Há meio século, a OUA tinha como objectivos fundamentais libertar a África do colonialismo e do apartheid e garantir a unidade continental. Hoje há 54 países africanos independentes e subsiste por resolver a situação da República Árabe Saharauí Democrática, proclamada pela Frente Polisário na ex-colónia espanhola do Sahara Ocidental, entretanto anexada por Marrocos. Os benefícios económicos, sociais, culturais e em todos os domínios que as independências trouxeram aos povos africanos são imensos. Do ponto de vista histórico, a derrota do colonialismo e a libertação nacional de África significam um avanço enorme. Os sacrifícios dos patriotas nas lutas emancipadoras não foram em vão.
Autor:Procurar por “Carlos Lopes Pereira”
A forma como na África do Sul vários dos mais destacados dirigentes do país homenagearam Chris Hani, no 20º aniversário do seu assassínio, tem um significado relevante. Porque este comunista, heróico combatente contra o apartheid, nunca esqueceu que o objectivo da sua luta não era apenas a derrota desse regime, mas a transformação revolucionária da sociedade no caminho do socialismo.
A África, durante séculos vítima do colonialismo, é agora um dos terrenos em que o imperialismo se movimenta com maior agressividade. Derrube de regimes, destruição de Estados, massacre das populações, recolonização, saque de recursos, exploração e miséria para os povos: eis o imperialismo no quadro da crise geral do capitalismo.
Enquanto numerosos países africanos procuram soluções pacíficas para os conflitos que afectam o continente, nomeadamente no Congo e no Mali, o imperialismo reforça a ofensiva. Os EUA, a França e outras potências empenhadas na guerra de reconquista desencadeada no Mali instalam mais tropas, “conselheiros”, equipamento e bases militares. Mais uma vez a “guerra contra o terrorismo” mostra a sua verdadeira face: dar cobertura à recolonização, enquadrar a acção terrorista do imperialismo contra povos e nações.
Para os comunistas argelinos, o Ocidente apoia-se em movimentos reaccionários que se camuflam sob a religião para contrariar a vontade de emancipação dos povos e abater os dirigentes que lhe fazem frente. Com a nova aventura militar africana, o imperialismo francês «mata dois coelhos com uma cajadada»: coloca tropas no Mali e esconde com esta intervenção «o seu plano de cerco à Argélia pelo Sul», tendo em vista reforçar as pressões sobre os seus governantes «para os empurrar ainda mais na via do compromisso e da ruptura com as suas orientações anti-imperialistas tradicionais.»
A importância do pensamento de Amílcar Cabral, líder africano desaparecido há quatro décadas, foi reafirmada por estudiosos e investigadores de três continentes num colóquio internacional, na cidade da Praia. Reunido de 18 a 20 de Janeiro na capital cabo-verdiana, o Fórum Amílcar Cabral, sob o lema «Por Cabral, sempre», foi também ocasião para uma reflexão crítica sobre o caminho percorrido pela República de Cabo Verde e sobre as perspectivas futuras dos países africanos.
No recente congresso do ANC - tripla aliança que integram - os comunistas sul-africanos reafirmaram que as classes trabalhadoras, em conjunto com outras forças progressistas, devem assumir a continuidade e o aprofundamento da revolução democrática nacional na África do Sul. A tarefa é complexa, e mais tarde ou mais cedo colocará questões centrais que decidirão o rumo do desenvolvimento económico e do combate contra as desigualdades sociais.



