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O imperialismo e a sua ligação ao Estado Islâmico

Gonzelo Aragonéz :: 14.09.16

Neste artigo, publicado en La Vanguardia de Barcelona, o autor comenta a nomeação do tajique Gulmurad Jalimov para comandante militar do chamado Estado Islâmico após a morte de Tarjan Batirashvili abatido pela força aérea dos Estados Unidos. Esclarece ainda que Jarimov foi treinado por militares americanos

A subida do supersoldado tajique à chefia militar do Estado Islâmico (EI) é uma prova da atracção que o grupo terrorista exerce nos islamistas radicais das ex repúblicas soviéticas. Segundo as agencias IRNA (Irão) e Al Sumaria (Iraque), Jalimov tornou-se o chefe militar dos jiadistas que fazem a guerra no Iraque e na Síria.

Jalimov, um franco-atirador de 41 anos, era comandante das forças especiais do Tajiquistão com a patente de coronel. Mas em Abril de 2015 desertou e passou para o EI. Desde então, apareceu em vários vídeos do grupo apelando à guerra santa contra o Ocidente.

«O EI não informou oficialmente, porque tem medo que se torne num objectivo dos ataques aéreos», dizia uma das notas da agência.

Jalimov substituiu no comando Tarjan Batirashvili, que foi vitima de um bombardeamento de avoess norte- americanos. Conhecido pelo seu nome de guerra, Abu Omar al-Ahishani, que em árabe quer dizer o «checheno», morreu em Julho passado, durante uma batalha em Al-Shirqat, no Iraque.

Tal como Jalimov, Batirashvili procedia do território ex soviético. Sargento do exército da Geórgia, deixou o uniforme pouco depois da curta guerra que o seu país manteve contra a Rússia em 2008. Desde 2012 os serviços de inteligência ocidentais situavam-no na Síria.

Três anos depois, Jalimov seguiu o mesmo caminho. No 1.o de Maio de 2015 os órgãos de segurança tajiques situam-no no aeroporto Sheremetevo de Moscovo, onde tinha chegado num voo procedente do seu país. Posteriormente voou para a Turquia, de onde previsivelmente entrou na Síria. «Desde o princípio do ano estava apaixonado pelo estado islâmico. Lia tudo na Internet sobre a sua ideologia, entrava em discussão com os colegas para os convencer de que o EI tinha razão. Propôs até, para apoiar o EI, ir à Síria para combater- disse um ex companheiro à agência russa Interfax. Segundo as autoridades do Tajiquistão, que o procuravam para o capturar, convenceu vários conhecidos, que viajaram com ele.

Segundo a web da BBC em russo, em Fevereiro de 2016 a mulher seguiu-o na companhia de quatro filhos menores de idade. Pensam que tenha mais quatro.

A deserção do coronel tajique chamou também a atenção das autoridades dos Estados Unidos, já que tinha tomado parte nos seus cursos de treino de luta antiterrorista. Em Agosto último o Departamento de Estado dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de três milhões de dólares por informações sobre o seu paradeiro.

Calcula-se que o EI tenha cerca de 10 0000 combatentes procedentes da Rússia e outras ex repúblicas soviéticas, segundo dados apresentados em Junho passado por Nikolai Bordiuzha, secretário geral da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, a aliança militar de vários países ex soviéticos. O governo do Tajiquistão julga que 200 são tajiques e que pelo menos 40 morreram na guerra da Síria.


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