A Dança dos milhões da contra-revolução em Cuba

Granma*    26.Dic.06    Outros autores

A história dos milhões de dólares gastos pelos sucessivos presidentes dos EUA, desde John Kennedy, nas frustradas iniciativas de destruição da revolução cubana, é parte da história da ligação das sucessivas administrações norte-americanas ao sub-mundo dos mercenários, da marginalidade e do crime.

No passado 15 de Novembro, o Escritório da Auditoria do Governo (GAO), órgão do Congresso dos Estados Unidos dedicado a fiscalizar como o governo federal e suas agências administram o orçamento federal e a avaliar o nível de eficácia com que executam as funções e programas, publicou um relatório de 63 páginas intitulado: “A assistência à democracia em Cuba precisa de melhor administração e supervisão”.

Após uma minuciosa revisão das verbas milionárias destinadas pelo governo dos Estados Unidos a promover a subversão no nosso país, e a criar e apoiar os esquálidos e desacreditados grupelhos mercenários em Cuba, o documento chegou à conclusão inevitável de que os fundos destinados a esses objectivos foram delapidados.

O relatório foi solicitado por dois congressistas, Jeff Flake, republicano, pelo estado do Arizona, e o democrata William Delahunt, pelo de Massachusetts, ambos membros do Comité de Relações Internacionais da Câmara de Representantes, promotores de iniciativas para flexibilizar o bloqueio contra Cuba e favoráveis a mudanças na política anti-cubana da administração Bush.

O relatório seria motivo de riso, não fossem os factos graves que revela: entre 1996 e 2005, onde foram gastos, os 73,5 milhões de dólares da verba destinada à subversão no nosso país.

Mais tarde, importantes meios da imprensa norte-americana publicaram as irregularidades e a delapidação corrupta dos quase 74 milhões de dólares que, somente por esta via (não é a única a financiar os grupos mercenários em Cuba), o governo dos EUA tirou dos bolsos dos contribuintes norte-americanos para financiar sua criminosa e gorada política contra Cuba, e assim manter activa a indústria da contra-revolução anti-cubana, através de programas que visam a promover a chamada “democracia” no nosso país, dirigidos por instituições como a Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) e pelo Departamento de Estado.

Segundo os mídia norte-americanos, jamais chegaram a Cuba mais da metade das verbas, quer dizer, ficaram em Miami. Além disso, uma parte do dinheiro foi utilizada na comprar artigos, tais como jogos de video, conservas de caranguejo, bicicletas, agasalhos, chocolates e leitores de DVD, evidenciando o negócio oficial norte-americano da contra-revolução em Cuba e os avultados lucros que representa para a indústria anti-cubana de Miami.

O relatório também revela que, do total dos fundos delapidados, uma parte foi esbanjada em meios que a Repartição de Interesses dos EUA em Havana tenta distribuir em Cuba, tendo com esta finalidade distribuído, entre 1996 e 2006, 1,75 milhões de dólares em remédios, alimentos e roupas, para além de 23 mil aparelhos de rádio de onda curta, bem como milhões de livros, boletins e outros materiais “informativos”, segundo dados publicados no próprio documento do GAO. Somam-se a isso, os “cursos de jornalismo” por correspondência para mais de 200 mercenários, a publicação de aproximadamente 23 mil artigos dos chamados “jornalistas independentes” sobre a situação em Cuba e o financiamento da visita ao nosso país de mais de 200 “peritos internacionais” para treinar a contra-revolução interna.

Tudo isto confirma a reiterada denúncia de nosso governo contra a SINA, que actua como quartel-general da contra-revolução e demonstra, sem margem para dúvidas, como a Repartição de Interesses dos EUA em Havana viola flagrantemente a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 18 de Abril de 1961, ao permitir a entrada em Cuba, abusando de seus privilégios diplomáticos, de artigos e materiais que não são para o uso oficial dessa legação, mas sim para fornecer os mercenários que trabalham para o governo dos Estados Unidos.

O relatório do GAO revela provas irrevogáveis das sistemáticas denúncias do governo cubano sobre a impropriamente chamada dissidência, um grupo financiado e dirigido pelo governo norte-americano, verdadeiros mercenários e assalariados a serviço do inimigo histórico do povo cubano: o imperialismo ianque, que não oculta sua pretensão voraz de se apoderar novamente de Cuba, não economizando recursos para o seu inatingível objectivo: derrubar a Revolução.

É insólito constatar o desprezo que sentem pelo próprio povo norte-americano, que constantemente manipulam para o fazer acreditar e lhe impor o financiamento de uma política imoral e fracassada, que se propõe destruir o desejo de independência e soberania de nosso povo.

Através de programas subversivos contra Cuba, a administração Bush financia viagens para incentivar os apátridas, enquanto nega aos norte-americanos o direito de viajarem a Cuba e manterem relações com nosso país, reduzindo cruelmente as visitas dos cubanos residentes nos Estados Unidos a uma vez em cada três anos, apenas para os que, arbitrariamente, redefiniram como tendo familiares em Cuba.

A administração Bush também reforçou as restrições ao envio de remessas e encomendas dos cubanos residentes nos Estados Unidos para os seus familiares em Cuba, enquanto mantém envia todo o topo de recursos para os mercenários que vivem do negócio da contra-revolução.

A administração Bush impõe cada vez maiores restrições à aquisição, nos Estados Unidos, de remédios vitais para nossas crianças, idosos e outros sectores vulneráveis e, dia após dia, impede Cuba de comprar alimentos no mercado norte-americano mas, cinicamente, envia todo o tipo de remédios, agasalhos e chocolates de luxo, a elementos contra-revolucionários bajuladores do império.

A administração Bush impôs ao povo de Cuba o bloqueio mais prolongado e cruel da história da humanidade, enquanto alimenta e sustenta, com esmero, os seus assalariados, parasitas, corruptos e imorais, tanto quanto o imperialismo que os sustenta.

Esta é a verdadeira política “humanitária” e de “direitos humanos” que a máfia de Miami e os congressistas anticubanos da Flórida desejam para nosso povo. Uma política que lhes permite beneficiar de uma constante “dança de milhões”, à custa dos povos norte-americano e cubano.

Sem dúvida, o governo dos Estados Unidos, cumprindo a criminosa política de genocídio incluída no Plano Bush, pretende aperfeiçoar e manter o financiamento da subversão interna em nosso país, objectivo para o qual decidiram orçamentar mais 80 milhões de dólares nos próximos dois anos e não menos de 20 milhões dólares por ano até, segundo suas pretensões, derrubarem a nossa Revolução.

Contudo, não devem iludir-se. O governo e o povo de Cuba serão os encarregados, como tem acontecido até agora, de garantir o fracasso desses planos e de quaisquer outros planos macabros que sejam arquitectados em Washington, para fomentar a subversão e a contra-revolução em Cuba.

O governo e o povo de Cuba denunciam, mais uma vez, o carácter provocador, insultuoso e inaceitável da ajuda permanente que o governo dos EUA, com objectivos políticos criminosos, tenta fazer chegar a seus lacaios contra-revolucionários, ao mesmo tempo que endurece o bloqueio económico, há quase cinco décadas imposto ao povo cubano.

Em Cuba, há muito o governo imperialista dos EUA perdeu a credibilidade e vai-a perdendo, de maneira crescente, em muitas partes do mundo.

Em cada momento, com dignidade, sossego e coragem, Cuba tomará as providências necessárias para enfrentar este tipo de agressões.

Por muito dinheiro que esbanjem, jamais poderão curvar a vontade do povo cubano.

Editorial de 14 de Dezembro de 2006

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