O comandante das FARC Jesús Santrich adverte o ELN de que não seja ingénuo face ao Estado colombiano

Jesús Santrich    14.Jun.17    Outros autores

Este importante conjunto de entrevistas de um destacado comandante das FARC traz relevantes informações sobre a aplicação do Acordo de paz de Havana. As advertências que Jesús Santrich dirige ao ELN são particularmente esclarecedoras. E, como lembra às FARC e ao povo colombiano, vêm aí tempos muito difíceis. Como se trata da transcrição de diferentes entrevistas video, existem algumas – inevitáveis - repetições de conteúdo.

BOGOTA-TEGUCIGALPA / 2017-06-04 / Numa extensa entrevista de uma hora, o membro do Estado Maior Central das FARC-EP, Jesús Santrich, adverte o povo de Colômbia que a sabotagem por parte de diferentes sectores do Poder Fáctico na Colômbia ao Acordo de Paz assinado, estão a levar p processo e o Acordo à “sua pior crise”. Na entrevista adverte também os “Aliados Estratégicos”, ou seja os comandantes e guerrilheiros do ELN a que estejam alerta face às armadilhas que um Estado historicamente traiçoeiro pode estar a preparar para processo de paz com ELN.

“Eu diria ao ELN; ¡Que avalie com muito detalhe o que está a ocorrer! Porque não podemos cair em posições ingénuas”

“Se efectivamente não se verificam as mudanças que foram consignadas nos acordos de Havana, não haverá paz na Colômbia.
Se não há cumprimento desse Acordo creio que, repito, as expectativas do processo ir-se-ão diluindo.
De algo pode o nosso povo estar absolutamente seguro: é que nós não vamos trair a nossa luta.
Há muita incerteza por parte dos combatentes das Farc.
O sagrado direito dos Povos à Rebelião Armada mantém-se incólume enquanto houver regimes opressores. E na Colômbia esse direito não está vedado às massas.
Sobretudo, se nós depois de meio século de resistência aceitamos e acreditamos na palavra do governo, e ela não é cumprida.”

Jesús Santrich (Farc) adverte o ELN a não ser ingénuo face ao Estado colombiano

EM JULHO DE 2012 ENTREVISTAMOS Jesús Santrich no seu acampamento no norte da Colômbia, sendo um dos comandantes do Bloque Caribe das FARC-EP. Nessa época não tínhamos ideia de que membros seleccionados do Secretariado tinham conversações secretas com representantes do governo de Juan Manuel Santos. Sondavam a possibilidade de abrir as conversações de paz. Essas conversações duravam já há quase dois anos. Três meses depois da nossa entrevista com Santrich foi oficializado o Processo de Paz entre o Estado Colombiano e uma delegação da guerrilha das Farc, encabeçada por Iván Márquez. É evidente que Jesús Santrich tinha conhecimento dessas conversações. Apesar de isso afirmou nesse dia de Julho de 2012:
”Eu tenho a convicção de que na Colômbia, se não há uma resistência armada perante esse regime de terror imposto durante décadas, é impossível que haja essas mudanças de que as maiorias nacionais necessitam. (. . .) O surgimento da resistência armada é uma consequência da imposição de um regime de terror na Colômbia. Se esse regime cessa e se cessam as suas profundas consequências de ordem social, indubitavelmente a luta armada tem que cessar”.
A primeira pregunta que lhe formulamos agora, em 4 de Junho de 2017 é:
¿O regime cessou essas consequências para impedir um novo ressurgimento da resistência armada?

– Dick, a minha concepção e visão continua sendo exactamente a mesma. Agora a organização (as Farc) tomou a determinação de seguir uma via de busca de mudanças sociais, deixando de lado as armas, é uma posição maioritária que eu perfilho, mas entendo, penso, tenho a certeza de que o direito de Rebelião Armada não se encerra devido a esta decisão das Farc. E tenho ainda a convicção de que se efectivamente não se dão as mudanças que foram consignadas nos acordos de Havana não haverá paz na Colômbia. E de alguma forma a Resistência vai continuar, se não é pelas mãos das Farc, (será) pelas mãos de sectores populares que não vão permitir que se mantenha o Terrorismo de Estado e se mantenham as injustiças, afirma o comandante Santrich.

A greve de Buenaventura

E as mesmas circunstâncias e realidades da Colômbia de 2012 permanecem tão óbvias no momento da entrevista de 2017. Com uma Greve sem prazo definido do magistério com 200.000 professores nas ruas todos os dias no território nacional, com a Greve Cívica na cidade portuária mais importante da República, Buenaventura (levantada na terça-feira 6 de Junho). Não se distingue muito da situação social, económica e de repressão do ano de 2012.
– A única coisa que varia é um compromisso escrito do governo de gerar as condições que permitam as mudanças sociais que possam conduzir-nos à paz. Mas reitero; se esses compromissos que estão escritos não se realizam parece-me que haverá uma situação bastante complicada de confrontação social no país. De momento as mudanças não se verificaram, nem sequer a implementação dos acordos, em sinuosa realização.
Temos tido muito traumatismo, diz Santrich e menciona la ausência de grande parte das construções de casas e edificações nos Pontos de Concentração e de Normalização dos guerrilheiros a que governo se comprometeu no Acordo de Paz.
Nós mesmos testemunhámos, tanto no “Ponto de Concentração e Normalização Amaury Rodriguez”, baptizado com o nome de um guerrilheiro caído em combate, no corregimento de El Conejo no departamento de Guajira bem como no município de Icononzo que o Estado falhou no seu compromisso com a Paz. Grande parte dos sete mil guerrilheiros que desde o mês de Dezembro de 2016 estariam albergados nessas casas vivem ainda nas suas “caletas” nos acampamentos levantados ao lado dos “Pontos de Concentração e Normalização”.

Os Prisioneiros de Guerra que ainda estão nos cárceres

Menciona que em 30 de Dezembro de 2016 foi assinada a lei de amnistia de vários milhares de guerrilheiros presos mas apenas 250 saíram das prisões em resultado dessa lei.
– Sim, há 500 fora mas por outras vias como indulto, liberdade condicional, transferências, mas a maior parte dos combatentes que devem estar em liberdade, não o está.

O Golpe de Estado do Tribunal Constitucional

– A Jurisdição Especial para a Paz (JEP) que ia ser aprovada através de um acto legislativo e o resto do corpo normativo estão em suspenso devido à atitude, penso que contra o Acordo, por parte do Tribunal Constitucional. Estamos no ponto de pior crise deste processo desde que se iniciou em Havana.
As declarações do comandante guerrilheiro coincidem quase de forma idêntica com as expressões de sectores populares e historiadores sérios, ou seja denunciando o carácter traiçoeiro do Estado Colombiano. As próprias Farc muitas vezes confirmaram e exprimiram durante os seus 53 anos de existência esse carácter desonesto do Estado. Há umas semanas o Tribunal Constitucional confirmou esse carácter e executou na prática um golpe de estado contra a assinatura do Acordo de Paz e seu conteúdo.

¿Era uma ingenuidade por parte do Secretariado das Farc confiar nesse Estado?

– O que nos moveu como organização a procurar um entendimento com o governo de Santos são duas questões fundamentais. Primeiro, a procura de uma solução dialogada faz parte da estratégia das Farc, faz parte da estrutura da convicção e da concepção de luta das Farc. Por isso não é conjuntural que durante toda a história da nossa organização se tenha procurado forma de chegar a um entendimento dialogado e negociado.

– O outro aspecto é que há um profundo desejo popular de acabar com a sangria irracional com uma confrontação bastante intensa e com uma vitimização que tocou todas as famílias do país.
– Mas depois haveria que procurar o Acordo que se comprometesse em mudanças estruturais. Há um acordo que a correlação de forças na Colômbia não permitiu que fosse mais profundo, mais estrutural se se quiser, mas que creio pode dar as bases para que se entre em aspectos de fundo.

“As expectativas do processo ir-se-ão diluindo”

– Não obstante, se não há cumprimento desse Acordo creio que, repito, as expectativas do processo se irão diluindo. Neste momento eu falo de crise, porque há muita incerteza por parte dos combatentes, há muita incerteza da parte dos sectores populares, continua a haver um profundo desejo de paz, se quiser uma profunda fé na paz e digo fé porque há bases reais para a sua sustentação. Há uma situação bastante complicada. O mais positivo é a vontade de paz da insurgência, a determinação da insurgência.
Mas, prossegue Santrich, construir a paz não depende só da insurgência das Farc, depende fundamentalmente do compromisso político do governo, de que haja disposição e acção política do governo e não só do governo como do conjunto do Estado.
– Temos dito varias vezes que pareceria que o estado está muito articulado para fazer a guerra mas o que neste momento se coloca é que a implementação do acordado apresenta uma espécie de desarticulação do Estado perante a necessidade de tomar decisões de paz. ¿Como? É que por um lado actua o Tribunal (Constitucional), por outro actua o Ministério Público e as Forças Militares têm as suas próprias posições. Eu não tenho a ilusão de que seja possível conquistar a paz. É um terreno em disputa e devemos estar disponíveis para levantar uma luta que vai ser muito mais complicada que a luta armada.

O paramilitarismo entra em território das Farc de braço dado com as transnacionais

Durante um mês (25 de Abril-24 de Maio) percorremos grande parte da geografía nacional. O testemunho das pessoas é um só: Onde as Farc estiveram (em 242 municípios dos mais de 1000) entrou paramilitarismo em das mineiras, das hidroeléctricas e dos latifundiários. Em El Tiempo um sociólogo relatava o que exprimira uma camponesa no departamento de Meta: ¡“Devolvam-nos as Farc”, porque a violência a delinquência se tornara insuportável”! [http://www.eltiempo.com/politica/proceso-de-paz/entrevista-de-maria-isabel-rueda-a-ariel-avila-sobre-las-zonas-de-las-farc-87994].

Em entrevistas nossas a investigadores nos municípios de Medellín ou do Bajo Cauca no departamento de Antioquia as declarações são iguais; o paramilitarismo já é poder. Onde líderes populares se atrevem a questionar esse poder, são eliminados.

O Estado oferece uma renegociação do Acordo de Paz

¿Que leitura fazem as Farc do facto de que agora entram os grupos aliados ao serviço do Poder Fáctico onde anteriormente as Farc eram Poder?
– É uma leitura correcta que factos tangíveis ilustram. O senso comum indica-te que não se deram as mudanças que estão consignadas no Acordo de Paz de Havana. Por isso te digo que estamos en momento de profunda crise, porque em vez de se darem essas transformações estamos vendo uma espécie de regressão. Os Acordos estão em suspenso devido ao estado generalizado de incerteza.

“Eu diria ao ELN; ¡Que avalie com muito detalhe o que está a ocorrer! Porque não podemos cair em posições ingénuas”
“Se efectivamente não se dão as mudanças que foram consignadas nos acordos de Havana, não haverá paz na Colômbia.
Se não há cumprimento desse Acordo creio que, repito, as expectativas do processo se irão diluindo.
De algo pode o nosso povo estar absolutamente seguro: é que nós não vamos trair a nossa luta.
Há muita incerteza por parte dos combatentes das Farc.
O sagrado direito dos Povos à Rebelião Armada mantém-se incólume enquanto houver regimes opressores. E na Colômbia esse direito não está vedado às massas.
Sobretudo, si nosotros después de meio siglo de resistência aceitamos y cremos en la palavra do governo, y se nos incumpre. . .”

BOGOTA-TEGUCIGALPA / 2017-06-04 / Numa extensa entrevista de uma hora, o membro do Estado Maior Central das FARC-EP, Jesús Santrich, adverte o povo de Colômbia que a sabotagem por parte de diferentes sectores do Poder Fáctico na Colômbia ao Acordo de Paz assinado, estão a levar p processo e o Acordo à “sua pior crise”. Na entrevista adverte também os “Aliados Estratégicos”, ou seja os comandantes e guerrilheiros do ELN a que estejam alerta face às armadilhas que um Estado historicamente traiçoeiro pode estar a preparar para processo de paz com ELN.

Jesús Santrich (Farc) adverte o ELN a que não seja ingénuo face ao Estado colombiano

Santrich enumera cinco factores que explicam a actual situação que, de certa forma, é de nem guerra nem paz na Colômbia.

O primeiro factor é que, em vez de implementação do Acordo, Santrich sustenta que agora a etapa se caracteriza por ser de “renegociação” do Acordo, o que, considera, “é absurdo porque se está a incumprir fundamentos, princípios centrais universais.

A segunda característica é a “Insegurança Jurídica” em que não existe certeza actual devido à correlação de forças no Tribunal Constitucional, onde la maioria dos magistrados obstrui partes centrais do Acordo e a aplicação do Acordo de Paz, processando artigo por artigo. As “vítimas” são os acordos de amnistia e a Justiça Especial pela Paz (JEP). Chegar-se ao extremo, diz Santrich, poderia significar que os guerrilheiros são colocados no banco dos réus pela Justiça Ordinária, violando por completo o acordo do JEP, arriscando inclusivamente extradições para os EUA.

O terceiro factor que o comandante Santrich menciona é o de “um estado de insegurança pessoal absoluto”. Prossegue a guerra suja e aumentam os assassínios de dirigentes populares e o Estado nega o facto de que existe uma sistematização dessa guerra suja contra o movimento popular.

A quarta característica é a “Insegurança Económica”. Não há certeza de para onde vão os guerrilheiros quando terminar o processo de deposição de armas, que durante a nossa estadia na Colômbia foi prolongada por 20 dias no caso das armas dos guerrilheiros e dois meses no caso das 900 “caletas” (arsenais guerrilheiros ) em diferentes partes do país. “Não há alternativas de vida para os combatentes, nem mudanças sociais profundas para as comunidades já em realização”, agrega Santrich.

O quinto factor que menciona é o financiamento do processo. Não há orçamento nos diferentes níveis do governo para a implementação do Acordo subscrito em Havana. Só há promessas.

¿Terra para os guerrilheiros camponeses?

Tanto Santrich como Iván Márquez declararam recentemente aos meios de comunicação a sua reivindicação de terra para os guerrilheiros. “Sendo o problema da terra o nó do conflito, estranhamos que não se atribua terra aos guerrilheiros camponeses”, disse Márquez, citado pelo diário El Tiempo, recordando que essa tem sido uma reivindicação histórica das Farc. [http://www.eltiempo.com/politica/proceso-de-paz/farc-pide-tierras-para-guerrilleros-que-salgan-de-sus-filas-94986]. Santrich agregou: “Necessitamos que haja uma garantia quanto a terra e projectos produtivos para que o guerrilheiro tenha onde fixar-se e ter um caminho certo de reintegração”.

O decreto que Santos promulgou, e que tem sido sido motivo de polémica, e uma lei que proximamente será avançada no Congresso permitirão distribuir 3 milhões de hectares para 800.000 famílias que não tiveram acesso ou têm muito pouca terra, e será formalizada a propriedade de 7 milões de hectares.

El Tiempo conclui que “está claro que não haverá terra para guerrilheiros das Farc, apenas para alguns dos seus integrantes já convertidos em civis que regressarão às suas famílias ou se agruparão com outros ex-combatentes para a produção agrícola”.

¿Mini-reforma agraria para 7 000 guerrilheiros?

Segundo números oficiais são sete mil (7.000) combatentes concentrados no território nacional. De entre eles a República de Cuba oferece mil (1000) vagas a combatentes para estudar medicina na ELAM (Escola Latino-americana de Medicina). ¿Qual é problema de entregar terra aos guerrilheiros com raízes camponesas dos três milhões de hectares que serão distribuídos, segundo o Acordo?

– Isso indicaria o senso comum. Mas parece que o Estado colombiano não possui essa característica. Estão a preocupar-se mais com o destino das armas do que com o destino dessa população de ex. combatentes que deve reincorporar-se na sociedade civil. Mas não estão dando as garantias suficientes.

– O problema da terra na Colômbia é um dos problemas centrais do levantamento armado. Na Colômbia mantem-se a estrutura em que cerca de um terço do país está nas mãos do latifúndio ganadeiro, 50 por cento da gente que trabalha no campo não tem terra. Sessenta por cento (60%) dos camponeses com micro-minifundos não os registaram. Sete milhões de hectares são para o registo da terra e três milhões de hectares para distribuição. Mas nem o primeiro hectare foi já realizado. Não parece que haja planos por parte do governo de incluir esses sete mil guerrilheiros. Se fossem dez hectares, digamos, não seriam mais de 70.000 hectares aquilo que necessitaríamos, diz Santrich com indignação na voz.

“A Locomotiva das Mineiras e a estrangeirização” da terra

Segundo o discurso inaugural de Iván Márquez em Oslo em 20 de Outubro de 2012, dos 114 milhões de hectares que o país possui, 38 milhões são destinados às petroleiras, 39,2 milhões estão nas mãos de latifundiários e ganadeiros, 11 milhões de hectares são controlados pelas transnacionais mineiras. A parte cultivável da terra regista 21.5 milhões de hectares, mas “somente 4.7 milhões deles estão dedicados à agricultura”, ou seja, a produzir comida.

E o processo de “estrangeirização ainda não culminou”, denuncia Santrich e sublinha a política de Santos ao serviço da “Locomotiva de Mineiras e Hidroeléctricas”, repudiada pelo povo colombiano onde quer que essa Locomotiva tenha chegado.

– Não há uma mudança de rumo por parte da institucionalidade e do Estado e sem isso não poderíamos falar de um processo de paz com êxito. Isso não geraria qualquer dissuasão para forças que se mantêm activas como o Exército Nacional de Libertação (ELN). Eu sempre pensei que a ideia das duas mesas num mesmo processo que permitiria inserir o ELN no fluxo da reconciliação, seria um estado de coisas ideal. Mas tal como está a decorrer o desenvolvimento da implementação (com as Farc) parece-me que não me atreveria a recomendar ao ELN que desse um passo no sentido da reincorporação se não começam a corrigir esta quantidade de falhas, que tanto pode ser por inépcia, por ineficácia estatal ou também, seguramente, pode ser produto de uma estratégia para nos submeter.

¿Quer dizer o carácter traiçoeiro histórico do Estado colombiano?

– Sim, é histórico e os dirigentes teriam agora a ocasião para mudar essa característica. Mas neste momento a única coisa que podemos ter é fé. Porque vai ser necessária para crer em mudanças, que até agora não as deram, não as mostraram.

A recomendação de Santrich ao ELN

Falamos sobre o encontro do Secretariado das Farc com o Comando Central do ELN recentemente em Havana. Para além do comunicado formal, subscrito por ambas organizações, ¿que mais se alcançou nesse encontro? Faço-te a pergunta, porque nós jornalistas temos diferentes fontes e uma muito fidedigna diz que o ELN, perante este panorama bastante sombrio para la Paz, está a fazer outra leitura sobre a perspectiva e como consequência faz mudanças na sua táctica e estratégia militar.

– ELN é uma força guerrilheira revolucionária de larga experiencia, tanta como a que têm as Farc. Eles têm quadros revolucionários de muita visão de país e têm un sentimento também de paz. Todos queremos que haja uma saída dialogada para evitar mais derramamento de sangue na Colômbia. É um desejo dos revolucionários. Nós não estamos em armas por capricho ou porque queremos. O ELN manteve-se em armas porque assim impôs o Bloco de Poder Dominante.

– O que nós temos feito com ELN é um intercâmbio de experiencias. Temos-lhes dito em detalhe como levantamos o processo. Temos feito o ponto de quais são as nossas expectativas, de como foi debate na mesa e temos reiterado o desejo de que haja duas mesas mas que haja um só processo. Oxalá que o ELN estivesse como força de mudança revolucionária nesta via de luta sem mais derramamento de sangue. Mas as decisões deve toma-las o próprio ELN a partir da sua própria experiencia.

– E dessa experiencia nova que estamos a fazer de reconciliação e de paz, eu creio que eles estarão tomando nota do que está ocorrendo. Por isso eu te dizia há pouco; eu, responsavelmente, e é uma posição particular de Jesús Santrich, eu diria ao ELN; ¡Que avalie com muito detalhe o que está ocorrendo! Porque não podemos cair em posições ingénuas. OU seja, não podemos pensar que há boa fé por parte do Estado se as acções demonstram o contrário.

– Eu mesmo tenho que dizer neste momento, com toda a vontade de Paz que têm as Farc, com toda a determinação e se se quiser a fé, como te dizia há uns momentos, na possibilidade de reconciliação sem mais derramamento de sangue, eu tenho que dizer aos nossos guerrilheiros que é un momento crucial, é um momento de crise e que temos que prepararnos para piores momentos. Eu penso assim de maneira responsável e de maneira sensata e não estou a dizer, devo esclarecer, ´que rompamos o que temos acordado´, mas sim que temos que exigir ao Estado que haja um cumprimento dos seus compromissos. Porque sempre nos exigem vontade, gestos e tenho a boca torcida de fazer tantos gestos e não vemos uma correspondência por parte do Estado.

– Os gestos cabem agora ao Estado. ¿Quem tem o dever de cumprir os gestos para a reconciliação? Fundamentalmente é o Estado, porque nós já fizemos a deposição das armas. Mas o Estado nem sequer reconheceu a existência do paramilitarismo. O Estado não diminuiu nem um por cento nos gastos com as Forças.Militares. Eu penso que devemos prepararnos para tempos bastantes difíceis.

Videos:

1.
Jesús Santrich (Farc) adverte a ELN de no ser ingénuo al frente el Estado colombiano
Entrevista (1 hora) 4 de Junho de 2017 (via skype, lamentavelmente o video não coincidia com áudio pelo que reproduzimos o video de 2012)
https://youtu.be/dhbcLUUtILc?list=PL0D22CAE9E1DF17AA

2.
Entrevista al comandante guerrilheiro Jesús Santrich (2012) en la selva colombiana
https://youtu.be/TVu6j7uZWrA?list=PL0D22CAE9E1DF17AA
Se eu digo Santos ¿que diz Santrich? Porque há sectores que dizem que (Santos) é “Um anjo da paz” enquanto outros, como Piedad Córdoba, dizem que é mil vezes pior que Uribe. ¿Que diz o comandante Santrich?
(Ri-se)
– Eu não sei se é mil ou duas mil vezes (pior que Uribe). Eu penso que são escaravelhos desse mesmo cabaz oligárquico que entregou a pátria às transnacionais com a extracção mineira e com todos os projectos neoliberais em que a Colômbia é uma Ponta de Lança contra todo o continente.
Santos é sinónimo de Terrorismo de Estado e não nos podemos enganar.
Santos, quando o colocam em pedestal de Paz é uma falacia.
Juan Manuel Santos é um instrumento das transnacionais e do imperialismo. Por isso os seus objectivos de paz vão estar sempre ligados a uma determinação mesquinha de exigir a rendição da guerrilha, a submissão da insurgência e da resistência popular em geral, como se o problema da guerra e da paz tivesse estritamente a ver com o aspecto militar e esquecêssemos que as razões e as causas de fundo estão na miséria de que padece o povo colombiano.
Enquanto Santos não entender isso, ou talvez o entenda, mas enquanto não admita que resolvendo os problemas dos milhões de colombianos na miséria, enquanto isto não se resolva não haverá paz.

3.
Silfredo Mendoza, 2º comandante da Frente 59 das Farc: “A única coisa que as mineiras deixaram foi solidão e contaminação”
Por Dick & Miriam Emanuelsson
2017-05-09 / Ponto de Concentração y Normalização, El Conejo, Guajira
https://youtu.be/W6v1fP85-ok?list=PL0D22CAE9E1DF17AA
Encabeçados por Iván Márquez, chefe da delegação negociadora das FARC em Havana, concentraram-se no 1º de Fevereiro de 2017 guerrilheiros do Bloque Caribe das FARC-EP no “Ponto de Concentração e Normalização Amaury Rodriguez”, na vereda Pondores, corregimento de El Conejo do município de Fonseca do departamento de Guajira. Mas as instalações prometidas pelo governo de Juan Manuel Santos estavam ausentes.
Três meses depois, em 9 de Maio de 2017, chegamos e apenas tinham começado a instalar-se nos módulos os primeiros guerrilheiros, sobretudo as novas mães guerrilheiras ou as grávidas.
Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2017/06/08/el-comanante-de-las-farc-jesus-santrichadvierte-al-eln-de-no-ser-ingenuo-frente-al-estado-colombiano/

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