A Nato na Itália

Manlio Dinucci    03.Ene.18    Outros autores

Para a NATO, a Itália não passa de uma enorme plataforma de apoio logístico.Com o inteiro acordo de sucessivos governos, as bases ampliam-se, adaptam-se à instalação de meios militares cada vez mais poderosos. O povo italiano, evidentemente, não é consultado. Mas estas obras são em grande parte pagas com o seu dinheiro. E colocam o território italiano na primeira linha de fogo.

Há grandes obras em curso, no nosso território, de norte a sul. Não são as do Ministério das Infra-estruturas e Transportes, as quais todos discutem, mas as do Pentágono que ninguém aborda. No entanto elas são pagas, em grande parte, com o nosso dinheiro e envolvem riscos crescentes para nós, italianos.
No aeroporto militar de Ghedi (Brescia), começa o projecto de mais de 60 milhões de euros, a cargo da Itália, para a construção de infra-estrutura para alojar 30 aviões americanos F-35, comprados pela Itália e 60 bombas nucleares americanas B61 -12.

Na base de Aviano (Pordenone), onde estão estacionados cerca de 5.000 soldados dos EUA, com caça-bombardeiros F-16 armados com bombas nucleares (sete deles estão actualmente em Israel, para o exercício da Blue Flag 2017), foram realizados outros trabalhos dispendiosos a cargo da Itália e da NATO.
Em Vicenza, as despesas imputadas à Itália, regulam em 8 milhões de euros, pela “remodelação” dos quarteis de Ederle e Del Din, que acomodam a sede do Exército dos EUA, na Itália, e a 173ª Brigada Aerotransportada (destinada à Europa Oriental, Afeganistão e África) e para ampliar a “Aldeia da Paz”, onde os soldados americanos residem com as famílias.

Na base americana de Camp Darby (Pisa/Livorno) começa, em Dezembro, a construção de uma infra-estrutura ferroviária, que custa 45 milhões de dólares a cargo dos EUA, mais outras despesas cobradas à Itália, para melhorar a ligação da base com o porto de Livorno e com o aeroporto de Pisa, uma obra que envolve o abate de 1000 árvores do parque natural.

Camp Darby é um dos cinco lugares que o exército dos EUA tem no mundo para o “armazenamento pré-posicionado” de armamentos (contendo milhões de mísseis e munições, milhares de tanques e veículos blindados): daqui são enviados para as forças dos EUA na Europa, Médio Oriente e África, com grandes navios e aviões de carga militarizados.

Em Lago Patria (Nápoles), o novo quartel general da NATO, que custou cerca de 200 milhões de euros, dos quais cerca de um quarto a cargo da Itália, implica custos adicionais para este país, como 10 milhões de euros para o novo sistema rodoviário à volta desse mesmo quartel general da NATO. Na base de Amendola (Foggia), foram realizadas obras - cujo custo não foi quantificado - a fim de tornar as pistas adequadas para os F-35 e para os drones Predator dos EUA, adquiridos pela Itália.

Na Estação Aérea e Naval de Sigonella, na Sicília, foram efectuadas obras de mais de 100 milhões de dólares para os Estados Unidos, para a NATO e também para a Itália. Além de fornecer apoio logístico à Sexta Frota, a base serve para operações no Médio Oriente, África e Europa Oriental, com aviões e drones de todos os tipos e forças especiais. A estas funções adiciona-se agora, a de base avançada do “escudo antimíssil” dos EUA, para fins não defensivos, mas ofensivos, especialmente contra a Rússia: ao puderem interceptar mísseis, os EUA poderiam lançar o primeiro ataque nuclear, neutralizando a represália.

Em Sigonella está para ser instalada a JTAGS, estação de recepção e transmissão do “escudo” via satélite, e não é por mero acaso. O lançamento do quinto satélite vai tornar totalmente operacional o MUOS, o sistema de satélites dos EUA - do qual uma das quatro estações terrestres encontra-se não longe dali, em Niscemi.

O General James Dickinson, Chefe do Comando Estratégico dos EUA, numa audiência no Congresso, em 7 de Junho de 2017, disse: “Este ano obtivemos o apoio do governo italiano para redefinir, na Europa, a JTAGS na Estação Aérea Naval de Sigonella”.

Será que o Parlamento italiano estava ciente de uma decisão de tal significado estratégico, que coloca o nosso país na primeira linha de um confronto nuclear, cada vez mais perigoso?

Será que, pelo menos, este assunto foi debatido nas comissões da Defesa?

Tradução: Maria Luísa de Vasconcellos
Fonte: Il Manifesto (Itália)

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