A política da campanha israelita de extermínio

James Petras*    06.Ene.09    Colaboradores

James PetrasPerante o ataque à população palestina da Faixa de Gaza pelo Estado de Israel, os Estados da União Europeia persistem numa falsa equidistância entre a vítima e o agressor, escondendo as responsabilidades próprias atrás da posição comum da Comunidade: cumplicidade perante o crime genocida em curso. Neste texto, James Petras desmascara a perversidade da equidistância entre as partes e a campanha dos media de manipulação da opinião pública para permitir, sem condenação o holocausto palestino perpetrado pelo Estado de Israel.

Devido ao apoio incondicional da classe política dos EUA, desde a Casa Branca ao Congresso, incluindo ambos os partidos, dos responsáveis eleitos de saída e a tomarem posse dos seus cargos, e todos os principais media, impressos e electrónicos, o governo israelita não sente qualquer escrúpulo em divulgar publicamente um relato pormenorizado da sua política de extermínio em massa da população de Gaza.

A sistemática e ampla campanha de Israel de bombardeamento de tudo o que respeita à governação, às instituições cívicas e à sociedade tem por objectivo destruir a vida civilizada em Gaza. A visão totalitária de Israel é determinada pela prática de uma eliminação permanente da Palestina árabe pelo sionismo, uma ideologia étnico-racista, promulgada pelo estado judeu e justificada, forçada e descoberta pelos seus apoiantes organizados nos Estados Unidos.

Os factos do extermínio israelita são conhecidos: nos primeiros seis dias de bombardeamentos de terror dos maiores e menores centros populacionais, noite e dia, o Estado judeu assassinou e mutilou gravemente mais de 2.500 pessoas, sobretudo desmembrados e queimados nas crateras abertas pelo fogo dos mísseis. Um elevado número de crianças e mulheres foram abatidas, tal como civis e responsáveis indefesos.

Eles fecharam todos os acessos a Gaza e declararam-na uma zona militar de fogo livre, enquanto ampliaram o seu alvo de modo a incluir toda a população de 1,5 milhões de prisioneiros semi-famintos. Segundo o Boston Globe (30 de Dezembro de 2008): “Oficiais militares israelitas disseram que as listas de alvos foram ampliadas para que incluíssem uma vasta rede de apoio na qual o movimento islamista confia para permanecer no poder (…), estamos a tentar atingir todo o espectro, porque tudo está em ligação e todos apoiam o terrorismo contra Israel” (sublinhados meus). Um israelita do topo do aparelho da polícia secreta é citado dizendo; “A infraestrutura civil do Hamas é um alvo muito sensível” (ibid). O que os planeadores políticos e militares israelitas designam como “Hamas” é toda a rede de serviço social, todo o governo e a vasta maioria das actividades económicas, abarcando quase a totalidade dos aprisionados 1,5 milhões de residentes em Gaza.

A lista “alvo” de Israel envolve portanto a “totalidade da população”, utilizando a totalidade do seu armamento não nuclear e por um período de tempo ilimitado (até o seu “amargo fim” de acordo com o primeiro-ministro israelita). O porta-voz do ministro da Defesa de Israel enfatizou reiteradamente o conceito de guerra totalitária do Estado judeu tendo os civis como alvo: “O Hamas tem utilizado ostensivamente operações civis como cobertura para actividades militares. O que quer que seja filiado no Hamas é um alvo legítimo”.

Tal como todos os totalitários no passado, o estado judeu gaba-se de ter planeado pormenorizadamente e com antecipação a campanha de extermínio – meses antes –incluindo o dia e a hora precisa do bombardeamento para infligir o máximo de mortes de civis. Os rockets e bombas caíam quando as crianças estava a sair da escola, quando cadetes da polícia estavam a receber os seus diplomas e quando as mães, desesperadas, corriam para as suas casas para verem os seus filhos e filhas.

A campanha de extermínio em massa por meios militares veio na sequência do ininterrupto bloqueio económico total e da persistente campanha de assassínios selectivos nos dois anos anteriores. Ambos foram concebidos para limpar a Palestina da população árabe, primeiro através da fome em massa, da doença, da humilhação, da intimidação violenta e do poder por procuração roubado pela OLP, dirigida pelo fantoche sionista Abbas. Quando descobriram que a fome em massa e o assassínio selectivo israelita apenas fortaleciam as ligações da população ao seu governo democraticamente eleito e a resolução do governo Hamas resistir a Israel, o regime israelita desencadeou todo o seu arsenal bélico, incluindo as novas “prendas americanas” do último tipo: bombas “rompe bunker” de 1.000 libras [454 kg] e mísseis de alta tecnologia para incinerar, dentro do seu mortal raio de acção, o maior número de seres humanos e destruir a civilização palestina.

Partindo da sua visão totalitária para os planos militares e o ataque bárbaro aos centros populacionais palestinos, o Estado judeu destruiu a principal universidade, com mais de 18 mil estudantes (sobretudo mulheres), mesquitas, farmácias, condutas de água e de electricidade, centrais eléctricas, aldeias de pescadores, barcos de pesca e o pequeno porto pesqueiro que proporcionava o magro abastecimento de peixe à população faminta. Destruíram estradas, instalações de transporte, depósitos de alimentos, edifícios dedicados à ciência, pequenas fábricas, lojas e apartamentos. Destruíram um dormitório de mulheres na universidade. Nas palavras do líder de Israel: “…porque tudo está ligado com tudo…” é necessário destruir todo e cada um dos aspectos da vida, os que permitem aos humanos existirem com alguma dignidade e independência.

Os totalitários líderes israelitas sabiam com segurança que podiam actuar e podiam matar com impunidade, localmente e perante o mundo, pela influência da Configuração de Poder Americano-Sionista dentro da Casa Branca e do Congresso dos EUA. Sabiam terem o apoio total dos principais partidos políticos israelitas, dos sindicatos, dos media e, particularmente, da opinião pública. O Estado terrorista de Israel é apoiado por 81% dos judeus israelitas, segundo um inquérito efectuado pelo Channel 10 de Israel (Financial Times, 30 de Dezembro de 2008). A violência totalitária e o extermínio de palestinos são extremamente populares entre o eleitorado judeu, especialmente para aumentar o apoio ao candidato do Partido Trabalhista Ehud Barak. Eles sabiam que teriam “êxito” sem qualquer baixa porque bombardeavam, queimavam e desmembravam uma população indefesa à qual faltavam os meios mínimos para se defender dos bombardeiros F16, dos helicópteros com canhões e dos mísseis ofensivos. O vil assalto à população indefesa é acompanhada pela absoluta covardia do comando militar israelita e do seu público, sedento de sangue e protegido atrás do seu monopólio aéreo. Eles não sofreram ameaças de retaliação, nem pilotos feridos ou mortos, quando helicópteros com canhões, vaga após vaga, voavam como um enxame de abelhas sobre uma população indefesa, encarcerada num gueto apinhado e cercado.

Centenas de tanques e veículos blindados estão preparados para invadir logo que as cidades tenham sido arrasadas, logo que a população esteja demasiado enfraquecida pela fome para resistir, logo que os líderes e combatentes tenham sido assassinados e as instituições palestinas normais da lei e da ordem tenham sido pulverizadas, abrindo caminho para os corruptos colaboradores da chamada Autoridade Palestina. Então, e somente nessa altura, o conjunto dos generais israelitas arriscará a pele de um precioso “soldado” judeu.

Aliados de além-mar: Os Presidentes das Principais Associações Judias dos EUA (PMAJO, na sua sigla em inglês)

A partir do momento em que o governo israelita decidiu que destruiria o recém-eleito governo do Hamas e puniria o eleitorado democrático de Gaza pela fome e o assassínio, todo o Poder de Configuração Sionista (ZPC) nos EUA, incluindo o PMAJO, fez tudo o que era possível para implementar a política israelita. O PMAJO abrange dois quintos das organizações judias com o maior número de membros, tem a maior capacidade financeira e os apoiantes mais influentes. O mais eminente lobbyista dentro do PMAJO é a AIPAC [Comité Americano-Israelita para a Actividade Política], com mais de 100 mil membros e 150 operacionais a tempo inteiro em Washington a pressionarem activamente o Congresso, a Casa Branca e todas as agências da administração cujas actividade se possa relacionar com os interesses do Estado de Israel. Contudo, a política israelita estende-se muito além das suas agências não governamentais. Mais de vinte legisladores no Congresso e mais de uma dúzia de senadores são sionistas comprometidos que apoiam automaticamente as políticas de Israel e pressionam o financiamento e armamento dos EUA da máquina militar de Israel. Altos responsáveis em posições administrativas chave, no Tesouro, no Comércio e no Conselho de Segurança Nacional, funcionários superiores no Pentágono e conselheiros influentes sobre assuntos do Médio Oriente são também sionistas, fanaticamente comprometidos que decididamente e sem rodeios apoiam a política do Estado de Israel.

Igualmente importante, a maioria da grande indústria do cinema, dos jornais e dos media electrónicos são propriedade ou profundamente influenciados por poderosos judeus-sionistas empenhados em torcer os “noticiários” a favor de Israel. A composição e influência do ZPC são essenciais para a compreensão das três principais características do poder de Israel: (1) Israel pode cometer o que importantes especialistas das Nações Unidas e de direitos humanos definiram como “crimes contra a humanidade” com impunidade total; (2) Israel pode garantir um fornecimento ilimitado das armas de tecnologia mais evoluída e maior poder destrutivo, e utilizá-las indiscriminadamente sobre uma população civil, violando mesmo as restrições do Congresso dos EUA e (3) ignorar dezenas de condenações das Nações Unidas, praticamente por unanimidade, construir de barreiras dum apartheid genocida contra uma população nativa, bloqueios para provocar a fome e fazer a actual campanha de extermínio em Gaza com a certeza que estas serão sempre vetadas pelo representante dos EUA.

Muitos críticos do genocídio de Israel em Gaza também condenam o que denominam “a cumplicidade” de Washington ou “dos Estados Unidos” sem identificar claramente as forças sociopolíticas reais que influenciam os políticos ou as lealdades políticas e identidades “duais” dos políticos “americanos” que têm fidelidades consagradas e profundas a Israel. Por tudo isto, a maior parte dos críticos deixa de registar, protestar ou mesmo identificar a ideologia e a política das configurações de poder organizado que definem a cumplicidade estadounidense com Israel, que intimidam potências e críticos, que escrevem e divulgam os editoriais pró-Israel nos media e cortam qualquer crítica, qualquer verdade… mesmo quando Israel se empenha em prolongadas campanhas de extermínio sangrento.

A ZPC e a guerra israelita de extermínio em Gaza

A ZPC desempenhou um papel importante em todas as etapas da campanha de extermínio contra Gaza, incluindo um prolongado esforço de propaganda. Orquestrou com êxito uma campanha massiva por toda a vasta rede dos media americanos, que controla e influencia. A ZPC fabricou uma imagem da administração Hamas em Gaza como organização terrorista que, alegadamente, ocupou o poder pela violência – negando totalmente sua elevação ao poder através de eleições democráticas e internacionalmente fiscalizada e a defesa do seu mandato eleitoral contra uma conquista militar dos EUA-Israel apoiada pela OLP. Todos líderes sionistas apoiaram as ocupações de terras por Israel, as suas muralhas do gueto que cerca os palestinos, as centenas de barreiras nas estradas, os colonos judeus que ocuparam violentamente casas de palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Leste e o criminoso e genocida bloqueio económico israelita contra Gaza, concebido para provocar a fome entre os palestinos e levá-los à submissão.

Ao longo de dois anos desta campanha israelita de extermínio, os sionistas americanos desempenharam um papel importante levando o servil governo dos EUA a apoiar interna e externamente todas as medidas totalitárias: a larga maioria das sinagogas locais tornaram-se púlpitos de defesa da fome e da degradação dos milhão e meio de palestinos refugiados em Gaza, cercados por todos os lados por forças mortíferas e dos 4,5 milhões “encurralados” nos cantões, económica e socialmente da Cisjordânia sob ocupação estrangeira. O Congresso dos EUA vergonhosamente seguiu a liderança sionista, apoiando toda e cada uma das medidas criminosas tomadas pelo Estado de Israel e aprovando dúzias de resoluções, a maior parte das quais foi inteiramente redigida pelos lobbys da AIPAC a actuarem como agentes não registados do governo israelita (contrariando o estatuto federal dos EUA, que exige aos agentes e membros dos lobbystas estrangeiros o seu registo). Os pedidos de Israel dos mais actualizados aviões de guerra dos EUA, incluindo F16, helicópteros Apache equipados com canhões e bombas de 1.000 libras, foram garantidos devido ao esforço dos lobbys da AIPAC e dos seus apoiantes no Congresso dos EUA. Por outras palavras, a ZPC americana criou a cobertura ideológica e os instrumentos militares para a “guerra total” de Israel contra a indefesa população palestina. Igualmente importante, é eminentes líderes sionistas no Congresso e membros do establishment de política externa bloquearam ou vetaram qualquer crítica internacional a Israel – assegurando a sua impunidade e imunidade em relação a qualquer das sanções do Congresso aprovada habitualmente contra estados criminosos. Por outras palavras, os políticos israelitas operavam com o conhecimento de que não haveria repercussões económicas, diplomáticas e militares negativas para o lançamento da sua planeada campanha de extermínio de Gaza porque sabiam, antecipadamente, que “o seu pessoal” tinha o controle total da política estadounidense do Médio-Oriente, a ponto de realmente repetir todas as mentiras da propaganda, em defesa da guerra total de Israel contra a população de Gaza.

Em defesa da guerra de extermínio de Israel

Os media impressos dos EUA controlados pelos sionistas, em particular o New York Times e o Washington Post, fabricaram sistematicamente uma história que se ajusta perfeitamente à linha oficial de Israel na defesa do seu assalto massivo a Gaza: omitindo a reportagem das centenas de incursões armadas israelitas e assassínios “selectivos” de líderes e responsáveis palestinos (até dentro das suas casas) que violaram repetidamente o “cessar fogo” acordado pelo Hamas e provocaram a sua retaliação como auto-defesa do seu povo; omitindo os anos de um bloqueio de alimentos e bens essenciais forçado por Israel que ameaçavam as vidas de 1,5 milhões de palestinos e levou aos esforços desesperados dos dirigentes eleitos do Hamas para assegurar abastecimentos para a sobrevivência do povo, através de túneis sob a fronteira egípcia e através de ataques com mísseis contra Israel para pressionar o Estado judeu a negociar o fim do bloqueio criminoso.

A Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judias Americanas, e a vasta maioria dos grupos e congregações comunais judeus, deram apoio entusiástico e unânime à guerra total de Israel, à sua campanha de extermínio contra a população palestina aprisionada em Gaza. Mesmo quando imagens e relatos da destruição massiva, das mortes e ferimentos de mais de 2.500 palestinos indefesos foram publicadas nos media, nem uma única grande organização judia rompeu fileiras; só alguns indivíduos e pequenos grupos protestaram. Todas as “Principais Organizações” persistiram na sua política da Grande Mentira: as destruições de hospitais, mesquitas, universidades, estradas, apartamentos, farmácias e portos pesqueiros foram todas definidas como “alvos Hamas”. O sistemático assalto total, sem oposição, de helicópteros equipados com canhões contra 1,5 milhões de civis palestinos foi apagado por relatos tendenciosos de mísseis artesanais do Hamas a caírem sem eficácia próximo de cidades israelitas.

Um olhar atento ao mais importante órgão de propaganda do PMAJO, The Daily Alert (TDA), durante os primeiros cinco dias do assalto de Israel, revela a direcção da propaganda tomada pela liderança do lobby pró-Israel. O TDA trabalhou sistematicamente para atingir os seguintes objectivos:

1- Exagerar as ameaças a Israel dos mísseis palestinos de Gaza, referindo quatro mortes israelitas, enquanto omitia qualquer referência aos 2.500 palestinos mortos e feridos e a destruição total da sua economia e condições de vida (sem água potável, electricidade, alimentos, combustível, remédios e aquecimento, agora que estamos no Inverno).

2- Promover como “defensivo” o ataque militar de Israel, com o objectivo de eliminar os ataques de rockets do Hamas, enquanto se omitia qualquer referência ao objectivo declarado de Israel de destruir todas as organizações civis, estruturas de bem-estar social, instalações educativas, clínicas médicas e instituições de segurança pública ligadas de qualquer forma ao governo eleito do Hamas e quaisquer estruturas auxiliares.

3- Citar selectivamente declarações de aliados e clientes de Israel (Washington, os media dos EUA, Alemanha e Reino Unido) culpabilizando o Hamas pelo conflito, sem referir a larga maioria de países que na Assembleia-Geral das Nações Unidas condenaram a brutalidade de Israel.

4- Reproduzir calúnias israelitas contra todo e qualquer líder e organizações internacionais de direitos humanos que condenaram a política de genocídio do Estado judeu contra os palestinos. A TDA é quem, nos Estados Unidos e, fora de Israel, talvez no mundo, mais “nega o genocídio”.

5- Citar repetidamente afirmações de líderes políticos e militares israelitas de que actuam “com limites”, “salvaguardando civis” e “só alvejam objectivos militares”, mesmo perante relatos e imagens de destruição maciça e perdas de vida civis documentadas na grande maioria dos media ocidentais (fora dos EUA).

6- Defender todas as missões israelitas que diariamente, a todas as horas, bombardeiam todos os edifícios, todos os lares e todas as instituições económicas, religiosas e educativas em Gaza, classificando-as como “defensivas” ou “represália”, ao mesmo tempo que citam alguns dos mais notórios e incondicionais epígonos de sempre da violência israelita, como se fossem intelectuais isentos, incluindo Benny ‘Nuke Tehran’ Morris, Marty Peretz e Amos Oz.

7- O Daily Alert cita escritores, jornalistas e editores estadounidenses que elogiam e defendem a “guerra total” de Israel, sem identificar a sua antiga filiação e identificação com organizações sionistas, dando uma falsa imagem de um vasto espectro de opinião pública. Nunca os mais moderados críticos judeus apareceram em quaisquer números de The Daily Alert.

As principais organizações judias americanas bombardearam o Congresso dos EUA, influenciando, intimidando e comprando os cobardes “representantes” do povo americano, os media e os notáveis públicos com mentiras em defesa da guerra total de Israel para o extermínio de um povo. A sua cumplicidade pública, arrogante e aberta perante o genocídio pode ser considerada um crime contra a humanidade: a promoção de actos deliberados de um Estado para destruir todo um povo.

E estes cúmplices voluntários, estes “verdugos voluntários” do assassínio em massa pelo Estado continuam sem contestação dentro da classe política dos EUA. Um dos seus principais porta-vozes na nova administração Obama, o chefe dos Conselheiros Presidenciais David Axelrod, cita mesmo um discurso da campanha de Obama para defender os ataques israelitas ao povo de Gaza.

Israel, arrogantemente, rejeita todos os apelos para terminar este assassínio em massa, pois Israel sabe que “o seu pessoal” ainda está no controlo da política estadounidense em relação ao Médio-Oriente e utilizará o seu poder na nova administração presidencial para bloquear qualquer condenação deste crime.

Até à data, todos os movimentos de direitos humanos e anti-guerra deixaram sequer de mencionar, muito menos desafiar, as mais poderosas organizações políticas de propaganda, que influenciam a política dos EUA e manipulam os media a favor da campanha de extermínio executada por Israel. Não desempenharão qualquer papel limitativo das políticas totalitárias de Israel enquanto os seus principais apoiantes americanos estiverem livres para mentir, manipular e defender todo e qualquer crime.

Há pouca esperança de uma política independente do Congresso dos EUA enquanto a guerra de extermínio de Israel em Gaza puder ser defendida pelo presidente do Comité de Assuntos Estrangeiros do Congresso (sionista fanático), o deputado Howard Berman, nos seguintes termos: “Israel tem o direito, na verdade o dever, de defender-se em resposta às centenas de rockets e morteiros disparados de Gaza durante a semana passada. Nenhum governo no mundo se sentaria e permitiria que os seus cidadãos fossem sujeitos a esta espécie de bombardeamento indiscriminado. A perda de vidas inocentes é uma tragédia terrível e a culpa por esta tragédia é do Hamas”. Cinicamente, o deputado Berman omite os dois anos de bloqueio de Israel, os assassínios “selectivos” de palestinos, os ataques “selectivos” com misseis contra civis, os bloqueios por terra, mar e ar e a flagrante destruição “selectiva” da infraestrutura de Gaza. Nenhum governo, muito menos um governo islâmico eleito democraticamente, pode permanecer passivo enquanto o seu povo é dizimado pela fome e assassinado para ser subjugado. Mas para os respeitados deputados Bermans do mundo, só as vidas dos judeus importam, não os crescentes milhares de assassinados, desmembrados e mutilados cidadãos de Gaza – eles não contam como pessoas!

O que deve ser feito

Os crimes de Israel contra a humanidade exigem uma resposta pública que o forçará a cessar e desistir da sua campanha para exterminar o povo de Gaza. Uma vez que o Estado judeu assaltou um vasto conjunto de instituições sociais palestinas que têm relações com as suas congéneres da nossa sociedade, podemos e devemos mobilizar estas últimas para condenar Israel:

1- Deveríamos exortar toda a comunidade académica a denunciar o bombardeamento da Universidade Islâmica de Gaza por Israel e a destruição total de todas as suas instalações científicas. Um boicote organizado das universidades israelitas e todos os intercâmbios académicos, especialmente científicos, deveria tornar-se a política universitária em todo o país. Uma particular atenção devia ser dada aos 450 presidentes de universidades dos EUA que, ainda há pouco, denunciaram um apelo de académicos britânicos a um boicote, mas que permanecem silenciosos e cúmplices diante da total aniquilação física das dezenas de faculdades para 20 mil estudantes universitários palestinos.

2- Todos os trabalhadores da saúde norte-americanos, médicos, enfermeiros e técnicos, deveriam organizar e denunciar o bloqueio médico de Israel contra o 1,5 milhões de palestinos da Faixa de Gaza. Devem condenar o bombardeamento por Israel do Hospital Pediátrico de Gaza, das farmácias de bairro e os ataques a qualquer meio de transporte de feridos palestinos vítimas dos seus ataques aéreos e com mísseis. O pessoal médico deveria levantar as questões éticas fundamentais respeitantes à colaboração do pessoal médico americano e aos programas com as políticas de “guerra total” de extermínio do Estado Judeu.

3- Todos os cidadãos deveriam exigir o fim da ajuda militar americana a Israel, especialmente caças F16, helicópteros de ataque Apache, mísseis, bombas “anti-bunker” de 1.000 libras, utilizados pelas forças armadas israelitas contra infra-estruturas civis de Gaza e o assassínio e mutilação de mais de 2.500 palestinos, civis, funcionários públicos, polícia e milícia nacional. Na luta por um corte à ajuda militar dos EUA a Israel, deveriam ser feitos todos os esforços para seleccionar e denunciar os mais poderosos, agressivos e bem sucedidos advogados e lobbyistas sionistas que influenciam os membros eleitos do Congresso e da Casa Branca sobre orçamentos de ajuda militar ao estrangeiro. Nenhum progresso na finalização da ajuda militar dos EUA à limpeza étnica de Israel terá êxito a menos sem que o movimento da paz estupefacto pelo assassínio em massa de Israel enfrente directamente o lobby sionista. Isto inclui boicotes, contestações e manifestações contra a AIPAC, a Jewish Anti-Defamation League e as demais 50 organizações judias americanas, as quais criam e asseguram o apoio governamental às políticas de extermínio de Israel.

4- As instituições religiosas deveriam denunciar vigorosamente os crimes de Israel contra a humanidade, incluindo a demolição de cinco mesquitas, unindo todas as fés (cristã, muçulmana, budista) e especialmente estendendo a mão à pequena minoria de rabis e judeus praticantes desejosos de denunciar directamente as práticas totalitárias do Estado israelita.

5- Os trabalhadores dos portos e das docas, marinheiros e outros trabalhadores e oficiais da marinha deveriam boicotar a operação de todo comércio com Israel e denunciar o violento assalto ilegal da sua Marinha de Guerra, em águas internacionais, a barcos de pesca e navios que transportavam ajuda humanitária para Gaza. Nenhum navio transportando produtos israelitas deveria ser carregado ou descarregado enquanto Israel mantiver o seu criminoso bloqueio militar às instalações do porto de Gaza.

6- Dezenas de milhões de cidadãos estadounidenses sujeitos à unilateralidade dos media electrónicos e impressos pró Israel, às apresentações parciais de editorialistas, “noticiaristas” e pretensos especialistas em Médio Oriente, deveriam exigir igual tempo para a cobertura e reportagens por especialistas, analistas e comentadores não sionistas. Deveríamos exigir o fim dos eufemismos e da fabricação das notícias que convertem vítimas em agressores e estes em vítimas.

7- Deveríamos travar uma batalha de ideias por todo o lado (e em todo fórum público) contra os esforços da Configuração de Poder Sionista para monopolizar a discussão sobre a política israelita de genocídio, para censurar, intimidar e ajoelhar os críticos do apartheid israelita – como o presidente da Assembleia Geral da ONU, Manuel d’Escoto, que tão apropriadamente denuncia a Muralha do Gueto de Israel a cercar aldeias palestinas. A expansão do protesto público contra a guerra de extermínio de Israel é um enorme passo em frente para reagir ao monopólio sionista dos media e para encorajar as dezenas de milhões de americanos que reconhecem isto em privado e não concordam com os crimes de Israel contra a humanidade, sentem-se mal com a selvajaria da elite local sionista contra aqueles que se exprimem publicamente. A pressão da massa sobre os representantes eleitos pode levar alguns a reconsiderar, o seu servilismo aos seus “doadores” sionistas e aos seus colegas do grupo “Israel First” do Congresso.

8- Uma campanha patriótica à escala nacional deveria exigir que o lobby de Israel, especialmente a AIPAC, confessasse tudo e se registasse como um a gente estrangeiro do Estado de Israel. Isto pode minar o apelo do lobby aos judeus americanos, reduzir a sua influência sobre o Congresso e abrir processos e investigações judiciais sobre o seu abuso de isenções fiscais, lavagem de dinheiro e conduzir a revelações sobre a sua aquisição traiçoeira de documentos confidenciais do Estado americano para uma potência estrangeira. Há uma poderosa base política e legal para a recusa do status de isenção fiscal do lobby e até da sua legalidade, além da claríssima evidência de que todas as organizações sionistas actuam como correias de transmissão do Estado israelita: desde o princípio da década de 1950 até 1963, a organização precursora da AIPAC foi obrigada a registar-se como um agente estrangeiro do Estado de Israel. Mais recentemente, um promotor israelita apresentou prova de que a Agência Israelita-Judia e seus parceiros nos EUA estavam a lavar milhares de milhões de dólares, especialmente para o financiamento dos assentamentos de colonos israelitas em terras palestinas ocupadas, considerados ilegais pelo direito internacional. Audições do Congresso, processo e novas investigações publicadas revelariam o papel do Lobby como uma Quinta Coluna para o Estado de Israel contra o interesse do povo dos Estados Unidos.

Até neutralizarmos o poder nebuloso da Configuração de Poder Sionista e todas as suas manifestações – na vida pública e na vida cívica americana – e sua profunda ligação aos gabinetes legislativos e executivos americanos, falharemos o objectivo de impedir Israel de receber armas, financiamento e apoio político para sustentar as suas guerras de extermínio étnico.

Quando lhes disseram que a maior parte dos povos do mundo estão indignados e enraivecidos pelo assassínio em massa dos cidadãos de Gaza, podemos facilmente imaginar a desdenhosa rejeição dos principais líderes de Israel, a parafrasearam Joseph Stalin: Quantos bombardeiros, mísseis, aviões de combate e lobbies poderosos dispõem eles (os ultrajados povos do mundo)?

* James Petras, Professor da Universidade de Nova Iorque, é amigo e colaborador de odiario.info

Este foi publicado em www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=11583

Tradução de Pires da Silva

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