O Real Banco da Escócia lança alerta sobre crash global na Bolsa e no Crédito

TELEGRAPH    03.Jul.08    Outros autores

São cada vez mais e mais alarmantes os alarmes para a crise económica e financeira que se avizinha a passos largos.

O Real Banco da Escócia (RBE) aconselhou os clientes a prepararem-se para um crash em grande nos mercados globais das bolsas de valores e do crédito nos próximos três meses devido à paralisação dos principais bancos centrais.

“Vamos ser apanhados por um período horrível - preparem-se”, disse Bob Janjuah, o estratega de crédito do banco.

Um relatório da equipa de investigação do banco avisa que o índice S&P 500 de acções da Wall Street é provável que caia mais de 300 pontos para cerca de 1.050 por volta de Setembro, quando se “pagar a factura” dos excessos do boom global que contagiará e alastrará à Europa e aos mercados emergentes.

Tal derrocada nas bolsas mundiais representaria uma das piores baixas de mercado dos últimos cem anos.

O RBE afirmou que o índice iTraxx das obrigações de alto nível das grandes empresas poderia chegar a 130/150, ao passo que o índice misto das obrigações de mais baixo nível podia atingir 650/700 numa nova reacção de pânico nos mercados de dívida.

“Penso que não exagero. A permanecer no mercado de crédito, é de procurar qualidade, curto prazo, nomes seguros não-cíclicos.

“O dinheiro é a garantia de bem-estar. Trata-se aqui de não perder dinheiro e não perder o emprego,” disse Janjuah, que se tornou estrela do City depois de os seus terríveis avisos do ano passado sobre a crise do crédito se terem mostrado completamente certos.

O RBE espera que a Wall Street se mobilize um pouco mais no início de Julho, antes que o breve dinamismo do impulso fiscal americano comece a esmorecer e os efeitos retardados do pico do petróleo inflijam os seus danos.

“A globalização sempre ameaçou com o risco de pôr os banqueiros do G7 numa encruzilhada perigosa. Chegámos agora lá,” disse ele.

A Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu enfrentam ambos a opção de Hobson quando os trabalhadores começam a perder o emprego e as instituições de crédito cortam nos empréstimos.

As autoridades não podem responder com dinheiro fácil, porque os custos do petróleo e da alimentação continuam a empurrar a inflação para níveis que perturbam os mercados. “O problema é que podemos necessitar de crescimento global muito inferior para termos menos inflação,” disse.

“O Fed [Reserva Federal - N.T.] está em pânico. O crédito em massa deita abaixo o Fed e talvez mesmo o BCE se afunde quando não conseguirem aumentar as taxas de juro, face a um aumento da inflação, e ambas se combinarem resultando numa enorme oferta de activos de risco,” disse.

Kit Jukes, director dos mercados de dívida do RBE, disse que a Europa não fica imune.

“A fragilidade económica alastra e os últimos dados sobre o consumo e sobre a confiança são terríveis. O BCE está determinado a aumentar as taxas.

“As sequelas políticas podem ser sérias se os ministros das finanças das economias mais fracas se atirarem ao BCE. Margens maiores entre os Bunds alemães e os mercados periféricos parecem fora de dúvida,” disse ele.

Em última instância, o banco espera que o declínio do pico do preço do petróleo como força mais poderosa da deflação da dívida tenha lugar só no próximo ano.

Este texto foi publicado no Telegraph de 18 de Junho de 2008

Tradução: Jorge Vasconcelos

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