A China ultrapassa o Japão e passa a segunda maior economia mundial

ECONOMIA CHINESA SUBIU AO SEGUNDO LUGAR MUNDIALO facto de a China ter ultrapassado o Japão como 2ª economia mundial e as previsões, agora repetidas, da data da futura ultrapassagem da economia central do imperialismo, a norte-americana, foram na semana passada uma não notícia, tantas foram as vezes que o facto ora acontecido foi antecipado.
Importante e novo é como a recuperação da economia do Japão (a 2ª economia mundial nos últimos 42 anos!) está, segundo um defensor do sistema, o Guardian, acorrentada ao crescimento da economia chinesa.

A China ultrapassou o Japão e tornou-se na segunda maior economia do mundo, um título que o Japão detinha há mais de 40 anos.

Embora o Japão tenha crescido 3,9% no ano passado – o seu primeiro crescimento anual nos últimos três anos – isso não chegou para compensar o enorme crescimento da economia da China. O PIB nominal do Japão foi de 5,4742 milhões de milhões de dólares (3,4 milhões de milhões de libras esterlinas) em 2010, menos do que o total da China de 5.8786 milhões de milhões de dólares, segundo dados oficiais publicados pelo Japão.

Mas, apesar do desalojamento do Japão do segundo lugar, os seus dirigentes saudaram os números como um estímulo para a Ásia e como uma oportunidade para os exportadores do país que se encontram num beco sem saída.

A economia do Japão diminuiu 0,3 % no último trimestre de 2010, uma queda atribuída a um reduzido consumo interno que se seguiu ao objectivo dos incentivos governamentais de comprar, entre outras coisas, automóveis de baixas emissões.

Mas os dados de exportação e de produção indicam que o afundamento do Japão pode ser temporário.

Em contraste com o ambiente de resignação com que foram recebidos os primeiros indícios do ano passado de que o Japão tinha abdicado da posição número 2 que detinha desde 1968, as figuras políticas mais importantes têm vindo a falar do desempenho da China em termos inflamados.

A sua mensagem: a procura sustentada do país mais populoso do mundo só pode ser boa para o Japão.

O ministro da economia do Japão, Kaoru Yosano, disse: «O facto de a economia da China estar em expansão é uma boa notícia para o Japão, enquanto país vizinho. Não nos dedicamos a actividades económicas para competir por classificações mas para melhorar as vidas das pessoas».

No quarto trimestre, a economia do Japão encolheu a uma taxa anual de 1,1%, uma profunda mudança em relação ao crescimento de 3,35% no terceiro trimestre.

Nos anos 80, a ascensão económica do Japão provocou o medo e a admiração mas seguiu-se uma viragem depois de rebentar a bolha do imobiliário. O Japão nunca recuperou inteiramente da estagnação dos anos 90 – a sua «década perdida» – e ainda tem que enfrentar a deflação, uma população envelhecida e o aumento da dívida pública.

A China é o maior mercado mundial de automóveis e o maior consumidor de energia. Depois de ter passado de um estado comunista empobrecido para uma superpotência económica, a China ultrapassou a Alemanha enquanto terceira maior economia mundial há quatro anos. Está agora de olhos postos nos EUA, que poderá vir a eclipsar enquanto maior economia mundial entre 2020 e 2030.

Os excedentes comerciais da China caíram em Janeiro ao ponto mais baixo em nove meses por causa de uma crescente procura de importações, mostram os novos números. Caiu para 6,5 milhares de milhões de dólares no mês passado em comparação com 13,1 milhares de milhões em Dezembro. As importações subiram 51% em Janeiro, enquantoque as exportações aumentaram 38%.

Devido à sua enorme população, a China continua a ser muito mais pobre do que o Japão, com um PIB per capita cerca de um quinto do seu vizinho, se tomarmos em consideração as diferenças de poder de compra.

Mas as receitas chinesas estão a aumentar: em 2010, o Japão foi visitado por um número recorde de 1,41 milhões de turistas chineses, desejosos de exibir a sua nova riqueza comprando artigos de marca japoneses, desde máquinas fotográficas digitais Canon a cosméticos Shiseido.

O Japão actualmente exporta mais produtos para a China do que para qualquer outro país. Os envios para a China correspondem a 19,4% das exportações totais no ano passado, em que os EUA contam com 15,4%.

A sólida procura chinesa provocou uma perspectiva mais brilhante para o Japão nos últimos meses – uma tendência que alguns economistas afirmam que provavelmente vai continuar.

Yoshiki Shinke, economista sénior no Instituto Dai-ichi Life Research em Tóquio, disse: «Os dados confirmam que a economia [japonesa] entrou numa fase difícil quanto ao consumo privado, mas recentes indicadores económicos mensais como a produção e a exportação mostram que não é provável que as dificuldades se prolonguem.

A economia vai continuar a depender da procura externa para crescer. Acrescentou Shinke, dado que a procura interna pode continuar a ser desencorajada por um fraco crescimento de receitas, insegurança de emprego e retirada de subsídios para carros eficientes em energia e aparelhos eléctricos».

No entanto, o Japão tem que se manter cauteloso quanto a uma possível redução da procura ultramarina, principalmente enquanto os seus próprios consumidores se mostram tão relutantes em gastar, alertou Yosano: «Precisamos de manter uma vigilância apertada quanto aos riscos das economias ultramarinas e aos movimentos das divisas».

A política interna japonesa coloca um risco adicional à recuperação. O primeiro-ministro, Naoto Kan, alertou que o Japão tem que reduzir a sua dívida pública – o dobro do seu PIB – enquanto estimula o crescimento.

Mas até agora não tem conseguido convencer os membros da oposição no Parlamento, que controlam a câmara superior do parlamento, a aprovar os seus planos de despesas de 92,4 milhões de milhões de ienes.

* Jornalista do Guadian: Justin McCurry correspondente em Tóquio e Julia Kollewe é redactora na Grã-Bretanha.

Este texto foi publicado no diário britânico Guardian:
http://www.guardian.co.uk/business/2011/feb/14/china-second-largest-economy

Tradução de Margarida Ferreira

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