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Temos o novo governo! Do Prof. Savona à ministra Trenta, dos “imigrantes” aos ataques de Oettinger, Juncker e Soros

Vincenzo Brandi :: 12.06.18

A realidade italiana – como a qualquer outro país - nem pode ser reduzida a estereótipos nem a análises esquemáticas. Tão significativo como o conhecimento das forças políticas que o constituem (e das razões do seu sucesso eleitoral) é identificar as vozes que se levantam contra ele, da burocracia da UE a George Soros. Maior do que o risco de um poder autoritário, racista e fascista, é o risco de seguir o caminho dos governos anteriores, de submissão ao euro, aos EUA e à NATO.

Depois da surpresa do bloqueio do Presidente Mattarella à primeira tentativa de Governo 5Stelle-Lega, bloqueio certamente arbitrário e forçado, não justificado por qualquer regra constitucional, como um artigo do amigo “Piotr” (1) lucidamente analisou;
- depois de o dirigente Di Maio do 5Stelle ter ameaçado processar o Presidente;
- depois de entre ambos os contendores ter sido dado um passo atrás, e o Prof. Savona (alegado eurocéptico, que tinha sido o foco do escândalo no decurso da tentativa anterior) ter sido transferido do Ministério da Economia para o das Relações com a Europa (“se não é pão na sopa são sopas de pão”);
- depois da ridícula encenação da tentativa de formar um governo com Cottarelli à frente (perito notório em “spending review” e nos cortes de fundos);
temos finalmente um governo que coloca nos postos de comando novos homens e mulheres.

Perante o surgimento deste Governo (apoiado – é necessário recordá-lo – por uma maioria de candidatos eleitos) verifica-se no campo da ex-esquerda e dos grupos que ainda se autodefinem como de esquerda uma reacção de medo difuso (verdadeira ou instrumental) pela retoma da direita e do fascismo. Aparecem – todavia – como absolutamente instrumentais e ridículas as manifestações a favor da Constituição por parte do PD, precisamente daquele PD de Renzi que ainda há poucos meses queria mudar a Constituição, tentativa ruidosamente rejeitada no referendo de 4 de Dezembro de 2016.

Na realidade, a formação do novo Governo respeita, ainda que de forma ambígua, a vontade de mudança de grande parte dos italianos (operários, desempregados, pequena e média burguesia empobrecida pela crise), vontade que a ex-esquerda tornada conservadora, filo-UE e filo-NATO não soube interpretar, enquanto os grupelhos de “extrema-esquerda” não fizeram mais do que repetir palavras de ordem desprovidas de análise lúcida.

Foram significativos os ataques a Savona pelas suas passadas críticas ao Euro e às sufocantes regras europeias, ataques inacreditáveis proferidos por burocratas europeus como Oettinger e Juncker (“os mercados irão ensinar aos italianos como votar” e “italianos, trabalhem em vez de se lastimarem”). Outras críticas foram as que se voltaram para a nova Ministra da Defesa Elisabetta Trenta por ter participado (vejam bem o escândalo) num mestrado em Moscovo onde estavam presentes “figuras destacadas russas favoráveis a Putin”. A mesma neo-Ministra proferiu (outro escândalo!) declarações sobre a Líbia em que defendeu as posições dos “laicos” representados no Parlamento de Tobruk e do general Haftar, e as do Egipto em seu apoio, augurando uma aliança com os “laicos” de Trípoli com exclusão dos “Irmãos Muçulmanos” e dos milicianos jihadistas.

Mesmo as críticas dirigidas à Lei Fornero e ao Jobs Act por parte de figuras destacadas do novo Governo não são de desvalorizar. Por seu lado a “flat tax”, que se opõe ao princípio da progressividade dos impostos, é decididamente de direita, ainda que seja necessário ver como vai ser concretamente aplicada.
Finalmente, um grande equívoco da “esquerda” é o do problema dos “imigrantes”, sobre o qual será necessária uma ampla e franca discussão sem preconceitos. Se “à esquerda” o problema é visto como essencialmente “humanitário” e de “anti-racismo”, na base da obsessiva propaganda neste sentido por parte das bem financiadas ONG “sorosianas” que se dedicam ao salvamento dos “imigrantes”, de um outro ponto de vista o fenómeno pode ser encarado como o novo gigantesco “comércio de escravos” destinado a fornecer carne fresca ao capitalismo ocidental e a rebaixar os direitos e os salários dos trabalhadores da metrópole. É significativa uma entrevista que fiz pessoalmente a uma neo-deputada progressista libanesa (publicada no Antidiplomatico), que denunciava o encorajamento aos fugitivos no sentido de abandonarem a Síria, encaminhando-os para um futuro incerto, como um ataque directo à estabilidade do país. Idêntico discurso pode ser feito em relação à Líbia e outros países africanos destruídos e depauperados da sua própria população – que teria podido encontrar melhores soluções de vida no seu próprio país se este fosse deixado livre de progredir e expandir-se economicamente – e também dos refugiados da Europa de Leste devastada pelas guerras e pelo neocapitalismo. As forças que se definem como “de esquerda” deveriam reflectir mais lucidamente sobre estes e outros problemas, de modo a evitar que as soluções sejam as indicadas pelos partidos populistas, com os correspondentes e consequentes sucessos eleitorais.

Se existe um perigo na acção do novo governo não reside tanto numa tentativa de tipo autoritário, racista e fascista, mas antes – depois de tantas retumbantes declarações sobre a “mudança” – na conformação oportunista em defesa dos lugares e das situações de poder, assumindo compromissos sobre Euro, UE, EUA, NATO, seguindo o exemplo dos governos anteriores, de D’Alema a Monti, de Berlusconi a Renzi e Gentiloni.

Finalmente, e quando estava já a acabar este artigo, tomo conhecimento que o conhecido financeiro intriguista e sionista George Soros, grande financiador de “revoluções coloridas” e manipulador de ONG pseudo-humanitárias, atacou directa e violentamente Salvini no congresso de Trento sobre a economia, acusando-o de receber financiamento de Putin. Essa inacreditável intervenção em pé de guerra do financeiro golpista, falso “liberal” humanitário, confirma que o que está em jogo em Itália e no mundo é muito mais complexo do que aquilo que a ex. “esquerda ingénua” gostaria de fazer crer.

Notas:

1- http://megachip.globalist.it/politica-e-beni-comuni/articolo/2018/05/29/la-sozzeria-di-stato-2025139.html


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