As confissões do general*

José Casanova    27.Ago.12    Outros autores

José CasanovaSe um ex-alto responsável confirma, em tribunal, o verdadeiro papel do narco-fascista Uribe num criminoso processo de assassínios em massa e tráfico de droga, a probabilidade de termos conhecimento desse facto através dos media dominantes é muito reduzida. Eles são a voz do dono imperialista, que os manda dizer que a Colômbia é um “exemplo de democracia e dos direitos humanos”.

Os media dominantes não têm dado notícias sobre o caso do general colombiano Maurício Santoyo – que foi chefe dos Serviços de Segurança do governo de Uribe e braço direito do então presidente da Colômbia e agora está a ser julgado num tribunal norte-americano.
Percebe-se o silêncio: em matéria de notícias sobre o que se passa na Colômbia (como, aliás, em relação ao que se passa no resto do mundo: Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, etc, etc.) os media do grande capital funcionam numa onda informativa rigorosamente definida e da qual não saem por nada deste mundo – e muito menos em nome da verdade.
Mas vamos ao caso: o tal general, no tal tribunal, declarou-se culpado de, no desempenho do tal cargo, ter colaborado com os paramilitares e narcotraficantes das milícias fascistas das «Auto-Defesas Unidas da Colômbia» – que foram criadas por Uribe e são responsáveis por mais de 200 mil assassinatos e «desaparecimentos» e eram fornecedoras de droga para vários países, incluindo para os EUA. Para qualquer cidadão não afectado pela mediática desinformação organizada, o caso não oferece qualquer estranheza, antes suscita a questão de saber se o réu vai confessar tudo – porque se o fizer veremos certamente confirmado o verdadeiro papel do narco-fascista Uribe em todo esse processo.
No entanto, há que reconhecer que esta não é notícia para ser divulgada pelos media dominantes, os quais se têm esfalfado, durante anos e anos, a apresentar-nos a Colômbia de Uribe (e, depois, de Santos) como «democracia exemplar» – para utilizar a expressão criada pelos EUA e caninamente seguida pelos media dominantes em todo o planeta.
Por esses media soubemos, vejam bem!, que o narco-fascista Uribe foi um intrépido defensor da liberdade, da democracia e dos direitos humanos, de tal forma se destacando nessa gesta heróica que Bush lhe atribuíu a «Medalha da Liberdade»… não sem que, antes da medalha, Uribe tenha aberto as portas da Colômbia a sete bases militares dos EUA – as quais, segundo Obama, constituem importantes trunfos no combate ao terrorismo e ao narcotráfico.

Está-se mesmo a ver, não está?…

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2021, 23.08.2012

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