Madrid: Crónica da concentração de repúdio pelo ataque do governo fascista de Kiev contra a resistência no Donbass

.    28.Feb.17    Outros autores

Em Madrid, duas iniciativas afirmaram o repúdio popular pelos fascistas instalados no governo em Kiev: uma concentração denunciando os criminosos bombardeamentos de que a população civil do Donbass vem sendo alvo, e a rejeição, por parte dos adeptos do Rayo Vallecano, da contratação de um futebolista ucraniano amplamente conhecido pelas suas simpatias nazis.

Em 5 de Fevereiro, mais de cem pessoas de diversos grupos antifascistas e anti-imperialistas convocadas - em menos de 48 horas e com o mais absoluto silêncio mediático - pelo Fórum contra a Guerra Imperialista e a NATO reuniram-se frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para se solidarizar com o povo do Donbass, bombardeado desde 2 de Fevereiro pelo governo fascista da Ucrânia.

O Madrid antifascista volta a dizer NO PASARÁN.

Às sete da tarde de domingo, empunhando fotografias que mostravam as casas e as ruas bombardeadas, foi desenrolado um grande cartaz: “Ucrânia bombardeia civis”, “Donbass resiste” “UE cúmplice”. O objectivo era mostrar a destruição causada pelo impacto de mais de mil mísseis e obuses lançados pelo governo de Kiev sobre Donetsk e outras cidades do Donbass.

Não à NATO, fora com as Bases.

Foram lidos dois comunicados, um dos quais o que chegou de comunistas ucranianos para agradecer a acção de denúncia do colectivo Bucaneros contra um jogador fascista ucraniano contratado pelo seu clube e que culminou com a renúncia deste (reproduzido abaixo).

Um companheiro nascido no Donbass relatou a penúria que a população de Donetsk suporta neste momento, sem luz, sem água e com um frio extremo, para além das bombas e mísseis lançados pelo exército ucraniano. Agradeceu ainda a solidariedade internacionalista que, sob a forma de ajuda humanitária, está a chegar às milícias populares da República Democrática do Donbass vinda de diferentes lugares do Estado espanhol.

O governo da Ucrânia desencadeou esta barbárie, apoiado e sustentado pela UE e a NATO, na sua demencial trajectória visando castigar e isolar a Rússia, a quem responsabilizam por esta situação.

As pessoas concentradas exigiram ao governo de Espanha que cesse imediatamente o apoio ao governo fascista de Poroshenko e seus cúmplices.

Após informar das últimas notícias que indicam que o exército da Ucrânia está a preparar uma ofensiva militar de grande escala, foi feito um apelo às pessoas convocadas a que permaneçam alerta, a que procurem informação em meios independentes e a que intensifiquem a solidariedade material com o povo do Donbass.

Ángeles Maestro, na qualidade de porta-voz do Fórum contra a Guerra Imperialista e a NATO, disse que a concentração tem a intenção de “denunciar a cumplicidade da União Europeia com o Governo nascido do golpe de Estado em Kiev, sustentado e inclusivamente constituído por gente de ideologia nazi”.
Os assistentes na concentração vieram manifestar-se com pancartas que continham imagens de edifícios em ruinas devido aos impactos da artilharia do exército ucraniano em diversas zonas do leste de Ucrânia. (v. também: https://mundo.sputniknews.com/foto/201702031066683105-donetsk-ataques-ucranianos-consecuencias/)

Durante a manifestação, os assistentes lançaram palavras de ordem como “fascismo fora do Donbass “, “não à NATO, fora com as bases” ou “o Donbass vencerá”.

“Expressamos a nossa solidariedade internacionalista e antifascista com o Donbass, sobretudo sendo conscientes de que Madrid tem uma divida para com os jovens ucranianos que vieram lutar a Espanha na Guerra Civil”, afirmou Ángeles Maestro.
“Está a ser preparado um importante cerco em torno das posições das milícias populares no Donetsk e o Conselho de Segurança da ONU deveria ser convocado para abordar a situação antes que possam vir a ser iniciados ataques em maior escala”, manifestou a activista.

Para além da cessação das relações diplomáticas com a Ucrânia, a plataforma exigiu que a Espanha ponha fim a “todo o apoio político ou militar directo ou indirecto, seja através da União Europeia ou da NATO, ao Governo criminoso de Kiev”.
Na opinião dos ali reunidos, a actual “ofensiva fascista na Ucrânia” tem como um dos seus principais alvos a população civil, contra a qual se aplica uma “operação punitiva” que se integra nas políticas de “castigo à dissidência” auspiciada pelos “sectores ultranacionalistas e que apoiam o presidente Poroshenko”.

¡Não passarão! A luta dos povos contra a exploração é uma só luta e derrotará o fascismo.

COMUNICADO DOS COMUNISTAS UCRANIANOS AOS ADEPTOS
DO CLUBE DE FUTEBOL “RAYO VALLECANO”.

Companheiros.

Nós, comunistas ucranianos da Unificação Borotba, expressamos o nosso agradecimento pela vossa posição de princípio relativamente ao futebolista ucraniano Roman Zozulya.

Efectivamente, R. Zozulya é um nacionalista ucraniano que nunca ocultou as suas convicções, até porque na Ucrânia actual isso só o ajudou na sua carreira. Ele apoiou o golpe em Kiev, no qual as claques de extrema-direita das equipas do futebol ucraniano faziam parte dos grupos de choque. O clube de futebol “Dniepre” a que pertencia Zozulya é propriedade de um dos maiores capitalistas ucranianos, Igor Kolomoisky, que subsidiou as claques neonazis, responsáveis pela matança de 2 de Maio de 2014 em Odessa e numerosos outros crimes sangrentos.

Zozolya apoiou todos estes anos a guerra contra o Donbass, angariando fundos para o exército e os batalhões nacionalistas. Foi filmado no vídeo promocional do batalhão “Azov”, amplamente conhecido pela sua ideologia nazi e racista, que agora faz parte do Ministério do Interior. Vadim Troyan, um dos líderes do “Azov”, dirige actualmente a polícia nacional. Neste vídeo Zozulya apela à continuação da guerra até à vitória final.

Também participou no assédio e perseguição do conhecido veterano do futebol ucraniano Victor Leonenko. Depois de tomar conhecimento que Leonenko tinha criticado a sua actuação num jogo, Zozulya publicou no seu Facebook uma fotografia de Victor com a faixa de São Jorge - símbolo da Vitória em 1945 - acompanhada da pregunta ¿porque não é mobilizado para o exército? E por último: Zozulya nunca ocultou as suas simpatias por S. Bandera - líder dos colaboracionistas do OUN, fiéis admiradores da ditadura de F. Franco.

A esquerda ucraniana conhece e respeita a história de “Rayo Vallecano”, um clube con tradição de espírito de classe do conhecido bairro operário de Madrid. Sabemos que os adeptos do “Rayo” desenvolveram durante muitos anos iniciativas sociais e disponibilizaram solidariedade e apoio aos que lutavam contra a exploração e discriminação, tal como rechaçavam os nazis nas ruas da capital. O vosso gesto, que colocou R. Zozulya no seu lugar, tem muito significado para os comunistas ucranianos que resistem ao regime mais direitista da Europa actual. Depois do Maidan as organizações comunistas foram perseguidas e brutalmente excluídas da legalidade política. Alguns militantes foram assassinados, as sedes dos partidos destruídas, muitos activistas detidos e maltratados, outros foram vítimas dos ataques da extrema-direita, muitos tiveram que abandonar o país ou passar à clandestinidade.

A lei da “descomunização” permitiu ilegalizar oficialmente os partidos comunistas, a simbologia de esquerda e a própria ideologia enquanto tal. Milhares de monumentos da época soviética com grande valor histórico-cultural foram destruídos. No centro de Kiev foi vandalizada a sepultura colectiva dos operários da fábrica “Arsenal”, assassinados pelos nacionalistas durante a revolução. Foram mudados os nomes a centenas de ruas, praças, cidades e povoações que tinham os nomes de destacados revolucionários e resistentes antifascistas.

As reformas neoliberais e o monstruoso aumento do custo de produtos e serviços, consequência dos empréstimos usurários do FMI, lançaram milhões de pessoas na miséria e na emigração. Ironicamente, o clube “Dniepre” onde jogava Zozulya vai ser encerrado em breve, uma vez que o seu dono, o oligarca Kolomoisky (que aumentou a sua fortuna graças à guerra civil) não quer pagar as suas dívidas, incluindo aos treinadores espanhóis.

Estas são as consequências do poder dos nacionalistas. O vosso protesto contra o reaccionário Zozulya ajuda na luta contra este regime. Os nacionalistas ucranianos estão indignados com a vossa atitude - os media da direita apresentam os adeptos do “Rayo” como agentes de Moscovo e gente inculta e ignorante de um arrabalde operário, influenciada pela propaganda comunista. Mas há muita gente que compreende que em Espanha muitos vêm no protesto contra Zozulya uma sonora bofetada no extremismo e a rejeição do chauvinismo e militarismo.

Estamos conscientes de que se exerce hoje sobre vós uma enorme pressão. Faz-se uso da calúnia e distorção dos factos, tenta-se camuflar a ideologia real de Zozulya e apresentar os “Bucaneros” como delinquentes perigosos - quando é o regime ucraniano quem chegou ao poder graças às claques de extrema-direita que assassinam e violam na guerra do Donbass. Compreendemos que os proprietários do vosso clube pensam nos seus interesses e que se unirão a esta pressão juntamente com os chefes da associação da Liga de futebol e a imprensa, que mente sobre os factos da tragédia ucraniana. Mas estamos convencidos de que a vossa justa causa, que é observada por todos os adeptos antifascistas europeus, triunfará.

¡Abaixo o chauvinismo, racismo, clericalismo e o capitalismo!
¡Viva a República!
¡No pasarán!

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