A russofobia de Vasco Pulido Valente

José Manuel Jara    10.Mar.15    Outros autores

Esta carta, de comentário a uma crónica de Vasco Pulido Valente no “Público” (6.03.2015), não foi publicada por esse jornal. O calibre ideológico da maioria dos cronistas do diário da SONAE é bem conhecido. Aparentemente, no reduzido pluralismo político do referido jornal não caberia este comentário às opiniões – em regra reaccionárias e frequentemente delirantes – deste seu emblemático cronista.

Caro Senhor Provedor do Leitor do Público

O Sr. Vasco Pulido Valente não tem cuidado e rigor no que afirma, tanto no sentido histórico como no sentido jurídico. Faz um julgamento baseado em convicções especulativas ao sabor da pena, sem prova nenhuma, evocando o passado histórico de forma completamente anómala. Por exemplo, comparar Kirov com Nemtsov, apenas acerta na terminação do nome em “ov”, no resto é completamente ridículo. Comparar Putin com Stalin é uma perfeita tolice, cuja base é um pensamento emocional entre o fóbico e o paranóide. O assassinato de Boris Nemtsov, tal como o assassinato dos Kennedy, de Luther King, de Aldo Moro, de Gandhi, e de tantos políticos e líderes, deve merecer uma análise concreta que permita saber o quê e o porquê dos crimes. Que diria VPV sobre cada um destes assassinatos? Nemtsov um Francisco Fernando improvisado?

As ilações intempestivas de VPV, à espera de um pretexto para disparar a sua análise insensata, têm como fundo uma russofobia que já vem dos tempos de Napoleão Bonaparte e de Adolfo Hitler, invasores derrotados. Dizem que pelo general inverno para manterem as medalhas da derrota. Ironicamente, os invasores de tão diferentes épocas acusam o país invadido de ser culpado da invasão.

Quanto à NATO, ou à aliança anglo-saxónica, os desastres em que se vem metendo desde que optou por ser uma agremiação militarista e ofensiva sem fronteiras, está à vista: Afeganistão (sem comentários…), Iraque (2003 e, desde então, destruição massiva e milhões de vítimas, guerra infinita),Líbia (a pretensa ofensiva aérea “humanitária”, que serviu para mudar o regime e gerar o caos, que lá está), Síria (financiar e armar a oposição ao regime, oposição que deu no ISIL e na Al Nusra, o terror das trevas, oleado pelos waabitas dos feudos da península arábica e dos petrodólares, aliados militares e financeiros do “ocidente”; a ameaça de bombardeamentos sustida no limite, em 2013); a destruição da Jugoslávia e a criação do protectorado do Kosovo pela lei da bomba aérea da NATO ao lado dos islamizados traficantes de droga do UCK. Belo panorama… Na Ucrânia, o golpe de Fevereiro de 2014 (com alto patrocínio, vide a retórica da Sra. Nulland), foi o começo da desgraça. O exército de Kiev, bem alinhado com milícias fascistas do serôdio nacionalismo ucraniano, não conseguiu vencer a guerra contra as proclamadas repúblicas de Lungas e Donetsk, foi derrotado vergonhosamente numa luta titânica em que os que pareciam ir perder (veja-se no mapa a diferença), conseguiram suster os militares que invadiram o Leste da Ucrânia e espalharam o terror na população civil das suas cidades. Para salvar a honra eis que invocam a intervenção militar da Rússia. Mas nada se consegue provar, como se fosse na lua… Quando começa a guerra a primeira baixa é a verdade.

Compreendo o horror que lhe inspira tudo o que não sincronize com o militarismo que defende (lembro que o Portugal fascista pertenceu à NATO!…). Enfim, o Sr.. VPV, como súbdito do império britânico, tem de fabricar na sua cabeça um inimigo de estimação. Vai na onda, destila o seu fel e alivia-se. Mas reprova no exame de história, ficando muito bem no de historietas.

Desculpe-me o senhor provedor o acinte. Mas a pessoa é deveras irritante e não tem emenda.

José Manuel Jara
(Já havia enviado um comentário sobre o tema. Gostaria que este texto também servisse de feedback ao publicista da última página)

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