MPLA mobilizado para novas vitórias

É já num ambiente de normalidade e de cumprimento de calendário eleitoral que o Estado angolano prepara a próxima eleição presidencial. O MPLA iniciou já a sua campanha eleitoral para a quarta eleição presidencial do país, a primeira a que não concorre José Eduardo dos Santos.

O MPLA está mobilizado e a trabalhar arduamente para conquistar uma nova vitória nas eleições deste ano e continuar a governar Angola na senda da paz e do desenvolvimento.

O candidato do partido à presidência da República, João Lourenço, que tem multiplicado as deslocações por todo o país, intervindo em comícios e contactando as populações, desafiou a oposição a acompanhar a sua caminhada nos próximos meses de campanha eleitoral.

Discursando no Cuíto, capital da província do Bié, perante milhares de pessoas, o cabeça de lista do partido da independência reafirmou, na semana passada, que o MPLA é o único partido em condições de continuar a governar Angola. Fustigou a oposição por não apresentar propostas alternativas e por limitar-se a criticar «os que fazem e os que andam pelo país a dialogar». Pediu aos apoiantes para não darem ouvidos aos ataques da oposição, «que não tem pernas para andar e passa a vida na intriga». E, segundo o Jornal de Angola, desafiou os adversários: «Quem tiver capacidade que nos siga e veremos quem chegará primeiro à meta».

Vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa, João Lourenço tem manifestado a disponibilidade de o partido trabalhar, no quadro constitucional e da realidade democrática e pluralista do país, «em harmonia com todos os angolanos, para a construção do bem-comum» e a respeitar «pontos de vista diferentes» que contribuam para o desenvolvimento. A criação de emprego, o investimento na formação da juventude, o elogio do trabalho, do mérito, da competência e da dedicação, o combate à corrupção, às desigualdades sociais e às assimetrias regionais têm sido outros aspectos focados pelo candidato.

As eleições gerais angolanas (presidenciais e legislativas) deverão realizar-se até finais de Agosto próximo. Será o quarto sufrágio da Angola independente, depois da ida às urnas em 1992 e, finda a guerra civil, em 2008 e 2012.

O governo tem em curso, desde o ano passado, uma alargada operação de actualização do registo eleitoral, que se prolongará até finais de Março, procurando mobilizar os cidadãos a participar e a votar. Trata-se de um sistema «dos mais transparentes» do mundo, segundo o ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, que é o candidato do MPLA a vice-presidente da República. Em meados de Fevereiro findo, estavam registados perto de oito milhões de eleitores.

MPLA favorito

A agência noticiosa Angop divulgou um trabalho sobre as próximas eleições e atribui o favoritismo ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde 1975. Favoritismo, tanto pelo seu papel na conquista da independência e na defesa da integridade de Angola como pela sua acção constante na consolidação da paz e na construção do desenvolvimento do país.

As principais forças da oposição são a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), de Isaías Samakuva, e a Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE), liderada por Abel Chivukuvuku, segundo e terceiro grupos parlamentares. O Partido da Renovação Social (PRS), liderado por Eduardo Kuangana, que elegeu três deputados em 2012, e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), chefiada por Lucas Ngonda, com dois representantes parlamentares, concorrem igualmente.

Estas e outras formações oposicionistas (a seis meses das eleições há 11 partidos e uma coligação registados no Tribunal Constitucional) não deverão conseguir impedir uma nova vitória eleitoral do MPLA, com ampla maioria.

O actual líder do MPLA e presidente da República, José Eduardo dos Santos – desde 1979, quando substituiu Agostinho Neto, líder histórico do movimento e o primeiro presidente da então República Popular de Angola – não concorre à reeleição.

Vencendo o MPLA as próximas eleições, o presidente da República será João Lourenço. Natural do Lobito, com 63 anos, é general na reserva e licenciado em História, tendo estudado na União Soviética. Desempenhou altos cargos no partido, nas Forças Armadas e no Estado.

Tudo aponta, pois, para que em breve a maioria do povo angolano renove a confiança no MPLA nas urnas, uma vez mais. Possibilitando que prossiga – apesar das dificuldades actuais causadas pela acentuada queda dos preços do petróleo, apesar do pesado fardo da herança colonial que tem vindo a ser ultrapassada progressivamente, apesar da permanente campanha de ingerência do imperialismo e seus agentes nos assuntos internos do país – a construção de uma Angola cada vez mais próspera e justa.

Este texto foi publicado no Avante nº 2.257, de 2 de março de 2017

* Jornalista