A Revolução Bolivariana não vai parar

odiario.info    07.Dic.07    Colaboradores

A não aprovação da Reforma da Constituição Venezuelana no referendo do dia 2 de Dezembro foi festejada pelas forças da reacção em todo o mundo, suscitando esperanças que revelam desconhecimento da historia.
A campanha eleitoral confirmou que alguns dos 69 novos artigos eram polémicos e haviam sido criticados inclusive por organizações e personalidades que apoiam a Revolução Bolivariana. Uma abstenção sem precedentes favoreceu a direita, reflectindo essa circunstância.
Assumindo com lucidez o resultado das urnas, um Chavéz muito sereno reafirmou a sua confiança no desenvolvimento do processo revolucionário, ao retomar o seu por «ahora», as duas palavras proferidas num momento dramático quando ainda jovem oficial se rebelou contra o governo corrupto e tirânico de Carlos Andres Perez.
Teria sido pior para a Venezuela se o Sim houvesse prevalecido por percentagem mínima, similar à que obteve no referendo o Não. Num tal contexto, estaria criada a atmosfera para uma contestação do regime que poderia instaurar no país uma situação de instabilidade e violência endémica.
Ao aceitar a recusa do projecto de reforma da Lei Constitucional, preparando-se para futuras batalhas, Chavez demonstrou com clareza que o regime venezuelano, é, sem dúvida, muito mais democrático do que o dos Estados que o criticam e caluniam.
Os pormenores de um golpe em preparação não constituem aliás segredo. A divulgação nas vésperas do referendo de um plano da CIA para desestabilizar a Venezuela e promover o caos no país confirmou a gravidade do envolvimento dos EUA numa conspiração que culminaria
com a intervenção de tropas norte-americanas estacionadas em Curaçao. O projecto golpista aprovado por Michael Hayden, director da CIA, intitulava-se Operação Tenaz. Previa a rebelião da Guarda Nacional e contava com a colaboração de dirigentes da Universidade Simon Bolívar e da Universidade Católica de Caracas, de órgãos de comunicação social, da Sociedade Interameriacana de Imprensa e, obviamente, dos partidos da direita.
Não surpreende que a ultra esquerda, em quase todo o continente americano tenha reagido ao resultado do referendo com uma chuva de criticas a Chavez. Trotskistas, anarquistas e toda uma chusma de intelectuais pseudo revolucionários - os pequeno burgueses enraivecidos de que já falava Lenine - somam agora as suas vozes às do imperialismo para profetizar o fim da revolução bolivariana. Isto no momento em que ela necessita mais do que antes do reforço da solidariedade internacionalista.
Hugo Chavez tem cometido evidentemente erros. Alguns graves, e outros cometerá, sobretudo por não ter sido possível até agora criar na Venezuela uma força revolucionária com grande implantação ente as massas, capaz de desempenhar no processo um papel decisivo. Mas essa realidade não pode apagar a evidência. Na pátria de Bolívar avança com ímpeto uma revolução que empolga os povos da América Latina e alarma o imperialismo pela sua meta assumida: o socialismo
A Venezuela Bolivariana já enfrentou e ultrapassou vitoriosamente situações mais difíceis do que a actual. O desfecho do referendo pode ficar na história como um acidente de percurso.
Não devemos esquecer que a Venezuela é ainda um país capitalista onde os meios de produção continuam no fundamental - o petróleo é quase uma excepção - controlados pela antiga classe dominante. O andamento maravilhoso e dramático da Revolução de Outubro de 17 carrega um ensinamento inesquecível: a transição do capitalismo para o socialismo é o maior desafio que se coloca às forças empenhadas em erradicar definitivamente o primeiro.
Uma certeza: a revolução continua na Venezuela.

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