Bolívia: a ditadura instala-se

Jean-Michel Hureau    23.Nov.19    Outros autores

O poder fascista saído do golpe de Estado na Bolívia procura consolidar-se sobretudo na base de uma violentíssima repressão que já provocou dezenas de mortos e centenas de feridos. Os sórdidos pormenores da sua preparação estão a surgir rapidamente, e todos têm em comum os EUA. Ficou a saber-se que o preço da traição das chefias militares e policiais oscila entre meio e um milhão de dólares, quantia insignificante se comparada com a riqueza novamente roubada se o golpe vier a consolidar-se.

Apenas três dias depois de exigir a demissão do presidente legitimamente eleito, Evo Morales, o general William Kaliman mudou-se para os Estados Unidos depois de receber 1 milhão de dólares, em troca dos seus bons e leais serviços, da mão do adido comercial da Embaixada dos Estados Unidos em La Paz, Bruce Williamson.

A mesma quantia foi entregue a todos os outros comandantes militares e apenas 500.000, coitados, aos altos comandantes da polícia, todos de partida para os EUA. Foi Bruce Williamson quem ficou encarregue de os contactar e de coordenar as acções que conduziram ao golpe de Estado, entre a amotinação da polícia e a inacção do exército.

A senadora autoproclamada presidente, Janine Añez, apressou-se a nomear outros comandantes em substituição dos fugitivos, evitando assim qualquer investigação imediata por parte das instâncias locais e internacionais. Como por acaso, a maioria deles vem das províncias de Santa Cruz, Beni e Oriente, que são tradicionalmente os focos mais reaccionários e onde nasceu a maioria dos golpes de Estado neste país, que quase conta mais golpes do que anos de independência. Os nomeados são:
- Pablo Arturo Guerra Camacho, Comandante em Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas
- Iván Patricio Inchausti Rioja, comandante do Exército
- Ciro Orlando Álvarez, comandante da Força Aérea
- Moisés Orlando Mejía Heredia, Comandante da Marinha
São eles os responsáveis ​​pela repressão actual e futura.

Constitucionalmente, seria a senadora Adriana Salvatierra quem deveria assumir a presidência depois da demissão de Evo Morales e do vice-presidente Álvaro García Linera, ambos sob coação e ameaças de morte, mas a polícia proibiu-a de entrar no congresso que, na confusão, elegeu Janine Añez, sem que tivessem sido aprovadas por maioria de 2/3 as demissões do presidente e do vice-presidente. Os 26 senadores do MAS (Movimiento Al Socialismo) não puderam entrar e apenas os 10 senadores golpistas puderam expressar-se.

Além disso, os jornalistas locais e estrangeiros que não apoiam o novo regime são considerados sediciosos e são imediatamente presos. Em dois dias, as primeiras páginas dos jornais tiveram de se conformar em dar uma boa imagem do putsch. Os jornalistas recalcitrantes são assediados e agredidos por evangelistas fanáticos. Os jornalistas da TeleSur e da TV russa RT tiveram que se refugiar em El Alto, nas alturas de La Paz e onde a população pobre é favorável a Morales.

Foi ordenado a 600 médicos cubanos, que não faziam mais do que prestar cuidados à população mais pobre, que deixassem imediatamente o território.
A população resiste heroicamente mas os mortos acumulam-se sob uma feroz repressão contra a população ameríndia.

São estes os altos valores democráticos e sociais que transportam os novos senhores do país.

Ver:
https://noticias.tvmundus.com.ar/2019/11/14/region-golpe-de-estado-en-…
https://noticias.tvmundus.com.ar/2019/11/14/region-golpe-de-estado-en-…
https://noticias.tvmundus.com.ar/2019/11/15/region-golpe-de-estado-en-…
https://noticias.tvmundus.com.ar/2019/11/15/region-golpe-de-estado-en-…

Fonte: https://www.legrandsoir.info/bolivie-la-dictature-s-installe.html

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