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Os assassínios propagandísticos matam a propaganda – Depois dos Skripal, Arkady Babchenko regressa do reino dos mortos

Moon of Alabama :: 05.06.18

A obsessiva campanha mediática anti-russa tem como uma das vertentes os “assassínios” encomendados por aquela “maligna potência.” Dois exemplos recentes acabaram por ruir, de forma algo caricata, em resultado de falhas no enredo. O que não impede que os grandes media embarquem todos os dias em patranhas semelhantes.

Um «inimigo de Putin» é atacado. As autoridades apressam-se a acusar a Rússia e o Kremlin. Segue-se depois a condenação pública e os apelos a sancionar a Rússia.
Mas a informação não é clara. Os pormenores não fazem qualquer sentido. Ouvem-se interrogações, críticas. E de repente os “mortos” ressuscitam.
Acabo de fazer a descrição do caso Skripal. O «agente nervoso mortal – de um tipo desenvolvido na Rússia» - no fim de contas não matou ninguém. Um caso semelhante acaba de se verificar.
Arkady Babchenko : a Ucrânia acusa a Rússia do assassínio de um jornalista. Ouça-se a BBC: «O Primeiro-ministro ucraniano Volodymyr Groysman acusou a Rússia de estar por detrás do assassínio em Kiev do jornalista russo Arkady Babchenko. “Estou convencido que a máquina totalitária russa não lhe perdoou a sua honestidade e as suas posições de princípio,” declarou no Facebook o primeiro-ministro. Crítico do Kremlin, Babchenko foi abatido terça-feira no exterior do seu apartamento.»
Ou o Telegraph: «Arkady Babchenko, o jornalista russo anti-Putin, foi abatido a tiro na capital ucraniana. A Rússia nega qualquer implicação no assassínio do jornalista e crítico do Kremlin Arkadi Babchenko»
Ou a CNBC: «Um eminente jornalista russo que criticava o Kremlin foi abatido em Kiev.»
Houve desde ontem centenas de títulos deste género, todos acusando directa ou indirectamente a Rússia, o Kremlin ou Putin.
Apesar da ausência de provas da implicação da Rússia um sindicato alemão de jornalistas, o DJV, exigiu que a UE boicotasse o campeonato do mundo de futebol na Rússia.
Mas o caso não era claro. Babchenko criticou todos os russos que não denunciassem o envolvimento russo na Síria e na Ucrânia. Quando o TU 154 em que viajava o coro do Exército Vermelho se despenhou e morreram 64 membros do coro, Babchenko disse que não era coisa que lhe importasse, porque a seu ver eram todos igualmente culpados. Não será coisa que lhe tenha granjeado muitos amigos. Quando se mudou para a Ucrânia, mostrou-se igualmente cínico em relação ao povo e ao governo ucraniano. Lançou severas acusações contra o presidente ucraniano Poroshenko. Muita gente comum o detestava, e recebeu numerosas ameaças.
Depois de toda a gente ter tido todo o tempo para «acusar a Rússia» pelo seu assassínio, reparou-se que havia contradições nas declarações relativas à forma como o assassínio tinha ocorrido.
Conforma as fontes com as quais os media falavam, foi umas vezes dito ao públicos que Babchenko fora atingido por trás, outra vezes pela frente. Que tinha sido morto quando saía do apartamento, e outras vezes quando entrava. Que morrera no local, e outras vezes na ambulância. Mesmo o número de balas que o atingira variava de uma declaração para outra. A polícia contradizia-se a si própria. Depois, veio a saber-se que a polícia se encontrava na casa Babchenko algumas horas antes de ele ser morto. Havia qualquer coisa que definitivamente não funcionava neste caso.
Descobriu-se agora que Babchenko está vivo e de boa saúde. Ninguém disparou sobre ele. Apareceu, há uma hora, numa conferência de imprensa.
O serviço de segurança interna ucraniano, o SBU, declarou que tinha sido ele a encenar o assassínio de Babchenko, com a cumplicidade deste, com o objectivo de prender alguém que o tinha ameaçado.
A correspondente da Reuters em Moscovo Polina Ivanova, tweetou : #Scoop. O jornalista russo Babchenko cujo assassínio fora ontem anunciado está…. Vivo. Diz que teve que encenar o seu próprio assassínio para capturar alguém, e pede desculpas à sua mulher.
#Babchenko : «Apresento um pedido de desculpas especial à minha mulher. Olechka, estou desolado, mas não tinha outra opção. Desde há dois meses que a operação estava a ser preparada. Preveniram-me há um mês. Graças a esta operação foi capturada uma pessoa, que está detida.»
#Babchenko disse que tinha descoberto que projectavam assassiná-lo e que se associou aos serviços de segurança ucranianos para apanhar o assassino, e acrescentou que, segundo a informação dos serviços, fora a Rússia quem encomendara o assassínio.
#Babchenko, sorrindo em directo para a televisão, disse: «Fiz a minha parte do trabalho. Continuo vivo. Não vos dei o gosto de morrer.»
#Babchenko disse que a pessoa implicada na preparação do assassínio foi presa. Disse que o assassino deveria receber 40 000 $.
Houve hoje na Rússia centenas de notícias necrológicas sobre #Babchenko publicadas por colegas seus, amigos, inimigos…notícias que ele pode agora ler. Que dizer disto?
A coisa não vai acabar bem nem pra Babchenko nem para a Ucrânia. O Primeiro-ministro ucraniano acusou oficialmente a Rússia de ter morto o jornalista. E descobre-se que o Estado ucraniano simulou o assassínio! Babchenko regressa de entre os mortos, provando que eram falsas as acusações contra a Rússia. No momento em que as falsidades dos serviços de segurança ucranianos sobre a morte do jornalista são desmentidas pelos factos, pretendem estes que a Rússia ordenou um assassinato falhado? Porque iria agora acreditar-se numa só palavra que digam?
A Rússia deveria estar satisfeita. Os dois casos montados contra ela, a encenação Skripal e a encenação Babchenko revelaram ser propaganda anti-russa sem qualquer fundamento.
O sindicato alemão de «jornalistas» eliminou do seu sítio web o seu tweet e um editorial reclamando sanções contra a Rússia. Amanhã, voltará a atacar aqueles que dizem que o seu «jornalismo» não é senão propaganda e falsa informação.
Cada vez mais gente vai tomando consciência destes manifestas manipulações. Colocarão questões. Os acusadores habituais deverão agir com maior prudência na sua propaganda. Os seus «assassínios» propagandísticos acabarão por matá-la.

Fonte: https://www.legrandsoir.info/les-assassinats-de-propagande-tuent-la-propagande-apres-les-skripal-arkady-babchenko-revient-du-royaume-des-morts.html


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