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Assalto à democracia

Sharon Beder*  :: 15.01.10

Sharon Beder
“Os ideais democráticos como o de um nível adequado de saúde e educação para todos foram sacrificados a fim de proporcionar oportunidades de negócio às corporações. A tragédia é que, quando os cidadãos mundiais perceberem as consequências dessa perda, a sua capacidade para recuperarem poder e reordenarem democraticamente as prioridades será obstruída pela Organização Mundial do Comércio (OMC)”.
É uma nova frente de luta a que a acção das transnacionais obrigam os povos de todo o mundo.

A revolucionária passagem da democracia para o domínio das corporações a que estamos assistindo no início do séc. XXI é tão significativa como a passagem da monarquia para a democracia que resultou na moderna era dos estados-nação. Representa uma mudança global de valores e aspirações.

O eclipse dos valores democráticos pelos valores empresariais não constitui uma evolução natural, mas sim a consequência de uma estratégia deliberada utilizada pelos executivos das corporações, que combinaram recursos financeiros e recursos políticos para disseminarem a ideologia do mercado livre. As corporações, individual e concertadamente, têm utilizado todas as principais instituições de comunicação de uma sociedade moderna, incluindo os media e o ensino, para modelarem as convicções, os valores e o comportamento da comunidade. Isto permitiu às corporações «seduzir e obnubilar o entendimento» de grande número de cidadãos [1] ao ponto de se acreditar em geral que as grandes corporações são instituições benéficas que deviam ser reguladas ao mínimo, pois o que é bom para elas é bom para a sociedade no seu conjunto.

Ao longo de todo o séc. XX, as associações e confederações de negócios coordenaram campanhas de propaganda de massas combinando técnicas sofisticadas de relações públicas desenvolvidas na América do séc. XX, com a revitalizada ideologia do mercado livre originária da Europa do séc. XVIII. O objectivo deste violento ataque de propaganda tem sido convencer a maioria das pessoas que é do seu interesse alhearem-se do seu próprio poder como trabalhadores e cidadãos e do seu direito democrático a limitar e regular a actividade dos negócios. Como resultado, a agenda política está actualmente em larga medida confinada às políticas dirigidas ao desenvolvimento dos interesses dos negócios.

O peso da propaganda das corporações aumentou através do aumento das redes e coligações de negócios destinadas a influenciar as orientações políticas. Alex Carey, autor de «Eliminar o Risco da Democracia» (Taking the Risk out of Democracy), diz que o séc. XX assistiu a três desenvolvimentos inter-relacionados, «o crescimento da democracia, o aumento de poder das corporações e o aumento da propaganda das corporações como meio de protecção do seu poder contra a democracia.» [2] Contudo, visto de uma perspectiva mais recente, é evidente que o poder democrático foi progressivamente eclipsado pelo poder das corporações durante o séc. XX. Tratou-se do resultado de vários factores: aumento de influência das corporações, disseminação da ideologia do livre mercado orquestrada através de relações públicas e proliferação das redes e coligações de negócios com o objectivo de exercer pressão política. Em consequência, as corporações dominam agora completamente o processo político.

CONVENCER AS MASSAS

Nos primeiros anos 30, os dirigentes de algumas das maiores corporações americanas – «os homens que gerem a indústria, o comércio e as finanças da América» [3] – começaram a encontrar-se regularmente para jantar em Nova Iorque. Foi durante a Grande Depressão, quando a confiança popular no capitalismo se encontrava num mínimo absoluto e Roosevelt ameaçava regular as corporações e diminuir o seu poder.

O grupo chamava-se a si próprio os «Chapéus de Bronze» [4].

O projecto completo era original. Os homens de negócios tinham já vendido bens e serviços, tinham vendido empresas individuais, ou indústrias, ou mesmo certas ideias (como a ideia de que a propriedade privada dos serviços públicos é a melhor), mas nunca tinham tentado fazer passar o negócio-como-um-todo. Nunca antes tinham tentado introduzir essa filosofia geral que anima os negócios e que serve de guia à acção social, política e económica. [5]

Empresas supostamente concorrentes conluiaram-se num esforço unido para disseminar no público a mensagem do mercado livre, usando qualquer via de relações públicas disponível.

O «New Deal» [«Novo Acordo», programa de recuperação da economia americana entre 1933 e 1937 – N.T.] envolvia elevados níveis de despesa governamental, impostos elevados e crescente intervenção governamental nos assuntos dos negócios, tudo isto detestável para as pessoas deste meio. O presidente da Câmara de Comércio dos EUA protestava que o governo estava nas mãos de uma «plebe organizada». Contudo, o governo tinha tanto apoio popular que o mundo dos negócios não podia atacar o New Deal directamente sem parecer atacar o povo «e, para os homens de negócios, atacar o povo seria o mesmo que confessar a sua incapacidade para “servir” o povo». [6] A resposta, pensaram os chefes dos negócios, era mudar a opinião pública e minar o apoio às medidas do New Deal. Para isso, procuraram ligar o New Deal a «socialismo rastejante» e fazer promoção dos benefícios do capitalismo desregulado [7] .

Os Chapéus de Bronze escolheram a Associação Nacional de Industriais (NAM - National Association of Manufacturers) como carro de combate e em 1932 os grandes negócios tomaram conta da associação e reestruturaram-na sob a presidência do «Chapéu de Bronze» Robert Lund da Lambert Pharmacal Co., para garantir que as grandes corporações estavam bem representadas na direcção. A NAM reclamou o direito de se intitular «a voz da indústria americana» por representar 35.000 industriais empregando 5 milhões de pessoas [8].

A seguir à reorganização da NAM, as «actividades de propaganda… tornaram-se uma das suas mais importantes funções, absorvendo mais tempo, esforço e dinheiro do que todas as outras funções da associação juntas» [9]. Propôs-se «vender o “modo de vida americano” [“american way of life”] ao povo americano» e coordenar a oposição dos negócios ao New Deal. Apresentou os interesses dos negócios como iguais aos interesses dos trabalhadores e dos consumidores: o que era bom para os negócios era bom para a sociedade.

No imediato pós-guerra, as organizações-chave dos negócios nos EUA continuavam preocupadas com a intervenção e controle governamentais, mas desta vez estavam também preocupadas com a actividade dos sindicatos. As sondagens confirmavam de uma maneira geral os receios do mundo dos negócios de que o povo não acreditava no sistema de livre empresa de modo tão entusiástico como se pretendia. Embora a maior parte das pessoas fosse a favor da propriedade privada e pensasse bem das grandes corporações, uma maioria pensava também que a maior parte dos homens de negócios não era o bem da nação que tinham em mente quando tomavam decisões e que portanto a supervisão governamental era necessária. Muita gente pensava que os negócios faziam enormes lucros e, segundo os chefes dos negócios sentiam, poucos compreendiam a relação entre lucros e investimento.

Os negócios procuraram lidar com estas ameaças vendendo a ideia de livre empresa na base de que «se a opinião pública está controlada, temos o governo na mão e pomos o trabalho em posição difícil» [10]. Foram gastas grandes quantidades de dinheiro em influências, publicidade institucional, filantropia, patrocínio da investigação e outras actividades de relações públicas. O Conselho da Comunicação (Advertising Council) coordenou uma grande campanha nacional de «educação» pública para fazer a introdução do sistema de livre empresa ao povo americano, a qual foi ampliada por campanhas idênticas da NAM, da Câmara de Comércio e de muitas empresas individuais. Formaram-se várias organizações para a propagação da economia de livre mercado, de forma a que as pessoas fossem mais favoráveis aos negócios e receptivas aos valores do mercado.

A «Educação» em Economia nos EUA

O principal do esforço dos homens de negócios para mudar os valores e as convicções fundamentais da comunidade foram as campanhas de «educação em economia», ou seja, a introdução da ideia de livre empresa nas escolas e nos locais de trabalho. A campanha era baseada no pressuposto de que, se os americanos fossem ensinados a pensar correctamente sobre o sistema de livre empresa, então aprovariam as actividades de negócio e não pediriam a sua regulação governamental. Nos programas de educação em economia pelo país fora, foram doutrinados na ideologia da livre empresa estudantes das escolas e empregados. Os sindicatos foram apresentados como alinhados com o comunismo e o comunismo como uma grave ameaça à liberdade individual e ao modo de vida americano.

A NAM distribuiu materiais nas escolas durante o final dos anos 40, incluindo cerca de quarenta panfletos diferentes e seis filmes com títulos como «O Príncipe da Liberdade» exibido em 1946 a cerca de um milhão de estudantes. Os materiais das aulas identificavam liberdade económica com liberdade política e defendiam o êxito pessoal contra o êxito colectivo através de medidas governamentais. Perto de dois milhares de professores frequentaram um curso de formação de uma semana no início dos anos 50, para aprenderem a usar correctamente os materiais da NAM. Uma em cada oito escolas usou um dos kits de sala de aula «Como vivemos na América» que foi adaptado de materiais de propaganda da livre empresa preparados para empregados [11].

Algumas corporações individuais desenvolveram igualmente materiais escolares para esse fim. Por exemplo, a Coca-Cola preparou e distribuiu oito unidades de material curricular sobre «A Nossa América» a uns 30 milhões de crianças da escola primária. A International Harvester e o American Petroleum Institute patrocinaram materiais de sala de aula sobre o desenvolvimento da economia americana produzidos por uma agência de publicidade, distribuindo-os gratuitamente. A General Mills entendeu que os alunos da escola primária não eram demasiado jovens para serem ensinados sobre a economia de livre mercado e patrocinaram materiais como painéis de serigrafia contando a história do mercado do pão, diapositivos e um livro de banda desenhada sobre «Liberdade de Escolha» [12].

Outras empresas que introduziram nas escolas materiais (textos, diapositivos, kits educativos, filmes) incluem a U.S. Steel, a General Electric, a General Motors, a American Cyanamid, a Standard Oil e muitas outras. De facto, uma em cada cinco corporações fez isso. Em 1954, as corporações forneciam materiais às escolas no valor de cerca de 50 milhões de dólares, comparados com a despesa anual em livros escolares normais de 100 milhões [13].

Foram também produzidos materiais escolares patrocinados pelas corporações nos anos 70 com o objectivo de fazer passar o sistema de livre empresa para as crianças da escola. Os negócios estavam de novo sob ataque, desta vez da parte de grupos de cidadãos, que desafiavam a sua autoridade e procuravam conseguir controle governamental das actividades de negócio. A confiança na livre empresa estava em declínio. A primeira onda de modernos ambientalistas acusava o desenvolvimento e o crescimento das actividades industrias pela degradação do ambiente. Os seus alertas captaram a atenção popular, ressoando como aconteceu com a experiência das comunidades enfrentando a evidente poluição nas suas vizinhanças. Pior ainda, do ponto de vista dos negócios, os governos reagiam com nova legislação ambiental [14].

O respeito do público pelo negócio passava por um dos níveis mais baixos e «pela primeira vez desde a Grande Depressão, a legitimidade do grande negócio estava sendo posta em questão por largos sectores do público» [15]. Uma sondagem da Harris apurou que, entre 1967 e 1977, numa altura em que o movimento da contra-cultura trouxe consigo uma proliferação de grupos de cidadãos, incluindo ambientalistas e de consumidores, que desafiaram a autoridade dos negócios e procuraram o controle governamental sobre as actividads de negócio, a percentagem de pessoas com “grande confiança” nas maiores empresas caíu de 55 para 16 por cento [16].

Em diversas reuniões, os dirigentes das corporações lamentaram o declínio da sua influência. Por exemplo, Carter Bales director da McKinsey de New York declarou: «Houve em todo o mundo desafios à autoridade de todos os agentes das corporações, uma quebra da sua legitimidade, se se quiser». E o presidente da National Federation of Independent Business, Wilton Johnson, afirmou «estamos a perder a guerra contra a usurpação pelo governo da nossa liberdade económica» [17].

Em resposta, a maquinaria de modelação da opinião anteriormente montada entrou em acção e foi canalizada grande quantidade de dinheiro para o que eufemisticamente se chamava «ensino», em especial ensino dirigido a jovens e crianças, para restabelecer o domínio da ideologia do mercado livre.

A campanha alargada do Conselho da Comunicação sobre o ensino da economia era bastante maior e mais ambiciosa do que tudo o que o Conselho anteriormente tinha tentado. Era apoiada por tantas corporações importantes que o Conselho publicou a lista de apoiantes como se fosse um «quem é quem nos negócios da América». Foi também apoiada pelo Departamento de Comércio dos EUA, não sem alguma controvérsia na altura, visto que esse dinheiro tinha sido reservado para as oportunidades de emprego e apoio a empresas de minorias [18].

A campanha fazia coincidir liberdade individual, política e económica, argumentando que as limitações à liberdade económica eram equivalentes à redução da liberdade individual e política e que aqueles que pretendiam «intervir excessivamente no jogo das forças de mercado», por muito bem intencionados que fossem, colocavam sérias ameaças a essas liberdades. A crítica do sistema económico equivalia à subversão do sistema político [19].

O Conselho de Comunicação disse aos media que «serão usadas neste esforço todas as técnicas de comunicação apropriadas para esta campanha, que prevemos se manterá por um período de três a cinco anos». A multimilionária campanha incluía anúncios nos media, cartas temáticas, filmes, materiais de ensino e kits educativos, manuais, cartazes de pontos de venda, mensagens em envelopes e folhetos com notícias sobre informações bancárias, listas de serviços e prémios de seguros. Os media contribuíram para a campanha com 40 milhões de dólares de tempo e espaço gratuitos durante os primeiros dois anos [20].

A campanha procurou obter a máxima difusão do livrinho «O Sistema Económico Americano… e o seu Papel Nele». O livro era a cores e ilustrado com bonecos dos «Peanuts»” e descrevia o sistema económico em termos simples e idealizados. Promovia a ideia de que toda a gente, não só tem interesse no sistema económico, como também tem nele uma palavra a dizer. Argumentava que toda a gente ajuda a tomar decisões no sistema, governo, produtores e especialmente consumidores: «o papel principal que realmente faz tudo funcionar é desempenhado por você, no seu papel de consumidor». As pessoas normais também desempenham um papel como produtores («os trabalhadores são produtores») e como investidores («se você tem uma conta de poupança, um seguro de vida ou fundos de pensão, está a ajudar a gerar fundos para objectivos de investimento») [21].

O livrinho enfatizava a importância do trabalho a sério e do aumento da produtividade «se queremos manter a competitividade na venda de bens e serviços tanto interna, como externamente». Reforçava a necessidade dos consumidores gastarem dinheiro na compra de bens para garantirem a segurança dos empregos: «Lembre-se que quando compramos menos do que a nossa economia produz, mais tarde a produção diminui e o desemprego aumenta». Naturalmente que defendia também o papel da publicidade: «Aqueles que fornecem os melhores produtos e serviços aos melhores preços serão geralmente os mais bem sucedidos. E é através da publicidade que os produtores informam os consumidores acerca dos seus produtos e serviços…» [22].

O Conselho de Comunicação distribuiu milhões de cópias desses livrinhos nas escolas, locais de trabalho e comunidades (cerca de 13 milhões até 1979) [23]. De acordo com o Conselho, foram feitos anúncios dos livrinhos em todos os media e revistas do país. Eram anunciados gratuitamente:

• em mais de 400 estações de televisão;
• em mais de 1.000 estações de rádio;
• em mais de 3.000 diários e semanários;
• em mais de 400 revistas de negócios e de consumo;
• em milhares de cartões de bibliotecas, bancos e lojas;
• em mais de 110.000 bilhetes de transporte no metro e noutros locais de transporte (mais do equivalente a 25 milhões de dólares em tempo e espaço grátis) [24].

O livrinho foi reproduzido integralmente em mais de 100 jornais e revistas. Mais de 1800 empresas, 1300 escolas e 500 organizações encomendaram exemplares em massa para os seus empregados, estudantes e membros [25].

A campanha de «educação em economia» do Conselho foi complementada pela acção de muitas empresas individuais, associações comerciais e câmaras de comércio. Algumas empresas proporcionavam aos seus próprios empregados «formação» económica. Foi igualmente produzido material escolar promovido pelas corporações com o objectivo de introduzir o sistema de livre empresa nas crianças das escolas.

Foram distribuídos a estudantes e professores de todo o país 4 milhões de conjuntos de 11 livrinhos «A Indústria e a Economia Americana». Sears Roebuck produziu material escolar para crianças da escola primária e secundária, incluindo livros de texto, guias para os professores, material audiovisual e de actividades escolares sobre formação em economia e consumo. O seu livro «O nosso Sistema Económica – Ensaios e Guias para Professores» incluía ensaios patrocinados pela Business Roundtable. Eli Lilly and Company juntou-se à Câmara de Comércio de Indianápolis para oferecer «Oportunidades para Aprender sobre Negócios» a estudantes do secundário, envolvendo nove dias completos de aulas, leitura, discussão, um jogo de simulação de negócios em que os estudantes constituíam um negócio e competiam no mercado, e ainda contacto com gente proeminente dos negócios. O jogo era também patrocinado pela General Motors e outros [26].

Várias petrolíferas estavam envolvidas. A Phillips Petroleum Company apoiou a produção de uma série acompanhada de um guia para professores com cinco filmes chamados «Empresa Americana» narrados por William Shatner, actor que fazia o Captain Kirk na popular série de TV Star Trek. Custou 800.000 dólares e atingiu mais de 8 milhões de estudantes. A Amoco Oil Company produziu também um filme de 26 minutos e um guia para os professores explicarem como funciona o sistema de livre empresa. A Exxon Company juntou-se à Walt Disney Educational Media Company para a produção de um filme de 22 minutos para estudantes do secundário sobre dois miúdos que se lançam nos negócios [27].

A Câmara de Comércio dos EUA também produziu filmes, materiais escolares e livrinhos sobre o sistema económico e um pacote intitulado «Economia para Jovens Americanos» incluindo diapositivos, cassetes audio, planos de lições e textos sobre produtividade, lucros e o meio ambiente [28]. As câmaras de comércio locais participaram igualmente na campanha.

Exportação da «Educação» em Economia

O “ensino” da economia espalhou-se a partir dos EUA para outros países anglófonos durante os anos 70 e 80 com a ajuda activa de pessoas-chave das relações públicas americanas. O grupo britânico «Objectivos para Liberdade e Empresa» (AIMS) organizou uma Conferência Internacional em 1978 em Londres sobre «O Renascimento da Liberdade e da Empresa» e organizou um Dia da Livre Empresa [29]. Os participantes na Conferência eram exortados a usar os media para promoverem a mensagem da livre empresa. A Conferência considerou também o ensino escolar e universitário. Frank Broadway, director de «Factos sobre Negócios», firma britânica que fornecia material escolar, defendia que «a apatia e hostilidade relativamente à livre empresa começa nas escolas». Argumentava que tal não se devia aos professores serem marxistas, mas antes ao facto de não saberem o suficiente para fornecerem às crianças uma boa compreensão da livre empresa e seus benefícios. A solução estava em proporcionar aos professores esse material, mostrando a sua experiência que a maior parte dos professores queriam de boa vontade utilizar «material de qualidade fornecido pelos meios dos negócios» [30].

«Factos sobre Negócios» teve o seu próprio programa escolar lançado em 1975, chamado «Negócio e Lucro», o qual incluía um livro grátis e cartazes de parede e desdobráveis de estudo pagos. Em 1978, o programa era usado em todas as escolas secundárias da Grã-Bretanha, tendo lançado outro chamado «“Descobre a Indústria Britânica» que foi adoptado por mais de 400 escolas nos quatro primeiros meses [31].

Broadway apontou que, enquanto as empresas forneciam literatura e conferencistas às escolas e preparavam visitas escolares às fábricas, era necessário «um esforço mais intenso, alargado e permanente» para fornecer aos que deixam a escola «uma compreensão substancial da livre empresa». Isto envolveria organizações de emprego, câmaras de comércio, associações comerciais e grandes empresas ao nível nacional, assim como empresas ao nível local, todas elas expondo os êxitos da livre empresa. Tais materiais teriam que ser atractivos para professores e estudantes, terem algum conteúdo educativo e «serem explicações factuais intelectualmente sérias sobre o ganho do lucro» em vez da «apologia política óbvia do capitalismo… O prémio é não apenas a sobrevivência da livre empresa, mas em muitos casos a sobrevivência das empresas individualmente» [32].

Na Austrália, depois da eleição de um governo trabalhista «progressista” em 1972, a Câmara de Comércio Australiana (ACC) reagiu com uma «campanha de formação em economia» à escala do país para promoção da livre empresa [33]. O relatório anual de 1972 dizia: «A história da livre empresa deve ser contada de modo a conseguir-se compreensão e reconhecimento públicos do papel do lucro e da iniciativa individual no progresso deste país» [34].

O programa de Formação Económica da ACC era a «peça central» das «actividades de formação da opinião pública sobre o papel do negócio na comunidade, especialmente entre os jovens» e, como as campanhas americanas, era uma resposta à presumida «falta de compreensão geral dos factos económicos da vida pelo grande público». A ACC organizou uma série de competições experimentais para estudantes, supervisionou e avaliou os cursos existentes nas escolas australianas sobre economia e comércio e recomendou alterações nos Departamentos de Educação de cada Estado, para garantir que os estudantes aprendiam o ponto de vista “correcto” sobre como trabalha uma empresa privada [35].

A ACC produziu uns 15 vídeos e filmes «para uso educativo nas escolas» em cooperação com o Conselho de Promoção da Produtividade da Austrália, o Instituto dos Assuntos Públicos (grupo de consultores conservador), a Bolsa de Sidney e «duas das maiores empresas australianas». A primeira série de videos, intitulada «Negócios na Comunidade» era sobre a contribuição de empresas e indústrias específicas para o bem-estar da sociedade australiana, com ênfase no papel do lucro adequado para a manutenção do emprego e do crescimento económico. A AAC queria «contrariar a opinião de que a única preocupação do negócio é o lucro» [36].

Os departamentos de educação de cada Estado aceitaram o uso dos materiais da ACC e a sua inclusão nos Centros de Recursos dos Departamentos. A ACC invocou também «boas relações com as associações de professores em toda a Austrália» e o seu apoio aos programas. A ACC encorajou e ajudou as câmaras de comércio com sede nas cidades a empenharem-se nos seus próprios programas «educativos» [37].

Outras organizações que activamente patrocinaram a educação em economia na Austrália foram a Associação Australiana de Banqueiros, o Conselho da Indústria Mineira Australiana, a Associação Australiana de Desenvolvimento Industrial (mais tarde fundida com a Business Roundtable para formar o Conselho de Negócios da Austrália), a Câmara de Comércio Americana da Austrália e «think tanks» conservadores como o Centro para o Desenvolvimento Económico na Austrália (CEDA) e o Instituto dos Assuntos Públicos (IPA). As actividades destas organizações incluíam conferências e apresentações a professores, gente dos negócios e estudantes [38].

A «Enterprise Austrália» (EA) foi estabelecida em 1976. A EA procurou mostrar que a livre empresa contribuiu para o «estilo de vida» e nível de vida da Austrália e «salientar os perigos para a nossa sociedade das desnecessárias regulações» [39]. Os programa das escolas e colégios da EA eram “desenvolvidos dentro do sistema escolar em associação oficial com os Departamentos de Ensino” de cada Estado. Incluíam: [40]

• o livro-base «O Mundo dos Negócios na Austrália», adaptação de um texto canadiano [41], com um guia para professores, um caderno de trabalhos para os estudantes e material audiovisual;
• livros de tópicos para as escolas primárias;
• 15 vídeos e filmes com títulos como «Lucros, Publicidade e Economia de Mercado»;
• um curso audio visual de 22 módulos sobre conceitos de economia para as escolas secundárias («produzido em cooperação com o Departamento de Educação»);
• programas de experiência de trabalho para professores e alunos, conferências para estudantes das escolas secundárias, oficinas para professores;
• uma revista para professores;
• uma carteira de materiais «educativos» fornecidos pela indústria para as escolas;
• e um programa no qual quadros executivos dos negócios despendiam uma ou duas semanas nas escolas.

Vários sindicatos de professores atacaram os materiais da EA como propaganda [42]. Contudo, as autoridades educativas pareceram acolher este material nas escolas e a EA teve o cuidado de obter o apoio de determinados professores, personalidades públicas, universitários e políticos dos dois maiores partidos. A tentativa do sindicato dos professores para conseguir do Departamento de Educação do NSW o fim da cooperação com a EA em 1982 não teve êxito. Mesmo depois da reeleição do governo trabalhista em 1983, a Enterprise Australia continuou a ter o apoio do governo e o apoio público do primeiro-ministro Bob Hawke.[43]

A «Educação» em Economia na Actualidade

A educação em economia tornou-se corrente. O processo de alteração dos valores culturais foi largamente conseguido, embora precise sempre de reforço. A educação em economia já não é uma expressão evidente de uma campanha para fazer passar a livre empresa. Os grupos que pressionam para que o ensino da economia e dos negócios seja obrigatório nas escolas têm uma agenda ideológica e a norma económica por eles promovida está enviesada ideologicamente, mas onde a promoção dos valores do negócio é mais evidente é no ensino sobre a empresa que tem proliferado nas escolas em todo o mundo nos últimos anos [44].

O ensino sobre a empresa procura dar aos estudantes uma compreensão da economia e dos negócios para os motivar como «empreendedores» encarando o empreendimento de negócios como «positivo e válido». Em muitos casos, o ensino sobre a empresa inclui os estudantes dirigirem um pequeno negócio, muitas vezes virtual, mas por vezes real [45]. No entanto, essa formação está não só dirigida no sentido de tornar os estudantes empresários, mas também para produzir empregados com as competências e características que muitos empregadores hoje procuram. Em nome do desenvolvimento pessoal e das oportunidades de melhoria de vida, os estudantes recebem os valores, as motivações e as competências que são convenientes para os negócios.

As características de um licenciado em empresariado estão descritas em vários documentos sobre política educativa e geralmente incluem ser a orientação por objectivos, ser materialista e ser pessoalmente ambicioso. Os estudantes com espírito de empresa são supostos procurarem autoprogressão através do aproveitamento máximo das oportunidades, resolverem criativamente os problemas do negócio, assumirem riscos, adaptarem-se à alteração das circunstâncias em vez de a contrariarem e utilizarem os outros para alcançarem os seus objectivos. Estas características contrastam com as que são esperadas dum bom cidadão, que tende a ser mais orientado para a comunidade, com cidadãos cooperando para se entreajudarem e atingirem um melhor futuro para todos. A educação para a cidadania promove o pensamento crítico e dá aos estudantes a capacidade de se oporem politicamente às coisas que minam os seus direitos ou são contrárias aos seus valores.

No Reino Unido, o governo atribuiu 60 milhões de libras anuais durante três anos a partir de 2005 para oferecer educação em empresa nas escolas inglesas. O objectivo foi fornecer ensino sobre a empresa dos 14 aos 16 anos. Além disso, «os negócios precisam de empregados com atitude de “consigo fazer”, com vontade de assumir responsabilidades, com abordagem criativa e inovadora da resolução de problemas e com capacidade para lidar com a incerteza e a mudança e para a avaliação racional risco/benefício» [46].

A educação em empresa no Reino Unido, como noutros sítios, tem sido orientada pelos negócios. Num artigo sobre «Criação de uma Cultura de Empresa, Visão Empresarial e Pequeno Negócio», afirma-se que é bom para o meio do negócio que os licenciados tenham «espírito empresarial» e «atitude positiva» relativamente à empresa. Embora os estudos tenham mostrado que as pessoas têm admiração por quem dirige o seu próprio negócio, a maior parte dos executivos das corporações sentiam que as pessoas no Reino Unido não vêm os empresários e o comportamento empresarial de forma comparável às de outros países e que uma percentagem significativa associava o êxito nos negócios a um baixo nível moral e ético [47].

«Sucesso Jovem» (JA - Junior Achievement) é um programa de educação em empresa que iniciou as suas operações nos EUA em 1919 e que desde então se tornou uma organização internacional. Afirma atingir 6 milhões de estudantes todos os anos, em mais de 100 países de 6 continentes, dos quais 4 milhões só nos EUA [48].

«Somos pessoas com paixão, por trás de um movimento que procura educar e inspirar os jovens a valorizarem a livre empresa, o negócio e a economia, para melhorarem a qualidade das suas vidas… A partir daqui, articulamos a nossa missão para garantir que todas as crianças na América tenham uma compreensão fundamental do sistema de livre empresa» [49].

O financiamento da JA vem de uma variedade de corporações, incluindo Best Buy, Deloitte, AIG, Mastercard International, 3M, PriceWaterhouse Coopers and Morgan Stanley [50]. Os programas da JA cobrem todos os níveis escolares desde o jardim-de-infância. Para o secundário, existe a Economia JA, um curso semestral completo com livros e guias de estudo, ensinando fundamentos da economia tais como «a natureza do sistema de livre empresa», «como os mercados de troca voluntária colocam recursos e estabelecem preços» e «o papel dos empreendedores». O curso é ensinado por executivos de negócios da Kraft Foods e de 2.000 outras empresas [51].

A JA tem organizações equiparadas em mais de uma centena de países. Na Austrália, a «Sucesso Jovem Austrália» (YAA) foi introduzida pela Câmara de Comércio Americana na Austrália e é actualmente patrocinada por BHP Billiton, Westpac, IBM Austrália e centenas de outras empresas, assim como por departamentos governamentais. Isto traduz-se em 2,5 milhões de dólares de patrocínios e donativos todos os anos e, juntamente com o trabalho voluntário de cerca de 1.600 pessoas dos negócios como mentores, permite à YAA oferecer os seus programas grátis, incluindo a grupos de «juventude em risco», desempregados e aborígenes. Tem escritórios estatais e regionais em todo o país e afirma ter alcançado 170.000 jovens australianos. Oferece programas sobre economia a partir da escola primária e beneficia do luzido apoio do primeiro-ministro John Howard [52].

O governo da Commonwealth australiano promove activamente a educação sobre a empresa. Iniciou em 1995 o programa «A Empresa nas Escolas» destinado a «inculcar nos jovens a cultura, a mentalidade e as qualidades do empreendedorismo» e atribuiu 3,2 milhões de dólares para o triénio 1997-9 [53]. O Conselho Ministerial da Educação, Emprego e Juventude (MCEETYA) incluiu em 1999 a educação empresarial como «uma área prioritária dentro dos Objectivos Nacionais para a Escola do Século XXI» [54]. O Departamento de Educação, Ciência e Formação (DEST) atribuiu igualmente 10 milhões de dólares para a Iniciativa Ensino Empresarial para o Século XXI entre 2004 e 2007, na esperança de «fazer desenvolver um espírito empresarial entre os jovens australianos» [55].

Os departamentos de educação estatal abraçaram igualmente o ensino empresarial durante os anos 90. Em Victoria, o Quadro de Normas e Curriculum incorporou a educação em empresa em várias fases e temas do jardim de infância até ao 10º ano. Foi introduzido um tema específico «Estudos sobre Indústria e Empresa» para estudantes mais avançados. A educação em empresa foi também integrada no curriculum da Austrália do Sul e um programa chamado «Ready Set Go» foi lá aplicado a partir de 1997, com um custo de 9 milhões por três anos.[56]

Convencer os políticos

A partir dos anos 70, teorias económicas neoclássicas como o monetarismo, a economia da oferta, a teoria da contestabilidade e a teoria da escolha pública tornaram-se influentes, substituindo as teorias keynesianas como «verdade» dominante. O ressurgimento da fé no mercado representada por estas novas teorias não constituiu apenas uma manifestação da ingenuidade dos economistas. As teorias foram adoptadas pelo grande negócio porque forneciam a legitimação da sua procura do interesse próprio, a legitimação da actividade dos negócios, e um caminho aberto para a sua expansão.

As receitas políticas que melhor convinham aos negócios, incluindo reduções de impostos, regulações mínimas e liberdade de comércio e investimento em qualquer lugar do mundo, eram justificadas por este corpo da teoria económica representando tais políticas como sendo de interesse público. Permitiam à elite das corporações e aos grupos de consultores financiados pela corporações advogar cortes nas despesas do governo, privatização dos serviços e activos do Estado e desregulação das actividades de negócio, tudo em nome do mercado livre, da competitividade, da eficiência e do crescimento económico.

Houve alguma atracção pela ideologia do mercado livre por parte dos governos, na medida em que ficavam absolvidos da responsabilidade pelo desempenho económico: «O novo pacote de política clássica deu de uma vezada aos políticos a oportunidade para abdicarem de consciência tranquila de muitas das responsabilidades que o Estado assumira nas décadas precedentes… Em muitos países, os políticos aproveitaram avidamente o álibi assim oferecido para o falhanço no alcance das expectativas económicas do eleitorado» [57].

Os grupos de consultores e de políticos desempenharam um papel importante na disseminação e popularização das ideias e ideologias neoliberais. Em particular, nos EUA as fundações conservadoras e as grandes corporações estabeleceram e/ou fundaram um novo conjunto de grupos de consultores ideologicamente compatíveis com as causas da direita e com os interesses das corporações, promovendo o mercado livre e atacando a regulação governamental. A ascensão do thatcherismo no Reino-Unido e do reaganismo nos EUA pode ser em larga medida atribuída às diligências destes grupos de consultores. A sua influência continua forte hoje em dia.

Durante os anos 80 e 90, a terminologia de propaganda do livre mercado foi usada para promover e justificar a privatização das empresas do Estado, a liberalização do comércio e a desregulação do trabalho, do investimento e do negócio em todo o mundo. Esta ideologia assegurou o apoio a uma agenda favorável aos negócios pelos governos, pelos líderes das comunidades e por largos sectores da população, apesar da evidência de que tais políticas resultam em desigualdades de crescimento e na degradação dos serviços públicos.

No final dos anos 80, a maior parte dos países ocidentais encaminhavam-se no sentido de governos mais reduzidos e da desregulação do mercado [58]. Isto não se deveu propriamente ao poder das ideias do mercado livre, ou à eficiência das políticas para alcançarem os objectivos declarados. Deveu-se antes ao poder dos que as apoiavam, as corporações. Os bancos de desenvolvimento multilateral e os mercados financeiros internacionais também desempenharam um papel-chave a disciplinar os governos que se extraviavam do caminho do mercado livre [59].

O Consenso de Washington

Em 1990, o economista John Williamson com experiência de trabalho para o Banco Mundial, FMI e Tesouro do Reino-Unido compilou uma lista das políticas de mercado livre que estavam sendo impostas aos países latino-americanos «por quem manda em Washington». Chamou a este pacote de «reformas» económicas o «Consenso de Washington» [60]. O Banco Mundial chama-lhe «perspectiva do mercado». Estas políticas são uma versão codificada das políticas promovidas pelos grupos de consultores financiados pelas corporações nos EUA e Reino-Unido. O «Consenso de Washington» foi forçado pelas redes políticas de Washington apoiadas pelas grandes corporações e pelos interesses financeiros internacionais e foi incorporado numa agenda de reformas económicas para a maior parte dos países do mundo.

O Consenso de Washington beneficiou as corporações transnacionais, as grandes empresas e as instituições financeiras internacionais, muitas vezes à custa dos pequenos negócios locais e sempre à custa dos pobres. Depositou uma «fé exagerada nos mecanismos de mercado» para a solução dos problemas económicos, deu prioridade aos objectivos económicos sobre os sociais, destruindo no processo tradições socialmente benéficas e aspectos culturais desejáveis. Os sistemas de impostos progressivos foram desmantelados e os serviços sociais estatais dizimados. Em casos extremos, os governos ficaram reduzidos à responsabilidade de pouco mais que a lei, a ordem e a defesa nacional [61].

Williamson reconheceu o papel dos conselheiros económicos na obtenção do Consenso de Washington. Utilizou o termo «tecnopolítico» para descrever a «florescente raça de economistas tecnocratas que assumem posições de responsabilidade política» [62]. Esta gente foi não apenas «capaz de avaliar que instituições e políticas são necessárias em determinadas circunstâncias para atingir objectivos económicos», mas teve também a capacidade de convencer os outros a adoptarem essas políticas.[63]

Os «tecnopolíticos», tal como os grupos de consultores financiados pelas corporações, desempenharam um papel-chave para garantir que fossem adoptadas nos países ricos as medidas favoráveis aos negócios por governos de convicções políticas muito diferentes durante os anos 80, incluindo os governos conservadores de Margaret Thatcher na Grã-Bretanha, o de Ronald Reagan nos EUA e o de Brian Mulroney no Canadá, e os governos trabalhistas ou social-democratas da Austrália e da Nova Zelândia. Desempenharam também um papel importante na principal mudança política que os bancos de desenvolvimento multilateral e o FMI fizeram durante os anos 80.

A influência do pensamento americano do mercado livre no FMI e no Banco Mundial é reforçado pela predominância de economistas nestas instituições. Mais de 80 por cento dos economistas do Banco Mundial, bastante mais influentes que os cientistas sociais empregados pelo Banco, foram formados na Grã-Bretanha ou na América do Norte. «Nos anos 80 e início dos 90, a sua mentalidade e virtualmente a dos restantes 20 por cento era cada vez mais baseada nos pressupostos e metodologias da economia neoclássica». Esta gente contratou pessoas com este tipo de mentalidade, de forma que os economistas com outras convicções não tivessem possibilidade de ficar empregados no Banco. Existe também uma bem oleada porta rotativa entre esses bancos multilaterais e firmas financeiras internacionais como o Chase Manhattan, o Deutsche Bank e a JP Morgan, coisa incentivada pelo Banco Mundial [64].

O FMI não arrancou com políticas destas, de mercado livre. Foi originalmente criado para manter a estabilidade económica, emprestando aos governos dinheiro obtido com os impostos dos países mais ricos. O antigo economista-chefe do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, diz do FMI:

«Fundado na convicção de que o mercado muitas vezes funciona mal, bate-se agora com fervor ideológico pela supremacia do mercado. Fundado na convicção de que é necessária uma pressão internacional sobre os países para que tenham políticas económicas mais expansionistas para estimular a economia, como o aumento da despesa, o abaixamento dos impostos ou a redução das taxas de juro, o FMI tipicamente apenas fornece fundos hoje em dia se os países se comprometerem com políticas como a redução do défice, o aumento dos impostos ou o aumento das taxas de juro que levam à contracção da economia» [65].

Do mesmo modo, houve no Banco Mundial dos anos 80 uma mudança de ênfase do financiamento de projectos que permitiam aos governos investirem no desenvolvimento do sector público, para empréstimos condicionados à sua aplicação governamental em políticas de mercado livre e em incentivos à tomada dos serviços públicos pelo sector privado. As actuais políticas do Banco Mundial ignoram o papel positivo da intervenção do Estado, favorecendo a permissão para que seja o mercado reinar.

Outros países influentes tendem a seguir as receitas da política de livre mercado porque estão representados no FMI pelos respectivos ministros das Finanças e pelos bancos centrais e estes tendem a representar os grupos financeiros e a serem preenchidos com gente que fez ou espera vir a fazer carreira em empresas financeiras privadas e bancos. Além disso, os economistas da administração pública de muitos países foram formados na ortodoxia da teoria neoclássica.

A imposição do Consenso de Washington aos países em desenvolvimento «minou a soberania nacional» e as medidas políticas dos burocratas estrangeiros sobrepuseram-se às decisões democráticas dos governos eleitos. [66]

A Desregulação Financeira

Enquanto o FMI e o Banco Mundial desempenharam um importante papel na aplicação do Consenso de Washington em países mais pobres necessitando desesperadamente de capital, muitos países desenvolvidos adoptaram voluntariamente as políticas de livre mercado favoráveis aos negócios por ele prescritas, sobretudo devido à influência dos lobbies do negócio e dos seus missionários do mercado livre, os grupos de consultores e peritos em economia, assim como dos mercados e instituições financeiras internacionais.

Outros países ricos foram também forçados pelos mercados financeiros mundiais a adoptarem a mesma receita. A sua vulnerabilidade a esses mercados foi facilitada pela desregulação financeira. A desregulação financeira foi por sua vez exigida pelos interesses dos negócios, em especial pelas grandes empresas financeiras e pelas corporações transnacionais que querem liberdade de movimentação do seu dinheiro. O argumento económico para a desregulação financeira foi fornecido pelos gabinetes de estudos do mercado livre e pelos consultores económicos, que argumentaram ser o movimento de capitais livre e desregulado o mais eficiente, dado que o capital se pode deslocar para onde obtém maior retorno [67].

A desregulação financeira implica três acções: abertura do país à livre circulação de capitais, remoção das regulações sobre as instituições financeiras operando no país e remoção do controle político do banco central [68]. Deste modo, o sector financeiro do país torna-se parte do sector financeiro internacional, em vez de ser parte da economia nacional, e passa a servir os interesses das instituições financeiras globais, em vez de servir os interesses do povo local ou dos governos nacionais.

Os governos que seguem este caminho deixam de conseguir fixar taxas de juro baixas, dirigir o crédito para onde é mais preciso na economia ou diferenciar entre empréstimos para fins produtivos e para fins especulativos. Em vez dos bancos serem responsáveis perante os governos, são os governos que se tornam responsáveis perante os mercados financeiros internacionais [69]. De acordo com o professor indiano de economia Prabhat Patnaik:

«A essência da democracia é o prosseguimento de políticas no interesse do povo… Uma economia exposta ao livre movimento do capital financeiro internacional, no entanto, fica obcecada com a necessidade de satisfazer os financeiros internacionais e manter a sua “confiança”: o impulso das políticas de tal economia, portanto, mesmo em princípio, não é no sentido de servir os interesses do povo, mas no de servir os interesses dos especuladores, o que representa uma inversão da democracia» [70].

Por exemplo, os governos têm de manter baixas impostos para atrair os capitais e não podem ter défices elevados no orçamento, dado que isso afasta os investidores. O editor de economia do Financial Times, Peter Norman, comentou:

«Como processam investimentos no valor de muitos milhares de milhões de dólares que passam diariamente através das fronteiras nacionais, os mercados tornaram-se no polícia, no juiz e no júri da economia mundial, o que é uma preocupante conclusão, dado que tendem a ver os factos e as políticas através dos óculos distorcidos do medo e da ganância» [71].

As cotações da bolsa a subir acabaram por se tornar, em última instância, no juiz de uma boa política. Esqueçam as sondagens de opinião que mostram que o público está contra as privatizaçôes e a desregulação e receoso das grandes corporações e da redução de pessoal pelo governo. A única sondagem de opinião que conta é a bolsa. E enquanto as políticas provocarem respostas positivas do mercado, os políticos sabem que estão certas. Os países podem ainda manter uma aparência de democracia com escolha entre os partidos maiores, mas, devido às restrições impostas pela necessidade de agradar aos mercados financeiros internacionais, as diferenças políticas entre os maiores partidos é mínima. Quer se trate do Partido Trabalhista na Grã-Bretanha ou na Austrália, ou um presidente peronista na Argentina, ou o BJP na Índia, todos eles adoptam as mesmas políticas de mercado livre [72]. Os governos que tentam desviar-se são castigados pelo mercado.

A «solidez» do enquadramento político será avaliada em determinados países pelas entidades que controlam o capital financeiro internacional, em particular os maiores bancos internacionais, as grandes corporações transnacionais com maior traquejo financeiro, os directores de fundos de instituições financeiras-chave e as agências de classificação de risco, como a Moody’s. Estas avaliações serão reflectidas no valor que os «mercados» atribuem à moeda dos países, no atractivo dos países para os investidores estrangeiros e no custo e disponibilidade do crédito [73].

As agências de classificação de risco, em especial a Moody’s e a Standard and Poors, têm poder para fazerem ou desfazerem a economia de um país. Por exemplo, quando estas agências desclassificaram o crédito do Brasil e da Venezuela em Setembro de 1998, os mercados financeiros desses países entraram em colapso. Os investidores directos, os investidores em obrigações, os fundos mútuos e de pensões, todos confiam que as agências de crédito lhes digam quais os investimentos seguros. A Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial também classifica os países entre países em que se pode e países em que não se pode investir. São considerados de mais alto risco político os países cujos governos podem «nacionalizar, mudar os benefícios aos impostos ou conceder concessões aos sindicatos» [74].

Thomas Friedman refere-se à receita do Consenso de Washington como o «Colete-de-Forças Doirado». Argumenta que «à medida que um país põe o Colete-de-Forças Doirado, a economia cresce e a política fenece». É um colete-de-forças porque «estreita as opções políticas e económicas do poder dentro de parâmetros relativamente apertados. Por isso se torna cada vez mais difícil hoje em dia encontrar diferenças reais entre os partidos no poder e na oposição nos países que o puseram» [75].

A Organização Mundial do Comércio

O terceiro meio para manter os governos eleitos na linha, a seguir aos bancos de desenvolvimento e aos mercados financeiros, é através da Organização Mundial do Comércio (OMC) que agora encabeça milhares de páginas de regras favoráveis às corporações que os governos têm de cumprir. Regras que existiam para proteger os cidadãos, os consumidores e o ambiente estão a ser substituídas por outras que protegem e facilitam o comércio e o investimento.

Desde o fim dos anos 60 que o secretariado do GATT («General Agreement on Tarifs and Trade» ou Acordo Geral de Tarifas e Comércio, de 1947, na base da criação da OMC – N.T.), embora inconstitucional e temporariamente, tornou-se na «mais poderosa e entrincheirada não-organização que o mundo tinha visto». Hoje, a OMC tem mais poderes do que qualquer outra instituição internacional, incluindo o poder de punir os países não cumpridores, poderes esses nem sequer à disposição das Nações Unidas. Mais de 130 países são actualmente membros da OMC. Tornou-se uma forma de governo global de direito próprio, com poderes judicial, legislativo e executivo [76].

Devido ao poder crescente das corporações, durante as negociações para o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), as posições negociais dos países dominantes reflectiam os interesses dos negócios, em vez dos interesses democráticos de largo espectro. Nenhuma outra ONG teve o acesso ou influência concedidos aos grupos de negócios. Várias organizações de negócios grandes e poderosas fizeram campanha pela conclusão com êxito do «Uruguai Round» (ronda do Uruguai - a oitava ronda de negociações no âmbito do GATT – N.T.) e pela expansão do comércio livre. Incluíam o Forum Económico Mundial, a Câmara Internacional de Comércio, o Club Bilderberg, a Comissão Trilateral e a Mesa-Redonda Europeia de Industriais (ERT).

Inicialmente o GATT destinava-se simplesmente a reduzir as tarifas sobre os bens manufacturados. Ao fazer isso, reconhecia que os países em desenvolvimento precisavam ainda de manter alguma protecção tarifária enquanto se desenvolviam e algum tratamento preferencial para a entrada nos mercados dos países industrializados [77]. Contudo, o Uruguai Round foi bastante mais longe, tanto em poder, como em alcance, do que os limitados objectivos de redução de tarifas para produtos manufacturados. Pressionados pelas corporações transnacionais, os negociadores dos EUA e da UE procuraram incluir os serviços, os direitos de propriedade intelectual e os direitos de investimento como parte do GATT, apesar da oposição dos países em desenvolvimento.

Através de sucessivas rondas de negociações, os países economicamente dominantes, em especial os EUA e a UE, assediaram e coagiram outros países a aceitarem as regras que convinham às corporações transnacionais. Fizeram-no usando ameaças de penalizações económicas e comerciais e promessas de ajuda e tratamento favorável. As coligações dos negócios apresentaram-se como uma frente unida através de uma acção em rede com várias pessoas-chave bem colocadas.

A OMC conseguiu rivalizar com o Fundo Monetário Internacional como o mais poderoso, secreto e antidemocrático corpo internacional no mundo. Está assumindo rapidamente a pele de governo global «bona fide» para a «era do comércio livre» e procura activamente alargar poderes e alcance.[78]

A OMC tem poderes bastante extensos para meter na ordem os estados nacionais, assim como os governos locais e regionais, relativamente às regulações e controles que são supostos interferir com o comércio. As regras da OMC têm também precedência sobre outros acordos internacionais, incluídos os acordos relativos a trabalho e ambiente, como a Convenção sobre Biodiversidade e o Protocolo de Montreal sobre Substâncias Destruidoras da Camada de Ozono [79].

A OMC consegue impor as suas regras através do mecanismo próprio de resolução de disputas. Se um país se queixar que outro não segue as regras da OMC, o caso é apreciado à porta fechada e sem escrutínio público por painéis de advogados e funcionários não-eleitos «sem qualquer formação ou treino em questões sociais ou ambientais». Estes painéis têm capacidade para definir países culpados de quebra das regras e impor sanções económicas como castigo [80].

Tais regulamentos podem declarar como ilegal a legislação aprovada por governos democraticamente eleitos. Acordos como o Acordo Geral de Comércio nos Serviços (GATS), originalmente conduzido pela American Express e aliados, encadeiam de tal modo a abertura das economias nacionais às empresas transnacionais que tais concessões não podem ser invertidas democraticamente por governos eleitos [81].

CONCLUSÃO

Ao longo de décadas, as corporações convenceram as pessoas que os valores do mercado se deviam alargar a todas as áreas da sua vida e que as transacções de mercado deviam ter prioridade sobre os processos democráticos. O aumento de poder das corporações e a crescente importância concedida aos mercados significam que as corporações transnacionais estão a eclipsar o estado-nação como força motriz por detrás das decisões políticas.

Os chamados mercados «livres» estão a tornar-se no novo princípio organizador da ordem global. A ideia de que os governos devem proteger os cidadãos contra os excessos da livre empresa foi substituída pela ideia de que o governo deve proteger a actividade dos negócios contra os excessos da regulação democrática. Em consequência, os ideais do estado-nação estão a ser diluídos e distorcidos.

Os ideias democráticos como o de um nível adequado de saúde e educação para todos foram sacrificados a fim de proporcionar oportunidades de negócio às corporações. A tragédia é que, quando os cidadãos mundiais perceberem as consequências dessa perda, a sua capacidade para recuperarem poder e reordenarem democraticamente as prioridades será obstruída pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A ambição colectiva das corporações de subirem acima do alcance do controle democrático terá atingido a sua vitória final.

Os valores próprios das corporações enfatizam o conformismo das massas, a subordinação à autoridade, a obediência e a lealdade. Ironicamente, estes valores, que minam a individualidade e a liberdade de expressão, têm sido promovidos em nome da individualidade e da liberdade. Os valores próprios do mercado, a competição, o espírito de comerciante e o ludíbrio substituíram os ideais democráticos de verdade e justiça. As relações económicas substituíram as relações sociais. O poder do Estado tornou-se subordinado aos interesses das corporações. O domínio da política estreitou-se cada vez mais à medida que todos os grandes partidos se alistam ao serviço dos interesses das corporações.

O conflito entre os valores democráticos e os das corporações é ainda mais evidente ao nível pessoal. Na nova cultura global, onde as pessoas são recompensadas pela ganância, pela rudeza e pela ambição de subir a escada da carreira, pela capacidade de enganar e manipular os outros, pela vontade de explorar e de se ligar às pessoas certas e de guardar as opiniões pessoais para dentro, há cada vez menos espaço para a expressão dos valores e qualidades humanos, como a generosidade, a compaixão, o desinteresse pessoal, a vontade de procurar e expor a verdade, a coragem de lutar pela justiça.

É evidente que a manipulação dos valores da comunidade pelas corporações durante o século passado, combinada com a mobilização política dos interesses dos negócios para fazerem pressão sobre os governos nacionais através da OMC, dos bancos internacionais de desenvolvimento e dos mercados financeiros, vai contra o desenvolvimento de uma democracia inclusiva. A não ser que o poder das corporações seja contrariado através da mobilização de massas dos movimentos comunitários, não se poderá alcançar uma mudança real. Contudo, a mobilização de massas requer encontrar uma maneira de ajudar as pessoas a vislumbrar através da propaganda das corporações que permeia hoje em dia as sociedades modernas, desde os meios de comunicação de massas até aos sistemas de educação.

Notas:
[1] Robert L. Heilbroner, The Nature and Logic of Capitalism [A Natureza e Lógica do Capitalismo], New York, W.W. Norton & Co., 1985, p. 106.
[2] Alex Carey, Taking the Risk out of Democracy [Eliminar o Risco da Democracia], ed. Andrew Lohrey, Sydney, UNSW Press, 1995, p. 18.
[3] Strother Holland Walker e Paul Sklar, Business Finds Its Voice: Management’s Effort to Sell the Business Idea to the Public [Os Negócios Encontram a sua Voz: Tentativas da Gestão para Introduzir no Público a Ideia de Negócio], New York and London, Harper & Brothers, 1938, p. 1.
[4] Citado em ‘Violations of Free Speech and Rights of Labor’ [Violações da Liberdade de Palavra e Direitos do Trabalho], Comissão do Senado sobre Educação e Trabalho, 14 Agosto 1939, p. 44.
[5] Walker and Sklar, Business Finds Its Voice [Os Negócios Encontram a sua Voz], p. 1.
[6] Ibid., p. 5.
[7] Carey, Taking the Risk out of Democracy [Eliminar o Risco da Democracia], p. 147.
[8] Walker and Sklar, Business Finds Its Voice [Os Negócios Encontram a sua Voz], p. 53; citado em ‘Violations of Free Speech’ [Violações da Liberdade de Palavra], p. 3
[9] ‘Violations of Free Speech’ [Violações da Liberdade de Palavra], p. 48.
[10] Robert Lynd citado em Elizabeth A. Fones-Wolf, ‘Beneath Consensus: Business, Labor, and the Post-War Order’ [Abaixo do Consenso: Negócios, Trabalho e a Ordem do Pós-Guerra] (Doutoramento, University of Massachusetts, 1990), 39.
[11] ORC, ‘Industry and the Social Science Teacher’ [A Indústria e o Professor de Ciências Sociais], Princeton, NJ, Opinion Research Corporation, Abril 1947, p. 39; Elizabeth A. Fones-Wolf, Selling Free Enterprise: The Business Assault on Labor and Liberalism [Vendendo Livre Empresa: o Assalto dos Negócios contra o Trabalho e o Liberalismo], 1945-60, Urbana and Chicago, University of Illinois Press, 1994, p. 205.
[12] Fred Norris, ‘Basic Economics Courses for Industry’ [Cursos Básicos de Economia para a Indústria], Los Angeles, adaptado da Tese de Mestrado em Economia 1954, pp. 125, 132.
[13] Fones-Wolf, Selling Free Enterprise [Vendendo Livre Empresa], p. 204.
[14] Sharon Beder, The Nature of Sustainable Development [A Natureza do Desenvolvimento Sustentável], 2nd edn, Melbourne, Scribe Publications, 1996, p. xii.
[15] Michael Parenti, Inventing Reality: The Politics of the Mass Media [Inventar a Realidade: A Política dos Media], New York, St Martin’s Press, 1986, p. 67.
[16] Citado em David B. Burks, ‘Disenchantment with Business: A Mandate for Christian Ethics’ [Desencanto com os Negócios: Um Mandato para a Ética Cristã], The Entrepreneur, Agosto, 1977, p. 1.
[17] Citado em ACC, ‘74th Annual Report 1977-78’, Canberra, Australian Chamber of Commerce 1978a, p. 11 e ‘Why Business Finds It Tough to Polish Its Own Image’ [Porque é Difícil para os Negócios Polir a sua Própria Imagem], US News & World Report, 19 Setembro, 1977, p. 64.
[18] Conselho de Comunicação, ‘Program to Last Three to Five Years’ [Programa para Três a Cinco Anos], Economic Communicator, May, 1976e, p. 1; Conselho de Comunicação, ‘Corporate Effort: Economic Education’ [Acção das Corporações: Educação em Economia], Economic Communicator, May, 1976c, p. 1; Conselho de Comunicação, ‘On the Issues’ [Sobre as Questões], Economic Communicator, Setembro/Outubro, 1976, p. 3.
[19] Carey, Taking the Risk out of Democracy [Eliminar o Risco da Democracia], pp. 119, 125.
[20] Conselho de Comunicação, ‘Program to Last Three to Five Years’ [Programa para Três a Cinco Anos], p. 6; Conselho de Comunicação, ‘Corporate Effort’ [Acção das Corporações], pp. 1, 5; Barton A. Cummings, ‘The Advertising Council’s Campaign on Economic Education’ [A Campanha do Conselho de Comunicação sobre Educação em Economia], Abril, 1979
[21] Conselho de Comunicação, The American Economic System… And Your Part in It [O Sistema Económico Americano… e o Seu Papel Nele], New York, Advertising Council and the US. Department of Commerce, 1976a, pp. 3-5.
[22] Ibid., pp. 10-11.
[23] Carey, Taking the Risk out of Democracy [Eliminar o Risco da Democracia], pp. 87-88, 105, 112, 114; Cummings, ‘The Advertising Council’s Campaign on Economic Education’ [A Campanha do Conselho de Comunicação sobre Educação em Economia],
[24] Conselho de Comunicação, ‘A Status Report on the Advertising Council’s Public Service Campaign on the American Economic System’ [Relatório de Situação da Campanha de Serviço Público do Conselho de Comunicação sobre o Sistema Económico Americano], New York, Advertising Council sem data; Conselho de Comunicação, ‘Highlights of Results and Progress’ [Aspectos Importantes dos Resultados e Progresso], New York, Advertising Council, 1 Novembro 1977
[25] Conselho de Comunicação, ‘Highlights of Results and Progress’ [Pontos Importantes de Resultados e Progresso],
[26] Conselho de Comunicação, ‘Corporate Effort’ [Acção das Corporações] p. 5; Conselho de Comunicação, ‘Some Academic Efforts Aim at Secondary School Teachers’ [Algumas Acções Académicas Dirigidas a Professores da Escola Secundária], Economic Communicator, Julho, 1976b, p. 7.
[27] Conselho de Comunicação, ‘Corporate Materials to Build Economic Understanding’ [Materiais das Corporações para Aumentar a Compreensão da Economia], Economic Communicator, Julho, 1976g, p. 3; Ann Crittenden, ‘The Economic Wind’s Blowing toward the Right - for Now’ [Os Ventos da Economia Sopram para a Direita – por Agora], The New York Times, 16 Julho, 1978, p. 3.1..
[28] Conselho de Comunicação, ‘Chambers of Commerce Get Involved’ [Câmaras de Comércio Envolvidas], Economic Communicator, Setembro/Outubro, 1976d, p. 7.
[29] Michael Ivens (ed) International Papers on the Revival of Freedom and Enterprise [Artigos Internacionais sobre o Renascimento da Liberdade e da Empresa], London, AIMS, 1978, p. v.
[30] Frank Broadway, ‘Defending Free Enterprise: An Approach to the Schools’ [Defesa da Livre Empresa: uma Abordagem às Escolas], in Michael Ivens (ed) International Papers on the Revival of Freedom and Enterprise [Artigos Internacionais sobre o Renascimento da Liberdade e da Empresa], London, AIMS, 1978, p. 63.
[31] Ibid., p. 63.
[32] Ibid., p. 64.
[33] Carey, Taking the Risk out of Democracy [Eliminar o Risco da Democracia], pp. 87-88, 105, 112, 114.
[34] ACC, ‘Sixty-Eighth Annual Report 1971-72’, Canberra, The Australian Chamber of Commerce 1972
[35] ACC, ‘72nd Annual Report 1975-76’, Canberra, Australian Chamber of Commerce 1976b, p. 7; ACC, ‘Economic Education Campaign Phase 3’ [Campanha de Educação em Economia, Fase 3], The Australian Chamber of Commerce 1978b; ACC, ‘Economic Education Campaign Phase 2: Three Year Action Programme 1976-1978’ [Campanha de Educação em Economia, Fase 2: Programa de Acção de Três Anos], The Australian Chamber of Commerce 1976a, p. III.
[36] ACC, ‘72nd Annual Report 1975-76’, p. 16; ACC, ‘Economic Education Campaign’ [Campanha de Educação em Economia], p. I.
[37] ACC, ‘Economic Education Campaign’ [Campanha de Educação em Economia], pp. I-II; ACC, ‘74th Annual Report 1977-78’, p. 19.
[38] Alex Carey, ‘The Ideological Management Industry’ [A Indústria da Gestão Ideológica], in E. L. Wheelwright and K. D. Buckley (ed) Communications and the Media [Comunicações e os Media], Sydney, Allen and Unwin, 1987; Carey, Taking the Risk out of Democracy [Eliminar o Risco da Democracia], pp. 113, 116-7.
[39] Jack Keavney, ‘Enterprise Australia: A Case Study in Mobilisation’ [Enterprise Australia: um Estudo de Caso em Mobilização], in Michael Ivens (ed) International Papers on the Revival of Freedom and Enterprise [Artigos Inter


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