Crime do Imperialismo no coração da Europa

Rui Namorado Rosa    20.Jul.15    Colaboradores

Por estes dias o imperialismo “comemora” os 20 anos do massacre de Srebenica. Desencadeia tragédias como o do desmembramento da República Federal Socialista da Jugoslávia, no que mais do que guerra civil foi sobretudo uma agressão militar estrangeira em grande escala. E comemora os crimes que nelas são cometidos, pelos quais é o primeiro e o maior responsável.

O desmembramento da República Federal Socialista da Jugoslávia foi um objectivo continuado do imperialismo desde 1990 até à sua “conclusão” em 2008. O que fora um país soberano e insubmisso, com recursos humanos e económicos e posicionamento invejáveis, que resistira heroicamente e se libertara da agressão nazi-fascista ao longo e até ao fim vitorioso da II Guerra Mundial, um exemplo sucedido de organização federal de um complexo xadrez sociocultural, foi destroçado em sete estados diferentes e naturalmente mais frágeis no plano internacional.

Sob a direcção do imperialismo norte-americano, com a cumplicidade interesseira de parceiros europeus, mormente Alemanha e França, com o concurso subversivo de redes criminosas, e mediante sucessivas intervenções militares ilegais (aéreas e terrestres) da força bruta da NATO - o que sucedeu então pela primeira vez e já posteriormente à dissolução do Pacto de Varsóvia! A justificação hipocritamente propagada era “culpa” das próprias vítimas, a sua diversidade étnica e religiosa, a procura e evolução do quadro constitucional do seu país, a acomodação das respectivas diferenças.

Para iludir quem foram e são os primeiros responsáveis pelos crimes cometidos contra a ordem internacional e contra os direitos humanos, no que mais do que guerra civil foi sobretudo uma agressão militar estrangeira em grande escala, foi então constituído em 1993 pela ONU um certo ad hoc Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Jugoslávia para julgar, não os agressores externos e o consequente aniquilamento da soberania de um estado membro da ONU, mas antes as partes nos diferendos internos – sinistra ironia. Depois, também para iludir o que de mais relevante esteve e está em causa, repetem-se rituais de evocar, louvar ou achincalhar actores ou incidentes internos daquele país.

Hoje, em mais uma “celebração”, o ex-presidente Bill Clinton, actor e decisor à época, foi participar, como compungido líder político e moral, na “comemoração” do 20º aniversário do massacre de Srebrenica (Bósnia-Herzegovina). Cena de teatro que procura escamotear os grossos interesses e os maiores crimes, e igualmente dissimular os seus mais altos responsáveis.    

Sete estados ocupam agora a área da antiga Jugoslávia; destes, Eslovénia, Croácia e Sérvia mantêm economias viáveis, sendo Alemanha, Itália e Áustria os seus principais parceiros comerciais na Europa, laços de circunstância geográfica e que remontam a antecedentes históricos; pelo contrário, Macedónia, Montenegro e Kosovo têm dimensão económica irrelevante – alvos úteis como paraísos fiscais, entrepostos militares ou de espionagem. Hoje, campo Bondsteel no Kosovo é a maior base construída pelos EUA desde a Guerra do Vietname; 500 hectares apropriados em 1999, aquando da “libertação do Kosovo”, junto à fronteira com a República da Macedónia, chave e cancela do imperialismo norte-americana no coração da Europa.  

O imperialismo não respeita os povos nem a verdade. É criminoso e mentiroso.
 
11 Julho 2015

http://www.iacenter.org/folder02/hidden_em.htm
http://www.bbc.com/news/world-europe-33491540 
https://www.wsws.org/en/articles/2002/04/oil-a29.html
https://atlas.media.mit.edu/en/

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