Chuva Dourada sobre Damasco

Carlos Matos Gomes    20.Abr.18    Outros autores

O recente bombardeamento da Síria pelos EUA/NATO continua a suscitar muito diversas reflexões. Esta, de um capitão de Abril, talvez se centre excessivamente no trio Trump, May, Macron, e talvez exagere quando afirma que não teve qualquer efeito. Mas, ao sublinhar a sua absoluta ausência de justificação credível, aponta para o essencial: o partido da guerra está disposto a tudo. E se não tiver justificação, inventa-a.

A noite de 14 de Abril ficará para a História como mais uma noite de fogo-de-artifício sobre a Síria. Os 3 Chefes de Estado ou de Governo que estiveram envolvidos nesse acto são, antes de tudo, fogueteiros. Esses três dirigentes são seres estranhos, anormais. Não mais anormais que outros ao longo da história, mas igualmente anormais. São os anormais que saíram à rua ontem.

Estamos perante uma acção sem causa nem efeito. Só loucos procedem assim. Nero era louco, mas pegou fogo a Roma. A cidade ardeu e alterou-se. Estes três anormais, Trump, May e Macron, são loucos, mas a sua acção não teve nem tem qualquer efeito. Serão onanistas?

Consta que Trump gosta de bacanais com um número de chuva dourada — para os menos informados, trata-se de uma fantasia sexual em que uma ou mais mulheres (3 no caso presente) urinam sobre o homem e este obtém assim um orgasmo. Acontece que, mesmo vista através dos olhos viciosos da comunicação social, do tipo espreita, o foguetório sobre a Síria não chega a ser a chuva dourada de que Trump gosta. Deve satisfazer outras fantasias sádico/eróticas dele ou dos seus dois parceiros. Estamos no mundo da pornografia. Não no da política nem da estratégia.

Voltemos ao básico, para não nos envolvermos em jogos de bordel.

Porque foi o trio lançar fogo-de-artifício sobre a Síria? Não faltam locais de prazeres mais ou menos húmidos nos seus países.

É que, quanto ao prazer de queimar pó e gazes, não existem provas de a Síria ter utilizado armas químicas. Não existem provas de a Síria dispor de instalações para produção nem armazenamento.

Logo, não existe qualquer causa para a chuva dourada.

O que existe desde 1997 é a «Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons» (OPWC), uma organização independente, autónoma, com sede em Haia, que actua no âmbito das Nações Unidas para impor e verificar a Convenção para as Armas Químicas (Chemical Weapons Convention (CWC). Actualmente a OPCW conta com 192 Estados Membros, entre eles os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Síria e a Rússia os quais, segundo a convenção que assinaram, ”trabalham (?) em conjunto para libertar o mundo de armas químicas.”

Os 3 Estados Membros do ataque, sendo membros da OPWC, não propuseram nenhuma investigação sobre a existência e o emprego de armas químicas pela Síria, outro estado membro da OPWC. Porquê?

Assim, os despejos pirotécnicos dos 3 Estados à margem da OPWC, suscitam as maiores dúvidas sobre a boa-fé dos seus dirigentes.

Parece óbvio existir uma fortíssima questão de falta de credibilidade dos elementos do trio. Mas de aldrabões aos comandos de nações está a história cheia. Em princípio trata-se de mais 3 aldrabões. Mas não apenas.

Neste caso, além de 3 aldrabões, trata-se de três anormais em simultâneo. O que já não é vulgar. Anormais porque a sua actuação é inconsequente. Bush, no caso do Iraque, aldrabou mais de meio mundo com as “armas de destruição massiva”, mas arrasou o Iraque, derrubou o presidente, o governo, destruiu as forças armadas, provocou milhares de mortos, proporcionou um enforcamento ao vivo! Os resultados ainda estão e estarão à vista por muito tempo. Ora estes três anormais lançam fogo de longe e deixam a situação no terreno na mesma! O mesmo presidente, o mesmo governo, os mesmos aliados!

Sobre a desfaçatez dos três tristes aldrabões lançadores do fogo-de-artifício de 14 de Abril estes são os links que apresentam a OPWC, que eles se recusaram a utilizar para encontrar uma causa credível para a chuva dourada. Não custava nada terem ligado para lá: https://www.opcw.org/about-opcw/

https://www.opcw.org/news/article/opcw-director-general-on-allegations-of-chemical-weapons-use-in-douma-syria/

As autoridades portuguesas declararam entender o espectáculo da chuva dourada… e não foram nem o Vilhena, nem o Luís Pacheco que disseram…

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