Carlos Lozano Guillén
1949-2018

Faleceu um dos mais destacados e combativos dirigentes comunistas colombianos. Grande amigo de odiario.info, aqui publicámos numerosos textos e entrevistas seus, sempre lúcidas análises da complexa situação há tão longos anos vivida pelo seu país e sofrida pelo seu povo. Transcrevemos em sua homenagem o comunicado do Comité Central do PCC, subscrito pelo seu secretário-geral Jaime Caycedo Turriago.

Registamos com imensa dor o desaparecimento do nosso camarada Carlos Arturo Lozano Guillén, Director do Semanário Voz e membro do Comité Executivo […] A sua partida é um duro momento para os comunistas e para o conjunto da Colômbia decente, no limiar das novas lutas para consolidar os avanços da paz, a convivência, a democracia e a justiça social às quais entregou a sua vida.

A sua prática, inspirada nos valores comunistas, deixa uma marca inapagável, não só no Partido como no âmbito do movimento popular. Desde a sua passagem militante na Juventude Comunista e já vinculado ao Partido assumiu a actividade jornalística no Semanário VOZ, do qual veio a ser director e teve que enfrentar graves ameaças, atentados e perseguição por parte da política anticomunista do poder dominante.

Com a sua personalidade e agudeza política, com a sua abnegação e esforço como revolucionário contribuiu para marcar o rumo da solução política, pela via do diálogo e de acordos justos que abriram caminho a um compromisso histórico, como porta de acesso a mudanças democráticas, largamente adiadas na vida colombiana.

Durante os piores períodos da guerra suja sustentou com firmeza a permanência do Semanário ao mesmo tempo que exerceu um papel protagonista no quadro da Comissão de Notáveis, na busca de caminhos para o diálogo e o entendimento entre o movimento guerrilheiro das Farc Ep e o governo. Esta fase da sua actividade foi também de um extraordinário significado humanitário e, juntamente com outros meritórios compatriotas, foi alvo do reconhecimento por parte do Estado francês com a atribuição da ordem da Legião de Honra.

Carlos faz parte de uma geração ponte de aguerridos jovens comunistas, entre os quais Leonardo Posada e Guillermo León Sáenz, que animaram o movimento estudantil desde a segunda metade dos anos 60. Carlos Lozano deixa o legado de um dirigente exemplar, clarividente e activo, verdadeiro construtor do Partido Comunista e um visionário da unidade, em todas as dimensões em que esta palavra tem significado para a realidade política actual e futura da Colômbia. Os seus escritos e crónicas, os livros publicados na sua fértil escrita, retratam um panorama testemunhal dos grandes desafio que os revolucionários enfrentaram e vão enfrentar no futuro.

O seu exemplo, vivo para as jovens gerações, tem no seu cerne a coerência e a rectidão, a convicção e a consequência com o seu próprio pensamento, a paciência e a firmeza e um sentido profundo da generosidade para com os outros, sempre carregada de solidariedade, fraternidade e altruísmo.

Nos últimos três anos combinou a batalha pela sua saúde com as tarefas quotidianas do VOZ, a escrita, o jornalismo em Telesur, com o programa Paz por Lozano e a atenção aos temas da segurança do Partido. Esse confronto com a enfermidade foi-o, antes de mais, com a inclemente injustiça do sistema de saúde, privatizado, mesquinho e insensível, que soube denunciar. Carlos assumiu como um compromisso partidário procurar a sua recuperação para continuar lutando pelos ideais que guiaram a sua existência.

Como um inteiro guerreiro da vida o vimos assumir o risco do seu último combate. Dizemos-lhe adeus com as bandeiras ao alto, com a força e o ensinamento do seu exemplo, com o compromisso de não abandonar a consigna da unidade nem o projecto comunista de uma sociedade humanizada, democrática em marcha para o socialismo. […]

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