Precisa de um Fígado? Mate um Sérvio*

Julia Gorin*    13.May.08    Outros autores


Texto, em muito baseado nas revelações da Procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI) no livro A Caça recentemente publicado, elucidam não apenas sobre o que foi o seu mandato naquele tribunal internacional mas, principalmente quem são os dirigentes do Kosovo que o imperialismo e a União Europeia apoiaram e apoiam.

Investigação do tráfego para a Albânia de órgãos de Sérvios do Kosovo assassinados

O procurador para os crimes de guerra na Sérvia está a investigar notícias segundo as quais dúzias de Sérvios capturados pelos rebeldes durante a guerra no Kosovo foram mortos e os seus órgãos traficados, noticiou o gabinete do Procurador.

O gabinete do Procurador Sérvio disse que recebeu “relatórios informais” de investigadores do tribunal das Nações Unidas de Haia na Holanda, segundo os quais dúzias de Sérvios feitos prisioneiros pelos rebeldes Albaneses no Kosovo foram levados para a vizinha Albânia em 1999 e mortos, para que os seus órgãos pudessem ser recolhidos e vendidos a traficantes internacionais.

Bruno Vekaric, porta-voz do Procurador Sérvio, afirmou mais tarde à Radio B92 que investigadores para os crimes de guerra na Sérvia haviam também recebido as suas próprias informações acerca de um alegado tráfego de órgãos, mas não suficientes para levar o caso a tribunal. Vekaric disse que os investigadores sérvios receberam também informações indicando que poderia haver valas comuns na Albânia contendo os corpos das vítimas sérvias. Órgãos de informação sérvios noticiaram que o problema foi trazido à luz do dia num livro da antiga Procuradora das Nações Unidas para os crimes de guerra, Carla Del Ponte, a publicar em Itália a 3 de Abril.

De acordo com a agência noticiosa Sérvia Beta, que deu a conhecer partes do livro na Sérvia, Del Ponte afirmou que os seus investigadores foram informados de que cerca de 300 Sérvios foram mortos para tráfego de órgãos.

A notícia da Beta cita Del Ponte como tendo dito no livro que os seus investigadores foram informados que os prisioneiros Sérvios foram primeiramente levados para prisões no norte da Albânia onde os mais jovens foram mortos e os seus órgãos posteriormente vendidos no estrangeiro.

A Beta noticiou que Del Ponte afirma no seu livro que os investigadores do Tribunal que estão a investigar alegados crimes perpetrados pela rebelde Kosovo Liberation Army (KLA) não foram capazes de formular uma acusação sobre o alegado tráfego de órgãos e levá-la a tribunal. . .

O relatório da agência Beta

Carla Del Ponte, anterior Procuradora Chefe do Tribunal de Haia, escreveu no seu livro “Hunt” que durante a investigação dos crimes cometidos pela Kosovo Liberation Army contra sérvios e outras comunidades étnicas, a Procuradoria de Haia tomou conhecimento de que pessoas que em 1999 desapareceram no Kosovo foram sujeitos a operações cirúrgicas para retirada de rins e outros órgãos, os quais foram vendidos por contrabandistas em clínicas estrangeiras.

“As vítimas foram muito provavelmente raptadas após o bombardeamento da NATO, quando a força internacional de manutenção de paz já estava no Kosovo”. Membros de topo da KLA estiveram envolvidos na operação de contrabando de órgãos, escreve Del Ponte, sem no entanto especificar os seus nomes.

Ela acrescenta que um grupo de jornalistas “credíveis” disse aos investigadores e a funcionários do UNMIK que, no Verão de 1999, Albaneses do Kosovo raptaram e transportaram em camiões cerca de 300 não-Albaneses para campos em Kukes e Tiopoja, no norte da Albânia. Os prisioneiros mais jovens e saudáveis foram examinados por médicos e detidos em Burel e nas proximidades.

Num quarto usado como sala de operações, os cirurgiões extraíam os órgãos das vítimas. Os órgãos eram transportados via aeroporto de Rinas para clínicas no exterior, para clientes que os compravam. Uma das fontes afirmou ter participado pessoalmente numa destas operações no aeroporto.

As vítimas que eram deixadas com um só rim eram deixadas enclausuradas e posteriormente eram mortas para extracção de outros órgãos.

“Os outros prisioneiros sabiam o que lhes estava destinado”, escreveu Del Ponte. Entre as prisioneiras havia mulheres do Kosovo, Albânia, Rússia e das repúblicas da antiga Jugoslávia. Duas fontes afirmaram ter estado a ajudar no enterro de vítimas num cemitério próximo…

As “Real Women in Black”: mulheres Sérvias buscam a verdade a respeito dos seus filhos, irmãos, irmãs e maridos desaparecidos na província do Kosovo.

Mais de 1.300 Sérvios do Kosovo, para além daqueles que sabemos que foram mortos e cujos corpos foram entregues às suas famílias pela UNMIK durante os últimos 8 anos, são ainda dados como desaparecidos. Em alguns casos, famílias inteiras foram raptadas pelo KLA/UCK em algum momento durante a guerra de 1998-1999 e depois da UN/NATO ter assumido a administração e segurança da província Sérvia…

Ao longo dos anos, ouvimos que um certo número de mulheres e raparigas sérvias foram usadas como escravas sexuais, deixadas enclausuradas em celas escuras de bares e bordeis, subalimentadas, repetidamente violadas e espancadas, até serem consideradas inúteis e abatidas como cães.

Houve também notícias nos media sérvios acerca de rapazes e homens sérvios forçados a trabalhar em minas privadas, ilegais e inseguras, mas a falta de colaboração da UNMIK e a indiferença da KFOR (NATO) fizeram com que nunca fosse iniciada qualquer investigação e as famílias sérvias dos desaparecidos do Kosovo-Methodia permanecem ainda sem respostas.

Agora, porém, o muito discutido livro de Carla Del Ponte, “The Hunt”, faz a inquietante revelação do motivo por que homens sérvios foram raptados na província do Kosovo durante anos, em vez de serem mortos à queima roupa, como era tratamento usual do KLA para todos os não-Albaneses, especialmente os de etnia Sérvia: porque eles eram usados como reserva para colheita de órgãos para o tráfego ilegal de órgãos para transplante.

De acordo com Glas Javnosti, que escreveu sobre uma das investigações falhadas acerca do destino de cerca de 300 Sérvios do Kosovo que foram raptados e levados para o norte da Albânia, Del Ponte afirma que os rapazes raptados não eram agredidos e eram bem alimentados. Numa das casas havia uma sala de operações improvisada onde lhes eram removidos os seus órgãos internos, que eram posteriormente enviados pelo aeroporto “Madre Teresa” de Tirana para o estrangeiro, onde eram vendidos.

Aqueles de quem era extraído apenas um rim durante a primeira intervenção, eram suturados e re-enviados para a prisão, até o momento em que eram mortos para extracção de outros órgãos, quando aparecesse o comprador certo. Carla Del Ponte conta que neste monstruoso estábulo humano, de fazer inveja a Josef Mengele, os sérvios mantidos prisioneiros suplicavam que fossem mortos.

Inimiga jurada dos sérvios, Del Ponte descreve a província do Kosovo-Metohia sob administração do KLA/NATO como uma terra sem lei nem instituições, terra de feudos de sangue, governada por gangsters que se apresentam a eles próprios como heróis do “povo Albanês sofredor”. Ela afirma que os oficiais do UNMIK e da KFOR, e mesmo alguns juízes do ICTY em Haia, temiam pelas suas vidas se fossem associados à investigação dos crimes da KLA/UCK.

No seu livro, Del Ponte diz que as poucas e espaçadas investigações relativas às actividades terroristas da KLA foram as mais difíceis durante todo o período em que foi procuradora-chefe do ICTY e que as investigações confrontaram-se com clãs, vendetas e pressões políticas, e que “desde Berna e Bruxelas até ao Bronx”, os polícias conhecem bem as dificuldades insuperáveis de quando se trata de investigar o crime organizado Albanês.

Em 2003, Del Ponte visitou os alegados locais do crime:
“… Estamos a investigar algumas declarações informais que registámos no decurso do nosso trabalho, de que em 1999 dois camiões transportando prisioneiros sérvios do Kosovo foram enviados para a Albânia” afirmou o Procurador para Crimes de Guerra Vladimir Vukcevic.

Ele disse que a informação informal havia sido obtida dos investigadores do Tribunal de Haia. De acordo com algumas fontes, existem na Albânia valas comuns não registadas com corpos de Sérvios assassinados.

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Um grupo foi mantido na prisão em instalações atrás de uma casa amarela, cerca de vinte quilómetros a sul de Burel – Albânia, afirma a antiga procuradora.

Uma sala daquela casa amarela, de acordo com jornalistas, serviu de sala de operações onde médicos extraíam os órgãos dos prisioneiros.

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O jornal Vecerenie Novosti revela mais pormenores do livro, o qual afirma que os investigadores de Haia e do UNMIK e vários jornalistas, juntamente com um dos procurados albanês, fizeram uma visita à casa em 2003.

“Estava agora pintada de branco”, escreve Del Ponte. “Apesar de os investigadores terem descoberto vestígios de tinta amarela, o proprietário negou que a casa tivesse alguma vez sido re-pintada.”

Nas imediações da casa, os investigadores encontraram também pedaços de gaze, seringas usadas, frascos de medicamentos vazios, incluindo relaxantes musculares usados nas operações. [….. Graças aos problemas da recolha de lixos da Grande Albânia!]

Dentro da casa, especialistas forenses descobriram vestígios de sangue nas paredes e no chão em um dos quartos. Uma área do chão com 180 por 60 centímetros, foi limpa.

“O proprietário da casa deu aos investigadores uma série de explicações sobre a origem dos vestígios de sangue. Primeiro, afirmou que a mulher dera à luz naquele compartimento, muitos anos antes. Mas quando a mulher prestou declarações dizendo que todos os filhos haviam nascido noutro local, ele disse que a família usava aquele quarto para matar animais em celebração de uma festa muçulmana”, escreve Del Ponte.

Em relação ao procurador albanês que os acompanhava, a antiga procuradora-chefe de Haia diz que, a certa altura, ele se vangloriou de ter primos que eram membros do KLA.

“Aqui não há valas comuns de Sérvios”, disse o oficial albanês. “Mas se eles levaram os sérvios para fora do Kosovo e os mataram, fizeram bem”.

… Del Ponte escreve que os detectives tiveram de desistir deste caso porque foi “impossível” prosseguir com a investigação.

Primeiro Ministro do Kosovo admite atrocidades

O pessoal da ONU temia pelas suas vidas no Kosovo e alguns dos juizes que presidiam o Tribunal de Haia para a antiga Jugoslávia temiam os albaneses do Kosovo que tinham cometido atrocidades contra sérvios e é por esse motivo que muito poucos criminosos de guerra Albaneses do Kosovo foram incriminados e julgados, escreve Carla Del Ponte, antiga Procuradora Chefe do Tribunal das Nações Unidas, no seu novo livro.

Tenho a certeza de que alguns dos oficiais de topo da UNMIK e mesmo da KFOR temeram pelas suas vidas e pelas vidas dos membros das suas missões”, disse Del Ponte… ”Penso que alguns dos juizes do Tribunal para a Jugoslávia tiveram medo de que os Albaneses poderiam vir e levá-los”, escreve Del Ponte.

No seu livro, Del Ponte fornece pormenores do seu encontro com o actual (assim chamado) Primeiro Ministro do Kosovo, Hashim Thaci, por ocasião do 5º aniversário do Tratado de Paz de Dayton, que pôs fim ao conflito na Bósnia e diz que, sentados à volta de uma mesa, Thaci admitiu que os albaneses do Kosovo cometeram atrocidades.

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“Olhei para ele nos olhos e disse-lhe que havia aberto a investigação dos crimes cometidos pelos albaneses no Kosovo. Não disse uma palavra que o pudesse implicar numa acusação contra ele, mas Thaci certamente concluiu que eu o estava a acusar, pois o seu rosto endureceu” escreve Del Ponte.

No seu livro, Del Ponte nota também que Hashim Thaci e Agim Ceku são considerados pela UNMIK e pelo KFOR como “mais do que perigosos, no que toca aos esforços de paz nos Balkans”.

“Em teoria, Thaci a Ceku podem agitar os rebeldes da minoria albanesa para iniciar a violência na Macedónia, Sérvia do Sul e outras regiões”, escreve Del Ponte no seu livro, relata a agência de notícias BETA . . .

Publicado em Republican Riot,

* Jornalista

Tradução de Francisco Lopes Pereira

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