Belicistas NATOs*

Jorge Cadima    28.Jul.18    Outros autores

Na cimeira da NATO, tal como sucedera na reunião do G7, as contradições inter-imperialistas voltaram a manifestar-se. Mas no momento de decidir, todos acompanham Trump, aumentando as despesas militares (públicas) em 266 mil milhões de dólares, que gerarão colossais lucros (privados). A declaração final da Cimeira é um monumento à mentira. Acusa a Rússia de «acções agressivas», mas é a NATO quem comemorou os seus 50 anos com a guerra à Jugoslávia, violando o Direito Internacional e a ONU. Destruiu países inteiros, como a Líbia. Sustenta a acção dos fascistas na Ucrânia e Israel. A Colômbia narco-terrorista tornou-se seu membro associado. No que vai de ano, o patrão da NATO violou acordos internacionais sobre o Irão e Jerusalém.

A Cimeira da NATO revelou de novo, publicamente, as intensas contradições e disputas entre as velhas potências imperialistas. Não é um facto secundário, nem um mero problema de pessoas ou birras: o terremoto em curso tem bases objectivas profundas.

Reflecte a profundíssima crise do capitalismo. Reflecte o esgotamento dos mecanismos de reprodução do capital e o consequente acirrar das disputas pelos lucros ainda disponíveis. Reflecte a inexorável deslocação do centro de gravidade económico do espaço euro-atlântico para leste. Reflecte o decenal declínio económico e financeiro dos EUA, também face à UE, e simultaneamente o seu poderio militar. A diatribe de Trump contra a Alemanha e o gasoduto que a ligará à Rússia evidenciou que, longe do palavreado sobre «valores» ou «defesa», estão em jogo o poder e as negociatas, com destaque para a energia e armamento. Sempre foi assim. A novidade é que os ralhetes que, em público, eram dados (por todos) aos «países recalcitrantes» atingem agora aliados, em directas televisivas ao pequeno-almoço.

Ao contrário da Cimeira dos G7, desta vez houve declaração final. A ilusória recomposição baseou-se na escalada militarista. Os ataques da facção globalista do capital contra Trump são ferozes. O Trilateralista Wolf chama-lhe um «ignorante perigoso» (Financial Times, 10.7.18) que está «em guerra contra a ordem mundial liberal» (FT, 3.7.18). Mas no momento de decidir, todos acompanham Trump, aumentando as despesas militares (públicas) em 266 mil milhões de dólares, que gerarão colossais lucros (privados).

Incluindo a UE dos «valores europeus». Incluindo Tsipras e Costa. Face aos ralhetes, todos aprovam uma Declaração Final que é um monumento à mentira. A NATO comemorou os seus 50 anos com a guerra à Jugoslávia, violando o Direito Internacional e a ONU (hoje presidida pelo então primeiro-ministro português, que deu o seu aval a essa guerra). Destruiu países inteiros, como a Líbia. Sustenta a acção dos fascistas na Ucrânia e Israel. A Colômbia narco-terrorista tornou-se seu membro associado. No que vai de ano, o patrão da NATO violou acordos internacionais sobre o Irão e Jerusalém. Dispara em todas as direcções.
As empresas que comprem petróleo ao Irão deixarão de ter acesso ao mercado dos EUA (New York Times, 26.6.18). Mas a Declaração da NATO tem o desplante de começar proclamando que são «as acções agressivas da Rússia, incluindo a ameaça e o uso da força para alcançar objectivos políticos» que «desafiam a Aliança e minam a segurança Euro-Atlântica e a ordem internacional baseada em regras». O delírio torna-se absurdo quando proclama que «a nossa unidade e solidariedade são hoje mais fortes do que nunca». O cambaleio do presidente da Comissão Europeia antes (!) do jantar de gala não destoou, afinal, na farsa grotesca desta Cimeira.

Mas o assunto é sério. Não se trata apenas de que as despesas belicistas serão roubadas aos povos. A NATO sempre foi um instrumento de dominação do imperialismo dos EUA, e o militarismo alimenta a reacção (externa e interna) e as dinâmicas de guerra. As querelas entre mafias capitalistas em disputa por territórios e riquezas já produziram guerras mundiais. Quem pensa que combate a mafia pagando-lhe tributos está enganado. É urgente exigir: fim à NATO!

*Este artigo foi publicado no Avante! nº 2329, 19.07.2018

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