Contra a Argélia: essas “ONG” guiadas pelos EUA que manipulam a Europa

Ahmed Bensaada    22.Dic.20    Outros autores

Existe uma ofensiva contra a Argélia, e os ingredientes e entidades no terreno são os de mais uma “revolução colorida”. Por detrás deles, como sempre, os EUA e a UE (e o inevitável Soros, com tão curiosas ligações em Portugal). Se as agressões militares imperialistas deixam um rasto de destruição e morte, o mesmo sucede com tais “revoluções”. Seja sob a forma de bombas e drones assassinos, seja sob a capa de ONG, o objectivo de, destruindo países, facilitar e sua ocupação e neocolonização é idêntico.

Que surpresa encontrar todas as “ONG” financiadas pelos EUA por detrás de qualquer tentativa de “Revolução Colorida”. Gostaram da da Geórgia, com o incrível palhaço Sakachvili e seu lacaio Glucksmann, e também da da Ucrânia, da Sérvia, e de todas as supostas “Primaveras Árabes?” Vai então gostar da nova revolução que, em forma de farsa, esses mesmos grupos estão a tentar desencadear na Argélia. Argel é um dos últimos países árabes a não capitular perante a causa palestiniana. Isso mereceu-lhe um castigo por parte de Washington e do seu pilar Soros. Ah se a Argélia pudesse tornar o Iémen ou a Líbia!

Milhares de lobistas - cerca de 40.000 em Bruxelas, ou seja cerca de 50 por deputado europeu, percorrem os corredores das várias instituições da União Europeia, ocupados na defesa dos interesses do mundo dos negócios. Estamos aqui na corrupção ou tentativa clássica de corromper. Mas agora há algo mais. Uma vez que um uso hábil, ou ardiloso, dos “Direitos Humanos” pode ser uma arma capaz de desestabilizar um país surdo às injunções do Ocidente, encontramos agora entre esses “influenciadores” representantes de organizações que se reclamam dos “Direitos humanos” e da “exportação da democracia”.

É flagrante um inquérito, realizado em 2019 (publicado em Fevereiro de 2020) e que trata das relações entre determinadas ONG e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Mostra como o Tribunal está fortemente infiltrado financeiramente por alguns desses grupos de pressão. O que mais chama a atenção é o Open Society Foundation (OSF) do bilionário norte-americano George Soros. Esta fundação tinha surpreendido os observadores ao publicar uma lista dos seus “aliados de confiança” no Parlamento Europeu (2014-2019). Em artigo publicado em 2017 pela RT França, podemos ler: “Sob a forma de um elenco, a Fundação George Soros de facto identifica os tomadores de decisão, deputados e líderes europeus em função da sua adesão aos ideais da “sociedade aberta” (Open Society) […]. Este documento lista 226 parlamentares (em 751) considerados como propensos a apoiar os valores da “sociedade aberta” defendidos por G. Soros e sua fundação. Assim, de acordo com o relatório independente sobre as influências exercidas no seio da CEDH, nota-se que “Vinte e dois juízes dos cem magistrados permanentes que ocuparam cargos entre 2009 e 2019, são antigos membros responsáveis por sete ONG fortemente activas junto deste Tribunal. Doze juízes estão vinculados à rede Open Society Foundations, sete ao Comité Helsinki, cinco à Comissão Internacional de Juristas, três à Amnistia Internacional, um à Interights e um à AIRE. A Open Society distingue-se pelo número de juízes a ela vinculados e pelo facto de financiar as demais organizações citadas neste relatório. Desde 2009, contam-se pelo menos 185 casos em que esses sete juízes estão envolvidos. […] Esta situação põe em causa a independência do Tribunal e a imparcialidade dos juízes.” Será necessário dizer mais? Tudo é dito neste relatório muito pouco divulgado na imprensa.

Entre as suas várias actividades, a OSF declara implicar-se activamente na “promoção da democracia”. Nesta área, ela trabalha em conjunto com várias organizações norte-americanas especializadas na “exportação” da democracia em questão. Aqui encontramos o National Endowment for Democracy (NED), a United States for International Development (USAID) e a Freedom House. Como elas próprias admitem, estas ONG não escondem o seu envolvimento em “Revoluções Coloridas” como na Sérvia, Geórgia ou Ucrânia, e também nas “Primaveras Árabes”. Essa política explica porque são consideradas indesejáveis em muitos países, especialmente na Rússia. Só em língua francesa, vários livros e inquéritos confirmaram o comprometimento dos amigos de Washington nesses trágicos acontecimentos. No livro “Le Vilain petit Qatar”, Nicolas Beau e Jacques-Marie Bourget, os autores da investigação, relatam os comentários publicados sobre o tema no New York Times. Em 14 de Abril de 2011, num artigo assinado por Ron Nixon, o diário escreve: “Ao mesmo tempo que os Estados Unidos investiam milhares de milhões de dólares em programas militares estrangeiros e campanhas anti-terrorismo, um pequeno núcleo de organizações financiadas pelo governo norte-americano promovia a democracia em estados árabes autoritários. O dinheiro gasto nesses programas era ínfimo em comparação com as acções conduzidas pelo Pentágono. Mas quando as autoridades dos EUA e outros olham para os levantamentos da Primavera Árabe, constatam que as campanhas EUA de construção da democracia desempenharam um papel maior nos protestos do que era anteriormente conhecido, os principais dirigentes dos movimentos tendo sido formados pelos americanos a fazer campanha, a organizar-se graças às novas ferramentas mediáticas e a observar as eleições”.

Visivelmente, o alvo hoje designado por Washington é a Argélia, que carece gravemente de uma “primavera”. O Hirak, movimento de protesto popular, não foi inicialmente, como sempre, desprovido de razões válidas. É quando o protesto se põe em marcha que a mecânica da mudança política “low cost” é interessante de analisar. Sendo claro que, na boca da CIA, do NED e das ONG amigas, a “democracia” não pode existir fora do modelo americano. E por que não o de Trump …

Nesta nova “guerra” contra a Argélia, depois a da década negra, é importante destacar a reviravolta da Europa, que acaba de tomar uma resolução contra este país. O Parlamento exige que “cada um dê o seu apoio aos grupos da sociedade civil, aos defensores dos direitos humanos, aos jornalistas e manifestantes” … Eis portanto Argel ameaçada por uma revolução colorida ou uma primavera adiantada.

O que chama a atenção são as dezasseis organizações que assinaram a declaração conjunta (em três idiomas) que foi amplamente divulgada nas redes sociais após a aprovação da resolução. Ei-los :

1. Human Rights Watch
2. Amnistia Internacional
3. Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH)
4. Repórteres sem Fronteiras (RSF)
5. CIVICUS: Aliança Mundial pela Participação Cidadã
6. Artigo 19
7. EuroMed Droits
8. Liga argelina pela Defesa dos Direitos Humanos (LADDH)
9. Colectivo das famílias de desaparecidos na Argélia (CFDA)
10. Sindicato Nacional Autónomo dos Funcionários da Administração Pública (SNAPAP)
11. Confederação Geral Autónoma dos Trabalhadores na Argélia (CGATA)
12. Ação para Mudança e Democracia na Argélia (ACDA)
13. Riposte Internationale
14. Fórum de Solidariedade Euro-Mediterrânico (FORSEM)
15. Instituto do Cairo para os Estudos de Direitos Humanos (CIHRS)
16. Cartooning for Peace
À primeira vista, esta lista parece muito heterogénea. O que vêm fazer, por exemplo, um instituto do Cairo e uma ONG sul-africana (CIVICUS) nos assuntos políticos da Argélia? Para responder a essa pergunta, interessemo-nos por cada uma dessas dezasseis organizações e os vínculos que as unem. Comecemos pelos primeiros sete da lista. Todos eles têm estatuto de lobista na União Europeia e são todos financiados pela OSF de Soros.

De registar que RSF e Artigo 19 são também financiados pelo NED. O prémio do financiamento “democrático” vai certamente para Artigo 19, que também recebe verbas da Freedom House e da USAID, além das do Departamento de Estado dos EUA.

Muito activas no Hirak, a manifestação de rua argelina, as cinco organizações seguintes (8 a 13) são todas argelinas. LADDH e CFDA são (ou foram) financiadas pelo NED.

Por outro lado, as organizações sindicais SNAPAP e CGATA são dirigidas por um activista cujas ligações com a central sindical americana AFL-CIO (Solidarity Center) ficam demonstradas, com duas cartas.

Recorde-se que o Solidarity Center é um dos quatro satélites do NED, tal como o National Democratic Institute (NDI), o International Republican Institute (IRI) e o Center for International Private Enterprise (CIPE).

É importante sublinhar que o NDI e a AFL-CIO são também lobistas na União Europeia.

Outra informação interessante: a LADDH, o CFDA e o SNAPAP são todos os três membros regulares da EuroMed Rights.

A ACDA e Riposte internationale são ONG muito envolvidas nas assembleias do Hirak que acontecem na Place de la République em Paris.

As relações da ACDA com ONG argelinas financiadas pelo NED, como, por exemplo, o Rassemblement Actions Jeunesse (RAJ) ou o CFDA, estão bem estabelecidas.

Outro interveniente na “batalha de Argel”, o FORSEM o Fórum Euro-Mediterrânico de Solidariedade, de acordo com as informações que figuram no seu site, esta ONG é “fundada por militantes associativos e académicos solidários com os levantamentos populares, dos quais alguns países de a costa sul do Mediterrâneo têm sido cenário desde o final de 2010”. Entre os membros da “Comissão Científica” deste Fórum, encontramos o sociólogo argelino Lahouari Addi, que se declarou o co-fundador. Esclarecimentos: durante muitos anos este sociólogo foi membro do “International Forum for Democratic Studies Research Council”, o think tank do NED?

Como as três ONG argelinas mencionadas anteriormente, o Instituto do Cairo para os Estudos de Direitos Humanos (CIHRS) também está associado à EuroMed Rights como “membro regional”. É financiado pelo NED e colabora regularmente com o Open Society Foundations.

Supõe-se que o último organismo da nossa lista faça a paz por meio do riso. Trata-se Cartooning for Peace, que pretende, portanto, ter uma missão política na Argélia. Co-fundado por Jean Plantu, caricaturista do Le Monde, o Cartooning for Peace reúne desenhadores argelinos, tais como Dilem ou Le Hic. Mas o Le Monde também colabora com uma das fundações Soros através da OSIWA (Open Society Initiative for West Africa).

Interessemo-nos agora por Maria Arena, a Presidente do Subcomité dos Direitos Humanos do Parlamento Europeu, que tão loquaz foi sobre a situação na Argélia, elogiando de passagem um dos “autoproclamados tenores de Hirak”, Karim Tabbou . Convém saber que esta eurodeputada faz parte dos 226 parlamentares que figuram na lista de “aliados de confiança” de George Soros.

O que é triste e cruel é sentir o mesmo opróbrio que aquele que atingiu a Argélia durante os “anos sombrios”. Ou reviver aquela funesta estação que pode ser a “Primavera”, quando é a arma que destruiu, ou feriu gravemente, certas repúblicas árabes, aquelas onde os activistas citados por Ron Nixon tanto se empenharam.

Desta vez, o ataque em curso é baseado nas teorias de Gene Sharp, “pensador” norte-americano e inventor das revoluções “sem violência”. Contra a Argélia, o batalhão das ONG está, portanto, em marcha. Seria útil que os verdadeiros democratas do Ocidente, correctamente informados, abrissem os olhos para a guerra que os seus Estados e a Europa tentam reacender. Com o argumento dos “Direitos Humanos”, quando basicamente se trata de um empreendimento neocolonial, nascida nas mentes dos neoconservadores que estão ao leme da tentativa a partir de Washington. Quem poderá sonhar com uma nova Líbia, uma nova Síria ou um novo Iémen na Argélia?

Fonte: https://www.legrandsoir.info/contre-l-algerie-ces-ong-guidees-par-les-usa-qui-manipulent-l-europe.html

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