Nota dos Editores

As eleições na Grécia: os de cima já não podem governar como antes…

Os Editores    09.May.12    Editores

As eleições de 6 de Maio na Grécia têm como resultado mais relevante a esmagadora derrota das forças políticas que se expuseram mais directamente ao serviço da troika FMI/BCE/UE, das suas políticas de destruição económica e social e de bárbara “austeridade”.
O bloco central grego implodiu. Os dois partidos no governo, PASOK e ND, perderam em conjunto cerca de 3,3 milhões de eleitores e passaram de uma percentagem conjunta de 77,5% dos votos para 32,1%. A “grande coligação” instalada pela troika após a demissão de Papandreou viu as urnas confirmarem a rejeição que os trabalhadores e o povo grego esmagadoramente têm manifestado em sucessivas e grandiosas jornadas e acções de luta, algumas das quais ininterruptas, como é o caso dos heroicos trabalhadores da “Greek Steelworks” em greve há quase 200 dias.
Mas se esta rejeição e recusa ficaram absolutamente claras, o mesmo não sucede com o quadro parlamentar que resulta destas eleições. Apesar da iníqua lei eleitoral que oferece à força mais votada um bónus de 50 deputados, ND e PASOK não reúnem um número de deputados suficiente para formar governo. Mas as outras forças representadas no parlamento também não estão em condições de o fazer.
Se um dado fundamental destas eleições é o afundamento de ND e PASOK, outro é o da presença no parlamento de forças políticas que, na sua maioria, resultam de cisões nestes partidos e, num caso, da cisão de uma cisão. Forças que, apesar desses afastamentos, se situam na proximidade das áreas políticas e ideológicas de origem. Trata-se de uma rearrumação de forças que está ainda em processo, com sentidos contraditórios, certamente determinada pela pressão do clamor popular contra as políticas seguidas, e cujo posicionamento está longe de ter ficado clarificado. A segunda força mais votada, SYRIZA, dificilmente conseguirá aguentar por muito tempo a contradição entre o afirmar-se contra o memorando da troika e ser ao mesmo tempo fielmente “europeísta”.
Na verdade, apenas o KKE apresentou ao povo grego, como toda a clareza, o que quer, o que combate e a via que propõe para ultrapassar a dramática situação actual. No seguimento da consistente progressão eleitoral que vem alcançando, conquistou mais cinco deputados, tendo agora 26. É um resultado importante, mas que não reflecte o papel determinante desempenhado pelo KKE na mobilização e no desenvolvimento da resistência e da luta de massas contra as imposições da troika, o seu corajoso combate político e ideológico pela ruptura radical com um sistema que vem condenando o povo grego à exploração, à pobreza, ao desemprego, a uma situação de autêntica ingerência colonial por parte das grandes potências da UE.
A UE temia estas eleições, como teme sempre que o povo é chamado a pronunciar-se, por muito perverso que seja o sistema eleitoral em questão, e por muito desiguais que sejam as condições em que as diferentes forças e propostas políticas se possam apresentar.
As eleições gregas mostraram que a troika não vai conseguir continuar a governar como até aqui. Falta ainda que fique claro o que vem a seguir. Se se tratar – no actual quadro, ou num quadro que resulte de novas eleições - de um processo de rearrumação de forças para, no fundamental, seguir a mesma política, não tardará a defrontar-se com a mesma magnífica resistência popular que acaba de derrotar ND e PASOK.
Os trabalhadores e o povo grego afirmaram de forma inequívoca o que não querem. Se mantiverem a vontade, a determinação e a combatividade exemplares que têm tido, mais tarde ou mais cedo construirão pelas suas próprias mãos o caminho que, como afirmou Aleka Papariga após as eleições, “não só não estará em oposição como estará próximo daquele que o KKE propõe para a resolução dos problemas imediatos, para a construção do poder dos trabalhadores e do povo”.

Os Editores de odiario.info

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