A reeleição de Lula

Os Editores    31.Oct.06    Colaboradores

Lula
A reeleiçao de Lula com mais de 60% dos votos emitidos levou muitos analistas a prever que no seu segundo mandato realizará uma politica que responda às aspirações populares. É muito improvável que isso aconteça.
O voto maciço das forças progressistas em Lula na segunda volta lembra o dos comunistas portugueses em Mário Soares nas eleições presidenciais 1987. Votaram nele para evitar o pior.

A reeleição de Luís Inácio Lula da Silva ficará a assinalar uma grande derrota das forças da reacção no Brasil.
A direita histórica unificou-se na campanha em torno de Geraldo Alckmin, o candidato da direita moderada de Fernando Henrique Cardoso, o ex presidente, intelectual brilhante que trocou o marxismo pelo neoliberalismo.
A ampla vantagem alcançada por Lula leva muitos analistas a prever que no seu segundo mandato terá condições para levar adiante uma politica que responda às aspirações populares.
É muito improvável que isso aconteça.
A nova composição do Congresso é bem mais favorável à direita do que a anterior e os partidos da Oposição controlam os governos nos Estados mais desenvolvidos os Sul. Essa nova correlação de forças levará Lula, tudo o indica, a ampliar as suas alianças à direita.
Brasil
Seria portanto um erro interpretar a reeleição como uma vitória das forças progressistas. O voto maciço da esquerda em Lula lembra o dos comunistas em Mário Soares no segundo turno das presidenciais portuguesas de 1987.Votaram nele para evitar o pior.
O balanço dos quatro anos do governo Lula é decepcionante. O presidente engavetou os compromissos assumidos com o povo.
A divida do sector público (externa e interna) atinge presentemente 51,87 %do PIB. A Reforma Agrária não avançou e a desigualdade social, praticamente, não diminuiu. O Banco Central foi confiado ao ex presidente do poderoso banco de Boston. A política económica foi dirigida por um aventureiro, Palocci, que lhe imprimiu um rumo neoliberal.
O seu partido, o PT, envolvido numa cadeia de escândalos, perdeu muitos deputados em Estados onde antes era maioritário.
Os epígonos de Lula argumentam que se a estratégia económica foi aplaudida por Washington, a politica exterior foi, pelo contrário, positiva. É uma conclusão ambígua. Como demonstra Roberto Leher (v. artigo em odiario.info, no dia 27) existe uma interacção profunda entre o económico e o politico. São na prática inseparáveis.
Conclusão: não é improvável que o segundo governo de Lula seja pior do que o primeiro. A menos que a pressão das massas force o presidente a rever toda a sua estratégia.

OS EDITORES

Gostaste do que leste?

Divulga o endereço deste texto e o de odiario.info entre os teus amigos e conhecidos