Jornalista da CNN diz que a cadeia recebe pagamento por publicar notícias falsas

Agencias / La Haine    19.Mar.17    Outros autores

O que publicamos hoje é estritamente noticioso, sobre um tema frequentemente abordado em odiario.info: o papel dos grande media na estratégia do imperialismo e na cumplicidade com os regimes que o imperialismo protege, por mais sanguinárias ditaduras que sejam. A particularidade consiste em esta denúncia partir do interior da própria CNN.

A jornalista Amber Lyon converteu-se em importante “whistleblower” (alertadora), ao revelar como os governos pagam aos media para que falsifiquem noticias, publica esta quinta-feira a Venezolana de Televisión (VTV).

Lyon demitiu-se da cadeia estado-unidense CNN depois da sua reportagem ‘Revolution’, onde mostrava as atrocidades do regime de Bahrein, não ser retransmitida na CNN Internacional devido a pressões do Governo daquele país.

A jornalista veio depois a saber que este país pagava elevadas quantias à CNN para ser apresentado de forma favorável. Apesar do elevado custo do documentário em comparação com a maioria das reportagens jornalísticas - mais de 100 mil dólares - não foi transmitido.

Tendo vivido na própria carne o que ocorria neste país do própria Médio Oriente, Lyon verificou claramente que a cobertura que a CNN transmitia quotidianamente era completamente falsa.

Lyon crê que países como o Bahrein e outros pagam milhões de dólares para mostrar um conteúdo que é supostamente objectivo. Isto é algo que ocorre regularmente: infomerciais para ditadores. Mas também para promover as novas movimentações naa estratégia geopolítica dos EUA, denuncia Lyon.
Num vídeo de 2015 de RT em inglês (https://youtu.be/CFDC7zmJgQg) podia já ver-se como a CNN edita os acontecimentos políticos para fazer avançar uma propaganda bélica. Vemos a diferença na forma como cobrem os discursos do primeiro-ministro do regime de Israel, Benyamin Netanyahu, e do ex-presidente de Irão Mahmud Ahmadineyad na Organização das Nações Unidas (ONU), com um claro desvio a favor do dirigente israelita.

“Preocupa-me que se encaminhem os cidadãos para um novo conflito através de coberturas selectivas… Ahmadineyad estava na realidade a dizer que havia caminhos para a paz, mas isso foi omitido pela CNN. Ao mesmo tempo reforça-se a mensagem prefabricada com filmes como ‘Argo’, que criam uma propaganda bélica a favor de certos interesses”… Trata-se de uma retórica “que conduz à guerra, tal como ocorreu com o discurso das ‘armas de destruição massiva’”, que foi utilizado para lançar a guerra contra o Iraque, sublinha Lyon.

Os factos que Lyon ha observou na CNN são a norma e não a excepção, especialmente em países como México, onde o presidente tem fortes laços com a mais importante emissora de televisão do país.

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