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Itália, base e trampolim dos EUA em direcção a África

Manlio Dinucci  :: 15.10.16

Existe na Itália, desde o final da II Guerra, um conjunto de importantes bases militares dos EUA. Daí vêm sendo lançadas operações da ofensiva no Médio Oriente e em África, tal como antes sucedeu em relação aos balcãs. Acompanhados pela França – cuja posição geográfica a dispensa de utilizar solo alheio – os EUA empreendem a partir daí as missões de ocupação e recolonização actualmente em curso.

Enquanto os focos da atenção político-mediática apontam para a Síria, centro de uma colossal operação psicológica (PsyOp) para apresentar os agredidos como agressores, o que sucede em outras partes do Médio Oriente e em África mantém-se na sombra.

EUA, Arabia Saudita, Qatar, Kuwait e os Emiratos Árabes Unidos – países que desde há 5 anos impõem à Síria uma guerra através de forças terroristas infiltradas e que agora atribuem ao governo sírio crimes de guerra, financiando para isso a exposição fotográfica nesta altura apresentada em Roma (http://lahaine.org/fB4i) – continuam a massacrar civis no Iémen. E nesse massacre participa o CentCom, com ataques «antiterroristas» cuja existência está oficialmente documentada, realizados no Iémen com drones e caças-bombardeiros.

Ainda mais na sombra permanecem, nos meios de comunicação de massa, as operações militares dos EUA em África. Essas operações realizam-se sob o comando do AfriCom, que dispõe de dois importantes comandos subalternos em solo italiano.

O US Army Africa (Exército dos EUA para África), cujo quartel-general se situa no quartel Ederle, na cidade italiana de Vicenza, «garante o comando de misión e distribui forças para o teatro de operações», garantindo ao mesmo tempo assistência militar aos parceiros africanos para implantar «segurança e estabilidade» no continente.

O outro comando subalterno são as Forças Navais dos EUA para Europa e África (US Naval Forces Europe-Africa) que têm o seu quartel-general em Nápoles, na base de Capodichino. Esse comando compõe-se de 6 forças das quais fazem parte os navios de guerra da Sexta Frota estado-unidense, com base em Gaeta, Itália. A sua «área de responsabilidade» abarca Rússia, Europa e África (exceptuando o Egipto que cai na «área de responsabilidade» do CentCom), para além de metade do Oceano Atlântico, o Polo Norte e a Antárctida. Essas forças estão sob as ordens da almirante Michelle Howard, que por sua vez encabeça o Comando da Força Aliada Conjunta (Joint Force Command o JFC de Nápoles), cujo quartel general se situa em Lago Patria, Nápoles.
Com essas forças, incluindo as aeronaves dos porta-aviões e os drones armados com base em Sigonella (Sicília), os EUA intensificam as suas operações militares em África. Os ataques aéreos iniciados na Líbia em Agosto deste ano, a pretexto de deter o avanço do Emirato Islâmico (Daesh), ameaça que foi por certo amplamente subestimada, são na realidade parte do plano de reconquista e recolonização da Líbia, onde desde há algum tempo operam unidades de forças especiais estado-unidenses e europeias.

Mas essa é somente a parte visível do «grande jogo» africano. Entre as numerosas «missões» do AfriCom está a já iniciada construção de uma base de drones armados no Níger, oficialmente destinada ao «antiterrorismo». Essa base está ao serviço das operações militares que os EUA, juntamente com a França, realizam desde há anos no Sahel, principalmente no Mali, Níger e Chade. Três países entre os mais pobres do mundo (o índice de analfabetismo no Níger abarca 70% dos homens e 90% das mulheres), mas muito ricos em matérias-primas (coltan - coulumbite-tantalita - e ouro no caso do Mali, uranio no Níger e petróleo no Chade) y explorados por transnacionais estado-unidenses e francesas temerosas da concorrência que já representam para elas as empresas chinesas que oferecem aos países de África condições de intercâmbio muito mais favoráveis.

Outra operação militar estado-unidense, com uso de drones e de forças especiais, já se desenvolve na Somália, país africano de primeira importância no plano geoestratégico.

Simultaneamente, o US Army Africa penetra no continente à força de programas de «cooperação para a segurança» cujo verdadeiro objectivo é garantir a formação de elites militares ao serviço dos EUA. Com esse mesmo objectivo os navios de guerra da US Naval Forces Africa percorrem as costas africanas prestando «assistência à segurança marítima».

Também não é descuidada a assistência «espiritual». O capelão do navio de assalto anfíbio USS Wasp celebrou, por videoconferência a partir do Mediterrâneo, uma missa para os marinheiros do USS San Antonio, actualmente em missão em África.

Il Manifesto / Red Voltaire


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