Janeiro de 1937*

Filipe Diniz    29.Ene.17    Colaboradores

No mês de Janeiro de 1937 concentraram-se decisões de vários países europeus e dos EUA que isolaram a Espanha republicana. Apenas lhe restou a longínqua URSS e a solidariedade internacionalista dos povos. A burguesia “democrática” traiu um povo em armas, cedeu perante a ameaça nazi-fascista, e capitularia pouco depois em Munique.

Há 80 anos a Guerra Civil de Espanha entrava num período decisivo. A sublevação franquista concentrava a ofensiva em Madrid. Dispunha de fortíssimo apoio militar da Alemanha nazi e da Itália fascista.

E que faziam nesse mês outros países? Eis algumas efemérides:
2 de Janeiro – a Grã-Bretanha e a Itália assinam um «acordo de cavalheiros» assegurando o mútuo respeito pelos direitos e interesses respectivos no Mediterrâneo e pela «independência e integridade» da Espanha.

8 de Janeiro – Roosevelt assina uma adenda ao Neutrality Act embargando o envio de armas para Espanha. Integra-se na linha do «pacto de não-intervenção» entre França e Inglaterra, que impede o governo republicano de lhes comprar armas. Desde 1936 que grandes empresas dos EUA forneciam aos franquistas viaturas e combustíveis em condições altamente favoráveis.

11 de Janeiro – os EUA invalidam todos os passaportes para Espanha. O Batalhão Lincoln, integrado nas Brigadas Internacionais, tivera já uma destacada intervenção na defesa de Madrid.

14 de Janeiro – o nazi Herman Göering reúne-se em Roma com Mussolini e Ciano para discutir a Guerra Civil em Espanha. Em Fevereiro desse ano as milícias fascistas italianas em Espanha (Corpo di Truppe Volontarie, CTV) têm 48 mil efectivos, quatro mil veículos, 542 canhões, 248 aviões.

21 de Janeiro – a França embarga o envio de armas e de voluntários para Espanha. No ano anterior, mais de 50 por cento da produção soviética de armamento fora enviada para Espanha.

31 de Janeiro – o Batalhão Dimitrov junta-se à XV Brigada Internacional.

Em muito lado, nos dias de hoje, boas almas se alarmam com a ameaça da extrema-direita e do fascismo. Em alguns casos já não se trata de simples ameaça. Mas muitas dessas boas almas conduzem uma linha de criminalização e repressão anticomunista, patrocinam políticas que fazem tábua rasa dos direitos dos trabalhadores e dos povos, empreendem ou participam em agressões militares contra países soberanos para desalojar governos que lhes desagradam.

A lição de Janeiro de 1937 é inteiramente actual. Não é na burguesia mas no movimento operário e popular que residem as forças determinantes para combater o fascismo. Foi assim no passado. É assim nos dias de hoje.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2252, 26.01.2017

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