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935 Mentiras – contem-nas! Grande conspiração da classe dirigente por trás da Guerra do Iraque

John Catalinotto* :: 12.02.08


Apesar da enorme influencia do lobby sionista norte-americano “não há provas de que este lobby tenha poder para impor uma política a toda a classe dirigente dos EUA, conta a sua vontade e interesses. Washington apoia Israel, incluíndo as forças mais virulentas e agressivas neste país, não por ser ludibriada por um lobby, mas porque os interesses da classe que este representa foram servidos pelo Estado de Israel por mais de meio século. Na verdade, Washington pagou consideravelmente por este serviço, especialmente em ajuda militar”

Duas organizações que analisam os média contaram 935 afirmações falsas proferidas pelo gang de Bush entre 11 de Setembro de 2001 e 19 de Março de 2003, que abriram o caminho para a invasão do Iraque à socapa. Esta informação útil revela, quase só por si, a responsabilidade de toda a classe dirigente dos EUA na conspiração para promover a guerra.

A Administração Bush sabia desde o início que não podia sustentar as suas afirmações. Os opositores à Guerra apontaram-no desde logo. Em entrevistas publicadas em 2004, o antigo Secretário de Estado do Tesouro Paul O’Neill admitiu que a Administração Bush começou a conspirar a Invasão logo após o 11 de Setembro de 2001.

Agora, o Center for Public Integrity (Centro para a Integridade Pública), em colaboração com o Fund for Independence in Journalism (Fundo para a Independência no Jornalismo), contou 259 mentiras proferidas pelo próprio Bush, incluindo 231 afirmações que sustentam que o Iraque tinha armas de destruição maciça e 28 segundo as quais Saddam Hussein tinha ligações à Al-Qaeda. O então Secretário de Estado Colin Powell, a única figura da Administração que foi publicamente vexado por mentir, situou-se num segundo lugar próximo, com 254.

Enquanto Bush, o Vice-presidente Dick Cheney, o Secretário da Defesa Donald Rumsfeld e os neo-conservadores menos relevantes da Administração Bush tomaram a dianteira congeminando a Guerra e mentindo acerca ela, a conspiração estendeu-se a toda a classe dirigente e às suas instituições. O Pentágono alinhou de boa vontade. O Departamento de Estado e o seu chefe, Powell, apresentaram as falsas declarações às Nações Unidas.

Os média corporativos espalharam as mentiras

Ninguém nos grandes média corporativos questionou ou desafiou seriamente estas mentiras, embora o movimento de oposição à Guerra as percebesse facilmente. Os influentes New York Times e Washington Post ajudaram a construir a Guerra e apoiaram a Invasão dos EUA. Os média tão pouco permitiram aos opositores à Guerra pôr a descoberto a acusação, evidentemente falsa e ilógica, de que Saddam Hussein colaborara com Osama bin Laden, obviamente seu inimigo ideológico.

Em Janeiro e Fevereiro de 2003, mobilizações maciças tentaram impedir a Guerra. Nenhum dos grandes políticos ou homens de negócios da classe dirigente participou nelas.

Numa palavra, a grande maioria da riquíssima classe dirigente, através dos seus Partidos Republicano e Democrata e todas as suas instituições, ou era entusiasticamente a favor da Guerra, ou revelava-se disposta a engolir as suas suspeitas, em vez de se mobilizar para a impedir.

A verdade é que os donos das corporações tinham água na boca pelos lucros e pelo saque que pensaram que resultaria de uma vitória certa e rápida dos EUA no Iraque. No Outono de 2002, a ExxonMobil, a ChevronTexaco, a ConocoPhilips, a Halliburton e a Bechtel reuniam com Cheney e alinhavam-se para assinar os contratos para a «reconstrução» do Iraque.

A conspiração da Guerra não foi obra de um pequeno grupo em representação de um pequeno sector dos imperialistas. Foi uma conspiração que incluiu toda a classe dirigente imperialista dos EUA e os seus braços e cérebros contratados, dos neo-conservadores aos liberais. O complexo militar-industrial teve um papel-chave, é claro, mas também todos os sectores, da banca às petrolíferas e à industria agrícola, tinham um interesse a longo prazo no domínio militar, político e económico dos EUA no Sudoeste Asiático e nas suas reservas de petróleo.
Cinco anos mais tarde, a «breve vitória» no Iraque tornou-se um fracasso a longo prazo para o Imperialismo Norte-americano. A resistência determinada do povo iraquiano revelou a fraqueza do Pentágono – incluindo o terem levado as tropas até aos seus limites e à sua desmoralização.

A classe dirigente cometeu naquele momento o mesmo erro em que tantas vezes caem os imperialistas. É o erro que o ditador alemão Adolf Hitler cometeu quando invadiu a União Soviética em 1940. É o erro que Washington cometeu ao enviar meio milhão de tropas para o Vietname em 1967, e que Washington e Tel Aviv cometeram quando invadiram o Líbano em 2006. Subestimaram a vontade da população invadida e ocupada de se sacrificar e lutar em vez de se submeter.

Confrontados com este enorme fiasco militar, os sectores da classe dirigente dos EUA começam agora a encarar a Guerra como um desastre para os interesses imperialistas dos EUA. A Yahoo colocou o relatório sobre as mentiras de Bush à cabeça da sua página de notícias. Os mesmos média que haviam promovido essas mentiras para ajudar a fazer a guerra mostram-nas agora ao mundo.

O imperialismo dos EUA tem total responsabilidade

Porque a Guerra obviamente prejudicou os interesses da classe dirigente dos EUA, alguns analistas, incluindo alguns intelectuais progressistas, cometeram o erro de procurar um elemento misterioso para explicar a decisão de Washington de invadir o Iraque. O erro mais grave destes analistas e o que parece ter confundido maior número de pessoas é o argumento segundo o qual sem os esforços do que chamam o lobby pró-Israel os EUA não teriam levado a cabo a Invasão e a Ocupação.

Existe, de facto, um lobby pró-Israel. Inclui fundamentalistas cristãos bem como judeus pró-israelitas e inclui indivíduos com dinheiro e influência que são parte do sistema imperialista. Este lobby promoveu a intervenção dos EUA contra o Iraque. Também desempenhou um papel totalmente reaccionário nos EUA, derrotando alguns políticos progressistas como a antiga representante Cynthia McKinney, e reprimindo professores anti-zionistas e os livros que estes escrevem.

No entanto, não há provas de que este lobby tenha poder para impor uma política a toda a classe dirigente dos EUA, conta a sua vontade e interesses. Washington apoia Israel, incluíndo as forças mais virulentas e agressivas neste país, não por ser ludibriada por um lobby, mas porque os interesses da classe que este representa foram servidos pelo Estado de Israel por mais de meio século. Na verdade, Washington pagou consideravelmente por este serviço, especialmente em ajuda militar.

Como acima se demonstra, a grande maioria da classe dirigente dos EUA, incluindo aqueles que são parte do lobby pró-Israel, acreditou que a Guerra do Iraque levaria a um breve triunfo. Acreditaram que a Guerra iria promover os interesses imperialistas dos EUA. Mas subestimaram os iraquianos.

Argumentar o contrário é diminuir a responsabilidade do sistema imperialista dos EUA pelos seus crimes contra o povo do Iraque e do Afeganistão, pelas suas ameaças contra o Irão e por quaisquer guerras criminosas que Washington e/ou o seu cliente pesadamente armado, Israel, desencadeiem na região.

* John Catalinotto é amigo e colaborador de odiario.info

Tradução: André Rodrigues P. Silva


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