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As FARC-EP alertam que o governo procura um pretexto para romper o processo de paz
Declaração do Estado Maior Central das FARC-EP

Estado Maior Central das FARC-EP :: 11.03.13

Os progressos na Mesa de diálogo de Havana, os primeiros passos no sentido da construção do Acordo de Paz, não podem ser postos em risco desfigurando a verdade em torno da responsabilidade histórica da acumulação violenta da terra, como uma das causas do conflito. A verdade pura e limpa deve guiar os passos da Colômbia no sentido do bem superior da paz como direito. Discursos pensados para ganhar pontos nas sondagens, ditados por veleidades eleitorais, ou pela intenção de desprestigiar o interlocutor insurgente, não correspondem à solenidade desta aspiração nacional.

Se, como assegura Santos, “a medida para avaliar se há ou não progressos no processo de paz está em Cuba, e não em cartas nem em declarações”, muito menos está em discursos infelizes como o de San Vicente. Torna-se surpreendente ouvir que se não se verificarem progressos em Havana o governo se levanta da mesa, quando as FARC já apresentaram mais de 40 propostas para dinamizar o processo.

Face a esta situação, em sintonia plena com o seu chefe, o Estado Maior Central das FARC-EP, declara:

1. Pretende-se de forma mal-intencionada e perversa desviar a atenção acerca das reais causas e dos verdadeiros responsáveis pelo saque de terras de cerca de 8 milhões de hectares ocorrido no nosso país nas últimas duas décadas, fruto da violência estatal e paramilitar. Como é amplamente sabido tal saque foi concebido como política de Estado para facilitar a entrega de boa parte do território nacional às transnacionais que hoje exploram, graças a contratos leoninos, os nossos recursos minero-energéticos, produzindo para além disso severos danos ambientais.
2. A ocupação de terras baldias do Estado por parte de colonos camponeses, seja de forma individual ou organizada, isto é, a reforma agraria de facto realizada por camponeses sem terra ao longo de varias décadas para reivindicar as suas aspirações à terra e a uma vida melhor, pretende agora ser apresentada como uma acção criminosa e de enriquecimento por parte das FARC-EP, ao arrepio de toda a verdade e da realidade. O Estado-vitimador e saqueador pretende transformar-se em Estado-vítima saqueado.
3. Por detrás das afirmações referidas encontra-se na realidade o pretexto para realizar um novo ciclo de saque, acompanhado pela criminalização de camponeses que ao longo de décadas têm mantido a posse dessas terras, declarando-os testas de ferro de propriedades cujos títulos nem sequer existem.
4. Tal como propõe o comandante Timoleón na sua mensagem ao presidente Santos, propomos a activação de uma comissão de alto nível a fim de esclarecer a verdade sobre o suposto saque das FARC-EP, integrada por representantes do governo nacional, dos camponeses, das FARC-EP e da comunidade internacional, para que de imediato seja definido um roteiro de trabalho e seja apresentado com a maior brevidade possível um relatório sobre as nossas supostas propriedades e os alegados testas de ferro. Pela nossa parte sugerimos, como observadores internacionais, a CELAC e o ex presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

5. Essa Comissão deverá ocupar-se também da investigação e verificação das múltiplas denuncias e testemunhos acerca do saque no qual estão comprometidos grandes latifundiários, empresários, funcionários do Estado e empresas transnacionais.

6. Reiteramos perante a sociedade colombiana o nosso compromisso de não regatear esforços na Mesa de diálogos de Havana para contribuir para o desejado acesso à terra que as classes dominantes têm negado aos camponeses sem terra, aos trabalhadores e operários agrícolas, aos despossuídos das cidades e às mulheres da Colômbia.

Esperamos que não ocorra ao governo repudiar a mesa. Apelamos ao povo de Colômbia a que se mobilize em defesa do processo de paz, a que não permita que nos seja roubada esta esperança. Em nome das FARC-EP, a nossa saudação e voz de encorajamento às Constituintes pela Paz que hoje têm lugar em todo o território nacional.

Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas de Colômbia, 26 de Fevereiro de 2013

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