A luta é por Abril*

José Casanova    19.Dic.11    Outros autores

josé CasanovaOs níveis de exploração, com as desigualdades sociais que lhe são inerentes, acentuam-se de tal modo que só encontram paralelo nos tempos do fascismo – e o respeito pelas liberdades, direitos e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos está cada vez mais distante de Abril e cada vez mais próximo do antigamente. Mário Soares diz-se, até, vejam bem! muito preocupado com as «desigualdades e as injustiças sociais», muito preocupado com o «futuro da democracia», e blá-blá-blá… ele que foi o pai da contra-revolução; ele que é pai da política de direita; ele que é pai da ditadura do grande capital hoje dominante…

Do Portugal de Abril já pouco resta: o que os trabalhadores e o povo conquistaram nos dois anos do processo revolucionário tem vindo a ser sistematicamente liquidado por 35 anos de política de direita executada por sucessivos governos PS, PSD, CDS.

À democracia avançada de Abril – económica, social, política, cultural, amplamente participada e tendo a independência nacional como referência básica fundamental – sucedeu-se esta ditadura do grande capital que hoje domina Portugal e em que os grandes grupos económicos e financeiros - os que foram sustentáculo do fascismo mais os que entretanto nasceram - se afirmam como donos disto tudo – e, na situação actual, delegam a defesa dos seus interesses na troika ocupante e na troika colaboracionista, as quais, em serviço combinado, prosseguem diligentemente a tarefa de afundar Portugal.
Os níveis de exploração, com as desigualdades sociais que lhe são inerentes, acentuam-se de tal modo que só encontram paralelo nos tempos do fascismo – e o respeito pelas liberdades, direitos e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos está cada vez mais distante de Abril e cada vez mais próximo do antigamente.

A independência e a soberania nacionais têm vindo a ser tratadas como lixo que se deita para o respectivo caixote – o mesmo caixote para onde tem sido deitada a Constituição da República Portuguesa, Lei Fundamental do País.

E «o pior está para vir», dizem os culpados, todos sacudindo a água do capote em relação às responsabilidades reais que têm – e todos remetendo uns para os outros as culpas no cartório.
Um deles, por sinal o principal responsável disto tudo – Mário Soares – diz-se, até, vejam bem!, muito preocupado com as «desigualdades e as injustiças sociais», muito preocupado com o «futuro da democracia», e blá-blá-blá… ele que foi o pai da contra-revolução; ele que é pai da política de direita; ele que é pai da ditadura do grande capital hoje dominante…

Para a política de direita e para a cambada que a executa, só há uma resposta: a luta de massas - que, por tudo o que acima fica dito, é sempre e acima de tudo uma luta por Abril.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 1985, de 15.12.2011

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