O movimento antifascista forma-se nas ruas - Abrem-se novos desafios políticos
A massiva concentração de 18 e Novembro na Porta do Sol em Madrid marca um ponto de viragem na construção de um indispensável sujeito político antifascista, e também de classe, da nova classe operária jovem, precária e solidária.
Que alguns milhares de pessoas, na sua esmagadora maioria jovens, tenhamos conseguido superar o medo, destruindo com a nossa presença o indecente discurso da criminalização e tenhamos imposto o direito de manifestação, impedindo e reduzindo a presença fascista aos pouco que não conseguiram manifestar-se, pressupõe um passo que pode ser decisivo na constituição da vontade política antifascista e anticapitalista.
O assassinato de Carlos, morador de Vallekas, e o apunhalamento de Alejandro, do bairro de Caranchel, o posterior enraivecimento da polícia contra os jovens antifascistas, junto à brutal criminalização do movimento antifascista e de organizações de esquerda por todos os meios de comunicação do sistema, pretendia reduzir o assassinato a um confronto entre bandos e legitimar a lei e a ordem, impostas pela «política antiterrorista».
Tudo isso foi pulverizado da única forma possível, com milhares de pessoas na rua tornando credível e dando corpo com as suas gargantas às palavras-de-ordem de «Não passarão» e «Madrid será a tumba do fascismo», «Nativa ou estrangeira a mesma classe operária» e «Chamam-lhe democracia mas não o é».
A evidente ligação das organizações fascistas a sectores do aparelho de Estado, evidenciada por o assassino pertencer a um batalhão da guarda real, coloca cruamente a existência de redes nazis e de extrema direita na polícia, no exército, na guarda civil, na magistratura, nunca depuradas, por uma Transição vergonhosa que não teve nada de democrática.
A brutal repressão em Barcelona de uma manifestação antifascista, dirigida por Joan Saura, Conselheiro do Interior da Generalitat da Catalunha, dirigente d Iniciativa pela Catalunha, mostra inequivocamente a execrável actuação de uma «esquerda» que cumpre o vergonhoso papel, impagável, ou muito bem pago, de ser o aríete da repressão na defesa da ordem estabelecida.
Para o povo de Madrid, a ocupação de dia 18 da Porta do Sol por milhares de pessoas, enfrentando quer o risco da repressão policial quer a anunciada manifestação fascista da Aliança Nacional – que ameaçava aludindo ao assassinato de Carlos com a provocadora «vieram à lã sairão tosquiados» - é uma extraordinária convocação para a participação massiva na proibida manifestação de dia 24 de Novembro.
Ninguém que compreenda algo tão elementar como que o fascismo se pára lutando, que nenhuma agressão deve ficar sem resposta ou que os fascista são os terroristas, deve ficar em casa dia 24 de Novembro.
Há povo organizado, de forma autónoma e independente, para enfrentar o fascismo, enfrentar as classes dominantes e enfrentar um governo do PSOE, representado por uma inaceitável Delegação do Governo que é capaz de autorizar manifestações fascistas, enquanto ilegaliza os que pretendemos denunciar os crimes fascistas.
A dimensão da resposta popular, antes em Vallekas e depois na Porta do Sol tem também uma importante componente de classe. O assassinato de Carlos e o apunhalamento de Alejandro são crimes contra jovens, filhos da classe operária de hoje. Eles e os seus companheiros não reconhecem nenhuma representatividade aos sindicatos maioritários nem à esquerda institucional, procuravam e procuram uma nova forma de organização e de representação que ainda não existe e que é urgente construir muito a partir de baixo. Ligar essa vanguarda de consciência que dia 18 se manifestou na na Porta do Sol, com propostas de organização e formas de unidade que afundem as suas raízes contra o fascismo e no mal-estar social, cada vez mais alargado que ferve contra a carestia de vida, a pecaridade e pelo direito à habitação é a nossa tarefa imediata.
Hoje mais do que nunca todos à rua em 24 de Novembro!
Carlos, irmão, nós não te esqueceremos!
Não passarão
* Angeles Maestro é amiga e colaboradora de odiario.info e dirigente de Corriente Roja
Tradução de José Paulo Gascão


