Documento: «Dia da Vitória»

A Rússia é hoje um país capitalista. Todavia (ao contrário do que sucede em tantos países do leste europeu onde o capitalismo foi restaurado) a sua actual direcção preserva em vários aspectos um sentido patriótico. Celebra com orgulho nacional os heroicos feitos da Grande Guerra Pátria, o papel determinante da URSS na derrota do nazi-fascismo. E é muito significativo que Putin recorde, nas celebrações do Dia da Vitória, a coincidência ideológica entre a ofensiva nazi de 1941 e a actual ofensiva anti-russa.

“A Festa da Vitória era, é e será sagrada para a Rússia, para nosso povo! Uma vitória de significado colossal e histórico para os destinos de todo o mundo. O povo soviético libertou a Europa do nazismo. A Vitória é nossa, pertence-nos de direito. Nós - de nós que quebrámos, estrangulámos e vencemos o nazismo – de nós herdeiros da geração dos vencedores, geração que honramos e da qual nos orgulhamos. Recordaremos sempre que este grandioso acto heroico foi realizado justamente pelo povo soviético, no período mais difícil da guerra, que nas batalhas que foram decisivas para o desfecho da luta contra o fascismo o nosso povo estava só, só num caminho extremamente difícil, disseminado de vítimas em direcção à vitória, que se bateu heroicamente até a morte em todas as frentes, em batalhas furiosas em terra, mar e céu. O nosso povo, de todas as nacionalidades e convicções religiosas, lutou por cada centímetro da sua terra: nos campos em volta de Moscovo, entre as rochas da Carélia, das montanhas do Cáucaso, das florestas de Vyasma e Novgorod, além das costas do Báltico e do Dnieper, nas estepes do Volga e do Don …
Caros veteranos, inclinamo-nos perante a vossa coragem e a vossa força de espírito, agradecemo-vos pelo exemplo imortal de coesão, unidade e amor pela Pátria, vós haveis demonstrado que só todos unidos podemos alcançar aquilo que parece impossível, haveis vencido um Inimigo implacável, haveis defendido a vossa casa, os vossos filhos, o país natal, haveis obtido uma vitória indiscutível sobre o nazismo e haveis glorificado ao longo dos séculos o 9 de Maio de 1945. Recordamos com uma dor imperecível os tormentos dos habitantes de Leningrado sob o cerco, dos prisioneiros dos campos de concentração, as incalculáveis tragédias dos habitantes dos territórios ocupados.
Cumprem-se este ano oitenta anos desde o início da Grande Guerra Patriótica, o 22 de Junho de 1941 é uma das datas mais trágicas da nossa história. O inimigo agrediu o nosso país, atacou a nossa terra para matar, semear morte, dor, horror e sofrimento indizível, o inimigo não queria apenas derrubar a ordem política, o sistema soviético, mas também destruir-nos como Estado, como nação, queria varrer os nossos povos da face da terra. Mas o povo soviético não só defendeu a Pátria como também libertou os países da Europa da “peste castanha”, infligiu uma condenação histórica ao nazismo … então, em 1941, tinham ainda pela frente quatro anos de uma guerra incrivelmente sangrenta … uma guerra que não é possível esquecer e que não tem perdão, tal como não existe justificação para quem ainda guarda planos agressivos no seu ventre! Quase um século nos separa dos acontecimentos de quando, no centro da Europa, a monstruosa besta nazi assumia impudentemente força e poder predatório. Os slogans de superioridade de raça e nação, anti-semitismo e russofobia ressoavam cada vez mais cínicos. Foram facilmente cancelados os acordos que convocavam a deter o deslizamento em direcção à guerra mundial
A história exige tirar conclusões e aprender lições, mas infelizmente muito da ideologia dos nazis e dos que com eles que estavam possuídos pela teoria delirante da sua “exclusividade” e “excepcionalismo” é novamente revivido na tentativa de a colocar novamente em acção. E não são apenas radicais de vários tipos e grupos terroristas internacionais. Vemos um bando de algozes não eliminados na altura, os seus seguidores, vemos as tentativas de reescrever a história, de justificar traidores e criminosos, em cujas mãos está o sangue de centenas de milhares de civis! O nosso povo sabe demasiado bem a que conduz tudo isso. Em cada família é preservada de forma sagrada a memória daqueles que lutaram pela vitória, e sempre teremos orgulho no seu feito heroico.
A Rússia defenderá sempre consistentemente o direito internacional, mas ao mesmo tempo defenderá com firmeza os seus interesses nacionais, garantirá a segurança do seu povo e a eficiente garantia disso são as Forças Armadas Russas, herdeiras dos soldados do Vitória, e certamente o nosso trabalho comum pelo desenvolvimento do país para o bem-estar das famílias russas … em nome da Pátria”.

Fonte: https://www.lantidiplomatico.it

http://www.marx21.it/index.php/internazionale/pace-e-guerra/31189-giorno-della-vittoria-la-traduzione-integrale-del-discorso-di-putin

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