A Audiência Nacional recusa o arquivamento do processo contra Angeles Maestro e duas companheiras

Red Roja    17.Jun.19    Outros autores

Angeles Maestro e duas outras camaradas são alvo de um processo judicial por terem angariado fundos de solidariedade para o povo palestiniano. São acusadas de “financiar o terrorismo”. Trata-se de uma nova tentativa (por detrás da qual está o lobby sionista em Espanha) de criminalizar o protesto e, mais do que a solidariedade internacionalista, a simples solidariedade humanitária. Toda a solidariedade e todo o apoio às três corajosas militantes!

Comunicado de Red Roja:
O Tribunal nº 6 da Audiência Nacional encarregado do processo contra Angeles Maestro e doutras duas companheiras acusadas ​​de financiamento do terrorismo decidiu através de um Auto do dia 10 de Junho de 2019 rejeitar o arquivamento do referido processo e “a continuidade do procedimento segundo os trâmites do Processo Ordinário, tendo em conta as penas a que corresponde o crime que lhes é atribuído: ”as penas previstas no Código Penal incluem entre dois e dez anos de prisão e multas do triplo dos valores enviados”.
Como se recordará a acusação baseia-se nas duas campanhas de angariação de fundos destinados a solidariedade com o povo palestiniano através de uma conta bancária da qual Angeles Maestro era titular e as duas companheiras eram autorizadas.
As referidas campanhas tiveram lugar em 2014 e 2015, anos em que os ataques do exército israelita contra o povo palestiniano causaram milhares de mortes e feridos, bem como uma grande destruição de habitações, escolas e hospitais. Foi dada conta de tais factos no documentário “Gaza”, recentemente premiado com um Goya.
Na sua declaração perante a Audiência Nacional realizada no passado dia 5 de Fevereiro, Angeles Maestro assumiu toda a responsabilidade pela realização de tais campanhas que tinham como objectivo o envio de fundos – de quantias modestas como 5.300 euros em 2014 e 3.085 em 2015 - para ajudar a reconstrução de escolas e hospitais. O cumprimento deste objetivo foi acreditado por meio de um documento oficial da Autoridade Nacional Palestina apresentado ao Tribunal.
O primeiro montante foi entregue à dirigente palestiniana Leila Khaled que naquela altura visitou várias cidades, como Madrid e Barcelona, ​​sendo recebida por autoridades municipais e não deparando com qualquer obstáculo na realização de actos públicos de solidariedade com o seu povo.
O facto de Leila Khaled ser dirigente da FPLP tem sido o fundamento esgrimido pela pela associação israelita “The Lawfare Project Spain” e aceite pelo Tribunal.
A Red Roja, ao mesmo tempo que rejeita a acusação e reitera a sua solidariedade para com o povo palestiniano e a sua justa luta contra a ocupação israelita, entende que a acusação feita contra estas companheiras tem por objectivo atemorizar e desactivar a solidariedade amplamente generalizada na sociedade.
A Red Roja estima que este é um processo geral contra a solidariedade com a luta que o povo palestino desenvolve há décadas contra a ocupação israelita, apesar dos indizíveis sofrimentos que a sua legítima resistência implica.
A Red Roja declara portanto que não há lugar para outra resposta senão a intensificação da solidariedade com a Palestina. Apela também à colaboração para quebrar o silêncio dos media a esse respeito e solicita apoio às companheiras acusadas.

www.redroja.net

Fonte: https://www.lahaine.org/est_espanol.php/la-audiencia-nacional-deniega-el

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