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KKE: Na linha de frente das lutas de hoje contra a nova tempestade dirigida contra a classe trabalhadora

Aleka Papariga :: 10.05.12

Publicamos a Declaração de Aleka Papariga feita no dia seguinte às eleições na Grécia. Posteriormente a esta declaração foi já publicada também uma Declaração do CC do KKE. Quando se verifica por todo o lado, e inevitavelmente também no nosso país, o renovar de uma violenta campanha contra os comunistas gregos, é indispensável conhecer o que eles próprios dizem e não a grosseira caricatura que é feita das suas posições. Os oportunistas, para poderem dormir descansados, têm de ter a memória curta. Se na área do BE houvesse um pouco de vergonha, o que vários dos seus militantes deveriam fazer não seria insultar o KKE, seria pedir desculpa ao povo grego por terem votado, na Assembleia da República, a favor da “ajuda” da troika que hoje arruina a Grécia.

Declaração da Secretária Geral do Comité Central do Partido Comunista da Grécia (KKE), Aleka Papariga, sobre os resultados eleitorais de 06 de Maio de 2012
07/05/2012

“Os resultados das eleições mostram, em definitivo, uma reversão do cenário político com que estávamos familiarizados com a interrupção da rotatividade entre dois partidos, o PASOK e o ND. Estamos ingressando em uma fase de transição onde haverá uma tentativa de criar um novo cenário político com novas formações, novas figuras, com uma orientação de centro-direita ou com base em uma nova social-democracia, que terá SYRIZA no seu núcleo, visando impedir o radicalismo crescente das pessoas que levaria a uma mudança em favor do povo. Como decorrência destas eleições, ou de eleições em futuro breve (NT: diante de um resultado eleitoral que não permita a formação de um novo governo, é possível, não provável, a convocação de novas eleições), haverá uma tentativa de formar um governo com a participação de todos os partidos, um governo de unidade nacional, ou um governo de coligação que vise, justamente, evitar a criação de uma corrente maioritária que lute por mudanças.

Dirigimo-nos aos membros do partido, aos membros da KNE (juventude comunista grega), aos amigos, aos apoiantes, aos eleitores, às pessoas que colaboraram com o partido, a todos que estiveram connosco na linha de frente do movimento e da batalha eleitoral, para convocá-los a estarem de novo na linha da frente das lutas dos próximos dias porque são prementes as sérias questões em andamento, tais como os acordos coletivos de trabalho, a protecção dos desempregados, a falência dos fundos de segurança social, as novas medidas que implicam num montante entre 11,5 a 14,5 milhares de milhões de euros que serão pagos através dos bolsos do povo. Não podemos perder tempo. As pessoas não devem perder tempo.

Apelamos aos eleitores do PASOK e do ND, em particular àqueles que pertencem à classe trabalhadora e a outros estratos populares para estarem na linha de frente também, connosco e com outras militâncias, nas lutas, nos locais de trabalho, nas escolas e universidades, nos bairros populares. Assim juntos teremos condições de dar um novo impulso e um carácter de massas à luta. Chamamos a atenção das pessoas para não serem enganadas pela tentativa de mascarar o sistema político que terá lugar nos dias e meses a seguir. Os resultados das eleições, apesar dos votos estarem dispersos em ambas as direcções, direita e esquerda, demonstram, objetivamente, uma tendência positiva: as mudanças radicais estão amadurecendo ou amadurecerão na consciência popular, o movimento por mudanças vai amadurecer e que esse movimento não estará longe, ou, mais ainda, não estará em oposição à proposta política do KKE sobre os problemas imediatos, para a formação do poder popular, do poder aos trabalhadores.

Consideramos significativo, positivo e, ao mesmo tempo, um grande legado para o próximo período o facto de enfrentarmos, com nossas próprias forças, os pró-europeus, as forças pró-União Europeia na sua totalidade, independentemente das posições que tomaram sobre o memorando (o acordo sobre as medidas de austeridade), o facto de lutarmos para promover a nossa própria proposta alternativa que dá uma resposta satisfatória aos interesses do povo. Consideramos que nossa proposta constitui um legado significativo para o povo e, claro, irá adicionar um novo impulso às lutas do povo. Nós sentimos que as nossas responsabilidades e o nosso papel em relação ao povo e seus problemas devem ser reforçados e acreditamos - na verdade temos a certeza - que continuaremos a ser a força insubstituível que defende os interesses do povo.

Quanto ao resultado da eleição do KKE: é claro que o Comitê Central vai emitir uma avaliação mais profunda, depois de estudar os resultados como um todo e as tendências do eleitorado em cada região, de modo a tirar conclusões mais completas. Mas podemos dizer que o KKE ultrapassou, literalmente, obstáculos em ambos os lados. De um lado havia a raiva, o protesto, a indignação, absolutamente justificadas, que se manifestavam porém sem convergência, sem uma focagem e do outro lado havia as ilusões. Como os resultados mostram até agora, o KKE teve um pequeno crescimento eleitoral. Claro que gostaríamos de ter obtido um resultado melhor. No entanto, é preciso dizer que o CC e o Partido, como um todo, não tinham ilusões de que a votação do KKE cresceria exponencialmente, isto porque o desempenho do KKE nas eleições estava, acima de tudo, relacionado com a formação não só de um movimento de pessoas militantes, como também visava a formação de uma poderosa corrente maioritária que se livraria dos falsos dilemas bem conhecidos, como também das ilusões restauradas pelo Governo e a Troika.

O KKE havia tornado público, oportunamente e sem qualquer hesitação, antes das eleições, qual o seu posicionamento em relação a qualquer governo que surgisse das eleições, fosse de centro-direita, de centro-esquerda ou de “esquerda”, ou ainda, o caso de um governo de união nacional ou governo de todos os partidos como está sendo discutido agora.

Esclarecemos a nossa posição: temos a certeza de que nem o PASOK, nem o ND, nos oferecerão uma proposta de cooperação-coligação. Eles estão bem conscientes das diferenças profundas entre nós. Mas gostaríamos de responder, mais uma vez, à proposta que SYRIZA repetiu após as eleições, relativa à formação de um governo de esquerda. Vamos responder com clareza, sem invocar o que todos nós podemos ver, ou seja, que os votos e os lugares não são suficientes. Talvez SYRIZA acredite que o número de lugares no Parlamento seja suficiente porque vai tentar ganhar apoio e votos de deputados de todos os outros partidos. Nós esclarecemos a nossa posição: continuamos a dizer não a essa coligação porque, em última análise, não chegamos a essa posição de não participar de coligação governamental em virtude de nossas eventuais expectativas, altas ou baixas, em relação aos resultados das eleições.

Ouvimos que o presidente do SYRIZA vai pedir uma reunião e que quer manter discussões reservadas sobre o programa do governo de coligação. Logicamente quem faz uma proposta para um governo de coligação deveria ter dito em detalhe, antes das eleições, o que irá fazer em Junho, em Julho, em relação a questões concretas, etc., em vez de slogans gerais e denúncias gerais do memorando. Pelo menos tais propostas deveriam estar prontas agora. O que eles querem exactamente? Apenas ouvimos falar sobre algumas compensações que podem ser asseguradas ou outras coisas que tais.

No entanto, um governo, independentemente de sua composição, deve lidar com todo o espectro dos problemas. Não deveria apenas denunciar o memorando, mas devolver ao povo os direitos, os benefícios que foram abolidos antes da ocorrência do memorando - porque a maioria desses direitos foram perdidos antes do memorando, bem como muitos outros foram abolidos após o memorando. Um governo tem que administrar tudo e não apenas o auxílio ao desemprego, como foi mencionado. Tem de gerir as questões da economia, a posição dos grupos empresariais em relação aos trabalhadores, a lista das privatizações adoptada nos anos anteriores. Tem de lidar com questões de política externa, como os compromissos gerais com a UE, a NATO, a aliança estratégica com os EUA. Não se pode falar em governo que se reduza a rasgar em pedaços os acordos, faça uma política abstracta e só promova o pacote de medidas do dia seguinte.

Para concordar com tal governo, o KKE precisaria fazer uma viragem de 180°, ou um salto mortal e não apenas um pequeno recuo, um pequeno desvio. Faria uma mudança radical. Acima de tudo, faria concessões inaceitáveis porque não dizem respeito aos interesses do povo. Talvez as pessoas não estejam interessadas na pureza ideológica dos vários partidos, mas, sim, em um partido que, durante todos estes anos, desde o primeiro momento de sua fundação, tem estado na linha de frente da luta e não quer abandonar esta posição em troca alguns ministérios. As pessoas não precisam de outro tipo de KKE “.

ATENAS
06/05/2012
A Assessoria de Imprensa do CC do KKE
(tradução do PCB)


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