica&#231;&#245;es similares de todas as posi&#231;&#245;es, fixas ou m&#243;veis, de todo o mundo. Desta forma, cada uma destas instala&#231;&#245;es de comunica&#231;&#227;o mant&#233;m-se informada das actividades de todo o sistema de bases, naves e efectivos.<br />
<br />
Ou seja, este tipo de bases est&#225; pensado na &#243;ptica do <i>just in time</i>. N&#227;o desperdi&#231;ar recursos, diminuir custos, mas manter a versatilidade para enfrentar qualquer tipo de conting&#234;ncia ou amea&#231;a, e a capacidade de resposta r&#225;pida e eficaz que converta cada ac&#231;&#227;o num "golpe cir&#250;rgico".<br />
<br />
Nas palavras de Donald Rumsfeld, &#171;no pr&#243;ximo s&#233;culo, as nossas for&#231;as devem ser &#225;geis, letais, rapidamente moviment&#225;veis e com necessidades log&#237;sticas m&#237;nimas. Devemos poder projectar o nosso poder at&#233; grandes dist&#226;ncias em quest&#227;o de dias ou semanas, e n&#227;o de meses&#187;.<br />
<br />
&#171;Para o conseguir, al&#233;m da prolifera&#231;&#227;o de instala&#231;&#245;es tipo FOL nas &#225;reas consideradas inst&#225;veis, ingovern&#225;veis, cr&#237;ticas ou falidas, entre as quais se encontra uma boa parte dos pa&#237;ses latino-americanos e africanos, estamos a melhorar as actividades de comunica&#231;&#245;es e intelig&#234;ncia. Isto inclui, por exemplo, o desenvolvimento do <i>Space Based Radar</i> (SBR), para monitorizar tanto os alvos fixos como os m&#243;veis nas profundidades das linhas inimigas ou em &#225;reas proibidas, em qualquer tipo de clima. Tamb&#233;m estamos a trabalhar no <i>Transformational Communications Satellite</i> (TSAT), para proporcionar &#224;s nossas tropas conjuntas uma capacidade de comunica&#231;&#227;o sem precedentes. Para dar uma ideia da velocidade e da consci&#234;ncia situacional que o TSAT pode oferecer, considerem que a transmiss&#227;o de uma imagem do <i>Global Hawk</i> a um Militar II demora actualmente cerca de 12 minutos. Com o TSAT, levar&#225; menos de um segundo.&#187; (Rumsfeld, 23/09/2004)<br />
<br />
De acordo com o <i>Base Structure Report Fiscal Year 2007 Baseline</i>, relat&#243;rio do Departamento de Defesa sobre as instala&#231;&#245;es militares norte-americanas no mundo, em 2007, as posi&#231;&#245;es em Aruba t&#234;m um valor de 1,6 milh&#245;es de d&#243;lares, as de Cura&#231;ao de 46,1 milh&#245;es, enquanto as de Manta ascendem a 182 milh&#245;es de d&#243;lares, grande parte dos quais foram investidos na readapta&#231;&#227;o do aeroporto &#224;s necessidades de monitoriza&#231;&#227;o, intermedia&#231;&#227;o e resposta r&#225;pida necess&#225;rias para as actividades previstas na regi&#227;o. A &#225;rea que Manta ocupa &#233; de 412 km2, mas n&#227;o &#233; raro ver os AWACs estacionados no aeroporto civil cont&#237;guo.<br />
<br />
No mesmo relat&#243;rio do Departamento de Defesa regista-se a exist&#234;ncia de 6 instala&#231;&#245;es pequenas na Col&#244;mbia e uma no Peru, entendendo-se por tal as que ocupam menos de 40 km2 ou t&#234;m um valor inferior a 10 milh&#245;es de d&#243;lares.<br />
<br />
Isto reafirma a hip&#243;tese de Manta como c&#233;rebro e centro de opera&#231;&#245;es coordenadas de todo o sistema de bases da regi&#227;o. Sendo assim, e se Manta tem uma tarefa de vigil&#226;ncia ininterrupta sobre qualquer tipo de nave ou movimento relacionado com o narcotr&#225;fico, a migra&#231;&#227;o ilegal, o terrorismo e qualquer outra das consideradas amea&#231;as &#224; seguran&#231;a nacional dos Estados Unidos, de que modo ter&#225; agido na noite do ataque ao acampamento das FARC em Sucumbios, Equador? Se, como afirmou o governo do Equador, as bombas que ca&#237;ram no seu solo n&#227;o podem ter sido lan&#231;adas a partir dos avi&#245;es colombianos (Tucanos), que rela&#231;&#227;o h&#225; entre os avi&#245;es norte-americanos, que as podem lan&#231;ar, e a base de Manta? A tempestade no deserto mudou-se para a selva?<br />
<br />
<br />
* <i>Ana Esther Cece&#241;a, economista mexicana, &#233; investigadora no Instituto de Investiga&#231;&#245;es Econ&#243;micas da Universidade Nacional Aut&#243;noma do M&#233;xico (UNAM) e integra a Campanha pela Desmilitariza&#231;&#227;o das Am&#233;ricas (CADA).<br />]]></content:encoded>
</item>
<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=727&amp;c=1">
	<title>A Crise Alimentar &#233; o Resultado do Livre Mercado e do abandono da pol&#237;tica agr&#225;ria</title>
	<link>http://www.odiario.info/index.php?p=727&amp;c=1</link>
	<dc:date>2008-05-09T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;&#105;&#97;&#114;io&#64;&#111;dia&#114;&#105;o.in&#102;o)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Crise alimentar &#233; o resultado do livre mercado e do abandono da pol&#237;tica agr&#225;ria.

Em face de mais uma crise mundial que parece explosiva, com a fome e a infla&#231;&#227;o de alimentos se tornando notici&#225;rio nos v&#225;rios cantos do planeta, conversamos com o professor do departamento de Geografia da USP Ariovaldo ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[<i><b>Crise alimentar &#233; o resultado do livre mercado e do abandono da pol&#237;tica agr&#225;ria.</b><br />
<br />
Em face de mais uma crise mundial que parece explosiva, com a fome e a infla&#231;&#227;o de alimentos se tornando notici&#225;rio nos v&#225;rios cantos do planeta, conversamos com o professor do departamento de Geografia da USP <b>Ariovaldo Umbelino</b>.</i><br />
<br />
<br />
Para Umbelino, a actual situa&#231;&#227;o n&#227;o deixa a menor margem para diagn&#243;sticos ilusionistas: a crise alimentar resultou da total incapacidade do mercado para conduzir &#224; seguran&#231;a e &#224; soberania alimentar. No Brasil, a aus&#234;ncia de reforma agr&#225;ria foi tamb&#233;m determinante, e a situa&#231;&#227;o &#233; tendencialmente explosiva em fun&#231;&#227;o da escalada dos bio-combust&#237;veis. <br />
<br />
<br />
<br />
<br />
<b>Correio da Cidadania: A que se pode atribuir, pensando globalmente, o actual problema da fome: &#224; forma&#231;&#227;o especulativa de estoques, &#224; queda de safras, &#224; tomada de terras para os cultivos agro-industriais, todos eles comprometendo a produ&#231;&#227;o de alimentos? </b><br />
<br />
<br />
<b>Ariovaldo Umbelino:</b> Em primeiro lugar, h&#225; de se levar em conta que a falta da produ&#231;&#227;o de alimentos na actual conjuntura tem uma s&#233;rie de motivos, que vou tentar enumerar. <br />
<br />
<br />
Primeiro, o que est&#225; em jogo &#233; uma crise estrutural no interior do sistema produtivo que o capitalismo adoptou no neoliberalismo, com a mudan&#231;a da sistem&#225;tica de controle da produ&#231;&#227;o de alimentos, antes baseada no sistema de estoques e hoje baseada no livre com&#233;rcio, ou seja, na disponibilidade dos estoques no mercado. Essa mudan&#231;a est&#225; revelando agora suas consequ&#234;ncias. Portanto, essa &#233; uma primeira raz&#227;o, e ela &#233; estrutural. <br />
<br />
<br />
Podemos tamb&#233;m lembrar que h&#225; uma redu&#231;&#227;o dos estoques em fun&#231;&#227;o da &#8216;subprime&#8217;, qual seja, dos problemas no mercado financeiro norte-americano. Uma parte dos fundos se dirigiu &#224; compra de commodities (mercado de futuro), o que acelerou o processo especulativo em fun&#231;&#227;o da queda dos estoques e da possibilidade de oferta de alimentos no mercado futuro. Essas s&#227;o quest&#245;es estruturais e est&#227;o associadas. <br />
<br />
<br />
A segunda raz&#227;o &#233; de natureza conjuntural, e deriva do aumento do pre&#231;o do petr&#243;leo. Toda a produ&#231;&#227;o do agro-neg&#243;cio p&#243;s-revolu&#231;&#227;o verde, e agora, nesse per&#237;odo do neoliberalismo, est&#225; assentada no sector agro-qu&#237;mico, e evidentemente que este &#233; comandado pela l&#243;gica do pre&#231;o do petr&#243;leo. Se sobe o pre&#231;o deste, o custo da agro-pecu&#225;ria tamb&#233;m sobe e, consequentemente, deriva da&#237; parte da responsabilidade pelo aumento dos pre&#231;os dos alimentos. <br />
<br />
<br />
O terceiro motivo, nem por isso de menor import&#226;ncia, pois todos esses s&#227;o processos simult&#226;neos, est&#225; no aumento do consumo devido a uma certa melhoria das condi&#231;&#245;es de algumas popula&#231;&#245;es, sobretudo da China e da &#205;ndia, que t&#234;m ampliado a importa&#231;&#227;o de alimentos. Mas n&#227;o &#233; essa a principal raz&#227;o, como se quer fazer crer no Brasil. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Nesse sentido, fazendo um par&#234;ntese para o Brasil, o presidente Lula chegou a declarar que a infla&#231;&#227;o de alimentos &#233; decorrente de os pobres estarem consumindo mais, e n&#227;o uma consequ&#234;ncia da expans&#227;o do cultivo do bio-combust&#237;vel. Ao mesmo tempo, aparentemente corroborando a vers&#227;o presidencial, sabemos que o motor do crescimento nos &#250;ltimos meses tem sido realmente o aquecimento do mercado interno, em face da deteriora&#231;&#227;o da balan&#231;a comercial (exporta&#231;&#245;es menos importa&#231;&#245;es). Como voc&#234; avalia essa situa&#231;&#227;o? </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> Isso &#233; uma grande bobagem. &#201; evidente que o aumento do consumo &#233; parte da quest&#227;o, mas n&#227;o &#233; nem a raz&#227;o principal, muito menos a &#250;nica, conforme disse. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Mas voltando, ent&#227;o, aos determinantes da crise alimentar em escala global, voc&#234; citaria algum outro factor, como, por exemplo, a produ&#231;&#227;o dos bio-combust&#237;veis? <br />
</b><br />
<br />
<b>AU:</b> Outra causa tamb&#233;m conjuntural, que pode vir a se tornar estrutural, &#233; a op&#231;&#227;o norte-americana pela produ&#231;&#227;o do etanol a partir do milho, bem como o caminho tomado pelos pa&#237;ses da Uni&#227;o Europeia de produzir o etanol a partir de gr&#227;os. &#201; claro que essa op&#231;&#227;o dos EUA, hoje o maior produtor mundial de etanol, fez com que uma parte do milho destinado &#224; alimenta&#231;&#227;o humana e animal fosse destinada &#224; produ&#231;&#227;o de etanol, o que por sua vez gerou os mecanismos especulativos na queda dos estoques de milho. Essa queda, por sua vez, puxou pra cima os pre&#231;os dos demais gr&#227;os: soja, trigo, arroz. <br />
<br />
Volto a insistir, essa raz&#227;o &#233; conjuntural, mas pode vir a se tornar estrutural, porque os EUA n&#227;o t&#234;m mais terras dispon&#237;veis &#224; agricultura para ampliar sua produ&#231;&#227;o de milho e continuar mantendo sua produ&#231;&#227;o de trigo e soja. Essas tr&#234;s culturas competem entre si. Portanto, se aumenta a &#225;rea de uma, diminui a de outra. Al&#233;m do mais, ampliar a &#225;rea de cultivo nos EUA sai muito caro, os pre&#231;os dos alimentos n&#227;o compensariam. E a essa quest&#227;o interna dos EUA se soma o aumento do custo de produ&#231;&#227;o, pelo efeito do petr&#243;leo. <br />
<br />
<br />
Esse &#233;, assim, o quadro que se apresenta no plano mundial. <br />
<br />
<br />
<b>CC: E como esse quadro rebate nos pa&#237;ses emergentes, especificamente?</b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> Poder&#237;amos dizer que os primeiros pa&#237;ses onde esse rebatimento se deu de forma r&#225;pida foram os da &#193;sia, com a eleva&#231;&#227;o dos pre&#231;os do arroz, e tamb&#233;m os pa&#237;ses importadores de trigo. Nesses, o efeito foi imediato, pois, com a eleva&#231;&#227;o do pre&#231;o do trigo nos EUA, e consequentemente do trigo exportado para outras partes do mundo, os pa&#237;ses importadores sentiram imediatamente a alta. <br />
<br />
Quanto ao arroz, a eleva&#231;&#227;o de seu pre&#231;o fez com que os pa&#237;ses produtores de arroz do sudeste asi&#225;tico come&#231;assem a bloquear as exporta&#231;&#245;es do produto, assim como agiu a Argentina com rela&#231;&#227;o ao trigo. <br />
<br />
<br />
Evidentemente que o lado cruel desse processo todo rebater&#225; na &#193;frica, cujos povos precisam do trigo para sua alimenta&#231;&#227;o b&#225;sica, em fun&#231;&#227;o do grau de mis&#233;ria que a regi&#227;o sofre. E a&#237; entra o grito da ONU, pois ela tem seus recursos destinados a fornecer alimento a essa popula&#231;&#227;o que sofre com a fome e percebeu que n&#227;o teria como comprar esses produtos em raz&#227;o da eleva&#231;&#227;o dos pre&#231;os. <br />
<br />
<br />
Mas n&#227;o s&#243; a &#193;frica sofre, como tamb&#233;m a Am&#233;rica, como se viu no Haiti. <br />
<br />
<br />
<b>CC: E o Brasil, como fica nessa conjuntura? </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> No Brasil, o primeiro efeito aparece no trigo, j&#225; que, com o bloqueio das exporta&#231;&#245;es da Argentina, precisamos comprar no mercado mundial, ou seja, nos EUA e Canad&#225;, onde h&#225; trigo dispon&#237;vel para exporta&#231;&#227;o. Sendo assim, os pre&#231;os se elevaram. N&#227;o s&#243; os pre&#231;os, pois agora h&#225; tamb&#233;m o frete, que n&#227;o existia quando se trazia trigo da Argentina. <br />
<br />
<br />
Pois bem, o Brasil tem um consumo anual de 10 milh&#245;es de toneladas de trigo e produz tr&#234;s milh&#245;es, o que nos torna o maior importador mundial de trigo hoje. Sendo assim, inevitavelmente o efeito do trigo ter&#225; suas consequ&#234;ncias no Brasil, n&#227;o s&#243; no p&#227;o, mas em todos os produtos nos quais se utiliza trigo. <br />
<br />
<br />
Somos o &#250;nico pa&#237;s do mundo em se prega essa tese maluca do neoliberalismo, de que comida tem de ser oferecida no mercado a quem puder pagar mais, como prop&#245;em os economistas neoliberais. Claro que isso tira do pa&#237;s a possibilidade de obter uma m&#237;nima seguran&#231;a alimentar, nem digo soberania. <br />
<br />
<br />
A l&#243;gica do neoliberalismo &#233; essa: manda-se comida a quem paga mais, n&#227;o a quem tem fome. Nem para o pr&#243;prio povo do pa&#237;s. A l&#243;gica neoliberal n&#227;o est&#225; assentada na seguran&#231;a, quanto menos na soberania alimentar. <br />
<br />
<br />
Como parte desse mecanismo, agravando-o ainda mais, v&#234;m os poss&#237;veis desdobramentos futuros. O Brasil, com seus tr&#234;s milh&#245;es de toneladas produzidas de trigo, vai fazer o que se a demanda do mercado mundial for superior? Os produtores de trigo v&#227;o exportar, como fizeram no ano passado. <br />
<br />
<br />
Pensando, por exemplo, no feij&#227;o, por que chegou a faltar esse produto em nosso mercado, se o Brasil &#233; um grande produtor mundial? Esse foi o reflexo indirecto de outros factores. O aumento, j&#225; desde o ano passado, do pre&#231;o do milho e da soja, assim como o efeito da subida dos pre&#231;os desses produtos no mercado interno, fez com que as terras destinadas &#224; produ&#231;&#227;o do feij&#227;o n&#227;o o fossem mais. Os capitalistas converteram a &#225;rea de produ&#231;&#227;o de feij&#227;o em terra para cultivo do milho, que tinha pre&#231;os mais vantajosos no mercado mundial, em fun&#231;&#227;o da escalada provocada pelo etanol americano. Escalada que atingiu tamb&#233;m a soja, que, na falta do milho, o substitui na ra&#231;&#227;o animal - n&#227;o na alimenta&#231;&#227;o humana. <br />
<br />
<br />
&#201; bem prov&#225;vel que nesse come&#231;o de ano, com a entrada da principal safra de feij&#227;o, n&#227;o haja falta, mas a perspectiva &#233; que, no final do ano, o produto venha a faltar. Se os pre&#231;os do milho e da soja continuarem mais vantajosos, &#233; &#243;bvio que os capitalistas continuar&#227;o privilegiando a sua produ&#231;&#227;o. <br />
<br />
<br />
No caso do arroz, os estoques de que o Brasil disp&#245;e, que s&#227;o baix&#237;ssimos, mais a perspectiva de safra, j&#225; praticamente colhida, momentaneamente n&#227;o sinalizam para uma situa&#231;&#227;o de falta do produto. Por&#233;m, se os pre&#231;os do mercado internacional estourarem, ser&#225; iniciado um processo de se destinar parte da produ&#231;&#227;o do mercado interno ao externo. <br />
<br />
<br />
Temos, portanto, o &#8216;deus mercado&#8217; determinando todos esses mecanismos nefastos associados a produtos essenciais &#224; nossa seguran&#231;a alimentar. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Confirmando esses mecanismos, na actual pol&#233;mica relativa ao desabastecimento do arroz, onde se discute taxar ou n&#227;o as exporta&#231;&#245;es de produtores privados, o ministro da Agricultura Reinold Stephanes chegou a negar a medida. </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> Veja, &#233; por isso que comecei pela causa estrutural. O mercado de alimento n&#227;o pode sobreviver ao mercado livre. Seguir essa trilha &#233; colocar em risco a possibilidade de sobreviv&#234;ncia da humanidade. O mercado n&#227;o &#233; capaz de regular nada, excepto as vantagens dos capitalistas. E o problema da fome est&#225; a&#237;, para demonstrar essa incapacidade. <br />
<br />
No plano do mercado interno brasileiro, desde 1992, o pa&#237;s n&#227;o aumenta nem a produ&#231;&#227;o de feij&#227;o, nem a de arroz e nem a de mandioca, que s&#227;o os tr&#234;s alimentos b&#225;sicos da popula&#231;&#227;o brasileira. Pode-se p&#244;r o milho a&#237;, mas este n&#227;o serve s&#243; para a alimenta&#231;&#227;o humana, tem tamb&#233;m o componente de mat&#233;ria-prima para a ra&#231;&#227;o. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Ou seja, estamos pensando em produzir etanol sem sequer termos assegurado nossa seguran&#231;a alimentar.</b> <br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> E como o Brasil tem resolvido, em face da adop&#231;&#227;o da pol&#237;tica neoliberal, o mercado de arroz e feij&#227;o? Quando h&#225; falta, importa. Ent&#227;o, o pa&#237;s usa a disponibilidade do produto no mercado mundial como instrumento de controle da sua seguran&#231;a alimentar. Mas, &#224; medida que os pa&#237;ses bloqueiam a exporta&#231;&#227;o, n&#227;o existe mais essa possibilidade, ou seja, o Brasil n&#227;o teria a chance de buscar no mercado mundial o arroz necess&#225;rio para manter seus pre&#231;os elevados no mercado interno. <br />
<br />
Esse &#233; o quadro mais cr&#237;tico do mercado interno. Bom, pode-se questionar por que n&#227;o se aumenta a produ&#231;&#227;o de arroz, feij&#227;o e mandioca. A resposta &#233; que a pol&#237;tica agr&#237;cola voltada ao alimento b&#225;sico no Brasil n&#227;o permite aos agricultores reporem os custos de produ&#231;&#227;o. Quem produz esses alimentos s&#227;o, em grande maioria, os pequenos agricultores, e eles n&#227;o t&#234;m como resolver o problema da produ&#231;&#227;o, voltando sua aten&#231;&#227;o a outros produtos. Se pegamos Paran&#225;, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul, todos produtores de feij&#227;o, vemos que a tend&#234;ncia &#233; plantar milho, pois possui pre&#231;os mais vantajosos. <br />
<br />
<br />
Portanto, o efeito na alimenta&#231;&#227;o brasileira &#233; directo e indirecto no que se refere ao mercado dos alimentos b&#225;sicos. Poder-se-ia colocar nesse bolo a carne. O Brasil est&#225; se tornando o maior exportador mundial de tudo quanto &#233; tipo de carne. Consequentemente, &#233; claro que, se a produ&#231;&#227;o for destinada ao mercado externo, o interno passa a ser regulado pela disputa de pre&#231;os. Ou o mercado interno paga pre&#231;os compat&#237;veis ao mundial, ou se investe em produzir para o mercado mundial. <br />
<br />
<br />
Pensando ainda no etanol no Brasil: a cana &#233; respons&#225;vel directa pelo aumento no custo do alimento? Claro que n&#227;o, mas de forma indirecta, sim. Ainda que uma parte da expans&#227;o da cultura da cana seja feita em cima de &#225;rea de pastagem. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Nesse quesito, o f&#237;sico Jos&#233; Goldemberg chegou a mencionar recentemente que os bio-combust&#237;veis est&#227;o envoltos em algumas no&#231;&#245;es falaciosas, j&#225; que as lavouras de cana ocupariam apenas 2% dos quase 3 milh&#245;es de Km2 utilizados pelo sector agro-pecu&#225;rio e, ademais, seriam cultivadas pela convers&#227;o de pastagens - e o espa&#231;o ocupado por pastos estaria em decr&#233;scimo. O que voc&#234; responderia a isso? </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> Veja bem. Se tomarmos a &#225;rea de crescimento da cana neste ano, da pen&#250;ltima safra para a &#250;ltima, v&#234;-se que, na maioria, n&#227;o se invadiu a &#225;rea da produ&#231;&#227;o de alimentos. Mesmo assim, h&#225; locais em que isso ocorreu, o que &#233; reconhecido por &#243;rg&#227;os do pr&#243;prio sector sucro-alcooleiro. <br />
<br />
A cana, portanto, cresce sim sobre parte das terras que eram destinadas &#224; produ&#231;&#227;o de outros alimentos. E o principal efeito da expans&#227;o da cana, esse &#233; o ponto primordial, &#233; o sucessivo. N&#227;o se trata necessariamente de um efeito que ir&#225; se sentir de forma directa, entre um ano e outro. &#201; um efeito que ao longo dos anos vai se somando. Se compararmos os dados do IBGE da produ&#231;&#227;o agro-pecu&#225;ria de 1990 a 2006, considerando-se somente os munic&#237;pios que tiveram aumento na &#225;rea plantada de cana e tomando como refer&#234;ncia os munic&#237;pios que cresceram em mais de 500 hectares essa &#225;rea, o que encontramos? Uma redu&#231;&#227;o de 261 mil hectares de &#225;rea de feij&#227;o. E uma redu&#231;&#227;o de 340 mil hectares de &#225;rea plantada de arroz. <br />
<br />
<br />
Desta forma, como a expans&#227;o da cana n&#227;o afecta? N&#227;o s&#243; o arroz e feij&#227;o s&#227;o afectados, mas tamb&#233;m a agro-pecu&#225;ria, pois nesses munic&#237;pios houve uma redu&#231;&#227;o de 460 milh&#245;es de litros na produ&#231;&#227;o de leite, por ano. E tamb&#233;m uma redu&#231;&#227;o de 4,5 milh&#245;es de cabe&#231;as de gado bovino. <br />
<br />
<br />
E a&#237; aparece ainda o efeito perverso do desmatamento: a cana est&#225; deslocando a pecu&#225;ria - assim como a soja no Mato Grosso tamb&#233;m a desloca - para o Par&#225;, onde existe hoje o terceiro maior rebanho do pa&#237;s. <br />
<br />
<br />
<b>CC: No estado de S&#227;o Paulo, a paisagem se transformou de maneira incr&#237;vel, s&#243; se v&#234;em planta&#231;&#245;es de cana em longos trechos de suas rodovias. </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> E para completar, naqueles 261 mil hectares que deixaram de ser plantados com feij&#227;o, seria poss&#237;vel produzir 400 mil toneladas do produto, ou seja, 12% da produ&#231;&#227;o nacional. Pode-se dizer que o pa&#237;s n&#227;o diminuiu essa produ&#231;&#227;o, apenas plantou em outras regi&#245;es. &#201; verdade, mas n&#227;o houve incremento de produ&#231;&#227;o. Seria poss&#237;vel plantar em outras regi&#245;es e fazer crescer a produ&#231;&#227;o de feij&#227;o no pa&#237;s, mas isso n&#227;o aconteceu. Quanto ao arroz, nos 340 mil hectares n&#227;o plantados, poder-se-ia produzir 1 milh&#227;o de toneladas do produto, o equivalente a 9% do total do Brasil. <br />
<br />
Este &#233; um estudo que estamos ampliando para os demais produtos para mostrar exactamente que n&#227;o estamos diante de um efeito moment&#226;neo, e sim de uma tend&#234;ncia. Quanto mais se expandir a produ&#231;&#227;o de uma cultura que disputa espa&#231;o com outras, naturalmente haver&#225; reflexos nessa produ&#231;&#227;o concorrente. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Ou seja, a se permanecer esse modelo agr&#237;cola, as consequ&#234;ncias podem ser catastr&#243;ficas. </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> S&#243; n&#227;o s&#227;o catastr&#243;ficas porque a pol&#237;tica agr&#237;cola brasileira jogava com o mercado externo e at&#233; por isso o governo brasileiro bate forte com essa hist&#243;ria dos subs&#237;dios da Europa e dos EUA. Querem, a todo custo, que o mundo continue com a pol&#237;tica neoliberal. Europa, EUA e Jap&#227;o est&#227;o abandonando a pol&#237;tica neoliberal &#8211; h&#225; v&#225;rios estudos que mostram esse fato&#8211; e o Brasil fica defendendo essa bandeira em nome do agro-neg&#243;cio. <br />
<br />
Por outro lado, o que &#233; cruel, n&#227;o se fez avan&#231;ar a reforma agr&#225;ria, sendo que onde ela existe sempre se prioriza a produ&#231;&#227;o de alimentos. Quer dizer, n&#227;o se estimula a reforma agr&#225;ria e fica-se nesse impasse da crise que o modelo neoliberal gera. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Portanto, a reforma agr&#225;ria seria uma das solu&#231;&#245;es a longo prazo? </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> &#201; uma solu&#231;&#227;o a curto, m&#233;dio e longo prazo. O pequeno agricultor produz primeiramente o alimento que precisa para consumo pr&#243;prio e, automaticamente, ele gera excedentes. Se o Brasil tivesse assentado sua pol&#237;tica de produ&#231;&#227;o de alimentos na reforma agr&#225;ria, hoje o pa&#237;s n&#227;o estaria vivendo essa situa&#231;&#227;o. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Mas parece que essa possibilidade n&#227;o se inscreve mais politicamente nesse governo, n&#227;o? </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> N&#227;o, pelo contr&#225;rio. O que o governo, parte da m&#237;dia e intelectuais passaram a dizer? Que a reforma agr&#225;ria n&#227;o era necess&#225;ria. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Toda a extensa fundamenta&#231;&#227;o que voc&#234; fez aqui retrata uma crise profundamente estrutural. Mas o estouro dessa crise alimentar agora, em meio &#224; crise hipotec&#225;ria americana, n&#227;o seria uma curiosa coincid&#234;ncia?</b> <br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> Eu penso que a crise norte-americana &#233; estrutural. Trata-se de uma crise do sector financeiro e este &#233; o cora&#231;&#227;o do capitalismo na etapa na qual vivemos. &#201; tamb&#233;m ineg&#225;vel que uma parte dos fundos investiu em commodities. N&#227;o se trata, portanto, de uma a&#231;&#227;o somente ideol&#243;gica, onde uma crise vem para encobrir a outra, penso que n&#227;o &#233; esse o caminho. H&#225;, isto sim, o efeito da crise nessa mudan&#231;a dos fundos para as commodities. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Mas uma bolha de commodities &#233; ent&#227;o ineg&#225;vel? </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> Exactamente. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Em meio a toda essa discuss&#227;o, &#224;s vezes surgem declara&#231;&#245;es como a do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, para quem, em face da crise alimentar, seria necess&#225;rio ampliar o desmatamento legal. Como voc&#234; encara uma declara&#231;&#227;o dessas? </b><br />
<br />
<br />
<b>AU:</b> Enxergar no desmatamento a alternativa, num pa&#237;s que tem 120 milh&#245;es de hectares de terras comprovadamente improdutivas, registradas no cadastro do Incra, que n&#227;o faz a reforma agr&#225;ria porque o governo n&#227;o quer, somente pode ser encarado como uma loucura do modelo do agro-neg&#243;cio <br />
<br />
Na realidade, h&#225; dois centros na produ&#231;&#227;o de gr&#227;os. Um &#233; o hist&#243;rico, no sul. O outro &#233; o Centro-Oeste, a nova &#225;rea do agro-neg&#243;cio e onde ficam os defensores do desmatamento. <br />
<br />
<br />
Esse sector do agro-neg&#243;cio situado no Centro-Oeste, que tem no governador Maggi seu representante maior, est&#225; acenando com essa alternativa porque, obviamente, na conjuntura actual, o pre&#231;o da carne tamb&#233;m est&#225; em alta no mercado mundial. N&#227;o compensa fazer a revers&#227;o de &#225;rea de pastagem para a produ&#231;&#227;o de gr&#227;os, como em anos anteriores. Ent&#227;o, na verdade, os actuais produtores de gr&#227;os est&#227;o espremidos entre cumprir a legisla&#231;&#227;o ambiental e expandir sua &#225;rea de produ&#231;&#227;o. E eu s&#243; posso classificar isso como um ato de loucura. <br />
<br />
<br />
<b>CC: Seria tamb&#233;m um &#8216;acto de loucura&#8217; a declara&#231;&#227;o do presidente da Confedera&#231;&#227;o da Agricultura e Pecu&#225;ria do Brasil, ao dizer que o avan&#231;o da pecu&#225;ria na Amaz&#243;nia e a derrubada da madeira s&#227;o consequ&#234;ncias do baix&#237;ssimo valor econ&#243;mico da floresta? Enquanto isso, activistas do Greenpeace defendem &#8216;compensa&#231;&#245;es econ&#243;micas pelo n&#227;o desmatamento&#8217;. H&#225; uma rela&#231;&#227;o de causalidade entre esses dois enfoques? <br />
</b><br />
<br />
<b>AU:</b> Penso que s&#227;o dois pontos que devem ser colocados de maneira bem cuidadosa. Em primeiro lugar, a maior parte das terras da Amaz&#243;nia com floresta est&#225; grilada, n&#227;o pertence a quem quer derrubar ou est&#225; derrubando a floresta. Uma parte expressiva dessas terras &#233; propriedade do Incra. Para se ter uma ideia mais exacta, s&#227;o 60 milh&#245;es de hectares, que deveriam ser destinados &#224; reforma agr&#225;ria e n&#227;o o s&#227;o porque est&#227;o grilados. <br />
<br />
Assim, o primeiro ponto que deve ser levantado &#233; o de questionar se essas terras pertencem a quem as cercou. N&#227;o pertencem! E o que fez o governo Lula? Baixou a MP 422 para regularizar a grilagem da terra na Amaz&#243;nia! E isso vai permitir que o gril&#227;o, que est&#225; l&#225; ocupando a terra, compre at&#233; 1500 hectares. Assim sendo, que historia &#233; essa de baixo valor econ&#243;mico? <br />
<br />
<br />
Quanto ao Greenpeace, em algumas &#225;reas, as pessoas t&#234;m o t&#237;tulo de propriedade. Nesse caso, qual &#233; a posi&#231;&#227;o do Greenpeace, e de certo modo a do minist&#233;rio do Meio Ambiente? Explorar economicamente a floresta, de forma sustent&#225;vel. Isso &#233; s&#243; para quem acredita em papai Noel e que o agro-neg&#243;cio brasileiro, sobretudo esse que grila terra na Amaz&#243;nia, &#233; capaz de respeitar alguma lei. O Estado na Amaz&#243;nia est&#225; invertido. Quem ocupa o poder nos munic&#237;pios da regi&#227;o &#233; exactamente quem n&#227;o cumpre a lei. <br />
<br />
<br />
<b>Colaborou Gabriel Brito.</b><br />
<br />
<br />
<i>*Ariovaldo Umbelino - Professor de geografia da Universiade de S&#227;o Paulo,Brasil. </i><br />]]></content:encoded>
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<item rdf:about="http://www.odiario.info/index.php?p=726&amp;c=1">
	<title>Agrocombust&#237;veis, solu&#231;&#227;o clim&#225;tica ou reprodu&#231;&#227;o do capital? - Entrevista com Fran&#231;ois Houtart</title>
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	<dc:date>2008-05-08T07:00:00</dc:date>
	<dc:creator>Os Editores (mailto:o&#100;&#105;&#97;r&#105;o&#64;o&#100;&#105;&#97;&#114;io.&#105;n&#102;&#111;)</dc:creator>
	<dc:subject>Outros autores</dc:subject>
	<description>Fran&#231;ois Houtart, sacerdote cat&#243;lico de 83 anos, &#233;, h&#225; meio s&#233;culo, um dos pilares da an&#225;lise das sociedades latino-americanas. Seus estudos estabeleceram ali a base da sociologia da religi&#227;o e fundamentaram a Teologia da Liberta&#231;&#227;o. Como soci&#243;logo inscrito na metodologia marxista, &#233;, no presente, um dos l&#237;deres intelectuais do F&#243;rum ...</description>
	<content:encoded><![CDATA[Fran&#231;ois Houtart, sacerdote cat&#243;lico de 83 anos, &#233;, h&#225; meio s&#233;culo, um dos pilares da an&#225;lise das sociedades latino-americanas. Seus estudos estabeleceram ali a base da sociologia da religi&#227;o e fundamentaram a Teologia da Liberta&#231;&#227;o. Como soci&#243;logo inscrito na metodologia marxista, &#233;, no presente, um dos l&#237;deres intelectuais do F&#243;rum Social Mundial.<br />
<br />
Houtart (Bruxelas, 1925) se formou inicialmente no Semin&#225;rio de Malinas (Bruxelas) e &#233; doutor em Ci&#234;ncias Pol&#237;ticas e Sociologia pela Universidade Cat&#243;lica de Lovaina, da qual &#233; professor em&#233;rito. Tamb&#233;m &#233; diplomado pelo Instituto Superior Internacional de Urbanismo Aplicado (Bruxelas). Aprofundou seus estudos na Universidade de Chicago e sua tese de doutorado tratou sobre Sociologia do Budismo no Sri Lanka. &#201; fundador do Centro Tricontinental (Cetri) da Universidade Cat&#243;lica de Lovaina e diretor da Revista Alternatives Sud.<br />
<br />
Participou, na Espanha, da jornada organizada pela &#225;rea municipal de Coopera&#231;&#227;o e Solidariedade Internacional &#8211; conduzida pela IU &#8211; sobre biocombust&#237;veis, que considera o cap&#237;tulo mais recente da &#8220;l&#243;gica capitalista de lucros a curto prazo&#8221;.<br />
<br />
Segue a entrevista que Houtart concedeu a Javier Mor&#225;n e que est&#225; publicada no jornal espanhol La Nueva Espa&#241;a, 8-04-3008. A tradu&#231;&#227;o &#233; do Cepat.<br />
<br />
Muitos sacerdotes europeus e latino-americanos se formaram na Universidade de Lovaina, por que?<br />
<br />
Tem faculdades de Filosofia e Teologia bastante conhecidas e &#233; um dos centros cat&#243;licos mais antigos. Nos anos cinq&#252;enta e sessenta nasce o interesse pelos problemas sociais.<br />
<br />
&#201; uma Universidade progressista?<br />
<br />
Relativamente, sim. Depende um pouco das faculdades, das pessoas, dos momentos... mas, de modo geral, houve um ambiente aberto e interessante.<br />
<br />
Sob suspeita da Santa S&#233;?<br />
<br />
Sim. Ultimamente, com a Faculdade de Medicina, por problemas relacionados &#224; pesquisa sobre a reprodu&#231;&#227;o da vida.<br />
<br />
Quando voc&#234; iniciou seu trabalho na Am&#233;rica Latina?<br />
<br />
Muito antes de ser professor em Lovaina. Trabalho com a JOC (Juventude Oper&#225;ria Cat&#243;lica) e mantenho contatos com estudantes sacerdotes, principalmente latino-americanos. Desde 1953 trabalhei em quase todos os pa&#237;ses latino-americanos, em pesquisa e ensino. De 1958 a 1962, realizei, com uma equipe ou um centro em cada pa&#237;s, um estudo s&#243;cio-religioso do continente que foi publicado em 43 volumes.<br />
<br />
Sua finalidade?<br />
<br />
Terminou um pouco antes do Conc&#237;lio Vaticano II e o bispo Dom H&#233;lder C&#226;mara, na &#233;poca vice-presidente da Confer&#234;ncia do Episcopado da Am&#233;rica Latina (Celam), me pediu para que fizesse uma s&#237;ntese do estudo em cem p&#225;ginas e tr&#234;s l&#237;nguas, a fim de que fosse distribu&#237;do aos bispos no come&#231;o do Conc&#237;lio, para que se dessem conta do que era a realidade latino-americana.<br />
<br />
A que conclus&#245;es o estudo chegava?<br />
<br />
Que a Am&#233;rica Latina estava em plena transforma&#231;&#227;o demogr&#225;fica e social, mas com grandes contradi&#231;&#245;es. A Igreja era ainda, nesse tempo, bastante tradicional e concentrada em setores como a educa&#231;&#227;o ou as cidades. Tinha um aparelho pastoral totalmente desvinculado da realidade. Era necess&#225;rio repensar a organiza&#231;&#227;o pastoral da Igreja e sua presen&#231;a social frente aos problemas novos introduzidos pelo capitalismo.<br />
<br />
Qual foi seu trabalho no Conc&#237;lio?<br />
<br />
Fui perito do Episcopado Latino-americano e, em particular, assessor de H&#233;lder C&#226;mara e de meu bispo, o cardeal Suenens, um dos moderadores do Conc&#237;lio. Tamb&#233;m fui secret&#225;rio da reda&#231;&#227;o da introdu&#231;&#227;o &#224; Gaudium et Spes, que &#233; o documento sobre a Igreja no mundo contempor&#226;neo<br />
<br />
Onde est&#225; o Conc&#237;lio Vaticano II?<br />
<br />
Durante o Conc&#237;lio houve uma reflex&#227;o importante e uma orienta&#231;&#227;o de renova&#231;&#227;o. O Episcopado Latino-americano teve um papel importante nisso, porque tinha lideran&#231;a. Mas a estrutura fundamental da Igreja n&#227;o havia mudado, e depois houve todo um per&#237;odo de restaura&#231;&#227;o que vinha de Roma: pol&#237;ticas eclesi&#225;sticas de nomea&#231;&#227;o de bispos, controle das faculdades de Teologia e dos semin&#225;rios... Na Am&#233;rica Latina houve a destrui&#231;&#227;o do dinamismo novo que havia nascido com as comunidades de base e com a Teologia da Liberta&#231;&#227;o. &#201; um fato que custou muito do ponto de vista religioso e humano. At&#233; vidas custou.<br />
<br />
Voc&#234; teve problemas?<br />
<br />
Felizmente, eu estava na Faculdade de Ci&#234;ncias Sociais e Econ&#244;micas, e n&#227;o na de Teologia. Mas, v&#225;rias vezes, a Santa S&#233; pediu &#224; Universidade para que eu sa&#237;sse, mas n&#227;o conseguiram. Em Lovaina somos pagos pelo Estado e tem que se formar uma comiss&#227;o jur&#237;dica para comprovar que houve erros graves, que, no meu caso, n&#227;o puderam demonstrar. Assim que, em certo sentido, fui defendido pelo Estado contra a Igreja. E tamb&#233;m fui protegido pelo meu bispo, Suenens, naquele tempo.<br />
<br />
As seitas pentecostais e evang&#233;licas est&#227;o ganhando terreno em rela&#231;&#227;o &#224; Igreja cat&#243;lica na Am&#233;rica Latina?<br />
<br />
Absolutamente. Penso que 30% da popula&#231;&#227;o pertence a esses novos grupos. Deve