Discurso

Depois de 60 anos de lutas, sacrifícios, esforços e vitórias, vemos um país livre, independente e dono do seu destino

Raul Castro Ruz    04.Ene.19    Outros autores

Homenageando os 60 anos da Revolução Cubana, publicamos o discurso proferido em 1 de Janeiro por Raul Castro, primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba. O diário.info saúda a heroica luta do povo cubano pelo socialismo, em Cuba como em qualquer outro lugar «única garantia da independência e soberania nacional» nos dias de hoje.


Discurso do primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba, general do exército Raúl Castro Ruz, no acto político e cultural do 60 º aniversário do triunfo da Revolução Cubana, realizado na terça-feira em Santiago de Cuba

Santiagueras e Santiagueros;

Compatriotas de toda Cuba:

Reunimo-nos hoje para celebrar o 60º aniversário do triunfo revolucionário de Janeiro, e fazemo-lo novamente em Santiago de Cuba, berço da revolução, aqui no cemitério de Santa Ifigenia, onde se veneram os restos imortais de muitos dos melhores filhos da nação, muito perto dos túmulos do Herói Nacional, do Pai e da Mãe da Nação e do Comandante em Chefe da Revolução Cubana.

Não venho aqui para falar a título pessoal, faço-o em nome dos heroicos sacrifícios do nosso povo e dos milhares de combatentes que deram a vida durante mais de 150 anos de luta.

Parece incrível que o destino nos tenha reservado o privilégio de podermos dirigir-nos aos nossos compatriotas num dia como hoje, para comemorar seis décadas do triunfo em que, sob o comando de Fidel, pela primeira vez o povo cubano alcançou poder político e os mambises puderam realmente entrar vitoriosos em Santiago de Cuba, por coincidência 60 anos depois do estabelecimento do domínio absoluto do imperialismo norte-americano sobre Cuba.

Há alguns meses, em La Demajagua, reunimo-nos para lembrar o 150º aniversário do início das guerras pela independência de Cuba, em 10 de Outubro de 1868, data que marca o início da nossa Revolução, que sobreviveu a momentos de amargura e desunião, como o Pacto do Zanjón, e episódios luminosos como o protagonizado por Antonio Maceo no Protesto de Baraguá.

A Revolução reviveu, em 1895, graças ao génio e à capacidade de Martí de reunir os melhores e mais experientes da contenda dos 10 anos e preparar a “guerra necessária” contra o colonialismo espanhol.

Quando o exército colonial estava praticamente derrotado, com escassa moral combativa, cercado pelos mambises em quase toda a ilha e enfraquecido pelas doenças tropicais que, para citar apenas um exemplo, em 1897 que causaram 201.000 baixas entre os seus efectivos; a vitória foi usurpada com a intervenção norte-americana e a ocupação militar do país, que deu lugar a um longo período de opressão e a governos corruptos e servis aos seus desígnios hegemónicos.

Nem mesmo nestas circunstâncias difíceis se apagou a chama redentora do povo cubano, demonstrada nas figuras da estatura de Baliño, Mella, Villena, Guiteras e Jesus Menéndez, entre muitos outros que não se resignaram a viver afundados sob a afronta e o opróbrio.

Nem a Geração do Centenário, que sob a liderança de Fidel assaltou os quartéis de Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, em 26 de Julho de 1953, estava disposto a tolerar, 100 anos depois do nascimento de Martí, crimes e abusos de uma tirania sangrenta totalmente subordinada aos interesses dos Estados Unidos.

Seguiram-se então momentos de profunda dor e tristeza, após o revés e o vil assassínio de muitos dos combatentes revolucionários que participaram nessas ações, denunciados corajosamente por Fidel na sua histórica defesa “A História me absolverá”, que se converteu em programa da Revolução. A poucos metros daqui jazem os restos dos caídos naquele 26 de Julho e outros mártires da gesta insurrecional, incluindo também os valentes jovens santiagueros da luta clandestina e os filhos desta cidade que caíram nas gloriosas missões internacionalistas.

Nos duros anos de aprisionamento e vexames não vacilou o fervor e o compromisso de reiniciar a luta, cresceram o prestígio e a autoridade do líder revolucionário para agregar novas forças contra a ditadura.

No exílio no México não se conheceu o descanso; serviu para preparar a próxima e decisiva etapa do combate que nos trouxe no iate Granma às Coloradas em 2 de Dezembro de 1956. A demora em chegar a costa cubana devido à perigosa navegação, não permitiu a sincronização prevista com o Levantamento de Santiago de Cuba, em 30 de Novembro, organizado pelo audaz e corajoso jovem dirigente do Movimento 26 de Julho, Frank País García, que ainda não tinha 22 anos, idade em que foi brutalmente assassinado pelos esbirros da tirania em 30 de Julho de 1957.

Nem o desastre de Alegria de Pio, que quase aniquilou os expedicionários, pôde extinguir o optimismo e a fé de Fidel na vitória, convicções que o levaram a exclamar em 18 de Dezembro, quando nos encontramos de novo, com apenas sete espingardas: Agora sim, ganhamos a guerra!

De Santiago de Cuba, em resultado dos incansáveis esforços do movimento clandestino liderado por Frank País, recebemos na Sierra Maestra o primeiro reforço de jovens combatentes, armas e munições, o que significou um contributo crucial para a capacidade de combate do nascente exército rebelde.

Prosseguiram meses de luta incessante, primeiro na Sierra Maestra e depois a luta estendeu-se a outras regiões, com a abertura de novas frentes e colunas, e com a derrota da grande ofensiva das tropas de Batista contra a Primeira Frente dirigida por Fidel, que marcou o início da contraofensiva estratégica e a viragem radical da guerra que levou à derrota do regime e à tomada do poder revolucionário.

Já em 8 de Janeiro de 1959, na sua chegada a Havana, o Chefe da Revolução expressava, (cito): “A tiranoa foi derrubada, a alegria é imensa e todavia há ainda muito a ser feito. Não nos enganamos acreditando que a partir de agora tudo será fácil, talvez no futuro tudo seja mais difícil “. (Fim de citação).

As premonitórias palavras de Fidel não tardaram a tornar-se realidade. Começou uma etapa de lutas que abalou os alicerces da sociedade cubana. Em 17 de Maio, a escassos quatro meses e meio do triunfo, no comando de la Plata, no coração da Sierra Maestra, foi promulgada a primeira Lei da Reforma Agrária em cumprimento do Programa de Moncada, facto que afetou os poderosos interesses económicos dos monopólios norte-americanos e da burguesia crioula, que redobraram as conspirações contra o processo revolucionário.

A revolução nascente foi submetido a todo o tipo de agressões e ameaças, como as ações de grupos armados e financiados pelo governo dos EUA, os planos de atentados contra Fidel e outros dirigentes, o assassínio de jovens alfabetizadores, muitos deles ainda adolescentes; a sabotagem e o terrorismo em todo o país com o terrível saldo de 3 478 mortos e 2 099 incapacitados; o bloqueio econômico, comercial e financeiro e outras ações políticas e diplomáticas para nos isolar; as campanhas de mentiras para denegrir a Revolução e seus dirigentes; a invasão mercenária de Playa Girón em Abril de 1961; a Crise de Outubro de 1962, quando os Estados Unidos preparavam a invasão militar de Cuba e uma lista interminável de actos hostis contra a nossa pátria.

Ninguém pode negar que a Revolução que nascia naquele Primeiro de Janeiro não teve, ao longo de 60 anos um momento de sossego, vamos já com 12 administrações norte-americanas que não cessaram o seu empenho em forçar uma mudança de regime em Cuba usando um ou outro caminho, com mais ou menos agressividade.

O povo heroico de ontem e hoje, orgulhoso da sua história e cultura nacionais, comprometido com os ideais e obra da Revolução, que conta já quatro gerações de cubanos, tem sabido resistir e vencer nas seis décadas de luta ininterrupta em defesa do socialismo, sempre assente na mais estreita unidade em torno do Partido e de Fidel.

Só assim se pode entender a façanha de ter resistido aos duros anos do período especial, quando fomos deixados sós no meio do Ocidente, a 90 milhas dos Estados Unidos. Então, ninguém no mundo teria apostado um centavo na sobrevivência da Revolução; no entanto, pôde-se na verdade suportar e superar o desafio sem violar um único um dos princípios éticos e humanistas do processo revolucionário e merecer o inestimável apoio dos movimentos de solidariedade, que nunca deixaram de acreditar em Cuba.

Agora, novamente, o governo norte-americano parece tomar o rumo do confronto com Cuba e de apresentar o nosso país, pacífico e solidário, como uma ameaça para a região. Apela à tenebrosa Doutrina Monroe para tentar fazer retroceder a história para a era vergonhosa em que governos submissos e ditaduras militares se associaram ao isolamento de Cuba.

De forma crescente, altos funcionários da actual administração, com a cumplicidade de alguns lacaios, difundem novas falsidades e pretendem culpar Cuba de todos os males da região, como se estes não fossem consequência de impiedosas políticas neoliberais que causam a pobreza, a fome, a desigualdade, o crime organizado, o tráfico de drogas, a corrupção política, o abuso e a privação de direitos aos trabalhadores, aos deslocados, a expulsão de camponeses, a repressão dos estudantes e precárias condições de saúde, educação e habitação para a grande maioria.

São os mesmos que declaram a intenção de continuar a forçar a deterioração das relações bilaterais e promovem novas medidas de bloqueio económico, comercial e financeiro para restringir o desempenho da economia nacional, causar restrições adicionais sobre o consumo e bem-estar do povo, obstaculizar ainda mais comércio exterior e reduzir o fluxo de investimento estrangeiro. Dizem estar dispostos a desafiar o Direito Internacional, infringir as regras do comércio e as relações económicas internacionais e aplicar mais agressivamente medidas e leis de carácter extraterritorial contra a soberania de outros Estados.

Reitero a nossa disposição de coexistir civilizadamente, apesar das diferenças, num relacionamento de paz, respeito e benefício mútuo com os Estados Unidos. Também indicamos claramente que nós, cubanos, estamos preparados para resistir a um cenário de confronto, que não desejamos, e esperamos que as mentes mais equilibradas no governo dos EUA possam evitá-lo.

Cuba é novamente acusada, quando está demonstrado que a dívida externa, os fluxos migratórios descontrolados, a pilhagem dos recursos naturais são o resultado do domínio das corporações transnacionais no continente.

A força da verdade frustrou as mentiras e a história colocou os factos e os protagonistas no seu lugar.

Apenas pode ser atribuído à Revolução Cubana e à epopeia escrita por este heroico povo a responsabilidade que emana do seu exemplo como símbolo de plena independência, de resistência vitoriosa, justiça social, altruísmo e internacionalismo.

Como parte de Nossa América, tem sido e será invariável o nosso respeito e solidariedade com as nações irmãs, nas quais trabalharam mais de 347 700 médicos e profissionais de saúde cubanos, muitos deles em lugares remotos e difíceis, e se formaram mais de 27 200 jovens como profissionais. Isso demonstra confiança em Cuba.

Há poucas semanas regressaram dignamente, com o reconhecimento e carinho de milhões de pacientes, sobretudo de zonas rurais e populações indígenas, milhares de médicos cubanos que prestaram serviço no Brasil, a quem o novo Presidente caluniou e rejeitou com o objectivo de destruir esse programa social e com isso dar cumprimento às orientações da ultra direita na Flórida, que sequestrou a política dos Estados Unidos em direção a Cuba com o beneplácito das forças mais reaccionárias do actual governo norte-americano.

60 anos após a vitória, podemos dizer que estamos curados de ter medo, não nos intimida a linguagem da força nem as ameaças, não nos intimidaram quando o processo revolucionário não estava consolidado, não conseguirão, nem de longe, agora que a unidade do povo é uma realidade indestrutível, porque se ontem éramos poucos, hoje somos todo um povo defendendo a sua Revolução (Aplausos).

No passado dia 26 de julho, aqui em Santiago, expliquei que se havia configurado um cenário adverso e novamente ressurgia a euforia dos inimigos e a pressa de concretizar os sonhos de destruir o exemplo de Cuba. Também sublinhei a convicção de que o cerco imperial estava a estreitar-se em torno da Venezuela, Nicarágua e do nosso país. Os factos confirmaram essa avaliação.

Depois de quase uma década de pôr em prática os métodos de guerra não convencional para impedir a continuidade ou retardar o retorno de governos progressistas, os círculos do poder em Washington patrocinaram golpes de Estado, primeiro um militar para derrubar em Honduras o Presidente Zelaya e depois enveredaram por golpes parlamentares-judiciais contra Lugo no Paraguai e Dilma Rousseff no Brasil.

Promoveram processos judiciais fraudulentos e politicamente motivados, bem como campanhas de manipulação e descrédito contra dirigentes e organizações de esquerda, fazendo uso do controlo monopolista sobre os meios de comunicação de massas.

Desta forma, conseguiram prender o companheiro Lula da Silva e privaram-no do direito de ser candidato presidencial do Partido dos Trabalhadores para evitar a sua segura vitória nas últimas eleições. Aproveito esta oportunidade para apelar a todas as forças políticas honestas do mundo que exijam a sua libertação e a cessação dos ataques e a acusação contra as ex. presidentes Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner.

Aqueles que estão iludidos com a restauração da dominação imperialista na nossa região deveriam entender que a América Latina e o Caribe mudaram e o mundo mudou também.

Pela nossa parte, continuaremos a contribuir activamente para os processos de consenso e integração na região, baseados no conceito da unidade na diversidade.

Contribuímos para o processo de paz na Colômbia, a pedido expresso de seu governo, das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e do Exército de Libertação Nacional, e continuaremos a fazê-lo, passando por riscos, queixas e dificuldades.

A autoridade política e moral de Cuba é baseada na história, no comportamento e no apoio unido, consciente e organizado do povo.

Portanto, nenhuma ameaça nos fará desistir da nossa solidariedade com a República Bolivariana da Venezuela.

As acções agressivas contra essa nação irmã devem cessar. Como já advertimos há muito tempo, a repetida declaração de que a Venezuela constitui uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos, o aberto apelo ao golpe militar contra o seu governo constitucional, os exercícios de treino militar desenvolvidos na proximidade das fronteiras da Venezuela, bem como as tensões e incidentes na área apenas podem conduzir a grave instabilidade e a consequências imprevisíveis.

A região assemelha a um grande prado em tempos de seca. Uma faísca poderia gerar um incêndio incontrolável que prejudicaria os interesses nacionais de todos.

É igualmente perigoso e inaceitável que o governo dos Estados Unidos sancione unilateralmente e proclame também a República da Nicarágua como uma ameaça à sua segurança nacional. Rejeitamos as tentativas da desacreditada OEA, Organização dos Estados Americanos, de interferir nos assuntos dessa nação irmã.

Face à Doutrina Monroe temos de aplicar e defender, para o bem de todos, os princípios da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, assinada em Havana pelos Chefes de Estado e de Governo, que agora alguns aliados dos Estados Unidos pretendem ignorar.

O maior ensinamento que revolucionários e movimentos progressistas podem extrair da situação que se gerou é a de nunca negligenciar a unidade com o povo e não parar na luta em defesa dos interesses dos oprimidos, por mais difíceis que sejam as circunstâncias.

Para nós, nesta situação internacional complexa, preservam total validade as palavras do líder histórico da Revolução Cubana para apresentar o seu Relatório Central ao Primeiro Congresso do Partido em 1975, quando disse: “Enquanto existir o imperialismo, o Partido, o Estado e o povo prestarão a máxima atenção aos serviços de defesa. A guarda revolucionária nunca se descuidará. A história ensina com muita eloquência que aqueles que esquecem esse princípio não sobrevivem ao erro “. (Fim de citação).

Em correspondência com isso, continuaremos priorizando as tarefas de preparação para a defesa, em todos os níveis, no interesse de salvaguardar a independência, da integridade territorial, da soberania e da paz, a partir da concepção estratégica da Guerra de Todo o Povo, como está incluído na recém-aprovada Constituição da República.

É nosso dever preparar-nos completamente com antecedência para todos os cenários, incluindo os piores, não só militarmente, de modo a não deixar espaço à confusão e à improvisação que floresce naqueles a quem escasseia a vontade na hora de agir, e que com o optimismo e a confiança na vitória que Fidel nos legou e em estreita ligação com o povo, saibamos como encontrar a melhor solução para qualquer desafio que possa surgir.

Um desafio que enfrentaremos precisamente no ano que hoje começa, é a situação da economia, sobrecarregada por tensões no financiamento externo por causa dos condicionamentos sobre as receitas das exportações e o recrudescimento do bloqueio dos Estados Unidos e seus efeitos extraterritoriais.

Conforme expressou o nosso Ministro de Economia e Planeamento na última sessão da Assembleia Nacional, o custo para Cuba desta medida arbitrária, calculada de acordo com a metodologia internacionalmente aprovada, ascendeu no ano passado a 4 321 milhões de dólares, o equivalente a quase 12 milhões de danos em cada dia, dado que é negligenciado pelos analistas que costumam questionar o desempenho da economia nacional.

Independentemente do bloqueio e do seu reforço nós, cubanos, temos enormes reservas internas a explorar sem voltar a aumentar o endividamento externo. Para isso é necessário, em primeiro lugar, reduzir todas as despesas não essenciais e poupar mais, aumentar e diversificar as exportações, aumentar a eficiência do processo de investimento e potenciar a participação do investimento estrangeiro o qual, conforme indicado nos documentos de orientação do Partido, não é um complemento, mas um elemento fundamental para o desenvolvimento.

No mesmo cenário, a Assembleia Nacional, em 22 de Dezembro, o Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, camarada Miguel Díaz-Canel Bermúdez, fez o balanço do estado da economia durante 2018 e do plano para este ano , onde ressaltou que a batalha econômica continua sendo a tarefa fundamental e a mais complexa, e acrescentava, é aquela que mais exige hoje de todos nós, porque é a mais esperada pelo nosso povo.

Com esse propósito, explicou que é necessária uma atitude mais proactiva, inteligente e concreta dos dirigentes, promovendo – e não travando ou retardando - soluções seguras e particulares para os problemas, com a busca contínua e intensa de respostas ágeis e eficientes. Ao mesmo tempo, pediu mais coerência com a Conceptualização do Modelo Econômico e Social e que fossem mais sistemáticos e precisos na implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução.

É oportuno dizer que a direcção do Partido Comunista de Cuba apoia decididamente os pronunciamentos e as medidas tomadas pelo camarada Diaz-Canel à frente do Estado e do Governo desde que assumiu o cargo, incluindo o seu sistema de trabalho, baseado na visita ao territórios e comunidades; no vínculo com os colectivos e no intercâmbio directo com o povo, a promoção da prestação de contas através da imprensa e das redes sociais, bem como o controlo sistemático dos principais programas de desenvolvimento e a promoção de um estilo de direcção e gestão coletiva dos órgãos estaduais e governamentais.

Sem querer fazer uma avaliação apressada, posso afirmar que o processo de transferência para as novas gerações das principais responsabilidades corre bem, digo mais, muito bem, sem tropeços nem sobressaltos, e estamos seguros de que assim vamos continuar (Aplausos).

Aqueles jovens que tivemos então o privilégio de lutar sob o comando de Fidel, há mais de 65 anos, desde o Moncada, o Granma, o Exército Rebelde, a luta clandestina, Girón, o confronto com os bandos contrarrevolucionários, as missões internacionalistas e até ao presente, junto com o heroico povo cubano, sentimo-nos profundamente satisfeitos, felizes e confiantes de ver, com nossos próprios olhos, como as novas gerações assumem a missão de continuar a construção do socialismo, única garantia da independência e soberania nacional.

Passam 60 anos sobre o 1º de Janeiro de 1959, e no entanto a Revolução não envelheceu, continua sendo jovem e não é uma frase retórica, é uma confirmação histórica, uma vez que desde os primeiros momentos os seus protagonistas foram os jovens e assim tem sido ao longo destas primeiras seis décadas.

O processo revolucionário não está circunscrito à vida biológica daqueles que o iniciaram, mas à vontade e compromisso dos jovens que asseguram a sua continuidade. As novas gerações têm o dever de assegurar que a Revolução Cubana seja para sempre uma Revolução dos jovens e, ao mesmo tempo, uma Revolução Socialista dos humildes, pelos humildes e para os humildes (Aplausos).

Nesta significativa data não pode faltar a justa homenagem à mulher cubana, desde Mariana até hoje, sempre presentes nas nossas lutas pela emancipação da pátria e na construção da sociedade que hoje edificamos (Aplausos).

Companheiros e companheiros:

A segunda Sessão Ordinária da actual legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular aprovou a nova Constituição da República, que será submetida a referendo no próximo 24 de Fevereiro.

Anteriormente, por quase três meses, foi desenvolvido um amplo processo de consulta popular, em que os cidadãos livremente expressaram as suas opiniões sobre o conteúdo do projecto, levando à alteração de 60% dos artigos, evidência clara do carácter profundamente democrático da Revolução, onde as principais decisões que definem a vida da nação são elaboradas com a contribuição de todos os cubanos. Os nossos meios de comunicação forneceram uma cobertura detalhada durante o processo, o que me livra de me alargar sobre o assunto. Em poucos dias, o texto definitivo da nova Constituição começará a ser distribuído em folheto impresso.

Apenas quero acrescentar a garantia de que, mais uma vez, o nosso nobre e aguerrido povo demonstrará nas urnas em 24 de Fevereiro o apoio maioritário à sua Revolução e ao Socialismo, ratificando a Constituição no ano em que comemoramos o 150º aniversário da primeira Constituição de Cuba, aprovada em Guáimaro pelos iniciadores da guerra pela independência.

Após 60 anos de lutas, sacrifícios, esforços e vitórias, vemos um país livre, independente e dono do seu destino. Ao imaginar o amanhã, o trabalho realizado permite-nos vislumbrar um futuro digno e próspero para a Pátria.

Tendo em conta a heroica história de luta do povo cubano, em nome do nosso povo, com total optimismo e confiança no futuro, posso exclamar:

Viva para sempre a Revolução Cubana!

Muito obrigado

(Ovação)

Fonte: http://www.granma.cu/cuba/2019-01-01/tras-60-anos-de-luchas-sacrificios-esfuerzos-y-victorias-vemos-un-pais-libre-independiente-y-dueno-de-su-destino-01-01-2019-23-01-14

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