Em 2007 o investimento português no estrangeiro foi superior à captação de investimento no exterior *

Eugénio Rosa**    09.Jun.08    Outros autores

Neste estudo, Eugénio Rosa demonstra o fracasso do governo Sócrates e do seu ministro da Economia na captação de investimento estrangeiro: em 2007, “o investimento directo de empresas portuguesas no estrangeiro (4.542 milhões de euros) [foi] já superior ao investimento estrangeiro em Portugal (4.115 milhões de euros) em 427 milhões de euros”

RESUMO

O PIB (Produto Nacional Bruto) que é utilizado normalmente para medir o crescimento económico e também o nível de riqueza de um país não traduz com rigor a verdadeira situação. E isto porque uma parte da riqueza criada num país pode ser transferida para o exterior não beneficiando os portugueses. É o que está a suceder em Portugal como vamos mostrar neste estudo.

O PIB (Produto Interno Bruto) dá o valor da riqueza criada anualmente em Portugal, e o RNB (Rendimento Nacional Bruto) dá o valor da riqueza criada anualmente que fica em Portugal. E os dados oficiais do INE revelam que é cada vez maior a diferença entre o PIB e o RNB.. Em 1995, o RNB foi inferior ao PIB em apenas 168,7 milhões de euros, mas em 2007 essa diferença para menos já atingiu 6397,2 milhões de euros, ou seja, quase 38 vezes mais. Mas foi com governo de Sócrates que essa diferença (RNB-PIB) aumentou mais. Em 2004, o RNB foi inferior ao PIB em -2.275,3 milhões de euros, enquanto que, em 2007, essa diferença para menos já atingiu -6.397,2 milhões de euros, tendo crescido, portanto, em -4121,9 milhões de euros.

E se calcularmos o valor por habitante que se obtém dividindo o valor do PIB e do RNB pela população total, obtém-se um indicador ainda mais correcto, pois a população varia de ano para ano, e só assim é que se poderá saber o que, em média, teoricamente cabe a cada residente em Portugal. Em 1995, o PIB (Produto Interno Bruto, ou seja, o valor da riqueza produzida em Portugal) por habitante foi de 8.494 euros, enquanto o valor do RNB (Rendimento Nacional Bruto, valor do que fica em Portugal) por habitante foi de 8.477 euros, portanto o valor do segundo foi inferior ao do primeiro em apenas 17 euros. Em 2004, o PIB por habitante atingiu 13.724 euros e o RNB por habitante foi de 13.507 euros, portanto o segundo já foi inferior ao primeiro em 217 euros; mas em 2007, o valor do PIB por habitante foi 15.358 euros enquanto o valor do RNB por habitante foi de 14.755 euros, ou seja, o segundo já foi inferior ao primeiro em 603 euros, portanto mais 387 euros do que em 2004 (três anos), quando esta diferença tinha aumentado 200 euros entre 1995 e 2004 (dez anos). É evidente um aumento acentuado do ritmo de crescimento da riqueza produzida no nosso País que é transferida para o estrangeiro deixando os portugueses cada vez mais pobres.

E temos trabalhado até aqui com valores a preços correntes, portanto sem descontar o efeito do aumento dos preços, pois se entrarmos em conta com a inflação os resultados são ainda mais graves. Entre 2004 e 2007, a preços constantes de 2004, portanto deduzindo o efeito do aumento de preços registado neste período, o PIB total aumentou 4,7%, mas o RNB cresceu apenas 2,2%, ou seja menos de metade. Mas se a análise for feita com base nos valores por habitante a situação é ainda mais grave. Efectivamente, entre 2004 e 2007, ou seja, nos 3 anos de governo de Sócrates o PIB por habitante cresceu apenas 3,6%, mas o RNB por habitante aumentou somente 1,1%, ou seja, menos de um terço. Estes dados revelam uma outra face do crescimento anémico e de transferência crescente de riqueza para o exterior verificado nos três últimos anos, que as estatísticas oficiais e o discurso governamental têm ocultado aos portugueses, pois utilizam apenas os valores PIB total.

O crescimento real verificado em Portugal nos últimos anos é bastante inferior àquele que o discurso governamental tem procurado fazer passar. Mas apesar de Portugal necessitar de investimento para aumentar o ritmo de crescimento económico e para criar postos de trabalho e, assim, reduzir o elevado desemprego existente, o certo é que as empresas portugueses, nomeadamente as pertencentes a grandes grupos económicos, estão a investir cada vez mais é no estrangeiro. Entre 2005 e 2007, de acordo com dados do Banco de Portugal, o investimento directo de empresas portuguesas no estrangeiro passou de 1.697 milhões de euros para 4.542 milhões de euros, portanto aumentou 268%, enquanto o investimento directo estrangeiro em Portugal passou de 3.160 milhões de euros para 4.115 milhões de euros, ou seja, cresceu em 130%.Isso determinou que, em 2007, o investimento directo de empresas portuguesas no estrangeiro (4.542 milhões de euros) fosse já superior ao investimento estrangeiro em Portugal (4115 milhões de euros) em 427 milhões de euros.

Apesar disso, se se analisar a Balança de Rendimentos do nosso País, utilizando dados divulgados também pelo Banco de Portugal, conclui-se que, em 2007, as saídas de rendimentos para o estrangeiro resultantes das aplicações da activos em Portugal, que inclui investimentos directos, aplicações em acções, títulos, etc., atingiram o gigantesco valor de 20.016 milhões de euros, ou seja, mais 76% (+ 8.639 milhões de euros) do que em 2005. Isto determinou que o saldo negativo da Balança de Rendimentos portuguesa tenha aumentado, entre 2005 e 2007, em 89%, pois passou de -3894 milhões de euros para -7.367 milhões de euros em apenas dois anos. Portugal está a perder uma parte crescente da riqueza que produz desta forma.

EM 2007, O RENDIMENTO NACIONAL BRUTO FOI INFERIOR AO PRODUTO INTERNO BRUTO EM 6397,2 MILHÕES DE EUROS QUANDO EM 2004 A DIFERENÇA ERA DE -2.275,3 MILHÕES DE EUROS

O PIB (Produto Nacional Bruto) que é utilizado normalmente para medir o crescimento económico e também a riqueza de um país não traduz com rigor a verdadeira situação dos habitantes de um país. E isto porque uma parte da riqueza criada num país pode ser apropriado por estrangeiros através da sua transferência para o exterior. É o que está a suceder em Portugal como vamos mostrar neste estudo utilizando dados oficiais.

A parcela da riqueza produzida anualmente em Portugal que é transferida para o estrangeiro, tem crescido de uma forma continuada, determinando que a parcela que fica no País para repartir pela população total, seja cada vez mais reduzida, como mostram os dados do INE constantes do quadro seguinte.

O PIB (Produto Interno Bruto) dá o valor, em euros, da riqueza criada anualmente em Portugal, e o RNB (Rendimento Nacional Bruto) dá o valor da riqueza criada anualmente que fica em Portugal. E como os dados do INE revelam a diferença, para menos, entre o RNB e o PIB é cada vez maior. Em 1995, o RNB foi inferior ao PIB em apenas -168,7 milhões de euros mas, em 2007, essa diferença para menos, já atingiu -6397,2 milhões de euros, ou seja, quase 38 vezes mais. Mas foi com governo de Sócrates que essa diferença para menos aumentou mais. Em 2004, o RNB era inferior ao PIB em -2.275,3 milhões de euros e, em 2007, essa diferença já era de -6.397,2 milhões de euros, ou seja, aumentou em -4121,9 milhões de euros.

Se compararmos a percentagem que o RNB (a riqueza que fica anualmente em Portugal) com o PIB (a riqueza criada anualmente em Portugal) concluímos que ela tem diminuído de uma forma contínua. Entre 1995 e 2007 passou de 99,8% para 96,1%. Mas foi também durante o governo de Sócrates que essa percentagem diminuiu mais pois, entre 2004 e 2007, ou seja, em apenas três anos, baixou de 98,1% para 96,1%, isto é, em 2 pontos percentuais, quando, entre 1995 e 2004, ou seja, em dez anos, tinha diminuído 1,4 pontos percentuais, pois passara de 99,8% para 98,4%.

EM 2007, O RNB POR HABITANTE FOI INFERIOR AO PIB POR HABITANTE EM 603 EUROS

Para se poder avaliar a situação dos habitantes de um país é mais correcto trabalhar com valores médios por habitantes os quais, no entanto, ocultam a forma como a riqueza é distribuída (segundo um estudo recente da Comissão Europeia, Portugal é o país da U.E. onde o fosso entre ricos e pobres é maior). E para isso interessa calcular os valores do PIB e do RNB por habitante. E dentro destes valores, o mais rigoroso é o RNB (Rendimento Nacional Bruto) por habitante, pois ele dá o que caberia a cada residente em Portugal se a riqueza criada anualmente que ficou no País fosse distribuída igual por todos, o que não acontece. Os resultados desse cálculo constam do quadro seguinte.

Em 1995, o PIB (Produto Interno Bruto, ou seja, o valor da riqueza produzida em Portugal) por habitante foi de 8.494 euros, enquanto o valor do RNB (Rendimento Nacional Bruto, valor do que fica em Portugal) por habitante foi de 8.477 euros, portanto o valor do segundo era inferior ao do primeiro em apenas 17 euros. Em 2004, o PIB por habitante já foi de 13.724 euros e o RNB por habitante de 13.507 euros, portanto o segundo já foi inferior ao primeiro em 217 euros. Mas, em 2007, o valor do PIB por habitante atingiu 15.358 euros, enquanto o valor do RNB por habitante já foi de 14.755 euros, ou seja, o segundo foi inferior ao primeiro em já 603 euros, mais 387 euros do que em 2004 (três anos), quando esta diferença tinha aumentado 200 euros entre 1995 e 2004 (dez anos). É evidente um aumento acentuado do ritmo de crescimento da riqueza produzida no nosso País que é transferida para o estrangeiro deixando os portugueses cada vez mais pobres…

EM 3 ANOS DE GOVERNO SÓCRATES O RNB POR HABITANTE AUMENTOU APENAS 1,1%

Como mostram os dados do quadro seguinte, durante os três de governo Sócrates, o crescimento do Rendimento Nacional Bruto foi bastante inferior ao do Produto Interno Bruto (PIB), quer se considere em valores totais quer se considere por habitante.

Entre 2004 e 2007, a preços constantes de 2004, portanto deduzindo o efeito do aumento de preços registado neste período, o PIB total aumentou 4,7%, mas o RNB cresceu apenas 2,2%, portanto menos de metade. E se a análise for feita com base nos valores por habitante a redução e a disparidade é ainda maior. Efectivamente, entre 2004 e 2007, ou seja, nos 3 anos de governo de Sócrates o PIB por habitante cresceu 3,6%, mas o RNB por habitante aumentou somente 1,1%, portanto menos de um terço. Estes dados revelam uma outra face do crescimento anémico verificado nos três últimos anos, que as estatísticas oficiais e o discurso governamental tentam a todo o custo ocultar aos portugueses, pois utilizam os valores do PIB total.

EM 2007, O INVESTIMENTO PORTUGUÊS NO ESTRANGEIRO FOI SUPERIOR EM 427 MILHÕES DE EUROS AO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO EM PORTUGAL

Apesar de Portugal necessitar de investimento para se desenvolver e para criar postos de trabalho e, assim, reduzir o elevado desemprego existente, o certo é que as empresas portugueses, nomeadamente as pertencentes a grandes grupos económicos, estão a investir cada vez mais é no estrangeiro. Em 2007, o investimento directo de empresas portuguesas no estrangeiro foi mesmo superior ao investimento de empresas estrangeiras em Portugal, como mostram os dados do Banco de Portugal constantes do quadro seguinte.

O investimento directo de empresas portuguesas no estrangeiro é já muito significativo, apresentando uma tendência de crescimento, embora com alguma irregularidade. Entre 2005 e 2007, o investimento directo de empresas portuguesas no estrangeiro passou de 1.697 milhões de euros para 4.542 milhões de euros, portanto aumentou 268%, enquanto o investimento directo de empresas estrangeiras em Portugal passou de 3.160 milhões de euros para 4.115 milhões de euros, ou seja, cresceu em 130%. Portanto o investimento de Portugal no estrangeiro aumentou mais do dobro do crescimento verificado no investimento estrangeiro em Portugal. Isso determinou que, em 2007, o investimento directo de empresas portuguesas no estrangeiro foi já superior ao de empresas estrangeiras em Portugal em 427 milhões de euros. E isto numa altura em que o País precisa tanto de investimento, nomeadamente de empresas portuguesas, para se desenvolver e para reduzir o elevado desemprego existente. Mas como refere o INE, numa nota informativa de 18.4.2008, “mais de 12% das empresas em Portugal deslocalizaram alguma(s) das suas funções para fora do País, pertencendo na sua maioria a um grupo económico (77,5%) e ao sector das indústrias Transformadoras (72,9%)”

EM 2007, AS SAIDAS DE RENDIMENTOS DE PORTUGAL RESULTANTES DE APLICAÇÕES FEITAS NO NOSSO PAÍS ATINGIRAM 20.016 MILHÕES DE EUROS, MAIS 76% DO QUE EM 2005

Outro aspecto importante da evolução da realidade sócio-económica portuguesa é dada pela Balança de Rendimentos de Portugal, que dá o fluxo de entradas e saídas de rendimentos resultantes de activos de estrangeiros em Portugal, e de activos pertencentes a portugueses no estrangeiro, os quais incluem investimentos directos, aplicações de carteira, títulos, etc. E como mostram os dados do Banco de Portugal constantes do quadro seguinte, essa Balança é cada vez mais desfavorável para o nosso País.

Em 2007, as saídas de rendimentos para o estrangeiro resultantes das aplicações feitas em Portugal atingiram o gigantesco valor de 20016 milhões de euros, ou seja, mais 76% (+ 8.639 milhões de euros) do que em 2005. Isto determinou que o saldo negativo da Balança de Rendimentos, que é desfavorável para Portugal, tenha crescido em 89%, pois passou de -3894 milhões de euros para -7.367 milhões de euros em apenas dois anos. Desta forma, Portugal está a perder uma parte crescente da riqueza que produz.

*Título da responsabilidade e odiario.info

** Economista

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