A nova campanha da Rússia

Manlio Dinucci    03.Abr.18    Outros autores

A histérica campanha EUA/NATO contra a Rússia é tão transparente que custa a crer que haja alguém que pense pela sua própria cabeça que possa ser convencido por ela. A única coisa que deixa à vista é o extraordinário e desavergonhado coro de papagaios instalado na comunicação social dominante, ressuscitando o anticomunismo mais troglodita - como se a URSS não tivesse desaparecido há quase 30 anos e o que ali hoje existe não fosse um capitalismo tão mafioso e explorador como o dos seus próprios países. O que essas vozes de guerra fariam bem em recordar é que, em mais de 2 séculos, todas as agressões estrangeiras em solo russo tiveram mau fim.

«Putin vai utilizar o Mundial de futebol como Hitler utilizou os Jogos Olímpicos de 1936, ou seja para dissimular o regime brutal, corrupto, do qual é responsável»: esta declaração oficial do ministro dos negócios estrangeiros britânico Boris Johnson mostra que nível atingiu a campanha de propaganda contra a Rússia.

Numa ilustração do jornal britânico The Guardian, decalcada de um cartaz nazi dos anos quarenta, a Rússia é representada como uma gigantesca aranha com a cabeça de Putin, enredando o mundo.

É a Rússia acusada de ter envenenado em Inglaterra um dos seus ex-agentes, preso por espionagem há 12 anos e libertado há 8 (não se encontrando portanto na posse de informação sensível), que utiliza para o envenenar, ele e sua filha, o agente neurotóxico Novichok de produção soviética (de modo a deixar voluntariamente a impressão digital de Moscovo no local do crime).

A Rússia acusada de penetrar com uma excepcional habilidade nas redes informáticas, chegando a manipular as eleições presidenciais nos EUA (“um acto de guerra” como o definiu John Bolton, novo conselheiro para a segurança nacional).

Agora acusada oficialmente pelo Departamento de Estado dos EUA para a segurança da pátria e pelo FBI de se preparar para, com os seus hackers, sabotar as centrais eléctricas, incluindo as nucleares, as reservas hídricas e os aeroportos nos EUA e na Europa, de modo a paralisar países inteiros.

É deste modo que é fabricada a imagem de um inimigo cada vez mais agressivo, do qual é necessário defender-se.

Numa conferência de imprensa com Johnson, o secretário-geral da NATO Stoltenberg acusa a Rússia da “primeira utilização de um agente neurotóxico em território da Aliança”, ou seja, de um verdadeiro acto de guerra; de “minar as nossas instituições democráticas”, ou seja de conduzir uma acção subversiva no interior das democracias ocidentais; de “violar a integridade territorial da Ucrânia”, ou seja de ter iniciado a invasão da Europa.

Face ao “comportamento irresponsável da Rússia”, anuncia Stoltenberg, “a NATO está em vias de dar resposta”.

Assim se prepara a opinião pública para um ulterior reforço da máquina de guerra da Aliança sob comando dos EUA, incluindo a instalação de novas bombas nucleares B61-12 e provavelmente também de novos mísseis nucleares dos EUA na Europa.

Um objectivo prioritário da Estratégia de defesa nacional dos EUA, anuncia o Pentágono, é “melhorar a rapidez e o carácter letal das forças EUA na Europa”. Foram atribuídos a este objectivo, no ano fiscal de 2019, 6,5 milhares de milhões de dólares, elevando a 16,5 milhares de milhões o total do quinquénio 2015-2019.

Esta dotação constitui apenas parte do total da operação Atlantic Resolve, lançada em 2014 para “demonstrar o compromisso dos EUA com a segurança dos aliados europeus”. Compromisso demonstrado pela contínua transferência de forças terrestres, aéreas e navais dos EUA para a Europa oriental, onde se encontram acompanhadas elos maiores aliados europeus, Itália incluída.

Ao mesmo tempo a NATO eleva o seu poderio com um novo Comando conjunto para o Atlântico, inventando o enredo de submarinos russos dispostos a afundar navios mercantes nas rotas transatlânticas, e com um novo Comando logístico, inventando a história de uma NATO obrigada a deslocar rapidamente as suas forças para leste para fazer face a uma agressão russa.

É deste modo que se procura justificar a escalada EUA/NATO contra a Rússia, subavaliando a sua capacidade de reagir quando encostada à parede. Boris Johnson, que compara Putin a Hitler, deveria recordar-se de como acabaram os exércitos de Hitler quando invadiram a Rússia.

Fonte: https://www.legrandsoir.info/la-nouvelle-campagne-de-russie-il-manifesto.html

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