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As últimas mentiras de Hillary Clinton

Paul Craig Roberts* :: 14.10.10

No irreversível caminho para a decadência e o fim, o império norte-americano torna-se mais agressivo e perigoso.
As ameaças e sanções contra o Irão sucedem-se, apesar de “em 2009, as 16 agências de espionagem dos EUA divulgara(e)m um relatório onde por unanimidade, se reconhecia que o Irão havia abandonado o seu programa de criação de armas nucleares em 2003. Será que o Conselho de Segurança ignorou este relatório?

A secretária de Estado do governo estadunidense Hillary Clinton, afirmou que a base daquele país de mísseis balísticos na Polónia não se destina a ser usada contra a Rússia. Os objectivos dessa mesma base, acrescentou, são a protecção da Polónia da ameaça iraniana.

E por que obscuro motivo o Irão poderia representar uma ameaça para a Polónia? E que ajuizar da credibilidade dos EUA, depois de uma secretária de Estado do governo desse país, proferir declarações tão criminosas? Pensará Hillary que consegue enganar os russos só com estes argumentos? Haverá alguém no mundo que consiga acreditar nestas mentiras? E qual será o motivo verdadeiro de tão descaradas falsidades? Para se ir ganhando tempo enquanto que se prepara secretamente um ataque contra a Rússia?

A regra seguida por Hillary tem sido pautada pela ameaça do exercício de uma repressão lenta contra a democracia e as liberdades fundamentais um pouco por todo o mundo. Os jornalistas estadunidenses até se poderiam questionar sobre o facto de aquela governante se estar a referir aos EUA. Glenn Greenwald informou na sala oval no dia 4 de Julho, de que o Serviço de guarda-costas dos EUA, que não detém nenhum tipo de poder legislativo, emanou uma regra segundo a qual os jornalistas que se aproximarem sem autorização para tal a menos de vinte metros das operações de limpeza da BP a decorrer no golfo do México, seriam punidos com uma multa de 40.000 dólares e com uma pena de um a cinco anos de prisão. O jornal «New York Times» e numerosos jornalistas fizeram saber que a BP, os guarda-costas dos EUA, as forças de segurança interna e a polícia local proíbem aos jornalistas, fotografias dos volumosos prejuízos causados pelo derrame permanente do petróleo e de produtos químicos no golfo.

No dia 5 de Julho Hillary Clinton esteve em Tiflis na Geórgia, onde segundo o jornal «Washington Post», acusou a Rússia de «invasão e ocupação da Geórgia». A que propósito foi veiculada esta mentira? Até mesmo os Estados europeus fantoches prestaram esclarecimentos que responsabilizavam a Geórgia pelo início da guerra contra a Rússia, que para além disso perdeu rapidamente, tendo invadido a Ossétia do Sul num último esforço para derrotar os separatistas.

Seria verosímil a ideia de que todo o resto do mundo assim como o Conselho de Segurança da ONU tivessem dado aos estadunidenses a sua aprovação para apoiar mentiras vergonhosas com a finalidade de se promover deste modo a hegemonia mundial de Washington? De que forma tal supremacia poderia beneficiar o Conselho de Segurança e o próprio mundo? Afinal, que é que se está a passar?

Depois do presidente Clinton ter provocado o conflito entre a Sérvia e os albaneses do Kosovo, e de ter iludido a NATO ao arrastar esta organização para consumar a agressão militar contra a Sérvia, e uma vez que o presidente Bush, o vice-presidente Cheney, o secretário de Estado, o conselheiro nacional dos serviços secretos e quase todos os membros do regime de Bush enganaram a ONU e o mundo inteiro afirmando que Saddam Hussein possuiria armas de destruição massiva, conseguindo com estes subterfúgios e expedientes, deste modo, invadir o Iraque, por que motivo terá o Conselho de Segurança da ONU acreditado na mentira de Obama, segundo a qual o Irão disporia de um programa de criação de armas nucleares?

Em 2009, as 16 agências de espionagem dos EUA, divulgaram um relatório onde por unanimidade, se reconhecia que o Irão havia abandonado o seu programa de criação de armas nucleares em 2003. Será que o Conselho de Segurança ignorou este relatório?

Os inspectores de armas do Organismo Internacional de Energia Atómica que estiveram no terreno no Irão, relataram de forma credível de que não se verifica nenhum desvio de urânio do programa energético. Será que o Conselho de Segurança ignorou os relatórios da AIE?

Se não os ignorou, por que motivo aprovou o Conselho de Segurança sanções contra o Irão, por este país insistir no seu direito, respeitando o Tratado de Não Proliferação Nuclear, de desenvolver um programa de energia nuclear? As sanções da ONU são, pois, ilegais. Violam os direitos do Irão como subscritores desse mesmo tratado. Será esta a repressão lenta a que aludiu Hillary?

Simultaneamente às sanções que Washington pediu ao Conselho de Segurança, o regime de Obama acrescentou unilateralmente sanções ainda mais severas da parte dos próprios EUA. Por outras palavras, Obama utilizou as sanções da ONU, como pretexto para juntar-se-lhe as suas próprias sanções unilaterais. Talvez esta seja mesmo a tal repressão lenta a que se referiu Hillary!

Por que motivo terá o Conselho de Segurança da ONU dado na prática luz verde ao regime de Obama, para se começar mais uma guerra no Médio Oriente?

Por que motivo se terá a Rússia posto de parte? Por causa da insistência de Washington, o governo russo não entregou o sistema de defesa aérea adquirido pelo Irão. Pensará a Rússia que o Irão representa uma ameaça maior que os estadunidenses, que cercaram a Rússia com bases de mísseis e militares dos EUA e financiam revoluções coloridas em territórios que outrora pertenciam aos impérios russo e soviético?

Por que razão se pôs a China de parte? A economia chinesa em acelerado crescimento precisa de inúmeros recursos energéticos. A China dispõe de importantes investimentos nessa área no Irão. Os EUA praticam a política de travar a China negando a este país o acesso à energia. China é o banco dos EUA. A China poderia destruir o dólar estadunidense em poucos minutos.

Talvez a Rússia e a China tenham decidido deixar que os estadunidenses estendam demasiada e perigosamente a sua área de influência até acabarem por se destruir a si próprios.

Por outro lado, talvez todos estejam a cometer graves erros estratégicos e a preparar mais mortes e destruição que o resto do mundo possa eventualmente conceber.

Tal como o provoca o Golfo do México.

* Paul Craig Roberts foi editor do jornal “Wall Street Journal” e secretário adjunto do Tesouro no governo de Ronald Reagan

Fonte : http//www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=20117

Tradução de João Hinard de Pádua


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