Concentração na base EUA de Camp Darby (Itália): «Basta de isto ser território de guerra»

Manlio Dinucci    09.Jun.17    Outros autores

Da guerra contra a Jugoslávia às guerras contra Síria e Iémen, boa parte da logística do agressor EUA/NATO passou e passa por Itália. O povo italiano é duplamente atingido: enquanto país efectivamente sujeito a ocupação militar e país que, por esse facto e com a cumplicidade dos seus governos, se torna alvo prioritário numa acção de guerra de grande escala. Toda a solidariedade internacionalista para com os italianos que lutam pela paz e pela desmilitarização do seu território.

Enquanto decorria em Roma a parada militar do Forum Imperial, realizou-se frente a Camp Darby uma importante concentração promovida pela Campagna territoriale di resistenza alla guerra, lançada na área Pisa-Livorno, uma das zonas mais militarizadas de Itália. Camp Darby – esclarece o documento do grupo promotor (ao qual se adere individualmente) – é a base logística do Exército dos EUA que reabastece as forças terrestres e aéreas estado-unidenses na região mediterrânea, africana, meridional e outras. Nos seus 125 búnqueres encontra-se a totalidade do equipamento necessário para dois batalhões blindados e dois de infantaria mecanizada. São aí armazenadas também enormes quantidades de bombas e mísseis para a aviação. Não se exclui que aí possam também existir bombas nucleares.

Daqui partiram as armas utilizadas nas guerras EUA/NATO contra Iraque, Jugoslávia e Líbia, a ligação entre a base EUA e o porto de Livorno, através do Canal dei Navicelli recentemente alargado, será ulteriormente reforçada com a construção de uma linha ferroviária que permitirá o tráfego de maiores carregamentos de armas e explosivos, colocando ainda mais em risco os habitantes da zona. As armas são sobretudo enviadas para o Médio Oriente – para as guerras na Síria, Iraque e Iémen – agora também por meio de grandes navios EUA que todos os meses fazem escla em Livorno. Livorno é um porto nuclear, onde podem aportar unidades militares a propulsão nuclear e também com armas nucleares a bordo.

A estas infra-estruturas junta-se o Hub aéreo nacional das forças armadas, no aeroporto militar de Pisa, através do qual transitam pessoal e meios para missões militares no estrangeiro. O aeroporto, que inicialmente desempenhava um papel táctico limitado, assumiu um papel estratégico que se projecta nos teatros operacionais fora do território nacional. Pelo Hub áéreo de Pisa transitam também materiais militares da base limítrofe de Camp Darby. Ainda em Pisa encontra-se o comando das forças especiais do exército (Comfose) instalado na caserna Gamerra, sede do centro de treino de pára-quedismo. Através do Hub aéreo nacional, os comandos das forças especiais e o seu armamento são enviados para os diferentes teatros de guerra por meio de operações secretas, conduzidas por forças especiais EUA/NATO.

A luta contra a guerra, que nos lesa e ameaça cada vez mais - sublinham os promotores da Campanha – deve ter como ponto de partida a desmilitarização do nosso território. A primeira iniciativa da Campanha, o protesto de 21 de Maio contra o Pisa Air Show no qual, juntamente com os Flechas Tricolores, se exibiram perante 100 mil espectadores os caças Tornado e Eurofighter, utilizados nas guerras contra o Iraque, a Jugoslávia e a Síria. Um Eurofighter custa (aos dinheiros públicos) para cima de 100 milhões de euros e cerca 40 mil por cada hora de voo, o equivalente ao salario bruto anual de um trabalhador.

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