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Clima de Guerra ou a Guerra do Clima

Guilherme Alves Coelho* :: 16.11.10

É cada vez maior o número de especialistas que aponta a responsabilidade do homem na maioria das catástrofes ditas naturais, como é o caso da ocorrida na Ilha da Madeira no início do ano e do derrame de crude no Golfo do México ao longo de vários meses de 2010.
Por detrás desta criminosa acção humana está sempre o lucro – objectivo único do sistema capitalista.

Uma sucessão crescente de catástrofes “naturais”.

2010, foi mais um ano de catástrofes ambientais suspeitas. Por todo o mundo se bateram recordes de inundações, sismos, fogos, secas, mortos, feridos e desalojados.

Se estes acontecimentos foram surpreendentes pela sua quantidade e amplitude, eles inscrevem-se porém numa série incomum de fenómenos geo-climáticos semelhantes, que se foram multiplicando ao longo dos últimos anos, um pouco por todo o mundo, a uma cadência e com uma magnitude crescente de ano para ano. [1]

Especialistas, técnicos ou simples cidadãos, interrogam-se sobre as razões destes acontecimentos. Serão consequências das tão propagandeadas e pouco debatidas alterações climáticas? Serão fruto da negligência e da ganância sem limites? Ou será ainda algo mais grave?

O ano de 2010 veio, de certo modo, dar resposta a muitas destas interrogações; veio reforçar as opiniões anteriores de muitos especialistas acerca da responsabilidade humana na maioria das catástrofes ditas naturais; veio revelar facetas da intervenção humana até agora pouco conhecidas; veio confirmar que muitos desses desastres até proporcionam lucros fabulosos; veio levantar a suspeita de que por esse motivo, e de acordo com a lógica do mercado, alguns possam ter sido provocadas propositadamente para obtenção de lucro [2]; e veio finalmente revelar que esse procedimento já estava a ser levado às últimas consequências com um objectivo mais vasto e perverso: a sua utilização como arma de guerra.

As cheias na Madeira: um exemplo de “catástrofe natural”.

O caso mais grave ocorrido em território português deu-se no inicio do ano na Ilha da Madeira. Uma conjugação pouco habitual de chuvas intensas num curto intervalo de tempo, provocou o transbordo das águas das ribeiras e o arrastamento de toda a espécie de detritos, não só os naturais - rochas, lama, árvores, etc., mas também, e principalmente, os construídos - estradas, pontes, casas, veículos, para além de animais e pessoas. Segundo os últimos balanços terá havido pelo menos 42 mortos e vários milhões de euros de prejuízos. Ainda de acordo com algumas informações, os prejuízos materiais e humanos serão muito superiores a anteriores situações semelhantes.

Situada em pleno Atlântico, a ilha da Madeira é uma das duas únicas regiões autónomas de Portugal. Vive essencialmente do turismo e do dinheiro dos contribuintes do Continente. É um paraíso fiscal. A sua orografia mostra um pico e encostas íngremes em todos os quadrantes, pelas quais descem inúmeros cursos de água: as ribeiras. A sobreocupação destas encostas com construções é um facto conhecido.

Corre na internet um pequeno documentário apresentado há 2 anos na TV, em que vários técnicos alertavam para o perigo das construções que continuavam a erguer-se na ilha em leitos de cheia, em clara violação da lei [3]. Bastaram dois anos para confirmar a justeza desses avisos.

Porém, para os dois responsáveis máximos por estes assuntos na Madeira - o Presidente do Governo Regional e o Presidente da Câmara do Funchal - estes avisos não passavam de calúnias de «alguns irresponsáveis». Na sua perspectiva tudo estaria em ordem. Tudo estaria nos lugares certos. Á excepção da natureza.

Como é sua missão, rapidamente a Comunicação Social corporativa se apressou dar cobertura a esta versão e a apresentar a situação como uma «catástrofe natural». Para ela solicitavam a habitual onda de solidariedade em part time, vulgo caridade, afastando assim, subliminarmente, qualquer responsabilidade humana no assunto.

O planeamento do território, a prevenção, bem como o seu cumprimento rigoroso, não fazem parte do ideário do capitalismo, seja ele aplicado por socialistas, democratas-cristãos ou social-democratas, como é o caso. Sem planos urbanísticos a especulação imobiliária avança melhor. E com ela aumentam a incúria e o desleixo, multiplicam-se os erros. Se algo correr mal, como agora, serão assacadas responsabilidades à natureza. Tal procedimento até pode ser útil: fazer reverter a reconstrução não como prejuízo, mas como vantagem para a economia (de alguns). Ao contrário do aforismo popular, a sua máxima parece ser «mais vale remediar do que prevenir».

O furo do Golfo do México: a ambição para além da razão.

O acontecimento mais marcante do ano no mundo, em termos de desastre provocado pelo homem, será provavelmente a fuga de crude do furo petrolífero no golfo do México, ao largo dos EUA, da responsabilidade da empresa petrolífera BP. Depois do tufão Katrina, na mesma zona (quiçá fruto também de experiências mal sucedidas), esta catástrofe ameaça pôr em causa a vida naquela parte do globo e poderá alastrar-se para além dela de forma descontrolada [4].

A autorização para a exploração foi especialmente dada por Obama por se tratar de uma zona de captação profunda onde não havia qualquer experiência anterior nem esquemas de segurança adequados. Embora as autoridades norte-americanas tivessem sido alertadas para isso não deram muita importância ao caso. Após algum tempo de exploração a plataforma explodiu e a fuga de crude para o mar entrou em descontrole total.

As várias tentativas de estancar o derrame não produziram qualquer resultado. O que ficou demonstrado foi que, com uma tecnologia totalmente virada para a guerra, quer norte-americanos quer ingleses pouco ou nada sabiam sobre a forma de curar uma ferida daquele tipo. A tão badalada superioridade técnica anglo-saxónica ficou bastante abalada. Não obstante, com a arrogância que lhes é própria, prosseguiram galhardamente, exibindo a sua ignorância e leviandade. Alguns chegaram ao extremo ridículo de acusar outros países de um hipotético ataque aos EUA.

O escândalo tomara tais dimensões que na tentativa de esconder esta incapacidade e a gravidade da situação os jornalistas foram proibidos de informar sobre o assunto. Enquanto as imagens autorizadas oficialmente, repetidas à exaustão nas televisões de todo o mundo mostravam uma aparente pequena fuga, as poucas notícias que se conseguiam não oficialmente iam revelando que a situação se agravava de dia para dia e a solução para estancar o derrame estava cada vez mais longe. Especialistas chegaram a afirmar que se estaria não apenas perante um simples acidente de percurso, embora difícil de resolver, mas face ao maior acidente ecológico jamais ocorrido no país, senão mesmo o mais grave de sempre em todo o mundo. Se a principio se falava numa fuga diária equivalente a cerca de um navio tanque, mais tarde esse número passava a quatro.

Após a anunciada solução final para o caso ter mais uma vez redundado em fracasso, em Julho, afirmaram alguns especialistas que, longe de se tratar de um simples furo, a verdade era que o crude jorrava descontroladamente por uma ou várias fendas que avaliavam ser já do tamanho do Himalaia. Por baixo estaria uma toalha de proporções gigantescas, cujo esgotamento não estava à vista. Esses técnicos previam que, a manter-se esse ritmo de fuga, o que seria bastante provável, ela iria durar anos e a mancha inundaria todas as costas do golfo, passando depois para o Atlântico arrastada pela corrente do Golfo. Prognosticavam ainda que, se isso acontecesse, o mais provável seria a eliminação irreversível de toda a vida no Atlântico Norte. Chegada à costa ocidental da Europa, estas tenderiam a gelar. A Inglaterra seria a primeira vítima.

Nunca mais houve notícias excepto a de que o problema estava solucionado. Mas a suspeita de que os acontecimentos ultrapassaram as capacidades humanas adensa-se. Hoje um silêncio sepulcral como os que precedem a revelação das más notícias alastra como a própria mancha de crude. Organizações ambientalistas, tão lestas em outras ocasiões, estão mudas e quedas, segundo se diz, para não afrontarem o gigante BP.

Nada parece fazer parar a ambição desmedida do capital na rapina incontrolada deste esgotado planeta. Desde a exploração mineira, á petrolífera, vale tudo. Esta ganância desenfreada conta com a cumplicidade de muitos governos ditos democráticos.

O número de derrocadas em explorações mineiras seja na China, seja no Chile, bem como os desastres em plataformas petrolíferas, já para não falar nos desastres ignorados que ocorrem diariamente nas mais diversas obras por todo o planeta, mostra bem esse desprezo do capital pelas condições de trabalho a que são sujeitos os trabalhadores.

Como em tantas ocasiões ao longo da história, mais uma vez a ambição se sobrepôs à razão.

HAARP: uma nova arma de destruição maciça?

Mas quando julgávamos que tudo tinha já sido dito eis que surgem revelações sobre prováveis novas causas de alterações climáticas. Desde há alguns anos que havia suspeitas sobre o desenvolvimento pelos EUA e provavelmente outros países, de um novo dispositivo técnico de ionização da atmosfera, denominado HAARP, que provocaria fenómenos geo-climáticos, como sismos, furacões, tsunamis, etc., com a aparência de serem de origem natural [5].

Segundo um alto quadro da marinha russa, esse dispositivo seria uma nova arma que estaria em desenvolvimento tendo em vista uma guerra climática global. Ela permitiria lançar o caos no país a atacar, enfraquecer as defesas e facilitar a subsequente invasão. As últimas catástrofes, em várias partes do globo, seriam já consequência de experiências nesse sentido. O canal televisivo Canal História apresentado em Julho deste ano, afirma mesmo que tal dispositivo teria já terminado a fase de instalação e experimentação e estaria a ser utilizado por todo o mundo. As instalações seriam localizadas em pelo menos cinco locais, sendo dois em território dos EUA, um numa base norte-americana na América Central, outra algures na Europa e uma última na Ásia.

Foi o sismo do Haiti que despoletou a questão da HAARP com mais intensidade. Deu nas vistas o aparato militar norte-americano que nas vésperas do sismo cercava o território, cujas tropas, logo após este suceder se apressaram a desembarcar. Não para levarem ajuda humanitária, mas para garantirem a segurança! No próprio momento do sismo os comandantes militares já se encontravam na embaixada norte-americana, por sinal um edifício de construção anti-sísmica. Daí á suspeitar-se que o sismo tenha sido provocado foi um pequeno passo.

Revela o analista francês Thierry Meyssan [6] que as experiências com a nova arma teriam tido início nos finais da 2ª guerra mundial por técnicos neo-zelandeses para provocar tsunamis contra os japoneses. Prosseguidas por australianos foram depois desenvolvidas pelos norte-americanos que lhe atribuíram um grau de importância equivalente ao da bomba atómica. Durante a guerra do Vietname a nova tecnologia teria sido usada com eficácia do ponto de vista técnico/climático, mas com pouco êxito militar. A partir de 1975 os soviéticos teriam desenvolvido um programa pacífico com o objectivo de provocar pequenos sismos de molde a «esvaziar» os grandes sismos da sua energia e evitar maiores catástrofes. Após a derrota da URSS, com Boris Yeltsin, os técnicos e os laboratórios soviéticos teriam sido comprados pelos militares norte-americanos e integrados no programa HAARP.

Alguns usos possíveis da nova arma teriam sido na Argélia e na Turquia, mas o caso mais discutido é o do sismo de Sichuan na China em 12 de Maio de 2008.

Nada disto surpreende. Considerando os antecedentes históricos e a ambição de domínio planetário largamente expressa pelos EUA e seus aliados, não admira que todos os meios sirvam esses fins.

Porém, nada disto nos poderá fazer esquecer que o urânio empobrecido continua a ser derramado sobre iraquianos, afegãos e palestinianos, provocando milhares de mortes imediatas e doenças genéticas por gerações, e que no Vietname, trinta e cinco anos depois da guerra, o Agente Laranja despejado sobre os seus habitantes ainda hoje continua a matar.

Conclusão

Voltamos à questão inicial. Não há catástrofes naturais. Existem sim fenómenos naturais que a acção do homem transforma em catástrofes. A maioria delas por negligência e quase todas por ambição de alguns, aproveitando-se, como os abutres, das circunstâncias e da desgraça alheia. Mas para esses isso parece já não chegar. Se as catástrofes dão lucro porque não ampliar o mercado, provocando-as? E já agora – autêntico dois em um – que tal utilizar esse conhecimento para fazer a guerra? Aí temos mais uma vez a inteligência humana posta ao serviço da perversidade e da insanidade. Não para salvar as pessoas das catástrofes, mas para submeter ainda mais aquelas que sobrarem vivas.

Como sempre, por trás de tudo isto, o suspeito do costume, a plutocracia, o governo dos ricos, um relativamente reduzido grupo de fanáticos que se instituiu a si próprio como guardião da civilização em todo o mundo, e se julga imune á barbárie que provoca. Como já é, infelizmente, habitual, os EUA e o seu satélite Israel a proclamarem inconscientemente uma guerra santa como salvação da humanidade, que bem poderá ser a última. Como se, após terem aberto a Caixa de Pandora pudessem escapar à maldição dos Deuses, numa qualquer Arca de Noé espacial.
Até quando o mundo o irá permitir?

2010-09-14

Notas:
[1] Principais catástrofes ambientais durante o ano:
Dez.2009 - Um tufão como nunca antes fora visto em Portugal atinge a região do oeste de Lisboa destruindo tudo à sua passagem.
Janeiro – Brasil - derrocadas provocadas por chuvas torrenciais em Angra dos Reis no causam dezenas de mortes.
– o Haiti é atingido por um terramoto grau 7 causando dezenas de milhar de mortos. - 200 mil (em 25/8)
Junho
– Brasil (Palmares, Recife) – enxurrada fluvial com 15m de altura arrastou milhares de pessoas e casas.
- Rio de Janeiro - mais de 227 vítimas fatais e mais de 52 mil pessoas desabrigadas e desalojadas.
Agosto
–China: avalanches – Deslizamentos de terras no noroeste da China provocaram 702 mortos e 1148 desaparecidos.
- Rússia: seca e fogos queimam milhares de hectares chegando a arder resíduos radioactivos de outra catástrofe anterior em Chernobyl.
- Japão - Terramoto de 7,2 grau
- Vanuatu terramoto de 6,2 graus
- América Latina em geral - sismos quase diários em vários países da cordilheira dos Andes.
- Chile: Desastre mineiro - Consequência lógica do modelo de saque, depredador e explorador, imposto desde o golpe de 1973 e continuado em «democracia».- Alirio Herera (La Haine)
- Paquistão – cheias. Cerca de 1/5 do país debaixo de água. Milhares de mortos. Milhões de desalojados.
- Índia – inundações. Milhares de desalojados
- Inundações na Europa central e secas e fogos em outros países como Portugal.
[2] A investigadora norte–americana Naomi Klein no livro «A doutrina do choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre» chamou a este modelo de capitalismo, que se aproveita da desgraça alheia, «Capitalismo de desastre». «Essa exploração das situações de crise afectam as colectividades humanas, paralisa- nos diante do medo, e nos torna impotentes diante da realidade».
[3] (http://www.youtube.com/watch?v=aTf0h3nobAs)
[4] - F. William Engdahl, - «A fuga de petróleo pode perdurar anos se não for travada», in Resistir.info.
[5] Ver Michel Chossudovsky, «Owning the Weather” for Military Use» , Global Research, September 27, 2004.
[6] Voltairenet.com – «Haiti et l’arme sismique»)

Bibliografia
- Thierry Meyssan, “1997-2010” : L’écologie financiére”, in Voltairenet.org
- Zavier Cano Tamayo, “A verdadeira origem da tragédia no Haiti”, in Resistir. info.
- Marcello Sales, “As derrocadas no Brasil”, in Carta Maior
- Michael R. Kratke - “BP – uma bomba relógio no sistema financeiro internacional.”
- Michel Chossudovsky, “O papel de Israel no desencadear de um ataque ao Irão.”


https://www.odiario.info