SANTA SUBITO! Exijamos a beatificação de Santa-Ingrid da Reconquista

Georges Gastaud*    17.Jul.08    Colaboradores

Georges Gastaud

A especulação tem limites e é sobre a ultrapassagem desses limites por parte de Ingrid Betancourt e o seu anfitrião Sarkozy, ora presidente de França o texto de Georges Gastaud, filófofo marxista francês

A Senhora Betancourt é livre. Ainda bem para ela, para a sua família e para a horda dos seus adeptos mediáticos cuja boa fé não está em causa.

Diante tal acontecimento não poderíamos limitar-nos mesquinhamente a três dias de intensa lavagem ao cérebro anticomunista sobre o tema da criminalização das FARC e do marxismo. Gostaria então de propor ao outrora Ratzinger, aliás Bento XVI, que fosse magnânime com Ingrid. Tal como ele fez pelo seu antecessor, o bem aventurado destruidor da Polónia socialista, João Paulo II, peço ao Muito Santo Padre e ex-combatente da Hitler-Jugend que beatifique «santa subito» («santa já»!) a Nossa Senhora Branca Ingrid, Primeira Santa e Mártir da mundialização capitalista e da Reconquista pelo Vaticano.

Desde logo porque esta pessoa é incontestavelmente um milagre do Espírito Santo: há umas semanas anunciavam-no-la depressiva, famélica e agonizante. Aparentemente está robusta e de facto em forma(s); manifestamente o seu Corpo de Glória curou-se e alimentou-se a si próprio sem problemas, apesar dos tratamentos infernais dos demónios «marxistas» e no entanto incultos das FARC-EP.

Depois porque esta senhora soube manter, em cativeiro, o sentido dos valores verdadeiros. A prova?

Mal tinha sido libertada, Santa Ingrid agradeceu a «Deus, à Virgem e ao Exército colombiano», sem esquecer Santo Uribe da Misericórdia. O que espera então o Vaticano para canonizar todos estes paramilitares que, sob o olhar mais que benevolente do Exército colombiano e dos seus conselheiros militares norte-americanos abateram em plena rua e com completa impunidade mais de 3.000 militantes comunistas das FARC que tiveram a ingenuidade de depor as armas no início dos anos 90, quando o Messias Gorbatchov anunciava o fim da guerra fria e da luta de classes…?

Mas não é tudo. Libertada, imediatamente a Senhora de branco apelou de Paris e em francês à criminalização das FARC, a quem intimou à deposição das armas como reconhecimento da derrota e retomou o seu cântico ao Exército colombiano, agora que este é equipado, orientado e comandado pelo Pentágono (é o «Plano Colômbia», com milhões de dólares de ajuda do Tio Sam) e que os Estados Unidos puseram à sua disposição meios ultra sofisticados para acossar e fustigar por via aérea a guerrilha operária e camponesa.

Cereja no topo do bolo: Santa Ingrid, logo nas suas primeiras declarações, recordou que o verdadeiro objectivo da sua existência nunca mudou: tornar-se presidente da Colômbia. Decididamente há no mundo coisas mais importantes que os filhos, a saúde e a própria vida. Que diabo! Santa Ingrid seria tão tola que a levasse a passar irresponsavelmente duas barreiras das FARC, há seis anos, para fazer de Kouchner dos trópicos? Por que o faria se isso não lhe servisse para impulsionar a sua carreira política de grande burguesa herdeira da poderosa dinastia dos Betancourt…?

Contudo, sabemos que é Uribe, o candidato dos fascistas colombianos e dos EUA que vai, numa primeira fase, beneficiar com a libertação da Santa; a Miraculosa servirá posteriormente se Washington decidir instalar em Bogotá uma «personalidade ecologista mundial» (de que se está à espera em Estocolmo para lhe atribuir o Nobel da Paz?) para combater Chavez, Raul Castro, Morales e a esquerda revolucionária latino-americana.

Decididamente invejamos o povo colombiano por ter para o guiar uma reincarnação de Joana D’Arc e da Dama do Licórnio. Mas porque nos zurzem constantemente que Ingrid é «franco-colombiana» (embora não seja exactamente assim) sugerimos humildemente à Santa que se apresente às presidenciais francesas enquanto que a Senhora Royal, que de guerrilhas apenas conhece a sua guerra de pantufas contra Delanoe, saltaria de paraquedas sobre Bogotá de saltos altos e finos e de vestido Chanel.

Para o «Uribe» francês, há já em Paris o que é preciso; a transposição é possível mas desnecessária, visto que para impor a ordem euro-liberal em França o Eliseu não tem nenhuma necessidade de paramilitares nem de aniquilar os dirigentes sindicais franceses, cada vez mais «razoáveis»… O «diálogo social» resultante das cada vez maiores restrições ao direito à greve será, para já, suficiente!

* Georges Gastaud é amigo e colaborador de odiario.info

Traduzido por Miguel Soares

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