II DECLARAÇÃO DE SERPA

odiario.info    15.Oct.07    Serpa 2007

Reunidos na cidade portuguesa de Serpa, os participantes no II Encontro Internacional Civilização ou Barbárie – Desafios do Mundo Contemporâneo

1. Lançam um alerta para o agravamento da crise global – social, económica, financeira, militar, energética, cultural e ambiental do sistema capitalista – e salientam que ela ameaça a própria continuidade da vida na Terra.

2. Constatam que no desenvolvimento dessa crise o capitalismo, na sua escalada de agressividade e de exploração do homem pelo homem, se tornou um factor de regressão absoluta da civilização.

3. Sublinham, que os EUA, potência hegemónica, optaram na procura desesperada de uma saída para a crise estrutural do sistema, por uma estratégia de terrorismo de estado, que assume já matizes neofascistas nas guerras ditas «preventivas».

4. Identificam a União Europeia como bloco político-económico- militar que serve os interesses do capital monopolista contra os povos europeus e de outros continentes, o qual, através do chamado Tratado Constitucional, pretende impor um ambicioso salto qualitativo na integração capitalista, facilitar renovadas ofensivas contra os trabalhadores, os direitos e garantias individuais, as soberanias nacionais e a democracia, aprofundar o seu carácter federalista, neoliberal e militarista, e alcançar maior afirmação como bloco imperialista. Instam, portanto, os povos da União Europeia à rejeição desse projecto.

5. Condenam as agressões ao Iraque e ao Afeganistão, a ocupação desses países e os crimes monstruosos ali cometidos pelas forças armadas dos EUA e da Grã Bretanha e seus aliados satélites, assim como a cumplicidade do governo português nas referidas agressões, e saúdam a resistência daqueles povos em luta pela liberdade e independência.

6. Condenam a agressão sionista ao Líbano, apoiada por Washington, e saúdam a heróica resistência dos patriotas da Hezbollah e dos comunistas libaneses à invasão israelense.

7. Manifestam a sua solidariedade ao povo mártir da Palestina no seu combate contra a ocupação sionista e pela criação de um Estado Palestiniano plenamente soberano.

8. Advertem contra o perigo de uma agressão dos EUA ao povo do Irão e denunciam a campanha de calúnias montada para deformar à escala mundial a imagem daquela nação, que foi criadora de uma grande civilização.

9. Manifestam a sua solidariedade a quantos na África, na Ásia e na América Latina sofrem as consequências de politicas neocolonialistas e se mobilizam contra todas as formas da violência e da exploração imperialistas e contra a imposição de politicas neoliberais pelas instituições financeiras internacionais. A anulação da divida dos países do Sul vítimas do imperialismo é assim uma necessidade urgente.

10. Condenam as intervenções militares directas e indirectas do imperialismo estadunidense na América Latina, nomeadamente no Haiti e na Colômbia, e reclamam o encerramento das bases norte-americanas em diferentes países do Continente, incluindo a de Guantanamo, em Cuba, ocupada ilegalmente.

11. Denunciam a ausência de autoridade moral do governo Bush que financiou, executou e incentiva actos de terrorismo contra Cuba e outros países, para todavia se arvorar em juiz e enumerar países e organizações alegadamente terroristas, nomeadamente movimentos de libertação como as Forças Armadas Revolucionárias Armadas da Colômbia. Neste quadro, apoiam os esforços desenvolvidos pelas FARC com vista a um intercâmbio humanitário de prisioneiros.

12. Reclamam o fim do bloqueio imposto a Cuba pelos EUA e saúdam o povo cubano, exemplo heróico e vitorioso de resistência ao imperialismo, e expressam a sua confiança nos resultados do importante processo popular de debate a favor do socialismo, iniciado após o 26 de Julho pp.

13. Saúdam calorosamente o povo da Venezuela e o seu Presidente pelos avanços realizados no desenvolvimento da Revolução Bolivariana, pela sua firmeza no diálogo com o imperialismo norte-americano e pelo projecto de construção de uma sociedade socialista na pátria de Bolívar.

14. Saúdam os povos do Equador e da Bolívia pelas suas conquistas democráticas e progressistas, alcançadas com os governos anti-neoliberais dos Presidentes Rafael Correa e Evo Morales.

15. Constatam que o crescimento económico capitalista, baseado no aumento do consumo de mercadorias, mobiliza fluxos colossais de materiais e de energia, causando a degradação e a exaustão de recursos finitos e ameaçando os processos de renovação natural. Ao invés do bem-estar das populações, o crescimento económico capitalista desfigura assim a relação harmoniosa do Homem com a Terra que habita, destruindo o ambiente necessário à vida e os recursos necessários à produção de riqueza.

16. Saúdam a luta do povo Português, nomeadamente do seu movimento sindical unitário que, não obstante sofrer as consequências de trinta anos de contra-revolução, perdas de direitos, degradação de condições de vida e desfiguração do regime democrático, todavia resiste e preserva a posição de classe como sentido de futuro perante a ofensiva do capital nacional conluiado com o capital monopolista Europeu, apoiados pelo imperialismo.

17. Proclamam a convicção de que o marxismo - e em particular o seu núcleo fundador assente na obra de Marx e Engels - continua a ocupar um lugar central entre as referências teóricas mobilizadas não somente pelos comunistas mas também pelos progressistas do mundo. A reapropriação e o reforço do marxismo, da sua metodologia e dos seus conceitos, como pensamento da crítica e da transformação do mundo, nem dogmático nem domesticado, e a herança do marxismo-leninismo, continuam a ser uma necessidade absoluta da luta ideológica e na justa definição da estratégia e da táctica das forças que se empenhem no combate anti-capitalista e anti-imperialista. Contra o sistema totalitário de desinformação, de alienação e de manipulação das massas e os doutrinadores do «pensamento único», o marxismo permanece como a arma intelectual mais preciosa nas mãos dos trabalhadores e dos povos que resistem. Renunciar a ele equivaleria a desistir da luta pelo socialismo.

18. A poucas semanas do 90º aniversario da Revolução de Outubro de 1917, cuja herança é património da humanidade progressista, denunciam o carácter profundamente reaccionário das campanhas de criminalização do comunismo, recordam as consequências trágicas do desaparecimento da União Soviética e expressam a convicção de que o socialismo é a única alternativa ao sistema capitalista que, ao entrar na fase senil, optou por uma estratégia de desespero e exterminista, que ameaça reconduzir a humanidade à barbárie.

19. Registam com alegria a intensificação das lutas dos trabalhadores em todo o mundo bem como a resistência às guerras de agressão nos próprios EUA, e sublinham que o reforço da solidariedade internacionalista entre os explorados e excluídos de todo o mundo é imprescindível à globalização do combate contra o inimigo comum - o capitalismo e o imperialismo .

SERPA, 7 DE OUTUBRO DE 2007.

                

II DECLARAÇÃO DE SERPA

odiario.info    10.Oct.07    Colaboradores

No encerramento do II Encontro Internacional «Civilização ou Barbárie», realizado em Serpa, os participantes aprovaram a Declaração que publicamos hoje.

Reunidos na cidade portuguesa de Serpa, os participantes no II Encontro Internacional Civilização ou Barbárie – Desafios do Mundo Contemporâneo

1. Lançam um alerta para o agravamento da crise global – social, económica, financeira, militar, energética, cultural e ambiental do sistema capitalista – e salientam que ela ameaça a própria continuidade da vida na Terra.

2. Constatam que no desenvolvimento dessa crise o capitalismo, na sua escalada de agressividade e de exploração do homem pelo homem, se tornou um factor de regressão absoluta da civilização.

3. Sublinham, que os EUA, potência hegemónica, optaram na procura desesperada de uma saída para a crise estrutural do sistema, por uma estratégia de terrorismo de estado, que assume já matizes neofascistas nas guerras ditas «preventivas».

4. Identificam a União Europeia como bloco político-económico- militar que serve os interesses do capital monopolista contra os povos europeus e de outros continentes, o qual, através do chamado Tratado Constitucional, pretende impor um ambicioso salto qualitativo na integração capitalista, facilitar renovadas ofensivas contra os trabalhadores, os direitos e garantias individuais, as soberanias nacionais e a democracia, aprofundar o seu carácter federalista, neoliberal e militarista, e alcançar maior afirmação como bloco imperialista. Instam, portanto, os povos da União Europeia à rejeição desse projecto.

5. Condenam as agressões ao Iraque e ao Afeganistão, a ocupação desses países e os crimes monstruosos ali cometidos pelas forças armadas dos EUA e da Grã Bretanha e seus aliados satélites, assim como a cumplicidade do governo português nas referidas agressões, e saúdam a resistência daqueles povos em luta pela liberdade e independência.

6. Condenam a agressão sionista ao Líbano, apoiada por Washington, e saúdam a heróica resistência dos patriotas da Hezbollah e dos comunistas libaneses à invasão israelense.

7. Manifestam a sua solidariedade ao povo mártir da Palestina no seu combate contra a ocupação sionista e pela criação de um Estado Palestiniano plenamente soberano.

8. Advertem contra o perigo de uma agressão dos EUA ao povo do Irão e denunciam a campanha de calúnias montada para deformar à escala mundial a imagem daquela nação, que foi criadora de uma grande civilização.

9. Manifestam a sua solidariedade a quantos na África, na Ásia e na América Latina sofrem as consequências de politicas neocolonialistas e se mobilizam contra todas as formas da violência e da exploração imperialistas e contra a imposição de politicas neoliberais pelas instituições financeiras internacionais. A anulação da divida dos países do Sul vítimas do imperialismo é assim uma necessidade urgente.

10. Condenam as intervenções militares directas e indirectas do imperialismo estadunidense na América Latina, nomeadamente no Haiti e na Colômbia, e reclamam o encerramento das bases norte-americanas em diferentes países do Continente, incluindo a de Guantanamo, em Cuba, ocupada ilegalmente.

11. Denunciam a ausência de autoridade moral do governo Bush que financiou, executou e incentiva actos de terrorismo contra Cuba e outros países, para todavia se arvorar em juiz e enumerar países e organizações alegadamente terroristas, nomeadamente movimentos de libertação como as Forças Armadas Revolucionárias Armadas da Colômbia. Neste quadro, apoiam os esforços desenvolvidos pelas FARC com vista a um intercâmbio humanitário de prisioneiros.

12. Reclamam o fim do bloqueio imposto a Cuba pelos EUA e saúdam o povo cubano, exemplo heróico e vitorioso de resistência ao imperialismo, e expressam a sua confiança nos resultados do importante processo popular de debate a favor do socialismo, iniciado após o 26 de Julho pp.

13. Saúdam calorosamente o povo da Venezuela e o seu Presidente pelos avanços realizados no desenvolvimento da Revolução Bolivariana, pela sua firmeza no diálogo com o imperialismo norte-americano e pelo projecto de construção de uma sociedade socialista na pátria de Bolívar.

14. Saúdam os povos do Equador e da Bolívia pelas suas conquistas democráticas e progressistas, alcançadas com os governos anti-neoliberais dos Presidentes Rafael Correa e Evo Morales.

15. Constatam que o crescimento económico capitalista, baseado no aumento do consumo de mercadorias, mobiliza fluxos colossais de materiais e de energia, causando a degradação e a exaustão de recursos finitos e ameaçando os processos de renovação natural. Ao invés do bem-estar das populações, o crescimento económico capitalista desfigura assim a relação harmoniosa do Homem com a Terra que habita, destruindo o ambiente necessário à vida e os recursos necessários à produção de riqueza.

16. Saúdam a luta do povo Português, nomeadamente do seu movimento sindical unitário que, não obstante sofrer as consequências de trinta anos de contra-revolução, perdas de direitos, degradação de condições de vida e desfiguração do regime democrático, todavia resiste e preserva a posição de classe como sentido de futuro perante a ofensiva do capital nacional conluiado com o capital monopolista Europeu, apoiados pelo imperialismo.

17. Proclamam a convicção de que o marxismo - e em particular o seu núcleo fundador assente na obra de Marx e Engels - continua a ocupar um lugar central entre as referências teóricas mobilizadas não somente pelos comunistas mas também pelos progressistas do mundo. A reapropriação e o reforço do marxismo, da sua metodologia e dos seus conceitos, como pensamento da crítica e da transformação do mundo, nem dogmático nem domesticado, e a herança do marxismo-leninismo, continuam a ser uma necessidade absoluta da luta ideológica e na justa definição da estratégia e da táctica das forças que se empenhem no combate anti-capitalista e anti-imperialista. Contra o sistema totalitário de desinformação, de alienação e de manipulação das massas e os doutrinadores do «pensamento único», o marxismo permanece como a arma intelectual mais preciosa nas mãos dos trabalhadores e dos povos que resistem. Renunciar a ele equivaleria a desistir da luta pelo socialismo.

18. A poucas semanas do 90º aniversario da Revolução de Outubro de 1917, cuja herança é património da humanidade progressista, denunciam o carácter profundamente reaccionário das campanhas de criminalização do comunismo, recordam as consequências trágicas do desaparecimento da União Soviética e expressam a convicção de que o socialismo é a única alternativa ao sistema capitalista que, ao entrar na fase senil, optou por uma estratégia de desespero e exterminista, que ameaça reconduzir a humanidade à barbárie.

19. Registam com alegria a intensificação das lutas dos trabalhadores em todo o mundo bem como a resistência às guerras de agressão nos próprios EUA, e sublinham que o reforço da solidariedade internacionalista entre os explorados e excluídos de todo o mundo é imprescindível à globalização do combate contra o inimigo comum - o capitalismo e o imperialismo .

SERPA, 7 DE OUTUBRO DE 2007.