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Contra a intervenção militar na República Centro-Africana

CPPC :: 22.01.14

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) denuncia mais uma intervenção militar da União Europeia na em África, com o anúncio da disposição de enviar centenas de soldados para a República Centro-Africana, onde já se encontram a intervir soldados franceses. Ao anunciar esta intenção, a União Europeia está fundamentalmente a branquear a intervenção francesa e os seus objectivos neocoloniais. Recorde-se que a França, onde se verifica uma profunda crise económica e social, tem vindo a assumir um crescente intervencionismo e agressividade militar na sua política externa, designadamente no continente africano, como na Costa do Marfim, na Líbia ou no Mali.

No fundo, a União Europeia assume-se como pilar europeu da NATO e concretizando o respectivo conceito estratégico.
O CPPC sublinha que a UE não tem autoridade para decidir sobre o envio de tropas para a Republica Centro Africana, sendo tal uma competência da ONU, nomeadamente tendo em conta a posição da União Africana (anterior Organização de Unidade Africana).

A situação que se vive na República Centro Africana, de aparentes conflitos religiosos, não é alheia aos interesses económicos de exploração de recursos naturais deste país e desta região africana.

A solução do conflito na República Centro-Africana passará necessariamente pelo fim da ingerência daqueles que apenas visam a rapina dos seus recursos naturais, promovendo e exacerbando as contradições e problemas existentes para deles tirar partido em seu proveito e justificar a sua intervenção.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação não só denuncia a decisão da União Europeia, como exige do governo português o respeito pelo ponto 1 do artigo 7º da Constituição da República Portuguesa, designadamente quando se afirma “ Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e progresso da humanidade.”


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