Canadianos apelam a que o departamento de justiça investigue recrutamento das Forças de Defesa de Israel em escolas de Toronto

Yves Engler    10.Nov.20    Outros autores

Uma informação insólita e chocante sobre como o sionismo internacional recruta em escolas estrangeiras para as forças armadas de Israel. O caso concreto diz respeito ao Canadá, mas provavelmente não será isolado. E merece igualmente registo o repugnante facto de nessas escolas se instilar uma mentalidade de ódio racista e a disponibilidade para matar em seu nome em crianças da mais tenra idade.

Deveriam as escolas de Toronto encaminhar os alunos para forças militares estrangeiras empenhadas numa ocupação brutal?
A lei canadiana torna ilegal o recrutamento de soldados para um estado estrangeiro. Mas a linha entre atrair jovens impressionáveis para oprimir palestinianos e o recrutamento formal não é clara.

Numa carta aberta assinada por Noam Chomsky, Roger Waters, o cineasta Ken Loach, o autor Yann Martel, o ex-MP Jim Manly, o poeta El Jones e mais de 150 outros pede-se ao Ministro da Justiça canadiano David Lametti que investigue o consulado israelita por anúncios de recrutamento de canadianos para a tropa de Israel, e possível recrutamento militar dentro das escolas de Toronto. A carta e a queixa formal anexa de segunda-feira pedem ao governo federal que aplique acusações ao abrigo da Lei de Alistamento Estrangeiro contra aqueles que recrutam canadianos, caso tais violações sejam constatadas no decurso de um inquérito.

A queixa mencionou funcionários do governo israelita que operam no Canadá e especifica que escolas de Toronto poderiam também estar a incentivar jovens mentes a ingressar nas FDI sob o pretexto de eventos culturais realizados em salas de aula com representantes militares israelitas.

Militares israelitas em escolas canadianas

Exista ou não um plano formal de recrutamento dentro das escolas, é assim que parece funcionar: as escolas realizam apresentações de bandas militares israelitas, organizam eventos de recolha de fundos para grupos de apoio a “soldados solitários” e celebram as FDI. À medida que as crianças passam do ensino básico para o ensino médio, antigos e actuais soldados israelitas falam com eles sobre as FDI, numa aparente campanha de recrutamento semelhante à do consulado israelita.

A Netivot HaTorah Day School promove as FDI e os estrangeiros que se alistam nelas junto das crianças desde a pré-escola ao oitavo ano. Uma postagem de Janeiro da Netivot HaTorah no Facebook explica que uma iniciativa de recolha de fundos “dia do donut” arrecadou mais de US $ 750 para uma organização chamada Garin Chayalim - um programa que apoia soldados solitários das FDI.” Há uma década, o presidente da escola, Dov Rosenblum, alegadamente gabou-se no Canadian Jewish News de que “pelo menos 15 ex-alunos servem nas FDI”.

A Bialik Hebrew Day School promove também as FDI. O seu site observa: “programas Tzedakah, como o Shai Le’chayal, ajudam os alunos a assumir um sentido de responsabilidade para com a comunidade israelita através do envio de presentes aos soldados israelitas. Da mesma forma, ter a oportunidade de interagir com os soldados da banda FDI, que visitam e actuam na escola, reforça esses sentimentos.”

A Toronto Heschel School fez a apresentação da IDF Nachal Band em Setembro passado e organizou outras iniciativas de apoio aos militares israelitas.
Na Leo Baeck Day School, os “israelitas pré-serviço militar” passam um ano com famílias na comunidade escolar de Toronto através de um programa de correspondentes. Quando regressam a Israel para o serviço militar, relata o Canadian Jewish News, mantêm ligação com alunos “por meio de vídeo chat ao vivo a partir dos quartéis das Forças de Defesa de Israel, vestidos com os seus uniformes militares”. Os alunos prestam também “homenagem aos heróis caídos de Israel” e recolhem fundos para a Beit Halochem Canada / Ajuda aos Veteranos com Deficiência de Israel, que apoia soldados feridos das FDI.

A Leo Baeck e as outras escolas fornecem alunos para escolas de segundo grau que promovem as FDI, onde os alunos geralmente se alistam após a formatura. A Orquestra das FDI tem actuado no TanenbaumCHAT e a maior escola privada do Canadá organiza eventos de recolha de fundos para iniciativas militares israelitas. No mês passado, a sua página no Facebook descreveu “um esforço para recolher dinheiro para as FDI. Graças ao entusiasmo e generosidade dos nossos alunos e funcionários, temos o prazer de informar que os membros de uma base do exército no sul de Israel têm agora um bom lugar para se sentar e desfrutar de sua versão da ‘pausa de10 minutos’.”

A escola mantém regularmente “dias FDI”. Um resumo de uma das notas de Janeiro,
Shavuah Yisrael continuou hoje com o dia @IDF. A comunidade @tanenbaumchat - sob a liderança de nossos Schlichim [emissários israelitas] Lee e Ariel - mostrou o seu apoio às Forças de Defesa de Israel vestindo-se de verde, comendo verde e doando verde! O rendimento dos deliciosos donuts salpicados de verde que foram vendidos durante a pausa de 10 minutos estão a ser doados para ajudar ao bem-estar dos soldados israelitas em serviço activo em nome de TanenbaumCHAT através da Associação para os Soldados de Israel - Canadá.”

A revista de ex-alunos da escola anuncia um fundo que auxilia alunos que desejem integrar as FDI. Observa que o “Memorial Fund Judy Shaviv para o prosseguimento dos estudos em Israel ‘Keren Yad Yehudit ’auxilia os graduados a servir nas FDI, estudar ou voluntariar-se.”

A escola secundária homenageia também os graduados que serviram nas FDI e convida-os a falar sobre alistar-se no exército israelita. Segundo o seu site,
Durante a Shavua Israel (Semana de Israel) em Fevereiro de 2020, Seth Frieberg ‘08 falou aos alunos sobre as suas experiências como soldado solitário nas Forças de Defesa de Israel. Focando a sua conexão pessoal com Israel, observou que ‘foram basicamente 14 meses em que todos os dias eu estava a fazer algo que, para mim, era uma forma significativa e substancial de retribuir a Israel.’ ”

Oficiais israelitas falam na escola juntamente com Consulado Geral de Israel. Em Maio de 2019, o coronel Barak Hiram falou aos alunos sobre “ser um novo recruta e um comandante experiente na Brigada Golani”.

Soldados em serviço activo das FDI também falam na Bnei Akiva de Toronto. Algumas das biografias de professores do ensino secundário registam que serviram no exército israelita e a escola celebra o exército israelita de outras maneiras. “Ama Bnei Akiva?! Ama as FDI?! Venha connosco correr a Maratona de Jerusalém! Bnei Akiva fez parceria com a Tikvot e, juntas, estamos a recolher fundos para ajudar os soldados feridos das FDI e as vítimas do terrorismo a recuperarem”, diz uma postagem escolar de 2018 no Facebook.
Bnei Akiva homenageia ex-alunos que serviram nas FDI na sua página da web. “Bnei Akiva Schools tem orgulho em homenagear os nossos alunos que serviram corajosamente nas Forças de Defesa de Israel”, explica o seu site. O perfil do Linkedin observa: “após a formatura, os alunos normalmente passam pelo menos um ou mais anos de estudo em Israel, e muitos servem nas FDI ou completam o Serviço Nacional de Israel”. A página da Wikipédia das escolas é ainda mais directa: “As escolas apoiam os graduados a que sirvam nas FDI e no serviço nacional israelita (Sherut Leumi).”

O movimento World Bnei Akiva tem uma academia em Israel que oferece um programa de seis meses de preparação para estrangeiros que planeiam ingressar nas FDI. Para ter uma ideia da perspectiva anti-palestiniana do movimento, o secretário-geral do World Bnei Akiva, Rabino Noam Perel, apelou a “vingança” e a “sangue do inimigo” após o assassínio de três adolescentes israelitas em 2014:

“O governo de Israel está reunindo para uma reunião de vingança que não é uma reunião de luto. O senhor perdeu a cabeça ao ver os corpos de seus filhos. Um governo que transforma o exército de investigadores num exército de vingadores, um exército que não vai deter-se nos 300 prepúcios de filisteus”, escreveu Perel no Facebook em referência à história bíblica de David, que matou centenas de filisteus e cortou os seus prepúcios. “A desgraça será paga com o sangue do inimigo, não com as nossas lágrimas”, concluiu Perel.
A escola Bnei Akiva e a TanenbaumCHAT incitam os seus alunos a alistar-se no exército israelita e as escolas primárias preparam jovens mentes para reverenciar as FDI. Não está claro se as acções da Escola Bnei Akiva e de TanenbaumCHAT - uma investigação formal sem dúvida revelaria muito mais evidência - infringem a Lei de Alistamento Estrangeiro do Canadá.

Para além das questões legais, deveriam escolas de Ontário encaminhar jovens para um exército estrangeiro envolvido numa brutal ocupação de 53 anos?

Fonte: https://mondoweiss.net/2020/10/canadians-call-on-justice-department-to-investigate-idf-recruitment-in-toronto-schools/

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